Snuff

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Ta mais pra conto do que pra fic... Mais uma vez. Espero que gostem.

Snuff

E, pela primeira vez, ele sentiu remorso ao ver o sangue escorrendo por sua longa faca de prata. Ao ver aquele corpo caído ao chão, com um fundo corte em sua garganta, o assassino deixou uma lágrima escapar por seus olhos, até então, insensíveis a qualquer imagem.

Bury all your secrets in my skin

Come away with innocence, and leave me with my sins

The air around me still feels like a cage

And love is just a camouflage for what resembles rage again...

Ódio… Dor… Ele, até que enfim, sentira o que causava as suas vítimas.

Por que ele fazia o que fazia? Por que ele sentia tanto ódio? E, acima de tudo, por que sentia aquilo que não sentira até agora? Por que sentia aquela pontada em seu coração sem vida? Por quê!?

Mal formulou estas perguntas em sua mente, e logo visualizou a inocência em forma de imagem. Longos cabelos cor de mel, apavorados olhos azuis, e mãos trêmulas tomando a arma de sua mão. O assassino não conseguira matar aquela, que seria apenas mais uma em sua interminável ficha. Algo em seu coração – um monstro para seus ideais – rosnou, e o impediu de apertar o gatilho.

O ar ao seu redor tornou-se uma gaiola de aço onde seus pensamentos se rebatiam, rebatiam e rebatiam. O medo nos olhos de suas vítimas tornou-se a maior tortura que sua mente sórdida poderia provocar.

E a imagem assustada da inocência soluçava, por misericórdia.

Ela lhe dissera que o amor curaria sua raiva. Ela lhe dissera que o amor era a cura para tudo e para todos. Ela lhe dissera que seu amor o salvaria. Mas como o amor da inocência curaria o ódio do mais puro pecado?

So if you love me, let me go.

And run away before I know.

My heart is just too dark to care. I can't destroy what isn't there.

Deliver me into my Fate — If I'm alone I cannot hate

I don't deserve to have you...

My smile was taken long ago / If I can change I hope I never know

E então, a imagem mudou. Ele viu a inocência sendo desmoralizada. Ele viu a si próprio gritando palavras cruéis a sua amada. Mal sabia ela, que era para que esta fugisse. Para que esta fosse para longe. Ele não podia destruir a única coisa boa em seu mundo escuro e cruel.

Sozinho, ele se machucava, mas não machucava a Inocência. Entregue ao próprio destino. Afinal, ele não merecia a inocência. Ele não merecia seu sorriso. Ele não merecia nem o próprio sorriso.

I still press your letters to my lips

And cherish them in parts of me that savor every kiss

I couldn't face a life without your light

But all of that was ripped apart... when you refused to fight

Cheirando a carta que carregava consigo, ele deixou mais uma lágrima escorrer. Não podia ser livre. Não depois de conhecê-la. Não depois de sentir toda aquela culpa. Ainda assim, não podia matar a si mesmo. Sua vida não valia mais do que a de todas aquelas pessoas. Teria que pagar com o próprio sangue e alma.

Decidido, ele se levantou e caminhou vagarosamente até a delegacia, experimentando pela última vez o gosto da noite. Assim que pisou naquele lugar – que costumava chamar de tabu – deixou-se ser levado até uma apertada sela, enquanto ouvia os policiais o humilhando. Ele se sentia bem por isso. Ser humilhado seria apenas o começo de seu pagamento.

So save your breath, I will not hear.

I think I made it very clear.

You couldn't hate enough to love.

Is that supposed to be enough?

I only wish you weren't my friend.

Then I could hurt you in the end.

I never claimed to be a Saint...

My own was banished long ago / It took the Death of Hope to let you go

Enquanto isso, a própria inocência assistia o noticiário. Ao ver o rosto do homem que amara, que a humilhara, tudo fez sentido em sua mente pura e até mesmo um tanto ignorante. Ele a colocara para longe no intuito de protegê-la.

Vestiu uma roupa adequada, e correu, na chuva, esperando que pudesse vê-lo uma última vez antes que este fosse executado.

Ela o odiara tanto... Mas percebeu que o ódio apenas aumentara o amor... E, então, correu até as selas, e implorou aos guardas que a deixassem vê-lo uma última vez. Eles cederam, para sua sorte.

Quando o homem viu a inocência, seu coração se desfez, e ele não pode deixar de chorar. Medo do que encontrar depois da morte, medo de nunca mais ver a inocência daquela forma.

Uma última vez, separados por celas de aço, seus lábios se tocaram. Dois extremos, o amor e o ódio, santidade e pecado, inocência e malícia... Um guarda a puxou delicadamente e ela deixou-se ser levada.

E então, na noite chuvosa, o homem entrou na van que o levaria a seu destino mórbido.

Dentro daquela van, o policial não pode deixar de perguntar:

-Por que se entregou?

Ele abraçou a si mesmo e respondeu:

-Porque eu amei a inocência. Porque eu senti culpa.

-Anh... – O policial não entendera. Jamais conseguiria entender, de qualquer forma.

So Break Yourself Against My Stones

And Spit Your Pity In My Soul

You Never Needed Any Help

You Sold Me Out To Save Yourself

And I Won't Listen To Your Shame

You Ran Away — You're All The Same

Angels Lie To Keep Control...

My Love Was Punished Long Ago

If You Still Care, Don't Ever Let Me Know

If you still care, don't ever let me know...

Notas finais
Rewiews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!