Notas iniciais
Olá leitores, sejam bem-vindos à mais um capítulo!!! Não sei se ainda tem alguém lendo depois de eu ter passado séculos para postar esse capítulo, mas para os sobreviventes, aqui vai mais um. Desculpem a demora e agradeço profundamente aos que acompanham ou comentam. Tenham uma boa leitura, abraços!!!

Barulho para todos os lados. Crianças correndo. Conversas altas, gritos...

Parece até que estou no inferno!

Snape encontrava-se no Salão Principal, aonde observava milhares de alunos, com as habituais vestes de bruxo, correndo para todos os lados para cumprimentar os amigos.

—Severo, aonde estava? -perguntou Dumbledore.

—Desculpe diretor, perdi um pouco a noção do tempo, mas aqui estou. Precisa de mim para algo?

—Não, apenas quero que se junte aos demais professores para o jantar. O Chapéu Seletor está prestes a começar a cerimônia de escolha das casas dos alunos novos.

—Claro -disse Snape sentando-se em sua cadeira.

Só de olhar para essas crianças sem rumo me deixa louco. Ora, ora, se não é Harry Potter.

—Oi Hermione -disse Harry de longe, porém sendo ouvido por Snape.

—Aquele fedelho... -disse Snape com amargura.

—O que disse Severo? -indagou a professora Minerva, que se encontrava ao seu lado na mesa.

—Nada, eu não falei nada -respondeu encarando Harry, até que, coincidentemente, os olhos do garoto encontraram-se com os seus.

Esse garoto, ele puxou todinho ao pai, aquele... mas os olhos... foi tudo que sobrou dela. Ela era tão doce, tão delicada... ....

—Acorda, filho -disse Eileen.

—O que foi, mãe? -indagou Snape levantando com dificuldade.

—Feliz aniversário, meu amor -disse a mulher beijando o gélido rosto do garoto.

—Obrigado.

—Vem, vamos descer, fiz um café-da-manhã especial só para você -falou puxando o filho pelo braço e o arrastando pela escada.

—Seria um ótimo presente de aniversário se a senhora me deixasse dormir até tarde -resmungou o garoto esfregando os dedos nos olhos para despertar.

—Você tem o dia inteiro para dormir, vem logo.

Na cozinha, Severo entrou puxado pela mãe e encontrou algo bem diferente. A mesa estava disposta com mais comida do que normalmente. Tinha um bonito bolo de chocolate, pãezinhos, queijo, café e suco.

—Fiz tudinho pra você, gostou? -indagou Eileen sorridente.

—Adorei, mãe.

—Senta, experimenta.

—Tá -disse Severo sentando e pegando de cada comida um pouco.

—Seu pai já está descendo, ele tem que trabalhar cedo, mas acho que dá tempo de cantar seu parabéns conosco -disse a mulher sorrindo.- Aqui, abra, é o seu presente.

—Mesmo? Não precisa ter comprado nada -disse Snape abrindo o embrulho.

—Claro que sim, só se faz aniversário uma vez no ano, não custava nada. Gostou?

—Adorei -disse ao constatar que era um livro.

Eu sei que parece um presente idiota para uma criança, mas eu nunca fui uma criança muito normal. Adorava ler, desde pequeno. Minha mãe começou lendo alguns contos para mim e, desde então, peguei gosto. Sempre vou na biblioteca da escola e alugo um montão de livros. Não tenho dinheiro para ter uma coleção em casa, mas todos os anos, no meu aniversário, meus pais me dão um de presente.

Depois de alguns minutos, Tobias desceu e deu um raro e rápido beijo no filho de aniversário, tomou café-da-manhã e cantou os parabéns de Severo junto de sua esposa.

—Agora faça um pedido, querido -disse Eileen ao filho, acendendo as velas do bolo.

Pode parecer egoísta da minha parte, mas o que realmente desejo é que a minha amizade com Lily dure para sempre. Moro numa casa simples, minha família não tem muito dinheiro, meus pais vivem discutindo, mas, apesar disso tudo, esse é o meu desejo. Vejamos... estou fazendo onze anos, será que tenho direito a só um pedido? Não, acho que são onze. A amizade de Lily era o primeiro, o segundo...

—Precisa demorar esse tempo todo? -perguntou Tobias impaciente.

—Deixa ele pensar direito -repreendeu Eileen.- Já fez o pedido, filho?

—Já -disse Snape assoprando as velas, no entanto, não todas. Seu pai tirou o bolo da mesa antes que pudesse apagar a última velinha, levando-o para o balcão.

—Tobias -disse Eileen.- Por que fez isso?

—Demorou demais. Olha só, sobrou uma vela acesa, que pena, agora não vai poder realizar o desejo.

Bom pra você, porque desejei a sua morte!

—Você vai cortar o bolo -indagou Tobias à mulher.- Se eu fizer vai ficar todo torto.

Não vou deixar meu pai estragar o dia. Daqui há pouco estarei brincando com Lily. Papai me proibiu de sair de casa, mas ontem, por algum motivo que desconheço, ele deixou eu brincar lá fora hoje.

—Então, eu já vou indo -disse Severo aos pais.

—Pra onde? -indagou Eileen.

—Vou brincar lá no bosque. Papai disse que podia.

—Quando eu disse isso?

—Ontem à noite.

—Ah, ontem quando cheguei exausto do trabalho?

—Foi.

—Muito esperto da sua parte me pegar em momentos frágeis, mas se disse que podia ir foi sem saber. Já disse que não o quero naquele bosque.

—Mas o senhor disse que eu podia ir.

—Eu digo muitas coisas, nem todas elas são verdade.

—Mas pai...

—Não significa não.

—Tobias, deixe-o ir, é o seu aniversário, não custa nada, ele só vai lá para brincar.

—Lá é esquisito e qualquer pessoa pode ter acesso. Dentro de casa é mais seguro.

Como se ele se preocupasse comigo. Essa é só mais uma desculpa idiota para infernizar a minha vida.

—Não lhe demos um livro de presente? Leia-o. Para aquele bosque você não vai -disse Tobias saindo da cozinha, à caminho do trabalho.

—Não faz essa carinha -disse Eileen percebendo a tristeza do filho.- Leia seu livro, vai ver, não vai nem se lembrar de ir para o bosque.

—Mas ele me prometeu, mãe.

—Eu sei, mas sabe como seu pai é, não adianta ficar discutindo. Por que não vai dormir mais um pouco, não estava reclamando que lhe acordei cedo?

—Tá bom, eu vou subir.

Snape subiu as escadas e logo que entrou em seu quarto, deitou-se na cama.

Queria muito ir ao encontro de Lily. Sabe... até que essa janela não é tão alta assim. Mamãe acha que estou dormindo, então só irá me chamar na hora do almoço e papai só chegará à tarde, então não vão notar se eu sumir por alguns minutinhos.

Snape, então, subiu a janela e, com cautela, desceu sem fazer barulho. Caminhou em direção ao bosque e de longe avistou uma conhecida ruiva.

—Severo -disse Lily correndo ao encontro do garoto, abraçando-o.- Feliz aniversário!

—Obrigado!

—O que quer fazer hoje?

—Não posso ficar muito tempo, meus pais não queriam que saísse de casa, vim aqui escondido.

—Poxa, que pena, então, acho que tenho tempo só de entregar o seu presente -disse a garota sorridente entregando um embrulho azul à Snape.

—Pra mim? Não precisava.

—Toma, abre logo e seja sincero se gostou ou não.

—Tá -disse o garoto contente rasgando o embrulho.- Outro livro?

—Então já ganhou um? Eu sempre sou péssima mesmo em comprar presentes -lamentou Lily.

—Não, não, eu adorei! Amo livros, quanto mais melhor. Não tinha esse aqui que me deu, vou adorar lê-lo.

—Verdade?

—Claro que sim. Se um dia conhecer a minha mãe ou o meu pai eles vão dizer à você o quanto eu gosto de livros. Obrigado mesmo -disse o garoto abraçando a ruiva.- Bom, agora eu tenho que ir, minha mãe pode notar a minha ausência -falou se levantando.

—Tá bom, mas não se esqueça que próxima semana é o meu aniversário e eu o quero lá.

—Vou sem falta! -disse Snape já correndo de volta para casa.

Severo subiu a janela de seu quarto, com mais dificuldade com a que desceu, mas conseguiu. Deitou-se em sua cama e ficou encarando o teto, pensando em sua amiga. Acabou por adormecer, sendo acordado pela mãe algumas horas depois.

—Ei, você dormiu bastante, não é mesmo? Venha, já está na hora do almoço, seu pai já chegou.

—Não tô com muita fome agora, mãe.

—Criança não questiona nada, só obedece -disse Tobias adentrando no quarto do filho.- Levanta logo e vem comer.

—Tá bom -disse Snape à contragosto.

—Que livro é esse? -indagou Tobias.

Não... o livro que a Lily me deu, meu pai não poderia tê-lo visto.

—Foi o livro que me vocês me deram hoje de presente -mentiu nervoso.

—Não, não era esse título -falou pegando o livro.- Aonde foi que arranjou isso aqui?

—É... é da biblioteca.

—Tem certeza? -disse abrindo e folheando.- A bibliotecária deve então gostar bastante de você -falou apontando para a frase escrita na primeira página do livro: "Feliz aniversário, Severo".

—Quem foi que lhe deu? -perguntou Eileen.

—A minha amiga.

—Você não tem amigos -exclamou Tobias.

—Tenho sim. O nome dela é Lily e ela mora subindo a rua. A encontrei no bosque outro dia e começamos a conversar.

—Por que nunca nos contou sobre ela, querido? -perguntou Eileen tentando controlar a situação.

—Porque sempre acham motivos para me privar de algo.

—Isso não é verdade.

—É claro que sim, hoje mesmo fizeram isso. Qual o problema de eu ir ao bosque? É perto de casa e eu só fico lá quando está claro, sem perigo algum.

—O problema é que nós somos os adultos e decidimos o que é melhor para você -disse Tobias bravo.- Quando foi que essa garota lhe entregou isso?

—Hoje de manhã.

—Mas eu não ouvi ninguém batendo na porta -disse Eileen.

—Eu me encontrei com ela no bosque.

—Ah, então, mesmo depois que disse para não ir, você foi mesmo assim?

—Foram só alguns minutinhos! Nada me aconteceu, voltei rapidinho.

—Filho, o que seu pai está querendo dizer, é que se não aconteceu nada de mal hoje, não quer dizer que não possa acontecer amanhã. E você saiu sem a nossa permissão. Sei que acha que está com a razão, mas não pode passar por cima da nossa opinião como fez.

—Desculpe -disse Snape cabisbaixo.

—Tudo bem -disse dando um abraço no filho.- Da próxima vez que quiser brincar com a sua amiga, nos avise a que horas será e aonde, tá bom?

—Tá bom

—Agora venha comer -disse a mulher se levantando da cama.

—Espera.

—O que foi?

—Próxima semana é o aniversário dela e ela me convidou, posso ir?

—Por que alguém o convidaria para o aniversário? -disse Tobias recebendo um olhar de repreensão da esposa.

—É verdade, ela até me entregou o convite -disse abrindo a gaveta, tirando um papel lilás e entregando à mãe.

—É mesmo, Tobias, olha só -disse mostrando ao marido.

—Eu posso ir?

—Eu levo você até lá -disse Tobias para a surpresa de Snape.- Mas eu vou buscá-lo em uma hora, entendeu?

—Uma hora só, pai?

—Querido, agradeça que já está de bom tamanho -disse Eileen.

—Tá...

....

Notas finais
Obrigada por lerem e se puderem, deixem suas opiniões!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.