Smoke and Fire
10 Capítulo 9 - Hide and Seek.
Notas iniciais
Capítulo 9.
“Vamos brincar de esconde-esconde para virar esse jogo” — Ed Sheeran.
Por: Bubblegum.
Hide and Seek.
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Não vi Peter no dia seguinte. Ele simplesmente tinha desaparecido, e eu admito que fiquei com certo receio de ele estar me ignorando.
Eu já o tinha procurando, mas parecia que ele estava brincando de esconde-esconde comigo. E por sinal ele encontrou um ótimo esconderijo.
Enfim, o dia de hoje se arrastou. Tudo estava estranhamente calmo e tedioso.
Eu estava sentada num dos troncos enquanto esperava Peter dar algum sinal de vida, mas o loiro fez questão de não aparecer.
Suspirei entediada.
Ele só pode estar de brincadeira. Como ele simplesmente me beija num dia e no outro desaparece? Aff! E o pior é que isso que está me afetando de algum jeito ou de outro.
— Hey! – Félix apareceu do meu lado. Encarei o loiro.
— Oi. – Respondi, voltando a encarar o nada.
— Patrick ainda existe. – Ele falou.
Ai me Deus! O Patrick! Eu esqueci dele!
— C-Como ele está? – Gaguejei.
— Você esqueceu dele? – Perguntou. Dei um sorrisinho amarelo. – O que rolou entre você e Pan ontem? – Indagou com uma expressão sugestiva e eu corei. Tenho certeza que corei.
— Nada. – Respondi baixo. Félix resmungou um “uhum”. – Bem, e o Patrick? Posso vê-lo?
— Podia ter visto ele desde ontem. – Afirmou, me fazendo sentir pior do que já estava por ter esquecido meu amigo, que EU machuquei por causa de um infeliz chamado Peter Pan.
— Vêm, vou te levar até onde ele está. – Falou se levantando. Me levantei e o segui.
Andamos um pouco e Félix parou em frente a uma cabana. Deu três batidinhas na porta e esperou um pouco. A porta foi aberta e Patrick apareceu. Ele olhou por cima do ombros de Félix e eu sorri.
— Baixinha! – Exclamou, corri até ele e o abracei. Tomei cuidado para não machuca-lo ainda mais. – Pensei que tinha se esquecido de mim. – Brincou.
— Aff! Eu vou embora. – Félix declarou se distanciando e deixando eu e Patrick sozinhos.
Nós nos soltamos do aperto um do outro e eu o olhei. Soltei uma risada ao ver como ele estava. Patrick estava com seu cabelo castanho escuro mais bagunçado do que o normal, abaixo de seus olhos existia mais olheiras e seu olhar estava animado. Animado até demais para quem recebeu uma flecha no braço.
— Ai me desculpe. Eu não queria ter te ferido. – Falei num tom angustiado.
— Relaxa, a flecha pegou no meu ombro só de raspão. – Falou, sorrindo amarelo. – Quer entrar? – Perguntou, me dando passagem para entrar em sua cabana.
Não achei uma boa ideia, mas Patrick não pareceu se importar. Assenti e entrei.
Meu queixo caiu quando entrei na cabana, acreditem isso aqui parece uma zona de guerra.
— Não sabia que você era tão bagunceiro assim... – Falei sem pensar me arrependendo em seguida.
Patrick gargalhou.
— Nunca fui muito organizado. – Disse se deitando em sua cama.
Fui até ele, passando por cima das inúmeras armas jogadas e espalhadas pelo chão. Puxei um banquinho que estava num canto e o coloquei ao lado da cama.
— E ai? Está tudo bem com seu ombro? – Perguntei, olhando para os curativos no mesmo.
— Está. Não foi um corte muito grande. É só eu não forçar muito e logo vai ficar bom. – Afirmou.
Suspirei o encarando. Patrick estava deitado de barriga para cima, com seus olhos fechados.
— Você é a única amiga que eu tenho por aqui sabia? – Perguntou abrindo os olhos e me fitando.
— Você também é o único amigo que eu tenho aqui. – Respondi.
Nós ficamos em silêncio por uns minutos.
— Acho que Pan gosta de você. – Ele disse do nada.
Eu engasguei.
— C-Claro que não! – Gaguejei.
Patrick me olhou levantando as sobrancelhas.
— E você gosta dele. – Afirmou.
— Não gosto! – Exclamei. O moreno riu balançando a cabeça.
— Tá bom. Você me engana e eu finjo que acredito. – Abri a boca para rebater, mas a fechei em seguida.
Passei o resto da tarde na cabana de Patrick. Nós conversamos, rimos e eu o ajudei a trocar os curativos. No final, passei uma tarde calma e divertida ao lado de Patrick.
[...]
A noite já havia tomado conta de Neverland e a temperatura tinha caído radicalmente.
Abri a porta da cabana, entrando apressadamente. Tranquei a porta e tirei os sapatos. Dei uma corridinha até a cama, sentindo o chão frio em meus pés.
Não pensei duas vezes antes de me jogar sobre o colchão da cama. Eu esperava sentir a “maciez” do colchão, mas ao invés disso eu senti um volume estranho sobre ele.
— Ah! – Ouvi um resmungo abafado. Me levantei bruscamente e como consequência acabei por cair da cama.
— Ai! – Choraminguei sentindo meu corpo doer ao bater no chão.
— Cruzes! Acho que fui esmagado por um mamute! – Choramingou uma voz rouca inconfundível.
— Está fazendo o que aqui Peter? – Perguntei irritada.
— Eu? Estava dormindo, mas alguém me esmagou. – Respondeu se sentando na cama. – Acho que você quebrou minhas costelas. – Fez uma careta.
Bufei me levantando do chão.
— Bem feito! Ninguém mandou você se deitar na minha cama! – Rebati.
— Mas bem que você podia ver se tem alguém na sua cama antes de se jogar nela! – Retrucou.
— E eu lá tenho bola de cristal para saber que você estava deitado ai? – Falei. – Você também tem uma cama, antes se deitava nela!
Peter revirou os olhos.
— Ah, fica quietinha fica. – Falou voltando a se deitar, ocupando todo o espaço da cama novamente.
“Ele definitivamente quer levar um soco!” – Pensei.
— Ah, não! Sai! – Mandei. Ele me ignorou. – Peter! Eu quero deitar! – Reclamei. O loiro não se moveu nem um milímetro.
Bati o pé no chão e aproveitando que ele estava de bruços, comecei a estapear suas costas.
— Bora! Sai daí! – Resmunguei.
— Isso não me incomoda nem um pouco. – Falou se referindo aos meus tapas.
— Peter! – Reclamei com a voz falsamente chorosa.
Ele suspirou, finalmente se movendo para o lado e me dando espaço para me deitar. Me deitei e minhas costas ficaram grudadas na de Peter. Suspirei. Se eu me mexer tenho certeza que vou de cara no chão.
Passou-se alguns minutos e senti Peter se mover atrás de mim. Ele se virou, ficando de frente para as minhas costas.
Fechei os olhos, mas tornei a abri-los quando senti Peter passar o braço direito sobre minha cintura. Franzi o cenho e segurei seu braço, tirando o mesmo da minha cintura, mas o infeliz abusado colocou de novo.
— Sai! Seu braço pesa! – Falei tirando aquela coisa que ele chama de braço. – Abusado!
Adivinhem? Sim, ele está de novo com o braço em minha cintura. E assim ficamos repetidas vezes. Eu tirava o braço do loiro de cima de mim e ele colocava de novo.
— Ah, como você é chato! — Dei um suspiro frustrada desistindo.
Ouvi o babaca rir de mim. Peter resolveu ficar em silêncio e assim permanecemos por poucos minutos.
— Peter. – Chamei.
— Hum? – Murmurou.
— Por que não apareceu no acampamento hoje? – Perguntei.
Senti sua respiração em meu pescoço e um arrepio percorreu meu corpo.
— Sentiu minha falta? Eu sei que é impossível ficar sem mim. – Falou convencido.
— Imbecil! – Falei rindo. Ele riu junto.
Cuidadosamente, me virei ficando de frente para Peter. Sorri o encarando. Ele estava com uma expressão serena e de olhos fechados.
Levei uma de minhas mãos até seu cabelo e o acariciei. Fiquei surpresa com o quão macio e sedoso seu cabelo era.
Peter abriu os olhos e seu olhar se encontrou com o meu. Lentamente ele se aproximou, colando nossos lábios. Não preciso nem dizer que eu retribuí, né?
Peter apertou minha cintura, me puxando para perto dele. Desci minha mão de seu cabelo e acariciei seu rosto. Ele sessou o beijo, mas continuou próximo a mim. Sorri minimamente encostando minha cabeça em seu peito.
Não demorei para pegar no sono depois disso.
[...]
Continua...
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