Snowing at Christmas
1 O Nosso Natal
Notas iniciais
Espero que o vosso Natal tenha sido rico em doces, prendinhas mas acima de tudo amor! ♥
Fiz esta oneshot para um concurso de fanfics natalcias IchiRuki, coordenado pela Rafa-chan. Espero que gostem eheheh
Boa leitura*
Ichigo Kurosaki consumou o seu maior sacrifício durante a batalha de Inverno, abdicando dos poderes de shinigami atribuídos para proteger sua família e amigos. Por outras palavras, ele pelo bem da humanidade cedeu o seu bem mais precioso: a oportunidade de enxergar Rukia. A pequena shinigami simplesmente evaporou de sua vida, como se nunca tivesse participado nesta e isso era o que mais lhe angustiava, não ter um único vestígio de sua presença.
Por vezes, temia esquecê-la subitamente, da mesma forma como ela partira sem deixar rasto.
Quadra de Natal e o Kurosaki não ansiava por nenhum presente. Era nítida sua expressão desanimada em receber os elegantes embrulhos ricos em diversificadas cores vívidas que não combinavam com seu espírito acinzentado. Tudo o que desejava era: ver novamente Rukia, nem que fosse só uma última vez.
Acompanhava sua família, abatido, até o túmulo de sua mãe. Era como um ritual para os Kurosaki dirigirem-se todos juntos até à campa de Masaki, passar aquela data especial em família. Contudo Ichigo não evitava sentir a falta de uma pessoa em especial, a pequena Kuchiki. Mesmo esta não sendo um membro da sua família, sentia que ela deveria estar ali com ele, mesmo não compreendo ao certo o porquê disso.
Ao alcançarem o seu destino, Isshin se encostou no jazigo… Fumando. Segundo a sua falecida mulher, ele ficava sexy naquele estado absorto, por isso o ex capitão só revelava essa sua faceta naquele lugar, só para ela. As gémeas carregavam flores para a mãe, Yuzu era a única dos presentes que lacrimejava, sofrendo impiedosamente com a saudade sendo acalmada por Karin. O Kurosaki encarou a face austera de seu pai, admirando o céu estrelado, e por instantes identificou-se com ele. A morte os separou das mulheres que eles amavam.
Ichigo desloca-se silencioso, distanciando-se do local onde a sua família estava reunida, isolando-se. No momento angustioso, não captou que pela primeira vez admitiu interiormente que amava Rukia; foi algo tão espontâneo e natural que nem foi detectado.
Movimentou-se até um ponto amplo apreciando a vista deslumbrante da cidade naquela noite mágica. As luzes coloriam a cidade, um brilho peculiar mais fraterno porém isso não o alegrava. Nem as músicas com um ritmo repousado e alegre o embriagavam. Prosseguia desanimado mesmo naquele ambiente transmissivelmente jubiloso. Infelizmente, não era suficiente para contaminá-lo com o típico amor da época.
Ao lado dele encontrava-se Rukia, no entando ele não a conseguia enxergar nem sequer sentia a sua presença, o que desanimava a shinigami. Todavia o que mais a entristecia era deparar-se com o ruivo naquele estado degradante. Almejava o reconfortar mas sabia que ele não a ouviria, seus esforços seriam inúteis.
Rukia sentou-se ao lado dele, admirando o mesmo cenário magnificente que o Kurosaki. Pousou a sua palma na dele, e timidamente entrelaçou os dedos de ambos. Porém nem assim ele podia sentia o calor confortante que emanava de sua mão. A morena queria demonstrar que estava ao lado dele, que tentava revigorar… Desejava a possibilidade de comunicar com Ichigo de algum jeito para além das palavras. Ela precisava de agir de uma forma que ele a pudesse enxergar. Algo que pudesse lembrar-lhe ao adolescente. Mirando a sua zanpakutou, Rukia sorriu com a ideia que teve.
Num balbucio, a shinigami demonstrou sua presença pela sua zanpakutou: fazendo nevar com a Sode no Shirayuki.
Ichigo sente um floco de neve aterrissar em seu rosto, direcionando sua mão até o local, sentindo o gélido ardor que acabara convertendo-se numa agradável queimadura. O seu rosto se curva pela primeira vez naquela noite de Natal.
- Obrigado, Rukia.
A Kuchiki ri estrondeante ao perceber que deu certo a sua tentativa de o ver feliz. Mesmo sendo proibida a relação entre humanos e shinigamis isso não os impediu de partilharem o destino e de cruzarem seus sentimentos num só.
Ela estava radiante e só nesse momento constatou que Ichigo fechou sua mão, guardando seu calor, como se estivesse de facto de mãos dadas. Uma lágrima obstinada escapou da pérola roxeada, deslizando pela sua face, repousando em seu lábio superior. De alguma forma Ichigo soube que ela lhe dava a mão e mesmo não a sentindo, ele retribuiu o gesto.
Num movimento impensado, clandestino, a Kuchiki roça seus lábios finos contra os do ex substituto de shinigami. Sua boca movia-se sozinha como a neve, uma dança solitária. Todavia, num mísero segundo sentiu ser correspondia. Ichigo tomara a direcção de seus passos, a guiando como se patinassem pelo gelo. Era suavemente delicado, como se tivesse medo de a quebrar. Ela afastou sua boca da dele, unindo suas testas, encarando a penugem embaciada que ultrapassava os lábios carnudos do ruivo. Um beijo roubado, um segredo, que somente ela teria conhecimento. Quem sabe se eles se reencontrassem, ela lhe contaria. Sim, essa seria a sua promessa natalícia.
Ele sabia que ela estava ali com ele, velando por ele, e que sempre o estaria. Assim como ele a salvou na Soul Society, ela o resgatou de sua própria solidão.
Mesmo muitos shinigamis terem zanpakutous do elemento gelo/neve, incluindo o capitão do décimo bantai Hitsugaya, o Kurosaki imediatamente a reconheceu. Os flocos de neve levitavam amenamente, numa dança majestosa com o vento. Era o elemento de um ataque fatal mas na alçada de Rukia se convertia também em elegante. Completamente diferente do mortífero do capitão de gelo, que representava a dramatização do clima, a fúria dos céus.
Subitamente, alguns cristais adquiriram um brilho cintilante inerente como o gelo. Os flocos se fundiam criando um maior. Ao princípio, Ichigo constatou seu próprio reflexo até inesperadamente se deparar com a fisionomia de Rukia ao seu lado. Estava diferente, mais madura porém continuava bela. Ele assistiu ao seu belo sorriso pela frigidez do cristal e não se sentiu mais sozinho naquele dia, tudo o que precisava estava ao seu lado.
Nesse momento uma luz suprema acende e o casal admirado observam o inédito bem diante deles. Uma ampla árvore de Natal estava localizada no meio da cidade, com seus enfeites dourados destacando-se enquanto iluminavam a bela noite. Ao passo que a neve prosseguia, ornamentando o cenário que eles usufruíam.
- Nós voltarem-nos a ver.
Rukia o encarou confusa, defrontando-se com o ruivo a contemplar o céu iluminado pelas luzes natalícias, com um brilho diferente no olhar, suas ordes castanhas pareciam mel. Com certeza não era um efeito da luminescência das lâmpadas decorativas. Ela não compreendeu o significado oculto em sua frase. Afinal ele perdera seus poderes, ela não soube se fora um efeito consequente de todo o clima que os rodeava, ficando esperançoso em vão, mas de alguma forma ela confiou nele.
- Sim, Ichigo. Nós voltaremos a ver-nos.
A shinigami sabia perfeitamente que suas palavras nunca seriam escutadas, pelo menos por enquanto. Porém acreditou que de alguma forma chegariam a ele. Permitiu-se apreciar a atmosfera agradável proporcionada pelos humanos, crendo no impossível: que um dia voltariam a estar juntos.
Ichigo estirou-se contra a camada de neve, fazendo com que a shinigami o imitasse. O Kurosaki ao fitar a sua lateral constatou que havia uma forma feminina pequena esculpida no alabastrino. Uma ilustração perfeita da fisionomia da morena. Ele sorriu timidamente, era estranho não ouvir sua voz escandalosa mas era agradável saber que estavam juntos mesmo com tudo contra eles… Eles continuavam a prevalecer.
Aquele momento era a realização da prenda de Natal desejada por Ichigo.
A shinigami invadiu sua vida de um modo surreal e em tudo ela se revelava desse jeito: diferente. Até em detalhes simples como prendas de Natal. Ichigo não evitou rir com esse pensamento.
Porque mesmo eles não se enxergando sentiam a presença um do outro. Os sentimentos do casal estavam conectados, não só as suas reiatsus. Eles teriam sempre uma forte ligação que ninguém conseguiria desvincular. Era um laço vermelho inquebrável.
Enfim, o Natal não se resumia a uma reunião familiar mas a junção de dois corações, após tanto tempo separados, numa perfeita magia.
Notas finais
Vemos-nos em 2015 se Deus assim o permitir!! :D
Beijinhos, beijinhos ♥
Fale com o autor