Smoke and Fire
24 Epilogue - Love.
Notas iniciais
Epílogo.
“Amor é como uma energia correndo e correndo dentro de mim” — Gabrielle Aplin.
Por: Bubblegum.
Love.
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O som da música The power of love tocava nos fones de ouvido enquanto eu estava deitada sobre cama com um sorriso besta no rosto. Eu estava tão feliz. Me sentia completa. E tudo isso porque Peter voltou.
Eu juro que se eu voltasse uns meses atrás e alguém me contasse que em menos de dois meses eu me apaixonaria por um garoto que planejava arrancar meu coração, eu com certeza iria gargalhar e dizer: “Que besteira”. Mas agora, quando paro e penso, não consigo acreditar completamente. Cara, como as coisas mudam! Tudo muda de um minuto ao outro!
Fui tirada de mês devaneios com uns barulhinhos vindo da minha janela. Levantei hesitante e caminhei até a janela. Abri a cortina e espiei pelo vidro. Não tinha nada.
Sem aviso, do nada, uma pedrinha bateu – foi jogada – contra o vidro, me dando um baita susto. Dei um pulo e abri a janela. Coloquei a mão no peito e forcei a vista para ver se havia algo lá embaixo. E sim, havia.
— Peter! – sussurrei sorrindo.
— Se afasta, eu vou escalar e entrar! – Ele sussurrou de volta gesticulando. Fiz o que ele mandou e me afastei.
O loiro escalou rapidamente aparecendo na minha janela. Ele entrou e fechou o vidro, juntamente com as cortinas.
— Está fugindo? – Perguntei rindo. Ele me ignorou, me dando um selinho inesperado.
Peter sorriu e me olhou de cima em baixo segurando uma risada.
— Sério? Pijama de corações? – Ele riu.
— Eu não tenho culpa se você aparece aqui em plena noite! E eu gosto dele tá legal?! – Falei fazendo uma falsa cara irritada, sorrindo logo depois.
Peter colocou as mãos para cima com uma expressão de divertimento.
— O que faz aqui? – Perguntei vendo o loiro andar até a minha cama e se jogar na mesma. – Que abuso! – ri.
— Sua cama sempre será melhor que a minha. – Ele se esparramou ainda mais, ocupando minha cama e fechando os olhos.
Caminhei até ele e o empurrei, deitando ao seu lado e nos cobrindo com o cobertor. Peter se levantou e tirou os tênis, os deixando jogados no chão e se deitando novamente.
Um curto silêncio se instalou entre nós.
— Eu vim aqui para que você possa fazer todas as perguntas que com certeza perturbaram sua mente durante esse tempo. – Ele falou.
O encarei por um momento.
— Mas precisava vir no meio da noite? — Brinquei. Ele soltou uma risada pelo nariz. – Muito bem... Por que Patrick está aqui?
— Bem, ele me pediu que o mandasse para cá depois que te salvássemos. – Respondeu sem dar muita importância.
— Ele está na mesma escola que eu. – Murmurei.
— O que?! – Ele exclamou levantando a cabeça do travesseiro. Franzi o cenho. – Cara, que droga!
— Por que “que droga”? – Perguntei. Ele gesticulou para que eu deixasse para lá.
— Próxima pergunta. – Falou.
— O que fez com Hook? – Perguntei. Peter hesitou em responder. – Não matou ele, né?
— Não. – Negou dando um suspiro pesado. – Mesmo eu querendo muito. – Ele riu. – Eu o mandei para uma cidade em que ele pudesse ficar livre de mim e eu livre dele, sem precisar vê-lo algum dia, a menos que eu queira o que não vai acontecer.
— O mandou para que cidade? – Perguntei curiosa.
— Se chama Storybrook. É muito pequena e tem a fama de ser uma cidade parada no tempo. – Explicou. – É um porre viver lá.
— Por que? – Perguntei interessada. Peter riu.
— Próxima pergunta. – Pediu.
— Ok. Por que me mandou de volta? – Perguntei. Essa pergunta estava coçando para ser dita.
Ele fechou os olhos, demorando a responder.
— Eu queria que você ficasse comigo, mas fiquei com medo de te machucar novamente e ai te mandei de volta. – Respondeu. Senti que ele ocultou alguma coisa, mas resolvi não cutucar.
— E por que deixou Neverland?
— Porque... – Fez uma pausa. – Eu não sei. – Ele riu. – Talvez, porque... sei lá. – Ele me olhou, percebendo que estava séria, querendo uma resposta de verdade. – Porque eu estou apaixonado por você e não consegui suportar a ideia de que você poderia me esquecer e amar outra pessoa.
“Nada egoísta. Nada Peter” – Pensei.
— E quem disse que eu amo você? – Brinquei.
— Você mesma disse antes de fazer aquela promessa. – Peter disse me fazendo relembrar.
— Ah... – Foi tudo o que saiu no momento. – Bem, e me diga: onde está morando? Onde está estudando? Há quanto tempo voltou? – Disparei.
— Calma, vou contar tudinho. – Dei um sorriso amarelo e enfiei minhas pernas entre as de Peter.
Me aproximei, encostando a cabeça em seu peito e ele me abraçou, fazendo carinho em minha cabeça.
— Eu estou morando junto com um cara que me ajudou quando estava vindo para cá. Ele deve ter uns 45 anos, por aí. Para você ter noção, minha magia foi tão boa que me deixou no meio da estrada. – Contou gargalhando de si mesmo. – Enfim, ele fez um trato comigo: eu posso morar com ele por um tempo, mas tenho que trabalhar na casa de iscas dele. – Soltei um risinho. Não posso ver, mas tenho certeza que Peter fez uma careta.
— Por que casa de iscas? – Perguntei curiosa.
— Ele mora em frente a um lago e tem um negócio de pesque e pague, algo assim. – Deu de ombros. – Então, ele tem uma lojinha de iscar e eu tenho que trabalhar lá. E cara, eu detesto peixe!
Soltei uma gargalhada, me afastando para ver a cara emburrada que o loiro fez.
— Continuando, ai eu posso ficar lá por um tempo, mas o dinheiro que eu receber dele é para pagar a minha escola e tal.
— Mas ai você vai ter que ter mais um emprego Peter. – Interrompi.
— Malcolm. – Falou.
— O que?
— Malcolm. É como me chamo de agora em diante. – Franzi o cenho. – Não posso viver no seu mundo me chamando Peter Pan.
— Ata. – Sorri percebendo a minha lerdice. – Mas por que Malcolm?
— Longa história, eu vou te contar outro dia. – Falou antes que eu abrisse a boca. – Voltando ao assunto anterior, respondendo a sua pergunta: eu me matriculei na mesma escola que você está estudando e eu voltei há umas cinco semanas atrás.
Me afastei de Peter Malcolm e o encarei séria.
— Você esteve aqui esse tempo todo e só me procurou agora?! – Indaguei estapeando seu braço.
— Em minha defesa, eu estava resolvendo a minha vida. – se defendeu. Murmurei um “uhum” irritado.
— E deixa eu fazer uma pergunta... – Comecei. Peter me interrompeu.
— Já fez várias, mas pode fazer mais uma. – Dei uma risadinha, sentindo ele abraçar minha cintura.
— Quantos anos você tem? – Perguntei mordendo o lábio inferior. Peter pareceu pensar um pouco.
— Devo ter uma porrada de números só em idade. – Arregalei os olhos estupefata. – Mas, atualmente, para todos eu tenho 18 anos.
— 18? – Perguntei repetindo. – Nossa então você é dois anos mais velho que eu. – Falei franzindo os lábios.
— Pois é. – Murmurou. – Acabou a seção perguntas? – Neguei. – Tá, qual é a próxima.
— O que aconteceu com Neverland? E Félix e os meninos perdidos? Onde estão? – Perguntei me sentando na cama.
Peter suspirou.
— Neverland está no controle das fadas novamente. E quanto a Félix e os outros, eu os mandei de volta para as suas cidades, suas casas. – Ele se sentou, continuando: — Mas não vai me surpreender se toparmos com algum deles por aqui. – Ele riu.
— Hum. – Murmurei pensando em Félix. Acho que vou sentir falta do loiro.
— E agora, acabaram as perguntas? – Assenti. – Ótimo!
Peter sorriu se aproximando e me dando um beijo demorado e sem nenhuma calma.
— Eu preciso ir. Não quero nem imaginar se sua mãe me pegar aqui. – Ele gargalhou. – Vai ser péssimo conhecer minha sogra desse jeito.
Observei Peter calçar o tênis e levantar, indo até a janela. Respirei fundo e me levantei, indo até ele.
— Como assim “minha sogra”? – perguntei. Ele abriu um sorriso de lado.
— É. Agora, feche os olhos. – Falou. Levantei uma sobrancelha e fechei os olhos.
Senti Peter passar algo por meu pescoço e abri os olhos, levantando a mão e sentindo um pingente.
— Um colar? – Sorri de um jeito tímido e feliz.
Olhei o colar vendo um lindo pingente em formato de coração e dentro uma pedra azul turquesa.
— Tinker mandou para você. – Falou.
— Tinker? Fez as pazes com ela? – Ele assentiu. Voltei meu olhar para o colar. – É lindo.
— Bom esse é o primeiro presente que dou a minha namorada. – Ele falou sorrindo feliz.
Nós nos olhamos durante um bom tempo. Como eu estava com saudade daquele rostinho de quem adora aprontar.
— Eu vou indo. Boa noite. – Peter saiu pela janela, mas antes de descer ele me chamou: — Ei, vem cá.
Fui até a janela e dei um selinho nele. Peter abriu um sorriso largo numa mistura de divertimento e de quem vai aprontar uma.
— Vou te visitar todas as noites e te perturbar todas as manhas. Te beijar todas as tardes e te perseguir em seus sonhos. – Declarou com os olhos brilhando levemente.
— Isso soa como um filme de terror. – Sorri vendo o loiro descer da minha janela.
Esperei um minuto e Peter apareceu já na calçada e acenou indo embora. Acenei de volta e fechei a janela, deitando em minha cama em seguida. Virei de lado e senti o cheiro de Peter em meu travesseiro. Fechei os olhos sorrindo de orelha a orelha.
“Que feitiço você jogou em mim Peter Pan?” – Pensei segurando o colar.
[...]
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The End.
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