Smile Danger

6 Comparações e conversas


Notas iniciais
Bem, a fanfic tem treze capítulos prontos de sei lá quantos, mas estão passando por revisão, então sabe-se lá quando eu vou atualizá-la.

Duas semanas, longas e sofridas, se passaram, com o Kamui grudento feito chiclete, na cola da Nobume. Essa atitude não surpreendeu só ela, mas também aqueles que estão acostumados a vislumbrar um Yato desapegado. Logo, não tardou para que seu fã clube marcasse a figura de Imai e pusesse seu nome no Death Note, afinal, ele era perfeito aos olhos daquelas que o admiravam possessivamente, e por isso, não era permitido que qualquer outra garota fosse próxima dele a não ser elas, embora Nobume não dê a mínima para a presença garoto. Contudo, as fanáticas pelo ruivo apenas ficaram à espreita observando os movimentos dela, mesmo a de cabelos azuis não demonstrando um pingo sequer de afeto.

Esboçando o sorriso de miss simpatia de todo o sempre, colocou os cotovelos sobre a banca de Nobume, apoiando o queixo nas mãos, enquanto se agachava à sua frente.

— Você vai para o refeitório? — falou num tom gentil, o que definitivamente não era do seu feitio.

— Não.

— Então vai para a cantina?

— Também não — respondeu indiferente, levantando-se.

— Quer que eu compre alguma coisa pra você comer depois? — insistiu de algum modo, feliz, mas na verdade só estava agindo que nem gado, e a garota por um momento, sentiu a necessidade de encarnar a Akame, pena que não estava com uma katana.

Ela então inspirou e lançou-lhe um olhar frio e inexpressivo, mas notoriamente intimidador.

— Sabe, não me importo com a opinião alheia, só que, as pessoas estão tendo uma impressão errada dessa sua aproximação "forçada" comigo, e claramente não quero que o seu fã clube venha me atormentar por causa disso.

Kamui também levantou-se mantendo o sorriso, afundando as mãos no bolso da calça.

— Não há nada forçado aqui, Imai — retrucou.

— Sei. De qualquer forma, quero evitar equívocos — Desatou a caminhar, sem dar muita importância para o garoto com o cabelo preso numa trança.

— Era só ter dito não — murmurou o ruivo, mas logo que a garota saiu porta afora, contorceu os lábios, fazendo o sorriso desaparecer.

Nobume havia se decidido quanto a sua posição para com Kyuubei, pois por mais que fosse do tipo que falaria com a pessoa depois de uma discussão como se nada tivesse acontecido (Kamui é uma das poucas exceções, mas depois de toda aquela violência, quem não?), a Yagyuu não parecia agir da mesma forma, então acabou por tomar atitudes semelhantes às dela, prejudicando de alguma forma, o seu ciclo social já escasso, e agora precisava corrigir isso. Entretanto, nada disso seria possível, se Kamui não tivesse surpreendido-a com aquele pedido de desculpas que a deixou pensativa durante alguns dias.

Saiu da sala determinada em conversar com a morena, não dando muita atenção para o ruivo consequentemente, indo para o lugar mais óbvio em que poderia encontrá-la, no pátio. Kyuubei é séria, apesar de tudo, então consegue se destacar por causa disso em comparação a Pirako, Shinpachi, Soyo e principalmente a pequena Yato. Ela estava de pé, com os braços cruzados abaixo do busto, transbordando um ar complacente à sua volta, os demais faziam algazarra provavelmente por comida, Kagura sendo o estopim; Tokugawa sorria timidamente da situação. No canto, usando o pilar de concreto como encosto, estava Okita. Os neurônios de Imai deram bug por ver o cretino entre eles, ficando curiosa a seu respeito, mas não tinha certeza quanto a isso, já que ele poderia estar ali muito antes da chegada deles.

— O cão de guarda chegou — começou Kagura atraindo os olhares para Nobume.

Encabulado pela expressão que a Yato usou, Shinpachi retrucou:

— Por que cão de guarda?

— Ela tem cara de quem já foi uma assassina no passado — respondeu espalhafatosa.

Okita gargalhou, fazendo a de cabelos azuis suspeitar ainda mais das verdadeiras intenções de Sougo ali, até porque esse daí também não é flor que se cheire.

— Oi, para vocês também — disse, olhando em seguida para a Yagyuu, que estava evasiva a seu respeito.

De repente, Pirako bateu seu cotovelo no ombro da Yato que deixou cair o lanche pelo qual estava brigando com Shimura, sujando seu uniforme.

— Desse jeito nenhum garoto vai querer você, porca gorila! — Okita soltou seu veneno.

— Em vez de dizer para uma garota que nenhum cara vai querer ela por causa de seus modos, você deveria perguntar para a garota se ela quer você — argumentou a pirralha em alto som.

Pirako chiou, colocando lenha na fogueira.

Uma veia dilatou no canto da testa deles, enquanto se fuzilavam, com olhares fervorosos, cerrando os dentes e um raio imaginário que separava os dois briguentos. Sougo não gostou de ter seu argumento refutado pela chinesinha, mas quem é que gostaria de ter o ego ferido, não é mesmo? Já ela, só não o suportava mesmo.

Imai aproveita o momento para se aproximar de Kyuubei sem chamar a atenção.

— Podemos conversar um pouco? — indagou num murmúrio, olhando para os outros logo depois. — Pode ser em outro lugar?

A outra não falou nada, só assentiu e a seguiu. Dirigiram-se num silêncio desconfortável para as escadas pouco movimentadas do colégio e se acomodaram por ali. Nobume estava temerosa sobre a possível reação de Kyuubei, sem sequer imaginar que a Yagyuu estava da mesma forma.

— Então…

Kyuubei iniciou, no entanto, Nobume foi direto ao assunto.

— Sinto muito, fui idiota com você naquele dia — Sua voz saiu baixa, embora a intenção desde o início fosse falar firme e audivel.

O rosto de Kyuubei adquiriu tons vermelhos, pois aquela frase confortou seu coração de maneira genuína. Afinal, as melhores pessoas são aquelas que reconhecem os próprios erros e transformam esses erros em aprendizado. E ela sabe o quão incrível é ter Imai por perto. Resolveu engolir o orgulho também. Arrumou sua postura e tossiu para começar a falar.

— Tudo bem. Eu também queria pedir desculpas. Não deveria ter insistido no assunto e muito menos ter chamado-a de mentirosa indiretamente. Aquilo não foi uma atitude digna de respeito.

— Mas você estava preocupada comigo, afinal de contas. — Acrescentou.

— Isso, mas nada justifica minha atitude também.

— Realmente — Lembrou do quanto a Yagyuu é rígida consigo mesma. — Só que não conseguimos evitar certas coisas quando estamos com os nervos à flor da pele.

Elas bufaram e sorriram, tendo noção do quão infantil foram uma com a outra, depois não falaram mais nada. Ambas estavam olhando para as próprias mãos agora.

— Você realmente estava falando a verdade? — perguntou reflexiva.

— Não exatamente. Na verdade, é algo que não posso dizer por enquanto, não que isso seja um problema, é só que eu quero ver até onde tudo isso vai dar.

Kyuu-chan olhou para Imai.

— Envolve outra pessoa?

Ela concordou, engolindo em seco após ver a imagem de Kamui em sua mente.

— Será que é isso que está acontecendo com a Tae-chan também?

— Ainda não conseguiu falar com ela?

A morena assentiu com um gesto de cabeça, parecia preocupada.

— Otae simplesmente me ignorou, e eu sinto que é porque alguma coisa ruim aconteceu com ela, mesmo que não seja do seu perfil agir indiferente com os outros, principalmente comigo, está fazendo isso ultimamente e seu irmão não sabe dizer o porquê.

— Você tem razão. Considerando minha pouca relação com a irmã do Shinpachi, ela tem uma personalidade venenosa, digo, forte. Ela só tratava mal aquele homem que vivia chamando de gorila, porque ficava stalkeando-a feito um louco. A polícia nesses momentos é uma boa idéia.

— O Kondou é da polícia, Nobume.

Houve um silêncio. Estavam claramente lembrando do dia em que ele comprou uma dúzia de bananas e entregou para a morena, envolto por um laço vermelho como se fosse um buquê de flores, porque pensou que Tae-chan gostava de bananas e por isso o chamava de gorila carinhosamente. Esse dia foi deveras vergonhoso para todos os presentes no colégio, mas digno de muitos memes do homem casando com uma gorila.

— O que aconteceu para você começar a andar com o Kamui? — Ela quebrou o silêncio.

— Eu não estou andando com ele. Kamui que está andando comigo, ou tentando pelo menos — respondeu.

Kyuubei bufou risonha.

— Não está acreditando em mim? — indagou.

— Não é isso. Lembrei da Pirako dizendo que isso era carma, como se quisesse dizer que você está pagando por ter julgado ele sem o conhecer.

— Ah, é. — Passou a pensar sobre o assunto. — Na verdade, nos parecemos com o Tom e o Jerry.

— E quem é o Tom e quem é o Jerry?

— Boa pergunta... preciso pensar um pouco…

Nobume apoiou as mãos sob o queixo e começou a refletir sobre sua comparação. Kamui é esperto e ágil, idiota e simpático, como o Jerry; enquanto ela é carrancuda e séria, está sempre atacando o Yato, assim como o Tom com o rato. Deixou o pescoço ir um pouco para trás, suspirando. Quando ia dizer a resposta, o sinal que mais parecia o toque de recolher de Silent Hill tocou, interrompendo-as.

Sentou-se em seu lugar e pôde ouvir sua barriga roncar, lamentou em seu subconsciente por não ter aceitado o pedido do Yato de comprar o seu lanche. Elizabeth entrou na sala sem a companhia de Kotarou e todos ficaram em silêncio, pois o pato-pinguim-alienígena botava mais ordem naquela turma que a Tsukuyo , Kamui apareceu logo depois com uma sacola de papel em mãos. Ao passar do seu lado, deixou o embrulho sobre a carteira dela. Nobume abriu para ver o conteúdo e havia alguns donuts dentro. Ele a cutucou tempo depois, fazendo-a olhar para trás e entregou um bilhete, dizendo: quero que deixe pelo menos um para mim, hein.