Snow Heart
6 Calor de Inverno.
Notas iniciais
Dias e mais dias se passaram desde que Elsa voltou a ver Jack. O rapaz passava o tempo inteiro perto da garota, seja nos momentos mais divertidos ou nos mais chatos quando ela resolvia questões do reino. Anna e Kristoff passaram a perceber tal comportamento estranho da rainha, ela sorria com mais frequência tinha pequenos ataques de risos sem motivo e algumas vezes fora pega discutindo consigo mesma em voz alta. Olaf por sua vez era o único que sabia o real motivo, por ser um ser mágico e 'parte' de Elsa, assim como ela, ele conseguia ver Jack. Mas não ficou surpreso com aquilo, e demorou uns dias para que ele entendesse que ninguém mais via aquele rapaz flutuando ao redor de Elsa. A rainha por sua vez teve que pedir o silencio de seu amigo, que ficou excitante por ter que mentir para Anna, mas concordou depois de Elsa convence-lo que era só por pouco tempo, até que ela achasse uma maneira de apresenta-los.
Jack fazia o possível para tornar os dias de Elsa o menos cansativo possível, e mentalmente contra sua vontade contava os dias que faltava para ele ter que partir em mais uma viajem. Até que o inverno chegou de fato em Arendelle e Jack sabia que teria que partir em alguns dias. E era nisso que ele pensava quando Elsa entrou no quarto. Ela usava o vestido com fios de gelo e aquela trança despojada... estava do jeito que Jack mais gostava de vê-la, natural e orgulhosa de si mesma.
–Senti sua falta lá embaixo...- Ela comentou enquanto ia em direção à sua cama, onde ele estava deitado.
–Ah, não me leve a mal não. Mas pra mim, comemorar o inverno tinha que ser lá fora, fazendo boneco de neve, guerra de bola de neve... sentindo a neve. E não aqui dentro, num lugar quente e fechado, fazendo um baile qualquer. - Respondeu ele soprando uma mexa de cabelo que caia em sua testa.
–Isso pode ser bom pra gente, mas aquelas pessoas não aguentariam usar aquelas roupas de festas no frio que está lá fora. E fazia tempo tempo que Arendelle não tinha um baile. O último foi na minha coroação e não acabou nada bem... mal começou pra ser bem sincera. - Elsa viu um sorriso travesso brotar nos lábios de Jack quando ela terminou de falar. Ele então se levantou, uma ventania repentina e gelada abriu sua janela e ele estendeu a mão para a jovem.
–Então... agora vamos comemorar do nosso jeito. -
E assim passaram mais uma noite em que Elsa recuperou parte da infância. Fazendo coisas que ela foi impedida de fazer em seu tempo, brincar, rir, não se preocupar, explorar a si mesma e ao reino que governava. O tempo com Jack fazia ela se sentir tão livre, tão leve e tão tranquila... que ela se sentia criança novamente e isso fazia com que eles ficassem cada vez mais próximos, pois aos poucos Elsa não se importava mais com regras quando estava com Jack. Eles 'brincavam' de guerra de neve, de pega-pega, fazer anjos de neve, exploravam pequenos bosques e montanhas e faziam tudo aquilo que o tempo e seus poderes permitiam. E entre tudo isso haviam toques, um abraço, uma guerra de cócegas, um tombo que fazia os dois rolarem sobre a neve... e suaves demonstrações de afeto. Elsa se parecia cada vez mais com Anna, ao menos quando estava com Jack, e assim passou a entender porque a irmã nunca ligava para o que os outros falavam, nem pras regras que lhe eram impostas e porque ela sempre falava tanto e estava sempre sorrindo. Era porque... a vida era boa, e só dependia de Elsa enxergar isso.
Jack por sua vez se sentia igualmente feliz desde que Elsa voltou a vê-lo. Algumas poucas crianças o viram em todos esses anos sem ela... mas nenhuma substituiu seu lugar. A primeira vez que ele a viu, sentiu um carinho especial por ela, como um irmão sente por sua doce e pequena irmãzinha. Conforme Elsa crescia, o carinho de Jack foi acompanhando seu crescimento. Sempre a visitava quando podia, sempre queria saber como ela estava... Mas desde que a reencontrou algo nele mudou. Elsa não era mais a mesma, e não por ela estar mais madura e séria do que antes, até porque ela logo voltou a ser a mesma 'pequena' Elsa de antes com ele. Mas ele a via com outros olhos, como se um brilho radiante ofuscasse sua visão sempre que a loira ria com ele, e como se um calor escaldante de inicio de verão preenchesse seu peito sempre que ela deitava a cabeça em seu ombro ou lhe direcionava um olhar penetrante. Isso era desconcertante, e Jack até achava ser um castigo por passar tanto tempo longe de seu trabalho por estar matando as saudades de Elsa... mas parou de achar isso, pois já havia passado bem mais tempo 'vagabundeando' por aí e nada aconteceu, além de sentir um peso na consciência sempre que a lua surgia no céu.
– Jack? - Chamou Elsa quando viu Jack encarando seriamente a lua acima deles. – O que foi? -
–Hm? Ah... nada. Quer dizer... acho que já te contei isso. Mas a primeira lembrança que tenho é da Lua. A lembrança mais antiga que tenho é de ver ela brilhando no céu, como se me chamasse e me puxasse para ela. - Explicou ele, se virando para Elsa e se aproximando da garota lentamente, tocando algumas mechas de seu cabelo que caiam no rosto. – É estranho sabe... é como se ela tivesse de alguma maneira... um poder sobre mim. Como se alguma força qualquer me puxasse para ela e para minhas responsabilidades... posso até fugir durante o dia, mas quando a noite cai e a lua aparece... eu não tenho escolha a não ser fazer o meu dever. - Inconscientemente ele foi se inclinando e aproximando o rosto do de Elsa, e sua voz começou a falhar e ficar tão baixa como num sussurro, era possível sentir a respiração gélida dos dois se cruzarem. E elsa começava a ficar levemente desconfortável com tal proximidade, corando bruscamente com aquilo, porém sem conseguir de afastar do rapaz. – Mas sabe o que é mais estranho? Desde que você foi me buscar... tudo isso se foi como uma bola de neve numa tarde de verão. Não sinto a lua me chamar, as vezes ouço apenas um sussurro me avisando que está na hora de trabalhar. Mas aí você me chama... e esse sussurro é silenciado sem nenhum esforço da minha parte. A lua não me atrai... não mais do que... - Elsa sentia um arrepio percorrer a espinha, mas não era frio que sentia, pelo contrário, sentia como se raios de sol irradiassem de dentro de si, fracos raios de sol... como aqueles que sentimos no fim de tarde de primavera. Os dedos gelados de Jack tocavam as maças do rosto da loira enquanto suas próprias mãos se apertavam contra o próprio peito. Começou a ficar difícil manter os olhos abertos, e quando viu os de Jack cederem, os dela também se fecharam. Ela podia sentir o hálito refrescante de Jack contra seu rosto...
–Elsa! Rainha Elsa! Elsa! - Olaf se aproximava desesperadamente.
Jack fechou os olhos com força e mordeu os lábios, encostando a testa brevemente na de Elsa, antes de se separar da mesma. A rainha, por sua vez, ainda completamente tímida e desconcertada, pigarreava e tentava se recompor antes de Olaf os acalçar... por algum motivo ela sentia uma tremenda vontade de se abanar, como se estivesse calor ali fora. Mas apenas fez com que uma fria gelada a contornasse, devolvendo sua temperatura agradavelmente gelada. Jack estava de costas, com uma das mãos no cabelo e voltava a olhar a lua. Quando Olaf se aproximou, Elsa sorriu para o mesmo e se abaixou para lhe dar atenção.
– O que foi meu pequeno? —
–É a Anna! Ela... Ela...- Gaguejava ofegante o pequeno boneco de neve.
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