Smoke and Fire
21 Capítulo 20 - Walking up from a... Coma?
Notas iniciais
Capítulo 20.
“Você estava em um coma profundo, mas eu estava aqui quando você pensava que não havia mais ninguém” — The Vamps.
Por: Bubblegum.
Walking up from a... Coma.
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Abri os olhos e uma forte luz ofuscou minha visão, fazendo com que os fechasse rapidamente.
Escutei alguém cochichar e tentei abrir os olhos novamente, dessa vez enxergando.
— Kethelyn, querida. – Escutei uma voz familiar. Virei meu rosto procurando pela dona da voz.
— Mãe? – Perguntei confusa. Franzi o cenho, vendo a mulher baixinha e de aparência cansada vir até mim.
— Ah querida, eu estava tão preocupada. – Ela falou com os olhos marejados.
O que? Espere um minuto, o que aconteceu? Onde eu estou? Onde está Peter?
Olhei para meu corpo analisando meu estado: deitada numa cama de hospital, com um acesso em minha veia transportando medicamentos e soro.
— O que? Por que estou num hospital? – Perguntei começando a me agitar.
— Ela está ficando agitada. – Falou um homem alto e grisalho. Provavelmente o médico que estava cuidando de mim.
— Como eu vim parar aqui? Onde está Peter? – Disparei tentando me levantar.
— Não. Kethelyn você não pode se levantar. – O homem falou me segurando e me impedindo.
— Filha, fique quietinha. – Minha mão falou apreensiva.
— Han? Eu não quero ficar “quietinha”! – Gritei começando a me irritar.
— Vamos ter que dar um sedativo a ela. – Informou o médico.
Me agitei ainda mais quando vi o médico e dois enfermeiros virem me segurar. Tente empurra-los, mas foi em vão. Eles injetaram o sedativo em minha veia e rapidamente o senti fazer efeito. Escutei minha mãe questionar alguma coisa e depois apaguei.
[...]
Pisquei várias vezes finalmente acordando.
Fitei o lugar percebendo que era um quarto. As paredes todas pintadas de branco, uma televisão na parede em frente à cama, uma poltrona velha em um canto e a camamaca no centro do quarto.
Procurei por minha mãe e a encontrei fechando a porta do que concluí ser o banheiro.
— Você está bem? – Perguntou sentado em um banquinho ao meu lado.
— Sim. – Afirmei. – Por que estou num hospital?
— É uma longa história. – Ela suspirou.
— Acho que temos tempo para você me contar. – Falei. Ela me encarou por uns segundos.
— Onde esteve? Você está desaparecida há dois meses, tem noção de como eu fiquei desesperada? Você tem noção de alguma coisa?! – Ela disparou irritada. Fiquei quieta, não sabia o que falar.
Ficamos encarando uma a outra em silêncio, até ela soltar o ar com força e massagear as têmporas.
— Me desculpe, não queria ter te tratado daquele jeito. – Ela disse sincera e cansada? Não respondi. Ela continuou: — Depois que seu pai faleceu, eu meio que me perdi pelo caminho. – Admitiu.
— Mãe... – Comecei. Ela me cortou.
— Quando fui ao seu quarto e não te encontrei, eu fiquei desesperada. Procurei por você em vários lugares, liguei para todos os seus amigos, para a escola e até fui na polícia. – Ela disparou. – Foi horrível ficar sem te ver, sem saber onde você estava. Você ficou desaparecida por dois meses e meio.
Arregalei os olhos.
— Dois meses e meio? – Indaguei surpresa.
“Mas pareciam ser apenas dias” – Pensei.
— Sim. – Ela afirmou. – Te encontraram semana passada desmaiada próxima à linha férrea. – Ela fez uma pausa. – Você não tentou se matar, né?
— O que?! – Exclamei. – Claro que não! – Neguei.
Nós ficamos em silêncio por longos minutos, apenas escutando o bip irritante do aparelho que até então estava me mantendo viva.
— Por quantos dias eu estou aqui? – Perguntei.
— Por cerca de seis dias. – Ela respondeu. – Você dormiu direto por seis dias. Os médicos estavam começando a achar que você estava entrando em estado de coma.
— Nossa... – Murmurei atordoada. – Desculpa. – Falei encontrando meu olhar com o dela. – Estou confusa demais. – Admiti.
— É normal que esteja. – Ela segurou minha mão. Senti uma sensação boa com o ato de afeto.
— Que horas são? – Perguntei procurando por um relógio.
— 12h47min. – Respondeu. – Vou buscar uma comida para você, ok? – Assenti e ela saiu do quarto.
Suspirei e fechei os olhos pensando em Peter. Por que ele me mandou de volta?
[...]
— Você está com anemia ferropriva. Não é nada muito grave, apenas precisa ser tratada com alguns medicamentos e uma boa alimentação e logo vai estar curada. – Informou o médico calmamente.
— Ela ainda vai ficar internada por quanto tempo? – Minha mãe perguntou.
— Por mais um ou dois dias. Agora que ela acordou vamos fazer alguns exames e se ela estiver só com anemia vamos libera-la. – Falou anotando algo em uma folha.
— Ok. Quais remédios ela terá que tomar? – Minha mãe perguntou. O médico entregou uma receita e ela analisou atentamente.
— Tomando esses remédios e se alimentando direito ela ficara boa em pouco tempo. – Ele falou. – Mas a senhorita precisa se alimentar direitinho em! – Falou com falso tom de censura. Dei um sorriso amarelo.
— Pode deixar. – Afirmei um pouco tímida.
[...]
O dia pareceu se arrastar. Eu passei parte da minha tarde fazendo exames, depois me alimentei na hora indicada pelo médico, assisti TV, li um livro... Enfim, fiquei no tédio.
— Vou ir à lanchonete lanchar, ok? – Minha mãe informou. Murmurei um “uhum” e ela saiu do quarto.
Felizmente agora não preciso mais de nenhum aparelho e posso me mover sem me preocupar com nada.
Me espreguicei e levantei da maca, caminhei em direção ao banheiro e entrei, fechando a porta. Procurei por um espelho e encontrei um no canto ao lado da porta. Parei em frente a ele e me olhei. Eu estava péssima.
Passei a mão em meu cabelo e ele estava parecendo uma vassoura.
Desviei meu olhar para a pia e avistei um nécessaire estampada. A peguei e procurei por um pente. Voltei para frente do espelho e comecei a pentear meu cabelo. Várias mechas caíram e percebi que do ombro para baixo, meu cabelo estava completamente danificado. Terminando de pentear encarei meu reflexo. Eu estava pálida e de aparência cansada. Possuía olheiras abaixo dos olhos e meus lábios estavam ressecados.
Eu nunca fui o tipo de menina que se preocupava demasiado com a minha aparência, mas nesse momento tudo o que eu quero é um bom salão de beleza.
Sai da frente do espelho e fui para o Box. Me despi e liguei o chuveiro, entrando embaixo da água morna. Senti as gotas massagearem suavemente meu dorso e me arrepiei com isso. Sorri e coloquei a cabeça embaixo d’água.
Procurei por um shampoo dentro do nécessaire e encontrei um de cereja. Coloquei uma boa quantidade na palma da mão, levando até meu cabelo e esfreguei suavemente enquanto cantarolava uma música.
Fiquei por um bom tempo debaixo do chuveiro e só resolvi sair quando percebi que meus dedos estavam enrugados. Desliguei o chuveiro, me sequei e vesti uma roupa quentinha baseada em uma blusa azul de algodão e calça de moletom.
Resolvi deixar o cabelo solto e sai do banheiro. Minha mãe estava sentada na poltrona, assistindo TV e comendo um sanduíche natural com suco de... Acerola?
Caminhei até a cama e me deitei. Ainda estava sedo, então peguei meu celular e fone em cima do criado mudo e coloquei uma música para escutar.
“Nossa, quanta saudade eu senti das minhas músicas e do meu amado fone!” – Pensei sorrindo, colocando os fones nos ouvidos.
[...]
Continua...
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