So What?!

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Desculpem a demora, pessoinhas...

Aqui está o capítulo 3 dessa porra

Tava nublado aquele dia. 6 de maio de 2009.

Eu tinha um “trabalho” pra fazer. E ele envolvia o Guedão, uma arma e o Matheus. Meu irmão. E eu tava relutante quanto à isso, mas o Guedão não aceitou.

Guedão: Aí, não existe família quando o assunto é esse.

Eu: Porra, se coloca no meu lugar…

Guedão: Eu já estive no teu lugar. Eu não era filho único, Tibs. Mano, vai e faz o que tem que fazer.

(…)

Eu nunca matei ninguém. Nunca apontei uma arma. Nunca senti vontade se atirar.

Mas aquele foi o dia em que tudo mudou.

Fui de bike até a casa do Matheus e abri a porta com a chave reserva, que ficava grudada embaixo da caixa do correio. Ele tava no quarto, pelo barulho. Peguei meu celular e liguei pra ele.

Matheus: Fala, Tiagão! - odeio esse apelido.

Eu: Vai pra sala. Agora. — desliguei.

Ele apareceu na sala e eu tava apontando a arma pro peito dele.

Matheus: O que você tá fa…

Eu: Cala a boca. Eu vim buscar o dinheiro que tu deve.

Matheus: Do que tu tá falan…

Eu: Pro Guedão, Matheus. Tu deve três mil pro Guedão e eu vim buscar. Se tu não pagar eu vou ter que levar tua cabeça.

Ele me olhou, em pânico. Ele ainda tinha a esperança de que aquilo tudo fosse só uma brincadeira.

Matheus: Por favor, Tiago. — ele ergueu as mãos — Tu é meu irmão, não faz isso comigo, por fav…

Eu: Cala a boca. — meu celular tocou. Tirei-o do bolso e vi o nome “Guedão” na tela. — Fica do jeito que tu tá. Um movimento e eu atiro. — atendi — Ele não tem a grana.

Guedão: Hoje era o dia e ele sabia que eu ia mandar buscar minha grana. Tibs, se tu não apagar ele eu apago vocês dois.

Ele desligou e eu vi os olhos do meu irmão transbordarem. A única vez que eu o vi chorar foi no enterro da minha vó. O Matheus era, além de meu irmão, um dos meus melhores amigos. Era o único da família em quem eu confiava pra algumas coisas. Mas desde que ele começou a “comprar” coca com o Guedão, ele virou só mais um drogado caloteiro.

Eu: Matheus. Se tu não morrer na minha mão, nós dois vamos morrer na do Guedão. E eu garanto que vai ser muito pior.

Matheus: Tiago, mano, eu juro que consigo o dinheiro até amanhã, cara.

Eu: Tu sabia que tinha um prazo e ele ia até hoje.

Matheus: Então tá. Tenta me matar. Tu não tem coragem.

Ele pegou um estilete na mesa do computador e veio pra cima de mim. Usei a arma pra bater na cabeça dele e o golpe rasgou seu supercílio. Ele apontou o estilete pro meu pescoço e ia me acertar, mas eu me abaixei pra esqueivae e ele cortou minha bochecha. Então, quando eu vi que era matar ou morrer, optei pela primeira alternativa e apertei o gatilho.

Meu irmão caiu de joelhos, com as mãos no peito, onde a bala atingiu. Então ele caiu deitado. Morto.

?: Você matou ele?!

Abaixei a arma e vi a Carol no corredor, vestindo uma camiseta do Matheus e uma calcinha.

Eu: Tu não viu nada.

Carol: Tibs, tu matou o Mat e sangue frio, porra!

Eu: Cala a boca, porra! Ou quer te juntar a ele?

Carol: Como tu mata teu irmão e fica tão indiferente? — ela tava tremendo, a voz dela saía desesperada, falha.

Eu: Ele sabia que isso ia acontecer. — fui até ela e puxei seu cabelo, colocando a boca perto de seu ouvido — Se alguém souber disso tu vai abacar pior que ele, tá ouvindo? — ela tava com os olhos arregalados. — Tá me ouvindo, caralho? — ela fez que sim com a cabeça — Ótimo. Que porra tu tava fazendo aqui?

Carol: Eu pego ele às vezes.

Eu: do mesmo jeito que me pega? — ela disse que sim — Bom, tu pegava ele. No passado. E eu também, cansei de tu. Pega tuas coisas e some daqui.

Carol: Não. A gente tá junto nisso.

Eu: Junto o caralho.

Carol: Eu sou testemunha do que aconteceu. Se eu falar o que vi tu tá fodido. E não pense que eu não vou usar isso contra tu. Tibs, tu matou teu irmão. Isso é uma pérola na minha mão.

Eu: E isso na minha mão é uma arma. E eu posso usá-la em você, sem nenhum problema. Eu não sou cuzão. Se você me fizer apertar esse gatilho, eu vou apertar sem me arrepender.

Ela gelou. Fechou os olhos e passou a mão no cabelo, visivelmente nervosa. Ela começou a andar pra lá e pra cá e finalmente parou.

Carol: Eu vou inventar que entraram na casa pra roubar e o Mat resistiu e levou um tiro. Se tu puder quebrar a maçaneta pra parecer arrombamento eu agradeço e você vai agradecer depois. Tibs, eu não tô te ajudando porque gosto de tu. Tô ajudando pra poder cobrar um favor no futuro. E agora tenho um ótimo argumento pra usar pra te convencer a fazer algumas coisas.

Mostrei o dedo do meio pra ela, pra não ter que socá-la e deixá-la do lado do Matheus e os dois irem pro inferno juntos. Tirei uma foto do corpo do meu irmão pra mostrar pro Guedão depois, ela ligou pra polícia e me mandou ir embora. Antes de sair eu quebrei a maçaneta.

Passei na pista pra pegar meu pagamento e provar que eu fiz meu trabalho. O Guedão me deu uma mochila pesada e disse que eu só podia abrir em casa. E foi o que eu fiz. Entrei em casa, me joguei no sofá e abri a mochila. Lá estava meu pagamento.

Um quilo de maconha e mais umas parangas de cocaína.

E três mil reais.

Na boa, eu juro que não me arrependi.

Não, eu não me arrependi de ter matado meu irmão.

E se eu tivesse que calar a boca da Carol...

Eu calaria. Sem medir consequências.