Smoke and Mirrors

2 Who are you, Anneliese?


Notas iniciais
Segundo capítulo ♥ Esse já tem um pouco mais de ação, espero que gostem ♥

~ P.O.V. Harley Hendrix ~

— Skylar, pegue alguma coisa pra mim. Não demore. — A garota que acho que é Ava diz e se apressa para sair do estabelecimento. Abre a porta, com um sorriso cínico no rosto. Se segura a ela e antes de sair, diz — Não que eu não possa viver sem a comida daqui e sem esses funcionários metidos e autoritários! — Ela dá o dedo sem hesitar e fecha a porta.

Essa é minha chance. Agora que ela está sozinha, posso tentar ter uma conversa adulta com ela. Espero que seja ela.

Pego minha comida apressada, tomando cuidado para não derrubar nem meu alimento nem minhas cartas. Abro a porta ao empurrá-la colocando-a contra minhas costas e avisto sentada num banco perto da cafeteria a garota que corria sério perigo de vida. Encho o peito de ar e solto lentamente, me preparando para o que der e vier. Me aproximo lentamente, e sinto o cheiro de fumaça à uma distância pequena. Vejo-a sair da garota num jato, quando ela se curvou para cima e jogou aquilo para fora. Colocou o cigarro novamente na boca e fitou a rua.

— Ava... Faulkner? — Pergunto, engasgando-me um pouco com minha própria saliva pois estava bastante nervosa.

— Depende. Quem quer saber? — Ela se vira para mim, fitando-me e me fazendo corar.

— Eu... Ahnn... — Me embolo toda nas minhas coisas, tentando não derrubar nada e encontrar a carta certa. Entrego para ela e Ava me olha estranhamente. — Conhece alguém que se chama Anneliese Faulkner?

Ela ri.

— Alguém que não vejo a bastante tempo. — Ela olha a carta, virando-a e revirando-a. — Isso é pra ela. O que tá fazendo com isso?

— Chegou no meu apartamento. — Ava me fita, e agora sua expressão está mais para furiosa do que sarcástica.

— Então quer dizer que essa vadiazinha se mudou... — Ela ri cinicamente. — Essa loirinha me paga. — As palavras dela soam engasgadas devido ao cigarro no canto da boca, que não tirou por um milésimo de segundo para falar comigo. — Bom, obrigada por me dar isso. Mais alguma coisa?

— Bom... Ahnn... — Anda Harley, por que está tão nervosa? Só porque parece que essa garota tem uma gangue inteira que pode me matar se eu vacilar?

Ava era bem mais alta que eu. Não que eu meça grande coisa, mas eu nos meus 1,55 era mais alta que bastante gente, mas ela aparentava ter uns 1,70, mesmo que esteja a olhando sentada, seu tronco e pernas são com certeza maiores que as minhas. Tinha longos cabelos negros até a cintura, lisos e bem cuidados. Seus olhos eram azuis escuros, da cor da noite iluminada pela lua. Profundos e sedutores. Tinha uma pele branca bronzeada. Mas afinal, quem não aproveitaria a praia numa cidade litorânea? Usava uma camisa sem manga xadrez vermelha, shorts rasgados de jeans escuro e um coturno preto surrado. Tinha uma tatuagem no pulso com um símbolo do infinito e numa parte da linha escrito "Sister". Ela parece gostar bastante então da irmã; seria Anneliese parente tão próxima assim de Ava?

— Eu li dentro da carta. Acho que é pra você. — Ava abre a carta com pressa, desdobrando o papel rapidamente e tirando o cigarro da boca e soltando um jato de fumaça enquanto lê.

— Haha, a Anne é muito engraçada. — Ela joga o cigarro no chão e dá um sorriso cínico. — Você é alguma amiguinha dela tentando pregar uma peça? — Faço que não com a cabeça. — Bom, se não foi você, tem alguém que acha que sou burra. Obrigada por me mostrar isso. — Ela dobra o papel e o enfia no bolso. — Não se importa de eu ficar com isso, né? Afinal, nem é seu, então acho que não. — Ela se cala e me fita por alguns segundos. — Skylar está demorando demais, não acha? E afinal, nunca tinha te visto por aqui. É nova na cidade, não é?

— Sim.

— E comprou o apartamento da Anne. Já faz quanto tempo que o comprou?

— Bom, eu... Já comprei já faz uns dez meses, mas só pude me mudar um tempo atrás. Eu lembro que cheguei a falar com essa garota, tenho uma vaga lembrança. Nada demais, só sobre o acerto do apartamento. Mas deixei por conta dos meus pais, então só falei com ela umas duas vezes.

— Aham. É, alguém tá fodida. — Ela assente e olha pro chão. — E não é você. — Escutamos o barulho do sininho na porta da cafeteria e sua amiga aparece, com um saco e dois cafés. — Sky, por que demorou?

— Não importa. Vamos, se não nos atrasaremos. — Ela respondeu, enquanto tirava as chaves do carro do bolso e se dirigia ao beco ao lado da cafeteria, que dava no estacionamento.

Ava se levanta e acena com a cabeça. Ela não pode simplesmente não se importar e achar que era uma brincadeira!

— Hey! — As duas olham para mim. Engulo em seco, e grito — Tomem cuidado.

— Você ainda acredita em brincadeiras do sexto ano? — A de cabelos negros ri e sua amiga consente. As duas desaparecem no beco.

Eu só sei que não pode ficar assim. Ava não pode apenas dar de ombros e seguir com a vida. Parece que não se falam a muito tempo, então provavelmente ela não sabe o paradeiro de Anneliese. Será que está desaparecida? Ou pior... Morta? Isso merece uma investigação. Modo detetive ativado!

***

Chego em casa e a primeira coisa que faço é procurar o notebook. Nada de arrumação por hoje. Vou tentar coletar o máximo de informação sobre essa garota. Se Ava não fazer nada, bom, eu farei. Para falar verdade, estou bem curiosa com o que aconteceu com Anneliese. Sei que posso parecer enxerida, e sou mesmo, mas também não acho certo Ava só querer acertar as coisas e não se perguntar sobre o bilhete.

Pesquiso em todas as minhas redes sociais por seu nome. O problema é que ela não é a única Anneliese Faulkner no mundo, e nem sei como ela se parece. Droga, não havia pensado nisso. Claro, vamos brincar de detetive sem diploma, o que acha que vai encontrar? Nem a coleira de um gatinho!

Desço as escadas e chego na portaria. O mínimo que posso fazer é perguntar para o porteiro.

— O senhor... Conhecia Anneliese Faulkner? A garota que morava aqui antes de mim?

— Infelizmente não, senhorita. — O velho porteiro respondeu. Me pergunto quantos anos tem e há quantos trabalha aqui... Não, Harley, não. Foco. — Talvez algum vizinho possa te ajudar.

— Certo. — Suspiro. — Como... Ela era? Digo, fisicamente?

— Bem... Se me permite dizer, ela era muito bonita. Tinha cabelos tingidos de vermelho escuro um pouco abaixo do ombro e um sorriso maravilhoso. O mais bonito que eu já vi. — Por um momento o porteiro viaja. — Tinha olhos castanho escuro e era bem alta. Usava umas roupas estranhas, mas isso é detalhe.

— Obrigada. Acho que tenho o bastante. — Na verdade, não tenho, mas como ele só pode me ajudar com características físicas, não vai ser muito eficiente. Subo as escadas e vejo uma garota correndo apressada, com uns papéis na mão que esbarra em mim e os derruba, espalhados pela escadaria.

— Ah, perdão... — Digo enquanto ajudo-a a pegar seus papéis.

— Tudo bem. — Ela os recolhe e entrego-a os que tinha recolhido. — Meu nome é Piper. — Piper tinha um cabelo loiro escuro e olhos azuis claros esverdeados. Parecia mais nova que eu, uma inocente criança feliz. Ah, vamos lá, adolescente. Mas inocente e feliz. — Você é nova no prédio, né? A que é minha nova vizinha de porta, no 2° andar?

— Essa mesmo.

— Você mantém algum contato com a Anneliese? Não a vejo há séculos! E ela nunca atende minhas ligações ou responde minhas mensagens! — Essa era a deixa que eu precisava.

— Você conhece Anneliese?

— Sim! Ela era incrível. Claro, eu não era muito próxima a ela, mas o que eu sabia sobre ela era demais. Sinto falta dela. — Ela suspira. — Não que eu não goste de você, sabe. Enfim, tenho que ir, mas falo com você depois! — Ela desce a escadaria correndo.

Parece que encontramos uma mina de ouro, digo, informações! Piper pode ser bastante útil para ajudar a descobrir onde Anneliese está.

Volto para casa e anoto que sei sobre ela num bloco de notas. Cabelo vermelho escuro, olhos castanhos escuros, sorriso bonito, alta. Não é muito, mas qualquer detalhe pode fazer a diferença.

Adormeço enquanto faço minhas anotações.

***

Acordo. Meu celular está tocando. Pego-o e vejo que o número é desconhecido. Coloco-o no bolso. A campainha toca. Levanto-me e olho pelo olho mágico se reconheço a pessoa. Definitivamente não. Dois homens altos e brutamontes pairam do outro lado da porta. "Vão embora", digo, esperando que apenas vão e que tudo fique bem. Realmente, o que eles querem comigo?

Segundos se passam. Olho novamente. Continuam ali, imóveis. Estão me assustando. "Vão embora!", grito novamente, dessa vez mais autoritária. Não mexem um músculo. Afasto-me da porta. E bem na hora, pois é arrombada e uma pistola é apontada para mim.

— Não se mexa. — Um deles diz.

Coloco as mãos na cabeça. Tenho uma chance de correr para a varanda e me esconder atrás da geladeira, que não deixará que a bala chegue em mim. É bem arriscado, mas tenho que sair de algum jeito. Começo a suar. Um, dois, três.

Corro. Ouço um tiro. Eles atiraram no vidro da janela da varanda, que trincou e portanto não caíram milhares de caquinhos em mim. Olho pela janela, e vejo um caminhonete vermelha suja de lama e três pessoas. Seguram um lençol e gritam algo olhando em minha direção. Dois daqueles rostos são conhecidos...

Eles seguram o lençol como se fosse uma cama elástica. Será que é para eu pular? Eles apontam para o lençol, e estão bem agitados ou desesperados. Por mais que pulasse, será que atingiria o lençol? Será que sobreviveria à queda? Será que sobreviveria se continuasse ali? E se me jogasse no vidro trincado, não acabaria me cortando pra valer? A primeira coisa que avisto é uma caixa de papelão, a poucos centímetros de mim. Tenho uma chance. Sinto que os homens se aproximam. Respiro fundo e jogo a caixa com força sobre o vidro trincado, e os caquinhos caem fazendo um grande barulho. Agora posso ouvir claramente o que o grupo me grita: "Pula! A gente te pega!". Quem não arrisca, não petisca.

Me jogo, fazendo esforço para ter mirado no lençol. As leis da física se comprovam e o lençol afunda, e acabo batendo as costas no chão, mas sei que o impacto foi reduzido em pelo menos cinquenta por cento. Eles me levantam e me ajudam a andar até a caminhonete. Minhas costas doem e estou em choque. Entro no carro, e eles dirigem para bem longe dali.

— Você vai ficar bem. — Uma menina dos cabelos negros me diz. Ela me cobre com aquele cobertor e fala alguma coisa com um homem que está dirigindo.

Para onde estou indo?

Notas finais
Espero que tenham gostado! Se sim, demonstrem seu apoio! Eu adoraria conhecer cada um de vocês ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.