Snap Shoot

1 Você na tela, o foco é automático (ÚNICO)


Notas iniciais
Então, essa fã de Seventeen que vos fala estava passando por um momento difícil, ouviu essa música maravilhosa e teve essa ideia para se distrair e tentar melhorar o seu dia. Espero que consiga melhorar o de vocês também, caso precisem!

Boa leitura ♥

JeonWonwoo simplesmente amava ver o mundo através da lente de sua câmera. Primeiramente, sua visão em si não era lá uma das melhores — na verdade, não havia muito o que ele conseguisse enxergar além de cores misturadas e vários borrões sem a ajuda dos óculos redondos — então as câmeras e as edições tornavam tudo mais bonito e nítido; além, claro, do fato do jovem se sentir infinitamente mais seguro estando atrás da lente circular de sua câmera profissional de última geração. Era como se aquele pedaço de tecnologia pudesse separá-lo do mundo real, evitando, assim, uma das coisas que o Jeon mais temia em toda a sua breve existência: a interação social.

Sendo a pessoa extremamente tímida e introvertida que era, Wonwoo vivia agradecendo aos céus pelo modo como as pessoas simplesmente evitavam sequer se aproximar dos tão ditos fotógrafos. Era como se os outros inconscientemente entendessem o trabalho que uma boa foto custava e, por isso, tivessem medo de atrapalhar ou estragar tudo se resolvessem bater um papinho casual com alguém que estava nitidamente concentrado em tirar fotos. Resumindo, as pessoas não costumavam abordar alguém com uma câmera profissional em mãos.

Bem, pelo menos a maioria das pessoas.

—Wonu—ah! — ouviu o berro atravessar metade do extenso campus gramado da faculdade e imediatamente quis enfiar a cabeça em um buraco.

Céus, por que diabos ele ainda era amigo de alguém tão escandaloso como Mingyu?

Não precisou se virar para procurar de onde o aspirante a modelo vinha, pois o mesmo logo o alcançou com as suas pernas extremamente longas e o porte fino. Como sempre, Kim Mingyu trazia consigo um sorriso perfeitamente brilhante e, também, cabelos amarronzados e leves o suficiente para voarem mesmo diante do singelo toque da brisa de início da primavera. Para completar a cena que poderia facilmente estar sendo exibida em câmera lenta com direito a suspiros alheios como trilha sonora, a pele bronzeada do rapaz reluzia sob a luz do Sol.

Mesmo que ainda fossem nove horas da manhã, o Kim parecia ter saído direto e ridiculamente de um comercial.

— O que você está fazendo, hyung? — perguntou o mais novo ao se aproximar de Wonwoo. Ele usava um sobretudo bege que nitidamente não contrastava com o clima daquele dia, mas que o Jeon sabia que estava o vestido com a única intenção de ressaltar sua beleza.

Queria ser o tipo de pessoa que pensava nessas coisas, mas o máximo que Wonwoo pensou em fazer naquela manhã fora escolher seu moletom menos surrado que, a propósito, era tingido por um rosa pinkque não combinava em nada com a sua personalidade discreta — um dos motivos pelo qual o Jeon evitava de usá-lo.

Mas não naquele dia, porque o rapaz iria vê-la. Assim, mesmo que ela não o enxergasse de volta, o mínimo que ele poderia fazer era estar apresentável.

— Até então, eu estava tirando fotos tranquilamente. — respondeu o Jeon, pendurando a câmera no pescoço e voltando-se para a expressão repentinamente confusa de Mingyu.

— E por que parou? — indagou o Kim. — Alguma coisa lhe atrapalhou?

Você, Wonwoo quis responder, mas preferiu ficar calado e apenas dar de ombros em nome da sensibilidade do melhor amigo.

— A luz não está tão boa. —inventou uma desculpa qualquer enquanto ajeitava os óculos.

— Ah, hyung, eu quero saber quando você vai me fotografar! — resmungou o mais alto, ainda que fosse por apenas cinco centímetros, enquanto balançava os ombros de um lado para o outro. — Eu já fiz alguns trabalhos como modelo e até entrei para o curso de Moda para ganhar experiência! Já faz um ano que nós estamos aqui na faculdade, ou seja, há um ano você estuda fotografia oficialmente, mas nunca tirou sequer uma foto minha... Isso, claro, sem mencionar o fato de que nós somos amigos de infância e...

— Você sabe que eu não fotografo pessoas. —Wonwoo o interrompeu bufando, pois há quase duas décadas precisava explicar aquilo para o Kim.

— Eu sei, eu sei. —dessa vez, Mingyu deixou os ombros largos caírem em frustração. — Você é tímido demais para isso, eu entendo. Mas nós somos amigos há tantos anos, oras!

— Não é sobre timidez, Kim Mingyu. É que fotografia é sobre... — pausou, encarando o mais novo e repentinamente sentindo-se envergonhado demais para conseguir explicar aquilo. — Deixa para lá.

Para Wonwoo, fotografia era sobre sentimentos. Todas as paisagens e coisas que fotografava, ainda que fossem objetos inanimados ou natureza imóvel, resultavam em excelentes fotos simplesmente porque Wonwooamava fotografar aquilo e nada mais. Tratando-se de pessoas, no entanto, o Jeon já não via tanta graça ou paixão pelas mesmas — por isso, suas fotos sempre ficavam, no mínimo, horríveis. Mesmo que Mingyu fosse o seu melhor amigo, talvez o único, o fotógrafo ainda não sentia para fotografá-lo o mesmo prazer que sentia pelas outras coisas, por mais banais ou rotineiras que fossem.

Em resumo, as pessoas simplesmente não atraiam a atenção das lentes de Wonwoo.

Exceto por ela. E, por falar nela, já estava na sua hora de aparecer vagando pelo campus com o seu caderno de desenho em mãos e um sorriso bobo no rosto. Apesar de nunca terem se falado antes, Wonwoo já havia aprendido muito sobre ela, inclusive o fato do quanto ela adorava retratar no papel os traços da arquitetura antiga dos prédios da faculdade sob a fraca luz matinal — afinal, já fazia quase um ano que o Jeon apenas a observava de longe, então aquilo era o mínimo que deveria ter notado.

EunDanoh era estudante de arquitetura, a mais elogiada do seu curso, e tinha entrado na faculdade um ano antes de Wonwoo. Na verdade, o rapaz tinha a conhecido no dia de boas-vindas aos calouros, quando deixou os óculos caírem no chão no meio da multidão e foi ela a pessoa a largar tudo o que estava fazendo para pegá-los e colocá-los de volta no rosto do Jeon, já que o mesmo realmente nem conseguia se virar sozinho sem as lentes grossas. Wonwoo ficou tão impressionado com a beleza da veterana ao recolocar os óculos que sequer conseguiu agradecê-la e, depois disso, os dois nunca mais se falaram. Vez ou outra, Danoh passava por ele nos corredores e lhe oferecia um sorriso acolhedor em cumprimento, mas ele já havia reparado que ser simpática era simplesmente um hábito da jovem.

Por isso, EunDanoh era apenas a sua crush distante, nada mais.

E foi pensando na mesma que o Jeon finalmente a encontrou. A Eun estava sentada em um banco de madeira diante do prédio de medicina, um dos mais antigos de todo o campus, e tinha uma porção de lápis diferentes em uma mão e, na outra, seu portfólio lilás. Mingyu havia sumido da cola do Jeon há algum tempo, então o mesmo pode escorar-se em uma árvore a uma distância segura o suficiente para observar Danoh com clareza, mas sem ser pego no flagra pelos poucos universitários cansados que circulavam por ali naquele horário.

Assim, como de costume, Wonwoo posicionou a câmera com maestria diante de si e deu o primeiro click. Como esperado, a foto tinha saído simplesmente perfeita — não importava a luz, o ambiente ou o ângulo, já que todas as fotos de Danoh não possuíam um único defeito sequer justamente por serem dela. O rapaz sorriu ao ver tamanha beleza contida na pequena tela de sua câmera, os longos cabelos negros da jovem balançando conforme o vento e o seu olhar admirado para a construção diante de si. A franja fina já precisava ser jogada para o lado para não atrapalhá-la a desenhar e, naquele dia especificamente, Danoh vestia uma calça jeans cinza, uma sapatilha preta e uma bata branca na parte de cima. Trazia nos ombros uma mochila florida e tinha o rosto coberto por uma maquiagem extremamente discreta, a qual Wonwoo só conseguia enxergar de fato com o zoom da câmera.

Posicionou a câmera novamente e deu o segundo click. Depois o terceiro e o quarto. Já que ela era a única pessoa que o Jeon fotografava, ele geralmente não conseguia se conter na quantidade de fotos.

Porém, foi se preparando para a quinta fotografia que Wonwoo ouviu um grito distante e, em seguida, foi atingido por algo extremamente duro na parte traseira da cabeça. Os óculos foram os primeiros a voarem longe, mas não sem antes que ele pudesse ver, mesmo que por uma fração de segundos, o olhar surpreso de Danoh voltando-se na sua direção.

Em seguida, tudo o que o Jeon pode ver foi o borrão do chão vindo diretamente de encontro ao seu rosto.

***

Céus, como a sua cabeça doía! Tinha sido atingido pelo que, um disco voador? Um tijolo voador, talvez?

Espera... tinha sido atingido! E na cabeça ainda por cima, uma pancada das feias. Teria... morrido?

Pior: teria morrido sem sequer cumprimentar EunDanoh uma única vez?!

— Não pode ser! — levantou-se num pulo, na verdade apenas o suficiente para se encontrar sentado na cama da enfermaria da universidade, e se arrependeu no mesmo instante que sentiu a pontada dolorida onde tinha sido atingido na cabeça sabe-se lá pelo que.

Bem, pelo menos estava vivo, o que já era um bom começo —ou não.

— Que bom que você acordou.

A voz feminina soava doce e familiar, em especial pelo fato de Wonwoo viver tentando ouvi-la pelos corredores da universidade. Arregalou os pequenos olhos problemáticos e virou-se para o lado, na direção de onde vinha a voz, mas não enxergou nada além de um borrão. Um lindo borrão, diga-se de passagem. Paralisado, ele não soube fazer muito além de coçar os olhos e se perguntar mentalmente se estava vendo — ou tentando ver, no caso — uma miragem.

— Ah, me desculpe. —a dona da voz disse, sem jeito. — Eu não quis colocar os seus óculos antes porque achei que poderia ser um incômodo ficar deitado com eles, mas aqui estão. —de repente, o Jeon viu o borrão de levantar e vir na sua direção. A essa altura do campeonato, ele já estava petrificado em seu lugar.— Deixa que eu coloco.

Dito isso, ela se aproximou e gentilmente devolveu os óculos de Wonwoo de volta para o rosto do rapaz. Demorava um par de segundos para que o mesmo sem acostumasse com o forte grau das lentes, contudo, assim que conseguiu, deparou-se com a melhor visão que já tinha tido nos últimos tempos: Eun Danoh.

Meu Deus, EunDanoh estava bem ali, diante de si e ainda por cima falando com ele!

Será mesmo que não estava morto?

— Está tudo bem? — ela perguntou, cuidadosa. — Sua cabeça dói?

Ela estava... preocupada?

Bem, de fato, JeonWonwoo estava oficialmente morto.

— O que... — iniciou, porém engasgando-se no meio da frase. Pigarreou algumas vezes, até finalmente conseguir se expressar, ainda que quase num sussurro. — O que aconteceu?

De repente, EunDanoh viu-se tendo que segurar uma risada.

Céus, ele era tão fofo...

— Alguns garotos estavam jogando basquete no gramado quando um deles bateu forte demais na bola e, bem, essa bola acabou acertando você. —ela explicou, o que fez ele se sentir extremamente estúpido. Então o disco voador era, na verdade, uma bola de basquete? — Na verdade, foi o meu primo quem lhe acertou a bolada, então eu peço desculpas em nome dele. Ele o faria pessoalmente, mas o reitor o arrastou para a sua sala para lhe dar um bom sermão. É proibido praticar esse tipo de esporte no gramado do campus justamente porque pode ser perigoso, sabe? Você poderia ter se machucado gravemente e... —de repente, ela própria se interrompeu, dando uma risadinha sem jeito logo em seguida. — Desculpe, você deve estar com dor de cabeça e eu estou aqui tagarelando no seu ouvido.

— Não, tudo bem! —Wonwoo emendou logo em seguida, um tanto desesperado.

Na verdade, aquela provavelmente tinha sido a frase mais alta que já havia falado em toda a sua vida. Percebendo isso, as bochechas alvas do rapaz rapidamente se tornaram rosadas, o que fez Danoh rir.

— Tem certeza de que você está bem? — ela indagou casualmente na tentativa de aliviar a timidez do Jeon, que só fez balançar a cabeça positivamente. — Bem, eu tenho uma notícia para você: a sua câmera também está a salvo.

Naquele momento, diante do sorriso mais doce e bonito que Wonwoo já tinha visto na vida, ele sequer se lembrava da existência de sua câmera, mas o desespero diante da possibilidade de que poderia tê-la perdido finalmente o atingiu quando a Eun o entregou o objeto inteiro, são e salvo. O rapaz respirou aliviado e quase abraçado à sua parceira de todas as horas, sua preciosa câmera.

— Na verdade, me desculpe pela intromissão, mas eu fiquei curiosa para saber como eram as suas fotos e acabei dando uma olhadinha enquanto você dormia... — ela iniciou, brincando com os próprios polegares para não precisar encará-lo diretamente. — É que você sempre parece tão compenetrado quando fotografa que faz com que eu, vez ou outra, me pergunte o que tem na memória da sua câmera.

Tudo bem, aquilo já era informação demais para que um Wonwoo introvertido e recém-atingido por uma bolada na cabeça processasse em tempo real. Além de ter visto as suas fotos — literalmente suas, pois as mais recentes eram justamente fotos de Danoh— a Eun ainda sabia que ele era fotógrafo?

Ela... o conhecia?

— Você... viu tudo? — perguntou extremamente envergonhado, o que só piorou quando ela fez que sim com a cabeça. — Desculpe, eu fotografo cenários aleatórios e você estava na minha frente, então eu...

— Tudo bem! —Danoh o interrompeu animadamente. — Sendo sincera, eu acho que as fotos ficaram muito boas, de verdade. Eu estava até pensando em lhe pedir uma cópia, se não fosse muito abuso.

— De jeito nenhum! Digo, não é abuso nenhum. Eu posso fazer quantas cópias você quiser.

Atropelando as palavras, JeonWonwoo parecia ainda mais fofo e engraçado diante dos olhos de Danoh que, na verdade, também já observavam o talentoso rapaz e sua lente há algum tempo. Ele parecia uma pessoa de fácil convivência, mas ela nunca havia tido coragem de abordá-lo justamente por causa de sua câmera. Ele estava sempre tão focado em sua lente que, de algum modo, ela não queria perturbá-lo ou atrapalhá-lo enquanto ele fazia o que tanto gostava.

Contudo, agora que o destino havia lhes pregado aquela peça tão inusitada, Danoh estava disposta a agarrar aquela chance com toda a vontade de se aproximar do Jeon que tinha guardada dentro de si.

— Na verdade... — comentou, chamando a atenção do rapaz. — Haverá uma exposição de fotografias antigas da cidade num museu aqui perto, nesse final de semana. Se você não estiver ocupado, nós podemos ir juntos. Se você quiser, claro.

Naquele momento, Wonwoo sentiu o coração oscilar entre extremamente petrificado e batendo no ritmo pós-maratona, assim como sentiu as bochechas esquentarem na velocidade da luz. Ele estava quase da cor do seu moletom, mas, pela primeira vez na vida, ele resolveu engolir toda a sua timidez para fazer algo que tanto queria fazer há quase um ano.

E sem precisar da lente de sua câmera para isso.

Por isso, respirou fundo um par de vezes e forçou-se a acreditar que aquele momento finalmente tinha, para a sua felicidade, se tornado realidade.

— Eu quero. — respondeu sorrindo. — Na verdade, eu adoraria.

Notas finais
E então, o que acharam? Era só um Wonwoo de fotógrafo particular na minha vida, mais nada... E na de vocês?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!