Snow White [HIATUS]

2 Era uma vez... Regras de etiqueta à mesa


Notas iniciais
Tenham uma boa leitura.

Seja sempre pontual.


Nunca repita uma roupa.


Sente-se educadamente e mantenha os cotovelos bem juntos ao corpo.


Espere o anfitrião começar a comer primeiro.


Use corretamente os talheres e o guardanapo.


Se não gostar da comida, não reclame.


Seja paciente.

—Seu pai pediu para chamá-la novamente princesa. Ele e os outros nobres já estão impacientes.

—Se ele esperou até agora, pode esperar mais um pouco. — Regina respondeu à sua dama de companhia, enquanto terminava de pentear o cabelo — E já estou pronta.

—Quer que eu diga isto a ele?

—Não será necessário. — Regina olhou para a outra pelo reflexo no espelho e sorriu — Como estou?

—Perfeita... como sempre.

—Ótimo.

Regina saiu de seus aposentos andando até o salão que seria servido o jantar, sendo seguida por Bela que recebia as ordens para o próximo dia.

—Quero que meu banho já esteja pronto quando eu chegar. Mande alguém cuidar do meu jardim, especialmente a macieira. Peça para que Mme. Anne Bleuâtre venha amanhã tirar minhas medidas para os novos trajes e jogue meus vestidos marrons e cinzas fora, a primavera está chegando e não quero andar pelo reino como uma viúva.

—Os azuis e brancos também? — Bela perguntou. Regina parou de andar.

—E porquê eu iria querer jogar fora meus vestidos azuis e brancos?

—Me perdoe. Mas é porque a senhorita disse que não quer se vestir como uma viúva e as cores de luto das viúvas é azul e branco.

Regina ficou atordoada e logo voltou a andar.

—Faça o que você quiser com eles, confio em ti.

—Obrigada pela confiança. Já pensou em doar seus vestidos?

—Como? Primeiro jogar fora os vestidos e agora doá-los. Explique-se.

—Bem. O reino a admira apenas pela beleza, se souberem que doa suas próprias roupas para os menos afortunados eles acharão que a futura rainha é caridosa, justa e se importa com o povo.

—Oh! Isso mesmo. Dê comida também. Faça de tudo para esses imundos pensarem que me importo. Não conte nada para as condessas e baronesas, se descobrirem elas farão a mesma coisa. Este é o nosso segredinho. — Regina piscou para ela e sinalizou para que os guardas abrissem a porta — Hora do show.

Assim que entrou no salão, Regina fez uma rápida reverência em direção ao rei e, praticamente, jogou-se na cadeira que estava na ponta oposta a que seu pai estava sentado. Lugar que era ocupado por sua mãe antes de morrer há nove primaveras.

As filhas dos duques e condes do reino estavam sentadas nas outras cadeiras. Estavam hospedadas naquele castelo só porque suas velhas mães as encheram de esperança, falando que o rei procurava uma nova esposa. Eram todas jovens e fúteis, tinham quase a mesma idade de Regina e isto a deixava enojada. Todas queriam ocupar o lugar em que estava sentada e sabendo disto ela se sentia muito mais especial e importante.

A princesa já estava comendo antes dos outros, quando foi interrompida pela mais velha. Abigail era uma mulher alta e esguia. Seu rosto tinha traços longos e rudes, emoldurados pelo cabelo loiro preso em um coque alto.

—Desculpe-me o atrevimento princesa, mas este não é o mesmo vestido que a srta. usou durante nosso passeio semana passada?

—Não vejo problema algum em usar o mesmo vestido mais de uma vez, sendo que o mesmo é mais bonito do que todos os vestidos que você usou, usa e usará nesta sua vida medíocre e, portanto, merece ser admirado.

—Acalmem-se meninas. Não estamos nem na metade do primeiro prato e vocês já estão trocando elogios.

—Papai, eu ficarei calma assim que essas vadias usurpadoras voltarem para suas casas, a propósito, quando elas vão embora?

—Creio que elas voltarão para suas famílias depois do casamento.

Todos que estavam jantando, com exceção do rei, largaram seus talheres e encararam-se, imaginando quem teria sido escolhida para se tornar a Grande Rainha. Nenhuma queria quebrar o silêncio, mas alguém teria que fazer a pergunta, então vendo que ninguém se pronunciaria, Anastácia perguntou:

—Majestade, e quem de nós foi escolhida para ocupar o trono?

—Oh! Querida. Quem aqui é mais digna de ser rainha do que a minha adorável princesa? Regina será a futura rainha.

—Isto é um ultraje. Um pecado. Você está desrespeitando uma das lições divinas. Um pai não pode se casar com a filha. Seu pecador hipócrita. — Abigail gritou e correu para fora do salão aos prantos. As outras iam seguir o exemplo dela quando o rei ordenou que se sentassem e explicou:

—Meninas, como vocês podem ver eu já estou velho, não durarei muito tempo neste mundo. Será melhor para o reino ter um rei e uma rainha antes que minha alma vá para a terra dos Perpétuos. Eu não me casarei com minha filha, mas ela se casará com um dos príncipes de nossos reinos aliados.

—NÃO! Isto não irá acontecer. Eu posso governar sem a ajuda de um homem. — Regina se levantou e andou em direção a saída.

—REGINA! NÃO DÊ AS COSTAS A MIM! VOLTE PARA A MESA AGORA.

—Por quê? Esta comida está um lixo mesmo.

***

Passaram-se dias após o jantar em que o rei Henry comunicou que sua filha iria se casar, as filhas dos duques e condes ainda estavam no castelo, exceto por Abigail que voltou para casa no dia seguinte.

Regina passava a maior parte do tempo passeando com Mme. Anne Bleuâtre pela cidade ou em seu pátio.

—Você deveria se casar.

—Ficou louca Anne? Eu não posso me casar. Não posso ter outro homem mandando em mim. Isto é enlouquecedor.

—Querida, não está vendo a situação de todos os ângulos, apenas de um.

—Então me explique os outros.

—Você é inteligente Regina. As damas ainda estão morando no seu castelo. O que acontecerá se o Grande Rei se casar com uma dessas ninfetas, mas antes de morrer deixar um filho?

—A esposa se tornará Rainha-mãe e governará até o menino atingir a maioridade.

—E o que acontecerá com você?

—Oras. Não acontecerá nada. Papai não deixará que ela me maltrate.

—Ele estará morto. Ela poderá fazer o que quiser, até mandar alguém lhe matar.

—Está certa Mme. Anne Bleuâtre. Não tenho outra escolha, tenho?

—Receio que não. Mas não fique triste, eu farei de você a noiva mais bonita de todas, tenho um vestido especial. Feito de sol. — Os olhos de ambas brilharam mais do que o normal — Você não vai perder esta oportunidade, ou vai?

—Claro que não. Mas antes de me casar, farei uma viagem até as colinas. Preciso achar algo.

—E o que você precisa achar majestade?

—Não sei ainda. Saberei quando encontrá-lo.

***

O Grande Rei Henry estava prestes a escolher sua futura esposa, quando Regina abriu as portas abruptamente. Seu rosto suado e cabelo bagunçado transpareciam o esforço que passou correndo até a sala.

—Papai, eu aceito.

Notas finais
Até o próximo capítulo.