Smiths

11 Viagem - Parte 2


Notas iniciais
E agora? O que será que vai acontecer nessa viagem? Vamos lá! ♥

Jane acorda e olha no relógio que marcava ainda 3:15 da madrugada, ela não se sentia bem. Sentia o gosto do leite na boca e um enjoo sufocante, o estômago revirando e a cabeça rodando e latejando. Ela acendeu o abajur e sentou na cama tentando entender os sintomas, olhou para o lado e viu John dormindo tranquilo com o rosto virado pra ela, decidiu se levantar e foi caminhando lentamente até o banheiro se segurando nas paredes, pois sentia que iria cair ali mesmo e ainda por cima vomitar tudo no chão. Chegando no banheiro se abaixou perto do vaso sanitário e colocou tudo pra fora, vomitou tão forte e tão agressivamente que o barulho dava para ouvir lá do quarto, e ela vomitava e vomitava mais e parecia que esse tormento jamais ia passar. John acorda com o barulho e não vê a esposa na cama, olha pro banheiro meio sonolento e vê o reflexo dela em frente ao vaso sanitário pelo espelho e escuta um barulho novamente, ele levanta correndo assustado e em alerta.

— Jan? O que foi? – se abaixa ao lado dela, segurando seu cabelo enquanto ela vomita mais e mais.

— Acho que foi o leite.

— O leite? Mas você não queria tanto tomar ele?

— Sim... mas eu acordei agora sentindo um enjoo terrível e o gosto do leite na boca... um gosto ruim, e pensando que jamais vou tomar leite de novo. Passei a odiar agora, acho que não posso nem sentir o cheiro que vou colocar tudo pra fora... isso não é estranho? – e ela vomita novamente, mas dessa vez não saí quase mais nada. — Droga! Não tem mais nada pra colocar pra fora... isso não vai parar? – faz uma cara fofa e meiga, e John sente pena.

— Oh meu amor, sim é bem estranho... só que provavelmente é da gravidez, não fique preocupada. Em breve vamos voltar a médica e ela vai explicar tudo e passar remédios, ok? – ela concorda com a cabeça e senta no chão do banheiro, se encostando nele e apoiando a cabeça em seu ombro. Ele beija a testa dela e afaga suas costas. — Está melhor? Acha que vai vomitar mais?

— Não, acho que não... mas estou tonta, minha cabeça está rodando e latejando.

— Vem, vou carregar você até a cama.

John pega ela nos braços e coloca na cama, ela desmaia.

— Jane! – segura a cabeça dela, sacudindo de leve. — Droga! Merda! JANE, ACORDA. – diz quase gritando, assustado e sem saber o que fazer.

Ele corre até o frigobar e pega uma garrafa de água gelada, coloca um pouco nas mãos e passa no rosto dela, alisando delicadamente, mas com as mãos tremendo um pouco, passando na testa pra ver se ela desperta. Ele fica olhando ela por alguns segundos, desejando que ela acorde sem saber mais o que fazer, afagando seu cabelo e seu rosto e de repente ela abre os olhos meio perdida.

— AMOR! – segura na mão dela. — PORRA! Que susto Jane, não faça mais isso! – retruca irritado, enquanto ela se ajeita na cama.

— Desculpe, eu não sei o que aconteceu. Aí, me sinto péssima. – coloca as mãos na cabeça.

— Amor, você está gelada. – passa aos mãos pelos braços e pelas pernas dela, sentindo seu corpo gelado e tenso. — Vou levar você para o hospital.

— Não, não, não quero John... não é necessário. Deve ser coisa da gravidez... vamos só dormir, por favor. – se deita, cobrindo o corpo com o edredom.

— Não é necessário? Claro que é!

— Não, não é.

— Jan, deixe de ser teimosa, caramba. Não gosto de ver você assim.

— Eu sei, mas eu estou te dizendo que não precisa. Já me sinto um pouco melhor, foi só um mal-estar súbito, queda de pressão e o leite.

— Tem certeza? – ela assente com a cabeça. — Então, pelo menos, vou chamar minha mãe.

— Não! John, sua mãe não merece saber da notícia assim dessa forma, não acha? – encara ele. — E são três da madrugada... vamos só dormir, por favor.

— Aí, Jane, Jane, Jane. Vai me deixar de cabelo branco. – levanta e beija os lábios dela carinhosamente, depois o pescoço fazendo ela se sentir segura. — Amanhã vou mandar um e-mail para a médica contando sobre hoje, pra ver o que ela diz.

— Certo, amor. Obrigada.

John pega um copo em cima do frigobar e coloca um pouco de água gelada para ela.

— Beba. Vai fazer bem.

Ela toma, morrendo de sede, se sentindo um pouco menos enjoada com a água gelada aliviando o estômago embrulhado.

— Essa criança já está dando trabalho em. – John coloca a mão sobre a barriga dela e flexiona os dedos devagar. Sorri meio bobo, arrancando um sorriso dela.

— Acho que você vai ser um pai bem bobão. Isso me preocupa.

— Porque?

— Vai mimar demais essa criança.

— Eu mimo você, então consequentemente vou mimar nossa criança. Mas calma, tudo na medida certa.

— Hum, eu espero né. Já vai bastar os avós mimando.

— Deixe de ser chata e resmungona. Vamos dormir.

— Pelo jeito você melhorou do seu ataque de mais cedo, não é?

— De certa forma sim. Mas tudo que eu falei continua valendo... não gosto daquele cara e não quero você perto dele. – se deita na cama. — Se eu ver você perto dele, você não vai gostar do que vai acontecer. Vou lhe dá uns tapas bem maneiros.

— Só acho que você é um pouco maluco. – ela ri. — Você é meio que uma relíquia.

— Acho que eu não contei uma piada.

— Aí, John, vai dormir vai. – ele sorri.

Ele abraça ela.

— Se sente melhor?

— Sim.

— Qualquer coisa que você sentir me chame, ok?

— Chamo.

Não demora muito e eles dormem, abraçados e confortáveis.

Mais tarde Jane acorda primeiro se sentindo muito disposta e bem melhor, com a barriga roncando faminta. Já eram 9 horas da manhã, e John ainda dormia profundamente. Ela levanta e decide tomar um banho revigorante, lava o cabelo e fica cantarolando enquanto aproveita a água quente e relaxante. Termina o banho se enrolando em um roupão e seca o cabelo indo se arrumar no quarto, veste uma calça jeans branca e uma blusa de seda preta com alças e calça um scarpin bege de bico fino. Arruma o cabelo deixando solto, jogando um pouco para trás, faz uma maquiagem básica e coloca os acessórios.

— Posso saber para onde a bonitona vai? – John acorda e fica sentado na cama com a mão no queixo, observando a esposa se arrumar. — Bom dia. – sorri, carinhoso.

— Bom dia. – sorri. — Bem, isso depende de você.

— Está melhor?

— Sim, perfeitamente bem. Muito disposta e morrendo de fome! – levanta e vai andando, parando na frente dele. — Com sono ainda?

— Não muito. – abraça a cintura dela, encostando os lábios no pé de sua barriga. — Que bom que já está melhor. E ainda por cima muito cheirosa. Cheirando a morango. Quer ir a algum lugar hoje?

— Não sei, podemos sair para almoçar com seus pais. Mas primeiro quero tomar café, nesse momento quero comer tudo que estiver na minha frente, caramba, estou sentindo uma fome louca. Por isso vai logo tomar banho.

Ele levanta e eles se beijam, um beijo não tão longo, mas bem sensual e barulhento, um devorando a língua do outro, os lábios grudados sem quererem se desgrudar.

— Vou agora. Meus pais devem estar se perguntando o que aconteceu com a gente.

John vai tomar banho e Jane decide aproveitar esses minutos para checar os e-mails no notebook, e ler alguns relatórios enviados pela Jas sobre possíveis missões futuras e em andamento. Após alguns minutos John entra no quarto com uma toalha enrolada na cintura e o corpo ainda meio molhado, exalando o cheiro agradável de sua loção de banho.

— Temos uma possível missão daqui a mais ou menos uma semana. – diz animada. — Juntos. Mas acho que dessa vez será menos complicada.

— Jane, precisamos conversar sobre isso.

— Sobre?

— Você nas missões.

— Qual o problema?

— Fico preocupado. – ela olha pra ele já de cara feia. — Ei, calma, não fique zangada nem vamos brigar... mas eu não vou mentir que preferiria que você trabalhasse mais na sede e não fosse em campo. É para o seu bem.

— Querido, eu vou ficar bem ok? – tenta não ficar brava. — Por enquanto não irei me afastar. Eu sei que que provavelmente a partir dos últimos meses não poderei ir nas missões, isso é meio óbvio... afinal ninguém vai querer uma grávida toda inchada correndo por aí. Sinceramente por mim eu iria, adoraria. – sorri meio sem graça, e John aperta os olhos e balança a cabeça negativamente. — Mas os fatos são esses. Só que por agora ainda continuarei na ativa normalmente, me sinto mais disposta do que nunca e não pretendo ficar em casa ou na agência definhando durante esses meses.

— Você não acha que é perigoso? Sinceramente Jane... o que você acha que a médica diria se soubesse o tipo de trabalho que você executa?

— John. – levanta as sobrancelhas. — Eu irei tomar cuidado, prometo. Tentarei não cair e não ficar presa na escada nas próximas missões. – sorri.

— Continuo não concordando... mas vou te dá um voto de confiança. Só que preste atenção: se acontecer alguma coisa com você, na missão que for, pode ter certeza que nas próximas você não irá. Nem que eu tenha que falar diretamente com o “pai” e com a “mãe” para pedir seu afastamento das missões. Estamos entendidos? – diz seriamente.

— Certo. Vou aceitar sua proposta. Mas fique ciente de que pequenos acidentes sempre acontecem, só irei me afastar se acontecer algo que atinja diretamente a gravidez e coloque em risco nossa criança. Não irei me afastar só porque, vamos dizer, machuquei os dedos da mão. – revira os olhos.

— Só que a sua saúde determina a saúde da criança. Não se esqueça.

— Eu sei, não se preocupe. Estou me cuidando.

— Não me preocupar? Acho difícil.

— Ei, John, tira essa cara. Vou acabar morrendo de fome aqui.

— Você é impossível, sabia? Vamos. – sorri.

John termina de se arrumar, veste uma calça jeans escura e uma blusa branca de manga meio colada ao corpo, deixando evidente sua forma musculosa, e calça um sapatênis verde escuro casual. Eles descem para a cozinha encontrando os pais e Ben sentados na sala conversando.

— Bom dia meus filhos! – a mãe de John se levanta, sorrindo acolhedora.

— Bom dia. – os dois pronunciam juntos.

— Estávamos esperando vocês para tomarmos café. – o pai de John fala.

— Então vamos. Estou morrendo de fome. – Jane fala, enquanto todos se levantam juntos indo até a cozinha.

— Oi Jane, oi John. Dormiram bem? – Ben pergunta.

— Maravilhosamente bem, obrigado. – John responde, enquanto Jane apenas assente com a cabeça.

— Ah propósito, acho que resolvi o problema no meu notebook.

— Que bom. E foi o que? – Jane pergunta, desinteressada.

— Não sei... – ele pensa. — Só sei que fiz umas coisas lá e resolvi.

John olha desconfiado para ele, e Jane ignora a resposta de Ben apenas assentindo com a cabeça, concentrada em comer o bolo que a sogra fez especialmente pra ela.

— Vocês querem ir a algum lugar hoje?

— Não sei mãe, o que a senhora sugere? Pensamos em almoçarmos juntos.

— Ótima ideia! Seu pai e eu precisamos ir ao mercado, querem ir conosco? Depois podemos ir almoçar direto.

— Vamos sim, ótima ideia. – John concorda e Jane também com a boca cheia.

— Bem, eu infelizmente não poderei acompanhar vocês. Terei um compromisso importante agora, mas logo vejo vocês novamente. Bom almoço. – Ben se levanta e saí.

Ótimo, como se alguém tivesse convidado você, seu babaca. John pensa satisfeito quando Ben saí.

— John, acho que seu pai e sua mãe vão querer saber da novidade agora, certo? – Jane encara o marido e sorri, levantando as sobrancelhas.

— Sem dúvidas, amor. – sorri ansioso. — Será que eles vão gostar? – faz mistério.

— Que novidade? Filho, não faça suspense, você sabe como odeio ficar ansiosa!

— Será que vocês vão gostar de ser avós? – John fala, sorrindo igual a um bobo, encarando os pais que devolvem um olhar de surpresa.

— Avós? Avós? – a mãe de John fica com a xícara do café parada no ar. — Como assim? Vocês dois... – ela não consegue completar e encara o marido, que está com uma cara mais surpresa do que a dela.

— Sim, nós estamos grávidos. – Jane anuncia, batendo palmas e os sogros se levantam em um pulo emocionados indo em direção a eles.

Sarah e Zack abraçam os dois no mesmo instante, e Sarah começa a chorar emocionada enquanto John beija sua testa delicadamente.

— Oh, meus filhos, eu não posso acreditar! Parabéns Jane, parabéns filho. – Sarah beija os dois na bochecha.

— Eu? Avô? Acho que vou ficar mais bobo do que já sou. – John dá tapinhas nas costas do pai.

— Quanto tempo? – Sarah pergunta, olhando pra barriga da nora.

— Fiz exame de sangue e estamos esperando sair o resultado para saber o tempo certo, a médica disse que vai ligar assim que sair o exame. – Jane conta animada.

— Provavelmente deve estar com um mês? Por aí... normalmente as mulheres descobrem com esse tempo. – Sarah comenta. Jane concorda.

— Bem, então vamos logo ao mercado para depois irmos almoçar e comemorar. Por mim eu dava uma festa hoje mesmo. – Zack fala, animado. Eles riem.

— Estou muito feliz por vocês, meus amores.

— Ainda bem que vocês finalmente vão nos dar um neto. Já estava mais do que na hora. – Zack repreende os dois de brincadeira. Eles concordam.

— Vou pegar minha bolsa. – Jane sobe até o quarto.

Sarah sobe pra pegar a bolsa também enquanto John e Zack esperam na sala conversando, logo após elas descem e eles seguem de carro até o mercado que ficava a mais ou menos uns dez minutos da casa. Chegam no mercado e Zack pega o carrinho e segue na frente com a esposa entrando no mercado, Jane e John ficam um pouco atrás.

— Amor, vou aqui na farmácia. Preciso comprar meu creme, esqueci de trazer na mala.

— Certo. Vou aproveitar e vou no banheiro. Espero você aqui na entrada.

Jane então se dirige a farmácia que ficava fora, mas perto do mercado e John entra no mercado pois o banheiro era quase na entrada. Jane vai andando pelo estacionamento ainda com poucos carros devido a hora, os horários do pessoal de Atlanta eram diferentes deles de Nova York, afinal ali as coisas só ficavam movimentadas mais tarde enquanto que em Nova York tudo começava a ferver de gente muito cedo. Ela vai caminhando e escuta seus saltos fazerem barulho no concreto, mas escuta também um carro andando lentamente atrás, ela não para nem apressa o passo, mas fica alerta e sente o corpo entrar em total estado de atenção. Ela olha em volta do estacionamento e não vê uma pessoa, nem guarda nem nada, apenas alguns carros ali e aqui do pessoal que já se encontrava dentro do mercado. Vai se aproximando da farmácia e o carro para subitamente, ela olha pra dentro da farmácia pelo vidro e vê a pessoa que estava no balcão entrar por uma porta, certamente para buscar algo. De repente ela escuta passos meio pesados, provavelmente de um homem e quando pensa em virar para trás alguém agarra seus ombros imobilizando-a. Ela se meche tentando se libertar, mas a pessoa aperta muito forte e ela não consegue virar o rosto para ver quem é, começa a sentir falta de ar pois a dor se irradia pelo seu pescoço, ela tenta manter a mente focada em não ficar nervosa e em não desmaiar, tenta pensar em uma forma ou em um golpe para neutralizar quem quer que esteja atrás dela. Ela pensa nos possíveis objetos que tem na bolsa que poderão servir para atingir a pessoa, e pensa que se estivesse com um cinto agora poderia facilmente nocautear a pessoa com um golpe bem preciso. Os braços da pessoa apertam mais e mais, e quanto mais ela se movimenta mais sufocada fica, em um golpe preciso ela chuta o pé pra trás e o salto do scarpin atinge em cheio o osso da perna da pessoa, ela sente a pessoa fraquejar e seus braços folgarem em seus ombros e aproveita o momento e dá uma cabeça para trás acertando o nariz do indivíduo e a testa, de repente os braços não estão mais em seus ombros e ela tem a oportunidade de virar o rosto dando de cara com o Ben curvado pra frente com a mão no nariz sangrando e um furo discreto, mas profundo no osso da perna. Ela olha sem entender o porquê dele está fazendo isso, mas fica em alerta sabendo que ele vai revidar, ele encara ela e sorri e parte pra cima dela puxando seu cabelo pra trás enquanto ela segura o pescoço dele apertando um dos dedos na entrada de sua garganta esperando que ele fique sem ar e caia no chão desacordado, mas ele resiste e tenta imobilizar o corpo dela. Ela olha ao redor do estacionamento vendo se tem alguém, se ela fosse uma cidadã normal ela torceria para que alguém aparecesse e salvasse ela, mas ela não é, ela trabalha com criminosos e corre perigo constantemente, e sabe que como agente e assassina profissional ela não pode deixar o inimigo fugir e nem ela pode fugir, e muito menos deixar que alguém veja o que está acontecendo e tente intervir, isso colocaria em risco a identidade dela e da agência, afinal no meio da manhã não é comum uma mulher agredir e lutar tão bem contra um homem que provavelmente queria assaltá-la ou coisa desse tipo. Ben continua puxando o cabelo dela e ela dá um murro no queixo dele mas ele não larga ela e apenas perde um pouco o equilíbrio, ela aproveita e dá um chute no joelho dele e ele caí no chão se desequilibrando, nesse momento ela vê John voltar do banheiro parando na porta do mercado e olhando uma placa dentro do mercado despreocupado. Ben dá uma rasteira nela e ela caí batendo o braço e a testa no asfalto, ela sente a dor da pancada atingir em cheio sua cabeça, a visão ficando meio embasada, ela tenta se levantar, mas as pernas estão mole e o corpo não responde, com a visão ainda meio embasada, mas voltando um pouco ao normal, ela vê Ben tirar um pano preto do bolso e despejar algo nele e caminhar em direção a ela, ele se abaixa e pressiona o pano contra o nariz dela e a boca, ela tenta se movimentar e afastar ele batendo em seu braço e tentando chutá-lo, mas o cheiro do produto é muito forte e ela não consegue respirar e sua cabeça começa a rodar, se sente fraca e observa tudo distante, escuta Ben sussurrar: Eu não quero te machucar, coisa linda, e acaba desmaiando.

Lá do mercado John caminha um pouco pra fora olhando na direção da farmácia tentando ver Jane, vê um carro parado com a porta aberta perto da farmácia e observa um homem de terno se levantar carregando alguém no ombro, ele faz uma cara de espanto e fica em alerta. Vai andando devagar pra rua, tentando ver a esposa dentro da farmácia e quando o homem vira ele reconhece o rosto, era Ben. Ele sente o corpo vacilar e o coração disparar, começa a adiantar o passo e tudo acontece muito rápido: ele vê a bolsa de Jane no chão, ver Ben encarar ele sorrindo desafiador e observa o rosto da mulher quando Ben coloca ela no banco de trás do carro, ele toma um susto: era Jane. Ele saí correndo disparado, sentindo o coração quase sair pela boca, uma falta de ar súbita e uma descarga de adrenalina. Ben termina de colocar rapidamente Jane no banco traseiro, entra no carro batendo a porta e no momento que John se aproxima do carro correndo e toca a maçaneta da porta traseira, Ben arrasta o carro cantando pneu e saí disparado em alta velocidade pela entrada do mercado. John continua correndo atrás do carro sabendo que é inútil, ele corre desesperado e determinado até observar o carro dobrar na esquina e desaparecer de sua vista. Ele observa a cena derrotado e se abaixa no chão, respirando com dificuldade cansado de tanto correr e alucinado por causa da esposa, apoia os braços no joelho e segura a cabeça com as mãos enquanto sente uma vontade enorme de chorar e de correr atrás do carro, atrás da esposa. Ele não consegue pensar racionalmente, se levanta e vai andando desolado até o local onde o carro estava e se abaixa pegando a bolsa da esposa e olhando-a como se fosse ela que estivesse ali em sua frente. Ele olha novamente para a rua em que o carro dobrou e pensa determinado: vou acabar com você, Ben.

Notas finais
Gostaram, amores? Espero que sim! :)