Smoke and Fire
11 Capítulo 10 - Sunrise.
Notas iniciais
Capítulo 10.
“Primeiras quebras de luz no sol do amanhã. Perseguindo o nascer do sol. Nós voamos através do horizonte” — Nicky Romero.
Por: Bubblegum.
Sunrise.
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— Kethelyn! – Escutei a voz de Peter gritar próxima ao meu ouvido.
Soltei um resmungo e abri os olhos. Encarei o loiro que me olhava com um sorrisinho de lado. Fiz uma careta e fechei os olhos novamente.
Peter bufou.
— Eu vou jogar água fria em você se não levantar. – Ameaçou. Fingi que não ouvi. – Vou contar até três.
Virei de costas para ele, ainda deitada e de olhos fechados.
— Um. – Começou.
Soltei um resmungo irritado, tampando os ouvidos com o travesseiro.
— Dois. – Contou. Sua voz saindo mal humorada.
Continuei sem me mover.
— Eu levantaria se fosse você. – Avisou. – Três.
Num ato impulsivo e mal humorado, eu peguei o travesseiro e o taquei em Peter. Porém o loiro segurou meu pulso e me puxou, me forçando a me sentar na cama.
— Aff! O que você quer? – Perguntei sem paciência.
Peter me olhou e soltou uma risada pelo nariz.
— Primeiro: o que aconteceu com o seu cabelo? – Perguntou. Passei a mão nas madeixas, percebendo que elas estavam alvoroçadas. – Segundo: levanta logo daí. Quero te mostrar uma coisa.
Suspirei e me levantei. Peter sorriu vitorioso.
— Vamos. – Ele me puxou para fora da cabana. Olhei em volta e percebi que ainda estava escuro em Neverland.
— Se você tiver me acordado em plena madrugada, eu te mato. – Falei mal humorada.
— Relaxa. – Peter falou.
Passei a mão em meu cabelo tentando abaixa-lo o máximo possível.
Andamos pela floresta, ainda escura, até algum lugar. Acabei por me distrair com meu cabelo e nem percebi por onde passamos.
— Agora, preciso que feche os olhos. – Falou. Levantei uma das sobrancelhas. – Só fecha.
Fechei os olhos e senti Peter se afastar, mas quando ia abri-los, sua mãos seguraram meus ombros.
Ele me guiou até algum lugar não muito afastado. Mordi os lábios curiosa. Para onde será que ele está me levando?
Depois de mais alguns passos, parei de sentir a grama em meus pés e passei a sentir algo pinica-los.
— Pode abrir. – Peter falou. Abri os olhos, fitando o lugar em que estava, percebendo que era a praia.
Ainda era madrugada, o que me impedia de ver tudo com clareza. Dei mais alguns passos para frente e me sentei na areia.
Fechei os olhos e senti o vento frio bater em meu corpo, bagunçando mais meu cabelo. Ventava de um jeito forte, fazendo meus ouvidos zumbir um pouco. Ouvi o som das ondas do mar e me foquei nelas durante um tempo.
Peter se sentou ao meu lado e nós ficamos sentados na areia como se esperássemos que alguma coisa fosse acontecer. Os minutos iam se passando e o silencio tomou conta do ambiente.
— Vem. – Peter se levantou. Me estendeu a mão direita e eu a peguei.
— Por eu me trouxe aqui? – Perguntei.
— Porque quero te mostrar algo. – Respondeu, caminhando até o mar. O acompanhei.
— Peter. – Chamei, parando meus passos e o puxando. Ele me olhou e entendeu o porquê da minha hesitação.
— As sereias não costumam ficar aqui pela manhã. E mesmo se ficassem, elas têm medo de mim.
— Nem imagino o porque. – Brinquei. Ele riu.
Peter parou e me olhou com seu olhar intenso.
— Já se sentiu livre alguma vez na vida Kethelyn? – Perguntou sério.
Pensei um pouco.
— Nunca. – Respondi. Peter me olhou se aproximando.
— Quer se sentir livre? – Sussurrou ao pé do meu ouvido.
— Sim. – Afirmei. Peter se virou de costas para mim e disse:
— Suba nas minhas costas. — Mandou. Franzi o cenho, mas fiz o que ele disse.
Segurei em meus ombros e dei impulso, passando minhas pernas pela lateral do corpo do loiro e me apoiando em suas costas. Peter se inclinou um pouco e segurou minhas mãos.
— É melhor se segurar firme. – Falou.
Enlacei seu pescoço com meus braços, apertando e os deixando firmes.
— Mas não precisa me enforcar. – Falou, afrouxando meu aperto. – Também preciso de ar. – Soltei uma risadinha.
Percebi Peter dando impulso, e me desesperei ao ver que seus pés não estavam mais no chão. Encarei o chão, vendo-o afastando. Engoli em seco sentindo um frio na barriga.
— Relaxa. – Peter falou de modo muito tranquilo. – Olha, pensamentos tristes te prendem no chão e te deixam pesada, e você já não é leve, então colabore. – Peter falou, fingindo um suspiro cansado.
Semicerrei os olhos irritada e bati meu pé contra seu quadril. O loiro soltou uma gargalhada.
— Não sabia que você podia voar. – Comentei.
Não podia ver seu rosto, mas tenho certeza que ele deu um sorriso convencido.
— Já se esqueceu é? Eu sou Peter Pan, e Peter Pan nunca falha. – Respondeu. Revirei os olhos.
— Ah é. – Falei sarcástica. Ele balançou a cabeça.
— Se segure firme macaco-aranha. – Brincou.
Peter se inclinou totalmente no ar, nos deixando deitados.
Fechei os olhos com força, desesperada. O vento zunia fortemente em meu ouvido e minha mente só conseguia raciocinar a hora em que cairíamos.
— Keth, abra os olhos. – Mandou. Neguei. – Relaxa, não vamos cair. – Tentou me convencer. – Está perdendo a vista.
Suspirei me rendendo e abri os olhos, vendo algo tão lindo que chegava a ser inacreditável.
— Uau! – Exclamei. – Isso é incrível!
O mar agitado levantava suas ondas, as jogando fortemente na costa enquanto elas quebravam e espumavam na margem. A areia ia se movimentando conforme o vento passava. E as inúmeras palmeiras balançavam suas folhas, seguindo um ritmo. O céu se resumia em uma misturas de cores. As cores apagadas da madrugada desapareciam aos poucos, dando lugar as cores do sol em sua nascença.
Peter voava rapidamente, mas tudo parecia estar em câmera lenta. Eu conseguia captar boa parte dos detalhes.
Sem aviso prévio, Peter se jogou para baixo e nós descemos, mas ele não parou de voar. Ele soltou uma gargalhada e ficou rente a água do mar. O loiro abaixou uma das mãos, tocando a água e fazendo vários desenhos em ziguezague.
Peter voava tão rápido, que o vento zumbia violentamente em meus ouvidos e eu mal podia escutar outra coisa que não fosse isso.
Eu ainda estava desesperada, e o frio na minha espinha aumentava mais e mais. Porém eu passei a ignorar o medo quando senti algo que tanto esperava e que nunca imaginei que viria a sentir: infinita. Por um momento eu me senti infinita.
Era como se nada me afetasse agora. Nem mesmo a gravidade. Eu me sentia leve e finalmente vi que meu precioso infinito era onde eu me sentia livre.
Entregue a essa sensação, desentrelacei os braços do pescoço de Peter e os abri no ar. Fechei os olhos me entregando à adrenalina que percorreu meu corpo.
Eu me senti completamente livre por breves 10 segundos, até eu perder a noção e virar, saindo das costas de Peter e caindo.
É sério, eu literalmente estou caindo.
Escutei Peter me gritar. Minhas pernas se debateram no ar e meus braços se juntaram ao meu corpo. Me senti como um chumbo: pesada e caindo rapidamente.
Não consegui conter um grito esganiçado e apavorado. A água do mar se aproximando mais e mais.
Já estava sentindo a dor do impacto antes mesmo de acontecer. Fechei os olhos, esperando o baque do meu corpo na água, mas em vez disso senti braços me agarrarem e fui amparada por Peter. Abri os olhos, vendo o loiro que me olhava sobressaltado.
— Estou chegando à conclusão de que você é suicida. – Falou, mostrando que estava aliviado por ter me pego a tempo.
— Desculpe. – Falei baixinho, a voz desaparecendo.
Ele riu sem animo, balançando a cabeça. Me colocou no chão e meus pés foram molhados pela água.
Um silêncio pairou no ar, nos deixando desconfortáveis e perdidos. Bom, pelo menos a mim.
Segurei meu braço direito e abaixei o rosto, com vergonha da minha falta de noção.
Do nada, o silêncio foi interrompido por Peter. O garoto começou a rir baixo e depois gargalhou alto.
— Tinha que ter visto a sua cara! – Riu apontando para mim. – Eu não sabia se ia te salvar ou se ria. – O loiro gargalhou ainda mais, pondo a mão em sua barriga.
Fingi uma careta irritada e dei um tapa em seu ombro. O loiro só gargalhou mais. Aproveitando que estávamos com os pés na água do mar, abaixei pegando um pouco de água e jogando nele. Peter sessou as risadas e me olhou ameaçador. Levantei uma sobrancelha em desafio.
— Vai se arrepender de ter feito isso! – Ameaçou jogando água em mim.
Soltei um gritinho ao sentir a água fria molhando meus braços.
— Ah, foi mal! – Exclamei jogando mais água nele. O loiro revidou me fazendo cair sentada na água, molhando minha roupa.
Olhei para ele indignada, Peter sorriu de lado com uma sobrancelha levantada. Distribuí um chute em sua canela, fazendo o loiro cambalear. Aproveitando isso, segurei sua mão esquerda o puxando para a água.
Gargalhei, vendo o loiro resmungar com uma bela carranca no rosto. Ele me olhou de canto de olho, jogando água em meu rosto.
— Idiota! – Falou.
— Ficou bravinho, foi? – Provoquei.
Olhei para o lado, vendo uma onda vir de encontro a gente, nos molhando ainda mais. Peter se levantou e estendeu sua mão. Segurei a mesma e me pus de pé.
Peter levantou sua mão direita e a levou até meu rosto, retirando uma mecha molhada do meu cabelo. Sua mão desceu, segurando a lateral de meu rosto. Me aproximei dele, acabando com o espaço entre nós. Fechei os olhos, esperando que nossos lábios se tocassem, mas nada aconteceu. Retornei a abrir os olhos, e Peter olhava algo ao lado. Olhei na mesma direção, vendo sua sombra pairando no ar próxima a nós.
Peter suspirou, soltando meu rosto e se afastando.
— O que foi? – Perguntou. A sombra saiu voando, se distanciando de mim. Peter a acompanhou para algum lugar da floresta.
Pensei em segui-los e até caminhei em direção aonde eles foram, mas congelei no lugar ao escutar uma voz grave atrás de mim.
[...]
Continua...
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