Notas iniciais
Hey, pessoal. Não tenho muitas coisas para falar, só espero que gostem e sofram um pouquinho mais. Boa leitura.
Perder alguém amado é como ser submetido a uma vida escura, é como se o céu azul virasse cinza, ameaçando chover para sempre. Perder alguém é como se tomassem um pedaço de você, uma propriedade sua que lhe foi tomada, violada. É saber que você jamais vai olhar para aquele rosto novamente, e que ele nunca mais vai sorrir para você. Saber que vocês nunca mais vão se encontrar em um abraço, porque sua outra metade já não existe mais. Talvez em suas memórias, talvez em fotos e em bocas de pessoas que podem vir a proferir seu nome, mas ele não está ali fisicamente. Você jamais vai poder tê-lo. Talvez isso fosse o que mais doesse; a realização de que tudo tinha acabado, de que a pessoa que você ama está preso em um caixão, definhando de baixo da terra.
Uma vez disseram para Regina, “Eu vi no que a vida estava te transformando e ainda sim, você lutava contra as trevas todo santo dia. Você sente as coisas profundamente, não deixe nada te segurar para trás.” Nesse mesmo dia, ela procurou pelo ladrão, o beijou e o marcou com o mal. Ela já havia feito isso antes, permitiu amar e o seu primeiro amor foi embora. Agora, a sua alma gêmea, sua segunda chance havia ido embora também. Ela se arrependeu de naquele dia ter acreditado que poderia ser feliz, se arrependeu de ter ido ao encontro dele em seu acampamento. Mas, sobretudo, ela não conseguia se arrepender de nenhum momento com ele, eles foram felizes à seu modo. Foi intenso, bonito e acima de tudo, verdadeiro. Ela o amava verdadeiramente. Talvez seu maior arrependimento naquele momento foi nunca ter dito, com todas as palavras, o quanto ela o amava e era grata por cada segundinho com ele.
Regina fechou os olhos e se lembrou de seu último momento com ele. Se lembrou de como ela não havia conseguido assimilar o que estava acontecendo em um primeiro momento, e se lembrou de como ela se partiu em mil pedaços quando
seu Robin tentou tocá-la. Talvez aquele fosse o “adeus” que eles não tinham dado. O “eu te amo” tão esperado. Não que precisassem de palavras para ela saber o que existia entre os dois, mas por muitas vezes eles não dialogaram. Ela se arrependia disso também, de não ter conversado mais com ele, de não ter esclarecido quaisquer desentendimentos... Bem, agora já era tarde.
A rainha, então, deixou a mente divagar pelos os outros acontecimentos. Ela teve que enterrar a pessoa que amava. Ela conseguia lembrar nitidamente de como já tinha chorado tudo que tinha para chorar, e de como ela só conseguia encarar o caixão fechado. Ela tinha acordado cedo naquele dia, se é que tinha dormido. Vestiu-se com amargura, entrando no vestido preto e tendo que preparar o cabelo e a maquiagem para o funeral fúnebre dele. Haviam poucas pessoas, algumas a paravam para desejar condolências, e outras evitavam seu olhar. Talvez por medo. No momento tão aguardado, em que enterrariam o corpo dele, ela desejou poder gritar histérica, chorar mais e lamentar por sua perda. Mas ela não podia, não na frente de todos. Então ela segurou as lágrimas, levantou a cabeça e encarou a realidade. Esperou as pessoas depositarem as flechas em homenagem à Robin em cima do caixão, e, sendo uma das últimas, ela levou a sua também, depositando-a lá e deixando a mão em cima daquele monumento frio por alguns segundos que mais pareceram uma eternidade. Mentalmente, ela dizia para Robin o quanto ele importou e importava para ela, e que se um dia existisse uma maneira de trazê-lo novamente, ela moveria céus e terras para o fazer.
A mulher se lembrou de todos esses momentos e perdendo-se no leve farfalhar das folhas, ela depositou uma rosa vermelha em cima da cova de Robin. Estava ali, naquele cemitério, há cerca de trinta minutos, chorando e fitando a lápide de mármore com o nome “Robin Hood”. A rainha levou as mãos até a boca e deu um beijo ali, levando-a de volta para a lápide e pressionando os dedos há pouco beijados ali. Em um sussurro fraco, e contradizendo suas crenças, ela disse; “Enquanto eu estiver viva, você será
lembrado. Enquanto eu estiver viva, você será
amado.”
A última lágrima solitária escapou do canto de seus olhos e ela a deixou cair na terra úmida, virando logo após, para sair daquele infortúnio cemitério.
Notas finais
E aí, folks? Quero dizer pra vocês que nem todas as oneshots serão tristes, mas essa precisava ser. A dor de perder o nosso Robin merece ser sentida.
E vocês já têm alguma prompt em mente? Pode me dizer por aqui, ou pelo twitter; @EduardaMaguire
Vejo vocês próxima semana, xoxo.
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