So Far Away
27 Quero que permaneça.
Notas iniciais
Abriu os olhos com força, as imagens dos acontecimentos a atormentava novamente, mas voltou a fecha-los quando a claridade os atingiu a fazendo se sentir como um cego que recupera a visão, ou que volta a enxergar, embora não soubesse como era ser cega. Notou que já não havia os barulhos dos aparelhos, muito menos o gotejar irritante e incessante do soro e nem mesmo a sentiu a cânula de oxigênio sobre o nariz.
Sentia dor de cabeça, mas era fraca e o braço tinha apenas uma leve dormência, assim como as pernas. Lembrava dos últimos acontecimentos, o Tombo da cama. As pernas falhando. Thor, a preocupação estampada no rosto dele e de Carolina e por fim o pedido de que não queria dormir mais, mas foi ignorada por Carolina.
Se remexeu na cama de forma inquieta, tentou apoiar as mãos, mas percebeu que a mão direita estava presa, mas em que? Talvez uma algema, pensou erguendo uma sobrancelha imaginando que não era necessário uma medida tão drástica de Carolina para mante-la na cama. Voltou a abrir os olhos um pouco, a claridade ainda era forte e causava desconforto para a vista dela. Mas assim que os conseguiu manter abertos não pode deixar de sorrir assim que viu o que a impedia de mexer a mão.
Era Thor. Ele estava debruçado sobre a cama com a mão dele junta na dela, o rosto estava enfiado nas cobertas e os cabelos espalhados pela mesma.
Ele era um sonho.
Pensou sorrindo e se inclinando por mais que as costelas doessem, para acariciar o rosto do deus. Passou a mão pela barba levemente e pelos cabelos, ia continuar com os carinhos mas a dor aumentava tanto nas costelas que foi impossível, voltou a se acomodar na cama aonde a dor passava aos poucos a medida que controlava a respiração.
–Thor.-chamou baixo, e desejou ter água, a boca estava mais seca e os lábios rachados e desidratados.-Thor.-acariciou a mão dele, até que o ouviu resmungar algo desconexo, deu uma pequena gargalhada e sentiu nas costelas.-Thor.-dessa vez chamou mais alto, em tom severo e o ouviu resmungar novamente.
–Quem ousa acordar o filho de Odin...-irritado levantou o rosto esfregado os olhos com a mão livre, mas quando a viu se calou não terminando a frase, dando um sorriso sem graça e sentando ao lado dela na cama.-Como está?
–Já se seu conta de como está agindo humanamente?-sorriu para ele lhe segurando a mão com mais firmeza.
–Na verdade não me dei conta de meu comportamento, mas você?-perguntou segurando a mão dela a levanto até os lábios e lhe distribuindo pequenos beijos.
–Meio tonta, um pouco... Estou bem! Só ainda um pouco cansada.-Fez um pequena careta enquanto se perguntava mentalmente como era possível ainda está sentindo sono depois de dormir por tanto tempo.
–Por que não volta a dormir? Não descansa mais um pouco.-riu assim que a viu negar com a cabeça.
–Passei tempo demais dormindo, Thor. Agora eu sei como Steve se sente.-o som do rangido da porta fez que os dois olhassem para a porta e virem Carolina.
–Nossa, pensei que você fosse dormir o resto da vida.-Quem falou foi Jason, aparecendo atrás de Carolina dando uma piscadela e mandando um beijo para Andressa.
–Não me surpreenderia já que Carolina me pôs para dormir novamente.-riu vendo os mesmo entrarem no quarto e pararem diante da cama dela.-a propósito, também senti saudades, Jason. E será que você podem me trazer água?
...
Um mês havia se passado desde que ela tinha acordado. As coisas ainda não eram fáceis, ainda sentia dores, mesmo que fracas, nas costelas. E as lembranças das primeiras semanas ainda não haviam desaparecido nem se diluído da mente dela, como as lembranças das primeiras semanas, quando nem mesmo conseguia ir ao banheiro, tomar banho sem ajuda de Carolina ou Thor. Quando precisava de ajuda do deus para andar e até mesmo as vezes de Jason, esse que sempre fazia piadas de como estava triste com ela por ser tão mal agradecida com o fato dele ter conseguido os aparelhos que haviam a mantido viva durante as três primeiras semanas.
E naquele dia não estava sendo diferente, o agente já havia falado no minimo quantas vezes tinha salvo a vida dela, dos riscos que havia sofrido para conseguir os aparelhos. Agora ela estava na cozinha, sentada sobre a banqueta enquanto observava a grande janela que havia ali, as palmeiras chacoalhavam como numa dança ao sabor do vento e o mar estava agitado com bastante ondas. Era bom está na Espanha, sempre tivera vontade ir para o lugar, nunca havia imaginado que Carolina vivesse lá quando queria ficar longe de tudo. Embora a casa ficasse em frente a praia, a morena não havia ido nenhuma vez.
Ouviu os passos se aproximarem, mas se manteve ali, talvez fosse Thor, já que fazia uma semana que ele havia voltado a Shield para ver como Loki estava e depois ido para Asgard. Mas ao perceber que era Jason, ela revirou os olhos ao ouvir a voz dele em mais uma piada que ela não suportava mais. Desceu rapidamente de cima da banqueta e se pôs a sair da cozinha.
–Nossa, Andressa, pensei que fosse mais educada.-o tom de voz dele era extremamente irritante aos ouvidos dela.
–Mas pelo visto não sou, não é mesmo?-respondeu virando em direção a ele.
–Lembre-se.-apontou para ela com o copo vazio em mão enquanto se desdobrava para pegar a garrafa de água na geladeira sem interromper o contado visual com ela.-Arrisquei minha vida e liberdade...
–Para consegui a droga dos aparelhos?-perguntou irritada dando um soco sobre a banqueta e sentindo no ombro atingido a dor.-Vai ficar jogando na minha cara a todo instante?-os olhos se fixaram nos dele que ouvia com atenção.-Quero que fique claro, que em momento algum eu pedi para que me salvasse, então não fique jogando essa merda toda na minha cara!-ele não disse nada, apenas se manteve calado enquanto ela saía da cozinha.
Quando ela entrou na sala deu de cara com Thor, ele conversava algo com Carolina, notou que ambos tinham a face séria, tentou não ser notada, mas já era tarde demais.
–O que aconteceu?-Perguntou Carolina com a testa franzida. Viu Jason sair da cozinha bebendo um copo com água e logo se deu conta de que os dois haviam discutido, mas não se prendeu aos detalhes, até mesmo ela estava de saco cheio das piadas sem graça do mesmo com os fatos de semanas atrás.-Então.-mudou de assunto.-Estava falando com Thor. O que acha de irmos almoçar, ele acabou de chegar, mas aceitou o convite, só falta você.-animada tentou não pensar no que de fato poderia ter provocado a discussão entre a amiga e Jason
–A, é claro, mais pessoas fazendo planos para mim, para depois ficarem jogando na minha cara.-resmungou.-Além do mais não tenho roupa, Carolina, se é que se lembra.-deu de ombros.
–Seu mal humor é algo quase contagiante, mas hoje estou mais animada do que o habitual e você não vai estragar isso.-a ruiva respirou fundo pondo mais um sorriso nos lábios enquanto encarava Andressa que tinha os braços cruzados.-E quanto a roupa, coisa que eu me lembro perfeitamente.-enfatizou.-Deixei um vestido sobre sua cama a poucos minutos e acho que vai ficar muito bem em você.-deu um sorriso sem humor e viu um sorriso exagerado no rosto de Andressa, e segundos depois o sorriso sumir do rosto dela, viu ela subir em direção do quarto enquanto resmungava "À tá bom".-Tenho que descobrir o que o babaca do Jason fez.-se virou para Thor dando um meio sorriso e depois correndo até aonde havia visto Jason entrar.
...
Além de se sentir desconfortável com o vestido que Carolina havia escolhido para ela ela se sentia desconfortável com o calor que fazia e a mente a torturava dizendo que havia agido exageradamente com Jason. Mas acabou se dando conta se que os "desconfortos" era devido apenas por ter sido indelicada demais com Jason, mesmo ele sendo um completo idiota.
O restaurante tinha duas partes, uma coberta e outra aberta com a paisagem privilegiada do mar, tão azul e lindo. Aquela área era para fumantes, mas eles não se importaram, até porque o restaurante estava vazio naquela área.
Thor a observava e sabia que ela não estava confortável, tentou pensar em algum motivo para tal, mas nada lhe veio a cabeça.
–Jason.-ela chamou o agente que olhava a paisagem distraído, mas assim que ouviu a voz dela a olhou no mesmo instante, como se já soubesse o que ela ia falar.
–Sim.-ela viu quando um sorriso brotou nos lábios dele, e se arrependeu no mesmo instante de ter o chamado. Na mesa Thor e Carolina se olhavam e olhavam para amos rindo da situação.
–Se você fosse menos babaca, e se eu não tivesse certa seria mais fácil.-de cabeça baixa pegou sem cerimonia alguma uma batata frita do prato de Thor e comeu.
–A vamos lá, não é tão difícil assim.-brincou e viu quando ela lançou um olhar matador para ele, mas apenas riu, aquilo até que era divertido, pensou dando um pequena gargalhada.
–Bem.-ela respirou fundo pensando se ainda tinha tempo de voltar atrás, já que não havia muita coisa que a comprometeria, mas já que havia começado iria até o fim. Bebeu um pouco do suco e engoliu em seco, reconsiderou mais uma vez a ideia de se manter calada.-Então... Quero lhe pedir desculpas por hoje mais cedo, o que aconteceu na cozinha, afinal, você não disse nada demais, nada que eu não tenha ouvido durante três semanas inteiras, nada que encha o saco das pessoas, ou seja, nada demais.-Concluiu apoiando as mãos sobre a mesa, e tentando conter a vontade de rir ao constatar o tom de sarcasmo na p´ropia voz.- Creio eu que minha reação pode ter lhe deixado um pouco chateado, já que você tinha as intenções mais puras arriscando a sua vida e liberdade para conseguir me manter viva com os aparelhos. E queria que você aceitasse as minhas mais sinceras desculpas pela forma que agi mais cedo.
–Eu realmente acho que você foi sarcástica, mas mesmo assim aceito suas sinceras desculpas.-irônico bebeu do vinho que havia pedido dando uma piscada para ela.-Pelo que acabamos de ver, você não é tão mal agradecida.
–Okay, desculpas retiradas.- falou comendo mais da batata de Thor que nem ao menos se importou.
–Não há mas como retirar o que foi pronunciado, Andressa. Você disse, pediu desculpas, disse que estava agindo mal...
–Eu lembro o que eu disse.-levantou um dedo o impedindo de falar.-E, você é um idiota, isso não muda.
–Pediu desculpas pelo erro, e eu aceitei.-o homem explicou vitorioso.
–Tudo bem, vocês dois.-Carolina falou, ela ria assim como Thor pelo comportamento infantil de Andressa e Jason.-Bem, como eu e o Jason já almoçamos, vamos voltar agora para casa.-explicou guardando o celular na bolsa e pondo o óculos de sol.
–Tudo bem, vamos com vocês.-a morena falou deixando o copo de suco de lado enquanto ela e Thor começavam a levantar.
–Não! Fiquem e terminem e depois comam a sobremesa.-a ruiva disse animada levantando da mesma junto de Jason.-E degustem bem devagar e depois deem um passeio pela praia digerirem bem a comida.
–Isso faz bem para a saúde.-acrescentou Jason colocando os óculos e segurando Carolina pela cintura.
–Por que não dizem logo que querem a casa vazia para transarem?-Andressa perguntou sem cerimonia alguma enquanto comia as ultimas batatas do prato de Thor, esse que apenas riu e bebeu do suco dela.
–Porque não seria educado, não é mesmo? Mas como você acabou percebendo...-ela se calou assim que a morena começou a falar.
–Tudo bem, Carolina. Terminaremos o nosso almoço e comeremos bem devagar a sobremesa e depois passearemos pela praia bem lentamente, como tartaruguinhas, para dar bastante tempo de você e Jason fazerem o que tem de ser feito.-riu para os dois com a boca fechada e logo depois comendo a ultima batata.
–Você é uma ótima amiga. Sabia que entenderia perfeitamente. Fico te devendo essa.-Ela falou enquanto vasculhava a bolsa, mas parou assim que Jason pois o dinheiro sobre a mesa.
–Você é tão generoso, Jason.-Andressa disse com uma voz fina e irritante fingindo está encantada enquanto olhava o mesmo sorrindo com as mãos sobre o coração.-Posso até chorar.
–Sou um cavalheiro.-Respondeu sorrindo para ela.
–Disse generoso, não cavalheiro, então não vamos forçar!-viu quando os dois saíram animados e gritou.-Divirtam-se.
–Nós iremos. Muito.-Jason gritou dando um ultimo sorriso até desaparecem dentro do restaurante.
–Ele é um grande babaca.-comentou encostando na cadeira dando um pequeno sorriso e logo olhando para Thor.-
–Você gosta dele.-Thor disse também sorrindo segurando a mão dela.
–É, de certa forma sabe? Carolina gosta dele, e vê-la feliz me deixa bem, satisfeita. Como eu , ela também não teve uma infância muito fácil, saiu de casa quando ainda era muito nova, um segundo marido da mãe tentou violenta-la sexualmente, mas ela conseguiu se livrar dele.-deu um sorriso triste e sentiu quando ele apertou mais um pouco a mão dela.-Mas então, já que eu devorei suas batatas, o que acha de pedimos mais e sorvete como sobremesa?
–Acho uma boa ideia.-concordou rindo, ele gostava de ver ela sorrindo, de vê-la feliz.
–Acho que sorvete é a melhor pedida nesse calor.-ele concordou, ela fez os pedidos mas que fosse para viajem.
Com o sorvete e a batata em mão eles caminhavam pela praia, sentindo a areia fina e quente sobre os pés descalços. Havia algumas pessoas, um casal de adolescente no mar, se beijando vivendo o primeiro amor de verdade, fazendo promessas que um dia jamais fossem cumprir, que com o tempo acabaria e deixassem marcas profundas em cada um. Havia um casal de idosos, sentados em cadeiras de praia com o guarda som sobre as cabeças, Andressa riu encantada com a cena, percebendo como se amavam, olhando as mãos enrugadas uma com a outra enquanto se olhavam apaixonadamente, como se tivessem vivido as melhores coisas da vida um com o outro. E um casal com um bebê, que brincava animado com a areia tentando construir um castelo de areia, apenas amontoando areia. Ela observou os pais, como olhavam o filho com orgulho quando o mesmo dizia coisas incompreensivas, se sentindo as pessoas mais felizes e sortudas do mundo.
Ainda olhando para os bebês e os pais, ela se perguntava se um dia conseguiria ter um pouco daquela felicidade e principalmente se conseguiria ter um filho. Lembrar a perda ainda era doloroso, um sentimento compreensível para ela, mas tão intenso ao mesmo tempo. E pensar que ela poderia está brincando na praia com a bebê dela, rindo das coisas incompreensivas que ela pronunciava e se emocionar com os primeiros passos, a acolher nos braços quando chorasse, a amamentar quando sentisse fome e a colocar para dormir cantando uma canção de ninar. Pensar nisso a destruía e o coração voltasse a ficar em pedaços.
–Está bem?-Thor perguntou a trazendo de volta dos pensamentos. Ele riu olhando para ela, como a achava linda, sem maquiagem e via os cabelos dela voando com o a brisa quente. Ela não respondeu durante alguns segundos parecendo pensar.
–Estou sim.-forçou um sorriso segurando na mão dele e andou até uma sombra que havia na areia, esperou que ele se sentasse e sentou entre as pernas dele, sentiu as costas coladas no peito dele e sorriu, observando o dia entrelaçou as mãos na dele, como algumas andorinhas voavam perto do mar em busca de alimento.-Senti sua falta essa semana.-falou se aconchegou mais nele a voz tinha uma leveza e tom de felicidade.
–Também senti sua falta.-acariciou os braços dela a fazendo rir e sentir arrepios quando ele lhe beijou o pescoço.-Mas parece que não sentiu muito hoje.
–Desculpa, mas Jason me irritou pra valer.-ouviu a risada dele e pode ouvir as ondas e sentiu mais uma brisa fresca.
–Mas me parece que não foi apenas por Jason, por ele ter a irritado.
–Não vamos falar nisso agora, vamos aproveitar apenas isso.-pediu apoiando a cabeça sobre o ombro dele.
Não se deram conta quanto tempo já estavam ali, talvez uma hora, ou até mesmo duas. Observaram as pessoas, como agiam, as crianças correndo pela areia deixando suas pequenas pegadas, como se a juventude fosse eterna, como se nada nem ninguém pudesse para-los, a não ser seus pais, os maiores vilões e maiores heróis de toda história. Viu um grupo de crianças se aproximarem, rindo como se fosse o fim do mundo, mas a risada era tão contagiante que ela não conseguiu negar uma própria e a lembrança de Annabely foi inevitável, será que ela sabia da suposta morte dela? Andressa se perguntou.
–Hey.-chamou duas pequenas meninas que riam, estava de biquíni e conversavam sobre bonecas.
–Sim.-uma delas respondeu se aproximando um pouco, mas não o bastante.
Andressa deu a elas as batatas enquanto conversavam sobre as barbeis, Thor ria observando ela e como ela tinha facilidade com crianças, pensou que se ela não tivesse perdido a filha que esperava ia ser uma ótima mãe. Quando as meninas foram embora ela se manteve calada as observando enquanto se afastavam.
–E, como... Como foi na base?-perguntou depois de alguns minutos.-Como Clint está?
–Não falei com ele, nem ninguém além de Loki. Mas pelo o que Loki disse parece que toda a Shield está em choque, parece que Hill é a mais afetada.-Falou olhando até aonde não podia ver mais a água de estender.
–Loki? Ele sabe que eu... não morri?-virou de frente para ele de imediato.
–Sabe, mas...
–Por que contou para ele Thor?
–Andressa...
–Por que contou para ele?-repetiu a pergunta se levantando.-Não vê que ele vai estragar tudo? Que ele vai contar para todos o que aconteceu?
–Você fala como se não quisesse; como se não fosse mais voltar.
–E se eu não quiser mais voltar?-disse nervosa.-Acho melhor Jason e Carolina terem terminado o que estavam fazendo.- se pois a caminhar rápido de volta para a casa que já era possível ser vista um pouco longe, não se importou com a areia quente, apenas andou o mais rápido que conseguiu. Pegou a chave no pequeno bolso do vestido e subiu as os degraus da escada assim que estava em frente a casa, decidiu que não iria dar a volta para entrar pela outra porta, abriu a porta rapidamente e se viu em total silêncio, até que ouviu os passos de Thor se aproximarem, virou para o porta e o viu. Observou a casa, como as portas trancadas assim como as janelas, Carolina poderia ter estado ali junto de Jason, mas era obvio que não permaneceu por muito tempo, levou o olhar até a mesa de centro que havia na sala e viu um pequeno papel sobre o livro que estava lendo, caminhou se pondo ao lado da mesa, pegou o pequeno papel e viu que era um bilhete de carolina dizendo apenas:
"Jason e eu fomos à um lugar, não se preocupe com a gente, passaremos a noite fora.
Beijos. Carolina"
No canto do papel havia uma marca de beijo, o batom vermelho que Carolina usava, Andressa deu uma pequena risada e voltou a largar o bilhete sobre a mesa.
–Eles saíram, não voltam hoje.-falou inexpressiva olhando para ele que terminava de entrar na casa.-Eu vou subir.-quando tentou dar o primeiro passo foi parada por Thor, as mãos dele a seguraram pela cintura a deixando de frente para ele.-Eu preciso subir.-disse com a voz baixa, sentindo o coração acelerado, acabando se dando conta de como havia sentido falta dele, das mãos dele no corpo dela, a tocando a protegendo até quando faziam amor.
–Não, não precisa.-a voz dele adquiriu um tom rude que ela nunca havia ouvido.-Você quer subir e não encarar o que está acontecendo.-se soltou das mãos dele, mesmo não querendo, e subiu. Mas ele não ia continuar ali, não ia deixar aquilo para depois, e nem mesmo de lado, subiu atrás dela e a encontrou no quarto.
–Eu não vou discutir com você, Thor.-falou decidida prendendo os cabelos.
–Nem eu vou discutir com você, Andressa. Só quero que me diga o que está acontecendo, você não estava assim a uma semana atrás.-explodiu e viu os olhos dela arregalados pela reação dele.-Quero apenas que me conte o que está acontecendo, acho que mereço uma explicação.
–Você não vê? Loki sabe e a qualquer momento todos podem descobrir que eu não morri e até mesmo Rachel, e tudo vai voltar acontecer... Os riscos, a vida de Clint em perigo. Eu não vou jogar com isso de novo. Se ela acha que se livrou de mim, ótimo, quero manter as coisas assim.
–Então pretende não voltar?-deu um passo na direção dela.
–Eu não sei, ainda não decidi.-Mas era mentira, já havia discutido a situação com Carolina e não iria voltar.
Carolina a ajudava a se livrar das roupas, ela ainda sentia muitas dores e tonturas constantes e fraquezas, mas já era de se esperar, fazia apenas um dia que ela havia acordado. Sentou na banheira dando um longo gemido de dor, mesmo com a ajuda da ruiva.
–Obrigada.-a voz era baixa transmitindo a dor que passava, olhando para a água com espuma e não para carolina.
–Não tem que agradecer.-sentou ao lado de Andressa do lado de fora da banheira lhe segurando a mão dando um sorriso sereno para a amiga.-Mas então , sei que faz pouco tempo que você acordou, mas sei que sua cabeça não para de pensar um minuto sequer.
–Você me conhece bem!-deu um pequeno sorriso e voltou a abaixar a cabeça.
–Você pensa em voltar quando?-carolina apoiou as costas na banheira e ficou olhando a janela do banheiro, o sol entrando e iluminando o comodo com sua luz alaranjada naquele fim de tarde silencioso e seco.
–Não pretendo.-Carolina percebeu que a voz dela estava baixa e arrastada, ainda meio grogue pelo efeito dos remédios, mas mesmo com esse efeito carolina sabia que ela tinha certeza no que falava
–Por quê?-virou a olhando.
–Rachel acha que tudo acabou e eu pretendo que as coisas permaneçam assim. Clint vai ficar bem, assim como os outros.
–Tem certeza?
–Não, mas parece o certo a ser feito.
–Certo?-perguntou indignada.-deixar as pessoas que ama por medo? Isso é o certo? Andressa, você nunca e nem será assim. Nunca deu as costas para os problemas, nunca deixou o medo tomar você e está dando para trás agora?
–Só não quero que as coisas volte a acontecer, que Clint fique em risco, acho que já chega disso, já deu não acha?
–Não, não acho. Acho que está sendo fraca e...-se calou achando que não era hora de discutir com Andressa, já que tinha pouco tempo que ela havia despertado e sabia que ela precisava descansar e não podia ficar se estressando.-Quando terminar o banho, me chame.-disse apenas e saiu do banheiro a deixando sozinha com os próprios pensamentos.
–É claro que decidiu.-Thor sorriu mas um sorriso sem humor algum.-Vai deixa-los. Deixar Clint?
–Acho que todos nós podemos deixar quem amamos pelo menos uma vez.
–Você já fez isso!
–Eu apenas não quero trazer mais problemas, para ninguém nem mesmo para vocês, Thor. Estou vendo como tem agido, com pena. Não quero isso, não quero pena, e não quero que se preocupem comigo.
–Acha que estamos com pena de você?-deu mais um riso sem vontade, levou as mãos uma no rosto e outra na cintura, esfregou as mãos no rosto ainda rindo. Ela tentou, mas não conseguiu não pensar o quanto ele era lindo.
–Thor.-dessa vez quem riu foi ela.-Eu vejo, não sou tão cega assim.
–Pois parece. Tá sentindo pena de você mesma e naga os outros.-disse e a fez lembrar do dia em que havia brigado com Marie.-É apenas por isso? Tá negando ajuda das pessoas que te ama e querem seu bem? Tá afastando as pessoas de você.
–Engraçado o conselho vindo do deus mais orgulhoso que conheço.-ergueu uma sobrancelha o olhando.-Por que me salvou?-dessa vez tinha a face cansada.-Eu não quero isso, Thor, toda essa atenção, todo esse cuidado. Eu não sei lidar com isso.-admitiu passando as mãos sobre o rosto.-Eu sinto que se toda vez eu respirar errado, Thor, você vai está lá para me salvar, e eu não quero isso. Não sou a Jane.-ele viu quando uma lágrima escorreu do olho esquerdo dela, mas mesmo assim não conseguiu esconder o ressentimento.
–Sei, nunca disse e nunca quis que fosse ela.-disse com dureza.- O que queria que eu fizesse? queria que a deixasse morrer?
–Thor...
–Queria que eu vivesse sem você?
–Eu não disse isso!-bufou cansada.-Você não pode achar que vai chegar aqui e me fazer esquecer tudo, porque você não pode, Thor, ninguém pode.
–Eu não quero te fazer esquecer isso, não quero te fazer esquecer nada.-caminhou até ela a abraçando e a apertando mais contra o corpo dele mesmo quando sentiu que ela queria se afastar.-Não consegue aceitar o fato que as pessoas te amam e querem cuidar, reerguer você. Não consegue aceitar o fato que te amo.
–Não. Shii. Não diz isso.-tentou o calar, mas ele apenas riu e repetiu as palavras.
–Eu te amo, Andressa. O que quer que eu faça?-perguntou encostando o rosto sobre os cabelos dela, inspirando o cheiro que ele tanto havia sentido falta.-Quer que eu saia da sua vida?-sussurrou as palavras sentindo a garganta doer e o coração vacilar ao fazer a perguntar, pois no fundo ele tinha medo de que ela dissesse sim, que o queria longe.
–Não.-ele pode sentir a respiração dela contra o peito, passando o tecido da blusa que vestia.-Quero que permaneça.-levantou o rosto olhando para ele, como os olhos dele demonstravam a surpresa e emoção. Sentiu a boca ser esmagada pela a dele, e a boca se invadida pela língua dele, voraz e quente.
Passou os braços pelo pescoço dele enquanto as línguas se chocavam numa dança envolvente despertando os corpos pelo desejo que sentiam um pelo outro. Sentiu quando ele a pegou no colo, nunca deixando de lado aquela delicadeza, a fazendo se sentir o mais precioso objeto, enroscou as pernas sobre ele, enquanto ainda se beijavam ardentemente.
Sentiu as costas sobre o vidro frio da porta da varanda do quarto. Ao fundo a imagem do mar agitado, as ondas fortes lambendo a areia com fúria. Sentiu as mãos dele pelo corpo, sobre as coxas e por dentro do vestido, quando os pés tocaram o chão novamente ela tirou a blusa dele com rapidez, assim como ele abriu o fecho do vestido dela e viu quando o mesmo foi acolhido pelo chão.
Não sabiam como, mas quando se deram conta já estava na cama, ele sobre ela, nus, ofegantes apenas pelas trocas de carícias.
Ele a beijou na boca, no queixo e no pescoço, mas não se importou quando ele desceu aos poucos, deixou que os lábios de Thor vagassem pelo corpo dela.
Ela queria que ele a beijasse por inteira, sentia como se aqueles lábios macios fossem capaz de preencher todo o vazio que havia ficado nela.
Procurou pelos lábios dela, uma ultima vez, quando entrou nela. Os dois gemeram. Se encararam durante alguns segundos, ela observando os olhos dele, aqueles olhos terríveis azuis que ela se perdia e ele olhava os olhos dela, daqueles malditos olhos verdes tão cheios de confusão e amor por ele, mas a troca de olhares continuou quando ele começou a se mover, no mesmo ritmo indo todo nela que tinha as pupilas dos olhos dilatadas, assim como as dele. Abraçou o corpo dele enquanto ele ficava sentado sobre a cama, logo era a vez dela. Se moveu sobre ele, subindo lentamente e descendo com força, até acelerar o ritmo, até se ver no limite e não aguentar mais e se deixar levar no orgasmo tão intenso que a fez tremer nos braços dele, mas não parou, não quis se recuperar, continuou a se mover nele até minutos depois ele explodir no orgasmo se derramando nela.
...
Ele ainda podia ouvir a respiração dela acelerada se misturando com a dele.
Ela observava o quarto, as paredes o branco que ia ficando cinza a medida que o dia ia acabando. Ele a abraçou pela cintura enterrando o rosto sobre a barriga dela. Sentiu ela distante, mas assim que ela enroscou as mãos nos fios loiros dele, ele soube que pertenciam um ao outro.
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