Smoke and Fire

6 Capítulo 5 - Mermaid.


Notas iniciais
Era para mim ter postado ontem, mas eu não tive tempo e acabei esquecendo. Tradução do nome: Sereia. Boa leitura!

Capítulo 5.

“Com minha canção anelante você pula dentro da água.” — Sarah Khider.

Por: Bubblegum.

Mermaid.

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Acordei com o canto de passarinhos. Sentei-me e me deparei com uma muda de roupas em cima da cama.

Franzi o cenho e peguei as roupas. Era apenas uma blusa cinza, uma calça jeans preta e um coturno de cano médio marrom escuro sem salto.

Me levantei e andei pela cabana. Passei a reparar nos detalhes. Era uma cabana construída em cima de uma árvore, as paredes e o teto eram de madeira. A medida que fui andando, percebi que a cabana era dividida em três partes: a parte onde ficava a cama de Peter junto a uma mesinha repleta de bagunças, era o quarto e os outros cômodos eram a cozinha -que só tinha um fogão de lenha bem simples com uma chaleira em cima e uma cesta vazia — e o banheiro.

Entrei no banheiro e vi que a banheira estava cheia, a água estava limpa e por incrível que pareça também estava morna. Fechei a porta e fiz minha higiene matinal. Não me dei o luxo de demorar. Tinha medo de que Peter voltasse para a cabana a qualquer momento.

Sai da banheira, me sequei e vesti a roupa. Por sorte ela coube perfeitamente em mim. Calcei os sapatos e procurei por um espelho, mas o único que encontrei que refletisse algo, foi o vidro das janelas.

É, eu não estava ruim. Pelo menos é melhor do que o meu pijama.

Fiz um coque no cabelo e abri a portinha da cabana, descendo a escada em seguida.

Pus os pés no chão e andei um pouco até chegar ao acampamento. Olhei ao redor, vendo os meninos perdidos espalhados para todos os lados.

Poucos notaram a minha presença, mas isso já foi o bastante para eu me sentir desconfortável. Me encolhi um pouco e não encarei ninguém.

— Bom dia. – Me assustei ao ouvir a voz de Peter ao meu lado. Olhei para o garoto que bocejava.

— Mal dia. – Respondi, assumindo minha forma mal humorada.

— Por que “mal dia”? – Perguntou.

— Porque ainda estou aqui. – Respondi, olhei para Peter pelo canto do olho. – E com você.

Ele riu e me olhou. Seus olhos estavam claros devido ao reflexo do sol em seu rosto.

— Lembre-se que se não fosse por mim você tinha congelado noite passada. – Falou, sorrindo de lado.

— O que? Quer que eu te agradeça? – Perguntei, cruzando os braços.

— Não, obrigado. Não preciso da sua gratidão. – Respondeu indiferente. Revirei os olhos.

Peter não disse mais nada e saiu andando. Encarei suas costas enquanto ele se distanciava.

— Bom dia flor do dia! – Falou uma voz animada atrás de mim. Me virei, vendo Patrick sorrindo alegremente.

— Bom dia Patrick! – Cumprimentei, retribuindo o tom animado.

— E aí, sabe atirar? – Perguntou, e só então reparei na besta em sua mão.

— Não. – Respondi, olhando atentamente para a arma.

— Ah, você aprende. Eu e alguns meninos vamos treinar. Vem com a gente? — Perguntou. Ponderei um pouco, mas resolvi aceitar.

Patrick me entregou um arco e um conjunto de flechas. Encarei uma das flechas afiadas e passei de leve o dedo indicador sobre a ponta dela. Fui cuidadosa o bastante e não me cortei.

— Vamos! – Patrick me chamou. Assenti, acompanhado ele e mais três meninos perdidos até um lugar da floresta.

Paramos em um lugar não muito afastado. Olhei reparando em tudo ao meu redor. As árvores eram umas afastadas das outras, fazendo o lugar ficar melhor para se locomover. Em boa parte das árvores haviam alvos pintados.

Escutei um barulho e percebi que um dos meninos que haviam vindo conosco tinha disparado uma flecha contra o alvo pintado na árvore. Ouvi outros barulhos e percebi que os outros também estavam atirando.

Olhei a posição de Patrick e tentei imitar, o que não deu muito certo. Então preferi ficar apenas olhando eles.

[...]

Depois do que deve ter sido em torno de meia hora, os meninos pararam de treinar e Patrick veio até mim.

— Nós vamos caçar agora, quer vir ou prefere ficar? – Perguntou, observei uma gota de suor escorrer pela lateral de seu rosto.

“Eu não consegui nem disparar uma flecha, imagine caçar alguma coisa...” – pensei.

— Não, eu vou ficar. Vou treinar. – Respondi, sorrindo. Patrick assentiu e acompanhou os meninos para seja lá aonde estavam indo.

Suspirei desanimada e encarei o arco e a flecha.

“Eu nunca vou conseguir fazer isso. Mas não custa tentar.” – pensei, tentando me encorajar de alguma forma.

Me posicionei da maneira que julguei ser certa e tentei disparar uma flecha, que para a minha infelicidade caiu da minha mão antes mesmo de eu tentar dispará-la.

— Aff! – Resmunguei.

Tentei mais uma vez. Mirei a flecha para o alvo e disparei. Mais uma vez, para a minha infelicidade ela foi para o chão.

Bufei irritada.

Tentei pela terceira vez e agora a flecha não foi para o chão nem para o alto, ela foi para o lado.

— Ei! – Escutei alguém exclamar. Olhei para o lado onde a flecha tinha ido e vi Peter sair de lá com ela em sua mão.

Peter parou um pouco distante de mim e alternou seu olhar entre o arco e a flecha em minhas mãos e o meu rosto, depois começou a rir.

— Acho que o lugar mais seguro é na frente da sua flecha. – Provocou. Revirei os olhos, e o ignorei.

Pela quarta vez, tentei disparar a flecha e pela quarta vez errei.

Bati o pé inconformada por não conseguir disparar uma simples flecha contra um alvo.

Peter riu e andou até mim. Olhei emburrada para o garoto enquanto ele se aproximava.

— Primeiro: pare de tremer. – Falou, segurando meus braços. Continuou: — Segundo: levante o cotovelo. – Peter levantou meu braço que segurava a flecha. Encarei o loiro. Peter passou por trás de mim e segurou minha cintura ajeitando minha postura. Quando senti suas mãos quentes me segurando, foi como se um choque elétrico percorresse meu corpo. — Terceiro: ajeite sua postura. – Falou em meu ouvido. Senti minhas bochechas esquentarem. – Agora, dispare.

Fiz o que ele disse e soltei a ponta da flecha. Fechei os olhos e só escutei o estalo dela contra a árvore. Abri os olhos vendo que tinha acertado o alvo. Bem, não tinha acertado o vermelho, mas pelo menos agora foi dentro do alvo.

— Eu consegui! – Exclamei animada. Virei meu rosto para trás e percebi que cometi um erro. Peter estava próximo de mim e tenho certeza que tinha apenas milímetros de distância entre nossos rostos.

Eu o encarei, vendo seus olhos verdes faiscarem. Peter desceu seu olhar para a minha boca e eu praticamente gelei. Meu coração palpitava.

Peter pigarreou e tirou as mãos de minha cintura, se afastando.

— Ótimo, só precisa treinar agora. – Ele disse, quebrando o clima que ficou entre a gente.

Resmunguei um “uhum” e tentei me concentrar na flecha. Suspirei e atirei. A flecha foi para dentro do alvo de novo. Menos mal.

Ficamos um tempo assim. Em silêncio. O único barulho era os estalos da flecha e o farfalhar das folhas das árvores.

— Peter. – Chamei.

— Hum?

— Por que não me deixa ir embora? – Perguntei. Peter não me respondeu imediatamente.

— Porque eu não quero. – Falou indiferente. O encarei.

— Então quer dizer que só porque você não quer, eu não posso voltar para a minha casa mesmo se estiver sentindo saudades de lá? – Perguntei, senti a raiva crescendo em meu peito. Peter assentiu me olhando.

— É. – Afirmou.

— Você é inacreditável! – Exclamei, a raiva aparecendo claramente em minha voz. – Eu quero ir embora! Me deixa ir embora!

— Não.

Me segurei para não bater nele. Joguei o arco e a flecha no chão mostrando minha indignação.

— Eu vou embora! – Afirmei, lhe dando as costas e andando em passos duros para longe dele.

— Acredite, você não vai embora. E logo, vai desistir da vida que tinha, se rendendo a ficar aqui. – Peter afirmou com convicção.

— Como pode ter tanta certeza?! – Indaguei irritada. Ele sorriu de lado.

— Porque Peter Pan nunca falha. – Afirmou convencido. Seu sorriso aumentando a cada segundo.

Segurei meu olhar sobre ele e balancei a cabeça negativamente.

— Eu não suporto ficar no mesmo lugar que você. – Falei áspera.

Me virei, dando-lhe as costas e me afastando rapidamente.

[...]

Não sei como, mas de algum jeito acabei parando na praia.

Andei até o mar e me sentei em uma rocha. Deixei meu pés penderem, encostando a sola do coturno na água.

Suspirei, soltando meu coque e deixando o vento bagunçar meus cabelos.

Fiquei um bom tempo , de olhos fechados, apenas sentindo o vento frio contra meu corpo.

— Nossa, que menina bonita. – Escutei uma voz suave falar. Abri os olhos e me assustei ao ver uma mulher na água, bem próxima de mim.

Quase cai da rocha ao perceber que ela era uma sereia. A encarei assustada. Os cabelos loiros e molhados caindo sobre os ombros, os olhos violeta faiscando, a pele branca e meio escamosa brilhando, a calda longa em tons esverdeados e vermelhos, se movendo lentamente na água.

— Q-Quem é v-você? – Gaguejei.

— Ora, sou uma sereia minha linda. – Falou, seus dentes alinhados e meio pontudos aparecendo em um sorriso. – Faz tempo que não vejo uma menina tão bela quanto você aqui em Neverland. Como se chama?

— K-Kethelyn. – Gaguejei, hesitando em responder.

— Que nome bonito. Significa rio estreito, certo? – Assenti. A sereia se aproximou, apoiando seus braços na rocha, próxima de mim.

Ela me encarava de um jeito profundo e estranho, como se quisesse me hipnotizar. Delicadamente, ela ergueu um braço e segurou a lateral do meu rosto com a mão. O toque frio e molhado me fez esquivar.

— Calma querida, não vou te machucar. – Falou, sorrindo. Um arrepio percorreu minhas costas e senti que estava correndo perigo, mas estranhamente não conseguia raciocinar algo que pudesse fazer. – Quer que eu cante uma canção para você? – Perguntou, seu sorriso ficando malicioso. Assenti involuntariamente. – Ok.

E então ela começou. Era uma canção calma e distante. Sua voz saia suave e hipnotizante. Aos poucos fui perdendo meus sentidos. Minha mente não raciocinava. E eu só pude ver a sereia abrir a boca e vir com seus dentes pontudos em direção ao meu pescoço.

Eu tentei, mas não consegui reagir. Tentei respirar, mas não encontrei o ar.

Então minha ficha caiu: eu estava dentro da água, a sereia tinha me hipnotizado com sua canção.

Senti o ar ir embora completamente e os dentes da sereia roçaram no meu pescoço.

Fechei os olhos. Eu estava me afogando.

[...]

Continua...

Notas finais
E aí? Gostaram? A música de hoje foi Mermaid song da Sarah khider. Por favoor comenteem, comeentem. Até o próximo. Beijos.