So What?
13 The Plan
Notas iniciais
Amy
– Mais que porra – resmungo empurrando Mike pro lado, para eu poder deitar no assento do carro.
– Querida, ta difícil para todo mundo, trate de dividir.
– Cala a boca Mike.
– Acho muito empolgante! – Clary bateu palmas e Lucy resmungou.
– Não dá para bater palmas aqui não, Cla.
– Vocês são uns chatos mesmo! Vai ser mó legal! Qual é Amy, você não assiste Hawaii-5.0?
– Sim, dãããã o que você acha que eu faço nos meus sábados a noite?
– Sair com o Henry que não é! – Mike riu.
– Toma no cú você! – bufo – Pior que é verdade, muito obrigada! Agora deixa meu amorzinho platônico em paz!
– Coloque platônico nisso.
– COMO É QUE VAI A KATY? – eu digo.
Carrie ri.
Era muito complicado. Pessoas são complicadas. Nós duas somos complicadas.
As vezes nos importamos muito com as outras pessoas, que acabamos imaginando um tipo de relação. Muitas vezes é só imaginária, por que pessoas não são perfeitas.
Longe disso.
– Estamos chegando? – Jake pergunta.
Lá estávamos nós sete enlatados naquela lata velha que Jake tanto amava, indo em direção a uma garota misteriosa, que poderia nos levar a algumas repostas. Eu ficava imaginando como tudo aquilo pode ter acontecido. E acima de tudo, como elas guardaram esse segredo por tanto tempo:
– Sim, é só virar a esquerda –Maya responde.
Carrie se inclina e aumenta o som.
– MEUS DEUS! SO WHATCH ME WHIP WHATCH ME NAE NAE! – Lucy começou a cantar – imitar uma foca sufocando – assim que ouviu as notas iniciais do refrão.
E quando me dei conta, lá estávamos nós, fazendo a dancinha – ou uma versão bem deprimente dela – como se nada em nós tivesse mudado.
Paramos em frente e uma casa enorme, uma cerca viva habitava as enormes paredes brancas, uma escada pequena de três degraus de mármore separava a casa da rua:
– Onde estamos? – pergunto a Maya.
– Um esconderijo – Maya bateu três vezes na porta.
– Senha? – uma voz do outro lado respondeu, desprovida de qualquer sentimento humano.
– Seção D-03.
A porta se abriu, dando lugar a um hall de entrada muito chique, uma escadaria, um pátio com chão de pedra e mais além, um jardim gigante com piscina. E muitas pessoas. Elas olharam para nós e algumas sorriram.
– Maya?
– Carrie?
– São elas mesmo?
Burburinhos. Carrie e Maya estavam paradas a nossa frente.
– Onde estamos? – sussurrei.
– Vínhamos aqui na época do Sandia. É uma espécie de clube.
– Clube?
– É uma Elite. – Carrie se virou e ficou de frente para mim – Fazíamos parte.
– Uma das poucas coisas boas que Savannah já fez.
– No caso a única.
Carrie nos guiou por um caminho, passamos por pessoas, por estantes de livros. Muitos corredores e quadros. Quem quer que more aqui, tinha muito dinheiro.
– Para onde estamos indo? Já estou cansada! – Lucy reclamou.
– Isso é por que suas pernas são muito curtas. – Jake disse.
– Quer me carregar então, seu mala? – ela retrucou.
A verdade é que estávamos num corredor vazio, onde o som das batidas das músicas que escutamos no Hall de entrada ficava abafado, e a luz natural das janelas era a única coisa que nos ajudava a não dar de cara com o chão a cada passo.
Maya abriu uma porta de vidro, todos entramos e ela fechou atrás de si.
O terraço. Algumas espreguiçadeiras, e mesas. E uma garota.
– N?
A menina de cabelos negros de virou para nós, ela sorriu. Tinha grandes olhos Azuis e um sorriso amigável.
– Quanto tempo não é mesmo? – ela disse sorrindo, parou em frente a nós. – E vocês – ela se virou para nós – Muito prazer, meu nome é Natalie.
– O prazer é nosso – Jake disse meio hipnotizado, e o sorriso dela alargou.
– Nat – Carrie e Maya a abraçaram.
– Affe achei que ia ser mais emocionante – sussurrei.
– Shiiiu não estraga o momento fofisse – Clary sussuroru de volta.
– É, isso é meu trabalho. – Lucy disse – Ei garota, sou a Lucy, essa aqui é a Clary, Amy – apontou para mim – o que ta caidinho por você e babando ali atrás é o Jake e o gnomo é o Mike.
– Temos muito o que falar. – Natalie disse – Venham, sentem-se.
. . .
– Minha vida social de repente ta parecendo com sua altura Mike, cresceu assim do nada. – eu disse.
– Há Há Há. Nem me diga...essa vida de pegar gente escrota, não é pra mim.
– A única coisa para mim nessa vida é o Netflix.
Estávamos na minha cozinha teoricamente estudando Francês, depois do encontro mais do que esclarecedor com Natalie, acabou que ela e Lucy se deram super bem, por que as duas tem esse tipo de mente sociopata que bola uns planos altamente fodas, á La Blair Waldorf.
Mais isso tomaria muito tempo, e se fossemos pessoas normais. Que fizessem algo de útil na vida, provavelmente não daria para participarmos.
Sorri. O plano ia dar certo. Eu estava até ansiosa, e muito feliz por que eu não teria que usar salto!
Isso mesmo, nosso plano incliu salto alto, bolos de casamentos e vestidos.
No tempo certo você entenderá.
– Cara, vai ser demais.
– Vai mesmo – concordo – Somos muito perturbados.
– Para caralho. – sorrimos.
Meu celulinho toca:
– É a gnoma – digo á Mike.
– Fala Lucy!
Atenção gafanhota!
Okay, minha amiguinha estava preocupadamente empolgada demais com tudo aquilo.
– O que você quer gnoma?
Os agentes superiores estão lhe dando uma missão. Contrate príncipe Henry!
– Nem fodendo! O que Henry tem a ver com isso? Não mesmo Lucy!
É para um bem maior, agora para de reclamar! Levanta essa bunda da cadeira e vai atrás do crush, leva o Mike ele vai te convencer. Anda logo Amy! Explicamos assim que você me disser que ele vai participar.
– EU NÃO VOU FAZER ISSO!
Mike tira meu celulinho de mim, só ouço ele fazendo alguns “uhuns” e concordando com a cabeça como se ela pudesse vê-lo.
– Okay, vou indo.
Ele desliga e joga para mim.
– Ei cuidado! – digo emburrada.
– Vamos atrás do Henry.
– Não!
– Qualé, vocês são amigos!
– Não, você é meu amigo, – ele fez uma careta e dei dedo do meio – Henry não serve para nada!
– é pela Carrie e pela Maya!
Eu olho para o chão:
– Pense nas suas amigas.
– E onde você quer que eu deixe os monstrinhos? – disse me referindo aos meus pirralhos ruivos – Por que acredite, já tentei na creche, mas nem lá agüentam eles.
– Você vai trazer eles.
– Ótimo era só o que eu precisava agora.
– Letty!
– Oi. – ela aparece na minha frente, em uma de suas mãos está com o controle de videogame de Jack.
– O quão ocupados vocês estão?
– Na verdade nada, passei a tarde toda jogando contra Jack e Teddy, ganhei todas é claro – modesta, claro. – Mas eles não aceitam perder por que são uns BUNDÕES!
– Você que é! – Teddy diz.
– Concordo. – Jack aparece.
– Tá certo, parece que vocês estão muito ocupados mesmo, mas tenho uma missão, e vocês estão nela.
Maya
Aconteceu nas férias de verão.
Carrie e eu éramos oficialmente inimigas.
Por mais que tenha tido dedo de Savannah La Vaca nisso, foi nossa culpa também, confiamos a Savannah segredos de ambas de nós, segredos que não deveríamos ter contado, porque só confiamos a nós mesmas.
Já não estávamos nos dando a semanas, nós duas mudamos muito e não nos dávamos tão bem quanto antes,não éramos tão boas juntas como antes. S apenas tirou proveito, por que eu e Carrie já estávamos discutindo á publico a muito tempo, mas o que faltava para a bomba explodir e matar tudo há cinco metros de distância aconteceu na festa de Peter Hughes, o cara mais popular do nosso ano – e por quem eu estava estupidamente apaixonada:
– Vai falar com ele, ele ta te secando a muito tempo – Savannah sussurrou com um sorriso de lado para carrie.
– Não posso! – ela me encarou do outro lado da mesa – Maya nunca me perdoaria.
– Edaí? Vocês nem são mais amigas!
– Não se mete S.
Ela franziu os lábios:
– Sabe que eu posso te derrubar não é? O poder da amizade é mesmo muito lindo C, mas o poder de uma aminizade é maior ainda. Além do que, se ela realmente é sua amiga, não acabará por causa de uma garoto. Anda, vai agora.
O que posso dizer? Os momentos que se seguiram não me orgulham nem um pouco, Carrie foi mesmo falar com Peter, e eles logo começaram a se beijar, assim no meio da pista, bem na minha frente:
– M... – Savannah disse, tinha uma expressão triste. – Eu...eu sinto muito! Não sabia que ela seria capaz disso...
É claro que eu não sabia que ela tinha feito aquilo, que ela estava brincando com suas duas bonecas prediletas, Maya e Carrie.
– Depois do que ela fez com você quinta feira! – Kimberly disse, também tinha uma falsa cara de pena.
Como eu mencionei, Carrie e eu tivemos nossas brigas em publico, e nessa quinta mencionada, ela tinha feito questão de entrar no concurso de redação.
Pra ser mais clara, pegar meu lugar. Mas eu admito...fiz o memso com ela um dia antes, no time de natação.
– O que você está fazendo? – eu deixei Kimberly e Savannah com suas penas e fui confrontar Carrie.
– Ei sua louca, o que você está fazendo? – ela retrucou, eu tinha separado ela e Peter na marra mesmo, FODA-SE KIRIDINHA!
– Como você pode?
– Fala sério, vamos falar de amizade agora? E o que você fez com Josh no jogo da garrafa?
– ERA UM JOGO DA GARRAFA!
– Foda-se Maya! Pare de chorar, não é como se ele te quisesse mesmo – ela deu um ultimo sorrisinho e voltou a enfiar a língua na garganta de Peter:
– Ah, eu vou parar de chorar, mas você não depois disso!
Bom, caímos na bela porrada, vamos dizer assim. Savannah teve seus momentos de felicidade, até fingir preocupação e tentar nos separar.
Desde então nós não nos falávamos mais, ignorávamos por completo a existência uma da outra, até que, um novo ano começou, e Savannah e Kimberly estavam a fim de pegadinha com as novatas:
– Não estou no clima, S!
– Maya! Você não está no clima desde a briga que teve com Carrie! Não quer que ela te veja como está se divertindo?
– Mas ela também vai estar lá.
– Claro, vocês podem ter aniquilado a amizade entre vocês, mas eu não – e ela deu um sorriso, como se aquilo ia tirar a maldade no que tinha dito.
– Não!
– Sim, você vai! E vai se divertir.
Eu estava me preparando para ir, pelo visto, a pegadinha ia acontecer na casa velha dos Peterson, Natalie bateu em minha porta:
– Nat?
Natalie era muito legal, e já havíamos conversado bastante, geralmente Maya e eu fazíamos trio com ela, nas aulas que Savannah freqüentemente faltava. Ela já fora melhor amiga de S. Não sei da história, só que elas se odeiam desde então.
– Maya você não poder ir lá! Tentei convencer Carrie também...mas vocês não podem ir!
– Do que você está falando?
– Vai ser perigoso! Savannah é perigosa! Não faça isso Maya!
O porshe de Savannah buzinou a minha frente:
– Eu...desculpa Nat...cinema domingo? Tenho que ir...
– Maya tome cui...
E Savannah arrancou na escuridão.
A casa estava escura, era enorme, como a de quase todos os estudantes do Sandia, ou ex-estudantes, como era o caso de Nina Peterson, uma garota que tinha se mudado para Paris um ano antes.
– O que estamos fazendo aqui S? – perguntei.
Ela me dirigiu até os jardins dos fundos, tinham algumas das seguidoras de Savannah, Kimberly, Carrie e algumas garotas com olhos vendados.
Ela não me respondeu.
Olhei a volta, as arvores faziam sombras assustadoras, e aquelas novatas de branco e com os olhos vendados estavam me dando arrepios:
– Pois bem, você estão ouvindo minha voz? Me chamem de S – e de repente, como conheci Savannah repassou em minha cabeça, e por alguma razão, Svannah pareceu diferente para mim naquele momento – Como vocês devem saber, para fazer parte da Elite e melhor ainda – ela gargalhou – ser minha amiga, vocês tem que provar sua lealdade.
Olhei assustada para Carrie e ela veio até mim:
– O que ela está fazendo?
– Eu não sei! Isso não aconteceu com a gente!
Kimberly acompanhou a primeria garota, Kate Steirfield, para o topo da escada, que dava para o trampolim, o lugar ideal para se pular ao encontro da funda e fazia piscina:
– Vocês tem que provar sua confiança! Kimberly irá levar vocês até o trampolim, vocês não irão cair, se vocês fizeram certo.
– SAVANNAH O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – berrei e segurei seu braço.
– Me largue, sua vaca.
– NÃO FALE ASSIM COM ELA!
Começamos a discutir com Savannah, e então tudo ficou uma zorra, as novatas tiraram suas vendas e ficaram assustadas ao ver a piscina fazia, começaram a berrar e então começaram a ligar para a policia. Foi muito barulho, pessoas correndo:
– EI PAREM COM ISSO! – Kimberly berrou desesperada, a movimentação a baixo das escadas começou a fazer o trampolim tremer. Kate tremeu e tentou tirar a venda de seus olhos:
– KIMBERLY SAI DAÍ!
E Kimberly saiu.
Bem a tempo de ver Kate indo em direção ao chão.
Dando seu ultimo grito de desespero.
E adormecer para nunca mais acordar.
Eu me lembro de ficar encarando seu corpor sem vida lá embaixo. Eu estava totalmente sem folego, assim como Kate. Eu estava assustada, e com muito nojo de Savannah, e de mim mesma. No que eu havia me tornado?
Savannah e Kimberly desapareceram, como a maioria de suas seguidoras e as novatas.
Só restando eu, Kate, Carrie e Natalie:
– O que... – ela ia perguntando ao ver meu estado e o de Carrie que eu nem tinha notado que estava ao meu lado.
– Ela...ela se foi.
– Assim como nós temos que ir.
– Não podemos deixar ela lá!
– Carrie, nós vamos voltar, mas no momento se ficarmos e esperarmos a polícia, seremos intituladas culpadas.
E fomos embora, correndo pela rua escura pude ouvir as sirenes. E até mesmo quando voltei para casa e chorei bem quieta em minha cama.
Graças a Savannah isso vive dentro de mim e me assombra.
Mas as coisas vão mudar.
Savannah vai receber o que merece.
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