Snowflake
2 Capítulo 2
Notas iniciais
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Motivo: vide notas finais.
Snowflake
Kaline Bogard
Capítulo 02
O moreninho ofegou ao ver os braços de Takeo caírem por terra. Provavelmente o ser contra o qual se defendia o forçava contra o solo! Quando o ruivo respirou ar com um chiado Hayato venceu o choque e, reunindo forças que nem sabia ter, levantou a pedra acima da cabeça, pronto para acertar a temida criatura.
– — — — -
– Takeo, cuidado!
Hayato avisou preparando-se para deixar a pedra cair sobre o invasor da fazenda. Não queria acertar o namorado por engano.
Pra surpresa do moreninho Takeo apressou-se em impedi-lo.
– Não! Hayato, espera! Não faça isso!
Izumi não entendeu nada, no entanto obedeceu deixando que a pedra caísse ao seu lado, inofensiva. Ao fitar a face pálida de Shiroyama teve certeza que algo tinha acontecido.
– Takeo...?
O ruivo fez força e sentou-se logo após empurrar algo pro lado. Além disso, manteve a mão fechada firmemente, como se segurasse alguma coisa. Um tanto agitado olhou de um lado para o outro até se deparar com o canil.
– Pegue um cadeado. No armário do celeiro.
– Um cadeado? Takeo você está brincando comigo!
– Nunca falei tão sério na minha vida! Rápido! Acho que consegui nocautear isso...
– Takeo... – Hayato ameaçou continuar a discussão e foi interrompido antes que conseguisse.
– Anda logo! Temos que aproveitar agora.
O moreninho se rendeu. Deu meia volta e correu até o celeiro que ficava na parte de trás da grande casa, alguns metros a frente do milharal pontilhado de grandes espigas.
Afobado, abriu a porta e foi direto para o armário de ferramentas. Achou o cadeado na segunda gaveta, mas não tinha chave. Só encontrou um com chaves ao fuçar mais ao fundo. Voltou depressa bem a tempo de ver o namorado terminando de puxar algo para dentro do canil desativado.
– Rápido! – Takeo instigou tratando de sair e fechar a porta. Só respirou aliviado quando pegou o cadeado das mãos de Izumi e o fechou trancando a porta. Então deu dois passos para trás e observou a construção.
O canil não era muito alto, o suficiente para um homem do tamanho de Takeo entrar. O perímetro somava quase dez metros fechando um retângulo de dois por três e era cercado por uma tela de arame resistente o bastante para suportar o ataque dos Pitbull que o ex-proprietário criava ali, inclusive por cima, para evitar que os cães saltassem e escapassem. Completando a construção havia uma casinha feita de cimento, que nos bons tempos abrigara cerca de cinco dos grandes animais.
– Acho que agüenta.
– Pode me dizer agora o que pretende? Você ficou louco de prender isso aí?
Takeo passou a mão pelos cabelos. A adrenalina começava a diminuir ele pôde pensar com calma em tudo o que acontecera.
– Hayato você viu? Eu derrotei um deles sozinho! – Shiroyama estufou satisfeito – Escreve um livro sobre isso, amor?
– Eu to falando sério, Takeo! Tem certeza do que está fazendo? – o moreninho se mostrou impaciente – A grade de arame pode ser pouco pra manter isso preso... e se escapar? Temos que avisar a Agência!
– Calma – o mais velho soou muito sério – O arame agüentava cinco cães violentos. E se essa criatura não me detonou acho que não vai arrebentar o arame.
Ao ouvir isso Izumi relanceou os olhos pelo sangue que manchava as roupas do namorado.
– Está ferido?
– Não, – Takeo também olhou para as manchas em sua blusa – esse sangue não é meu.
Hayato olhou longamente para o canil aparentemente vazio. Ao observar o chão próximo à pequena casa de cimento notou uma mancha vermelha que não estava ali antes. Sangue.
– Porque?
Ao ouvir a pergunta Shiroyama piscou e desviou os olhos confusos para o canil. Compreendeu o que o amante queria saber.
– Enquanto eu lutava com um deles... – a voz demonstrou toda a sua confusão – Eu... só quero ter certeza de algo, Hayato.
– Você já teve idéias ruins antes, mas essa superou todas! Não estamos brincando, Takeo. Ele pode nos matar, atrair outros... temos que avisar as autoridades! De que adiantou nos mudarmos para tão longe?
A angústia na voz do namorado fez com que Shiroyama se aproximasse dele e colocasse as mãos em seus ombros.
– Confia em mim dessa vez. Prometo que ao primeiro sinal perigo a gente chama a Agência.
Hayato respirou fundo. Poderiam não ter tempo pra nada, caso algo desse errado. Mas era um pedido de seu namorado. Arriscaria a vida por um pedido dele sem hesitar.
– Tudo bem, seu doido. Só espero que não se arrependa por isso. Essas criaturas não têm cara de mascotes.
– Cara de mascotes? Você já viu um deles? – perguntou e nem esperou resposta – Não. E nem eu. Sabe, Hayato, enquanto lutava pela minha vida eu... eu... só tive a impressão de que... vamos esperar um pouco mais, por favor?
O moreninho não respondeu. Ao invés disso foi recolher as compras esparramadas pelo chão de terra. Takeo lançou um último olhar para a prisão improvisada antes de ajudar o namorado.
oOo
O plano era simples, como sempre. Como tudo a respeito dele, aliás.
Tudo não. Quando o amor era simples? Havia um emaranhado de sensações e emoções que dominava o coração e comandava as ações.
Ele podia ter escapado. Podia ter fugido e salvado a vida.
Doce mentira.
Sua vida estava com ele. Por mais longe que fosse, por mais seguro que estivesse de nada adiantaria. Por que somente ele podia fazê-lo feliz.
O plano era simples.
Seguir para o norte. Sempre para o norte.
“É a única forma”, ele dissera no momento da despedida. “Você tem que se salvar. E viver por nós dois.”
Ele não podia. Nunca poderia continuar sozinho. Percebia a loucura agora. E por isso voltava. Abandonara o objetivo de chegar ao extremo sul, e voltava sobre os próprios passos seguindo agora para o norte.
– Já terminou? Precisamos da mesa!
Ergueu a cabeça e observou a garçonete de saia muito curta que se aproximava. A garota reclinou-se exibindo uma vista generosa do decote. Não era uma mulher feia, mas seus modos vulgares incomodavam um pouco.
– Estou saindo – ele fez menção de jogar algumas moedas sobre a mesa para pagar pelo café. Isso o lembrou de comprar alguns cigarros no posto de gasolina ao lado do restaurante.
Estava quase alcançando a porta quando prestou atenção na música que a jukebox tocava no momento. Foi impossível impedir os lábios de reclinarem-se suavemente para cima.
Oh, you can't tell me it's not worth trying for
I can't help it, there's nothing I want more
Yea, I'd fight for you, I'd lie for you
Walk the wild for you, yeah I'd die for you
You know it's true
Everything I do
I do it for you
A versão de Jack Nolan.
Não podia ser uma coincidência mais apropriada.
oOo
O carro parou suavemente no acostamento, bem em frente à loja de armas. Teruo nunca tinha comprado nada naquele lugar, afinal não era todo dia que seguia uma daquelas criaturas rumo ao norte. No entanto não esperava ter problemas.
Saltou do carro, amassou e jogou o pacote de cigarros vazio no chão. Precisava comprar mais.
Analisou a fachada da loja. Nada que surpreendesse, era simplesmente como todas as outras espalhadas pelo país.
Rapidamente o homem atrás do balcão prestou atenção no recém chegado.
– Bom dia – cumprimentou solícito.
– Tem tudo pra ser – Teruo respondeu misterioso e de bom humor. Sabia que grande parte daquela acolhida era não apenas pela possibilidade de uma nova venda, e sim pela chance de vender para alguém como ele. O terno bem cortado e caro deixava evidente sua procedência.
– Em que posso ajudá-lo?
– Munição calibre quarenta e dois de compressão quente. Duas caixas.
O vendedor pareceu surpreso.
– Compressão quente...? Os Jääns... eles estão vindo pra cá?
– Não. Munição calibre vinte e dois de compressão fria. Uma caixa.
O homem assentiu parecendo incrédulo com a afirmativa de que os inimigos não vinham para o norte. Apesar disso não retrucou, apenas deu as costas e destrancou o armário separando o que fora pedido.
Distraído Terushido permitiu que seus olhos admirassem as armas expostas no balcão de vidro. Quase assobiou ao ver o rifle de repetição calibre doze. O cano curto indicava um senhor estrago ao atingir o alvo.
Mas não era algo que precisasse. Não tinha pretendido sair nessa missão, porém nunca ignoraria o sinal que piscava fraco na tela do GPS. Renovava seu estoque de munição apenas por que sua precaução já o livrara de enrascadas antes.
– Aqui está – o vendedor colocou as caixas sobre o balcão – Qual a forma de pagamento?
Yuura retirou um cartão do bolso e entregou para o outro.
– Põe na conta da Agência.
Continua...
Notas finais
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A história segue abordando essas três situações diferentes.
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Vou tentar adiantar o máximo nesse fim de período de férias, por que depois as coisas apertam um bocado. Esse ano começo a parte de clínica... man... quem será meu primeiro cliente?!
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Obrigada especial a Nii-chan! Ela que batizou o povo de gelo Jääb Ihmiset e me ajudou com outras idéias gatas que serão usadas nessa história!
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E eu só estou postando esse capítulo hoje por que a Nii chan malvada sem coração falou que só liberava atualização de fic depois que eu postasse. Taí, Muffin! Agora é sua vez!
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