Smile
10 Hoje eu sei que sou o único monstro desse lugar
Notas iniciais
–Eh...fizemos um bom trabalho. –Comenta ele.
–Nem acredito que acabamos. –Digo cansada. –Esse lugar ta irreconhecível, como eu senti falta desse lugar. –Solto esse pensamento, ele era o único que conseguia arrancar esse tipo de coisa de mim.
–Agente pode plantar algumas coisa naquele quintal. –Falou sugestivo.
–Éh... mais e agora? –Eu o olho séria, sentando no pequeno sofá.
–Agora, é arrumar um emprego e tentar ser feliz. –Ele fala, como se fosse a primeira coisa que havia surgido em sua mente. –Sakura...
–Hum... –Olho para fita-lo.
–Eu não quero que você pare de estudar... –Ele fala, mais aquilo soa mais como um pedido.
–Eu...sou burra, um fracasso sem sucesso.
–Você vive dispersa demais ,é...o fracasso lhe subiu a cabeça. –Nisso que dá ouvir Pitty o tempo inteiro.
–Eu só quero descansar...o dia de ontem pra hoje, foi agitado demais. –Digo.
–Você ainda não fugiu dessa conversa. –Ele fala subindo as escadas indo em direção ao seu quarto, sem poeira e um pouco melhor organizado.
Entre as escadas tem um pequeno quarto, foi onde eu fiz o meu dever de casa e aprendi a tocar guitarra, era tão pequeno que só cabia uma cama. Na época o meu pai dizia que aqui era uma caverna secreta onde ummonstro morava. Naquele tempo eu não entendia o que aquela mensagem queria dizer, então toda noite eu protegia o meu pé com meias e mesmo no calor mais cruel, não era capaz de não dormir de edredom.
Mas...hoje eu sei, eu sou o único monstro que há nesse lugar e os mais assustadores estão dentro de nós mesmos.
Olho para a pequena parede, eu vejo fotos coladas nela, eu me vejo com o meu cãozinho favorito, ele fora o meu único amigo que de fato nunca me abandonara. Somente pelo fato da morte nos separar, ele morreu quando eu tinha oito anos, e fora interado no quintal dessa casa. Vai ver é por isso que ela tem tanto significado pra mim,tantas lembranças boas.
Como a minha primeira apresentação na escolinha ou a primeira vez em que eu fui na praia. Nos mudamos daqui por causa do emprego do papai, para ficar melhor e mais perto. Deixando para trás um baú de lembranças boas.
“Que gritaria é essa?”–Pergunto-me.
–Você acha que eles estão aqui? –Diz aquela voz masculina, tão conhecida.
–Eu não sei de mais nada Kizashi! –Berrava aquela voz tão assombrosa em minha mente.
Eu podia ver o casal, na frente da sala com dois policias consigo, olhando o lugar cautelosamente, eu os via pela pequena brecha da porta.
–Esse lugar...tão antigo e ao mesmo tempo tão limpo. –Falava aquela policial mulher de cabelos negros e olhos...vermelhos.
–E essas mochilas não iriam aparecer por aqui misticamente. –Observava o outro policial.
–Vamos dar uma geral por aqui Baki. –Sugere a mulher.
–Hai. –Ele disse a seguindo para o segundo andar. –Tomem cuidado, pode ser um par de ladrãozinhos e não os seus filhos.
–Certo, vamos ficar ligados. –Disse vendo eles subirem. –Quando eu pegar aqueles dois, eu vou quebrar o pescoço de cada um.
–Katsu não deve ter tido nada haver com isso...deve ter tudo sido influencia daquela vadia.
–Dela eu não duvido nada Mebuki , nada. –Falou irritado. –Mas Katsu já tem dezessete anos na cara, não deveria ter entrado nesse joguinho, damos uma casa, comida , roupas, um boa educação em escolas de qualidade e é assim que nos agradecem, ah eu deveria ter jogado aquela garota no lixo, traria menos dor de cabeça para nós. –Ele continua desabafando.
–E menos despeças também,ela só atrapalha a nossa vida. –Ao ouvir isso eu pude sentir que alguém havia pisado nos pequenos cacos do meu coração, cacos pequeno demais para serem juntados.
Ah...as palavras doem, mais do que qualquer machucado ou ferida aberta, e não há dor física comparada a dor emocional.
–Olha o que achamos. –Falava a mulher.
–Pai...mãe. –Falou Katsu surpreso e nervoso.
–Katsu. –Falava minha mãe.
–Katsu, cadê a sua irmã? –Pergunto meu pai, visivelmente raivoso.
–Se não se importa responderei por você garoto. –Disse a mulher abrindo a pequena portinha do meu quarto.
–Ah...eu estava tão preocupada com vocês. –Falou minha mãe em seu perfeito teatrinho.
–Sério? Que engraçado...agora pouco vocês diziam que deveriam ter me jogado no lixo, assim que nasci. –Falei irônica.
–A imaginação desses adolescente vai longe. –Disse a minha...mãe.
–Não é a minha imaginação coisa nenhuma, eu não estou tão fraca a ponto de você me manipular. –Falei com um tom alterado.
–Não a ouçam, ela tem problemas sabe...é psicológico. –Ela disse me apertando entre os seus braços para um abraço e fazendo um carinho em minha cabeça.
–Mãe...para. –Pedia Katsu. –Chega de fingir.
–É... –Disse me soltando bruscamente de seus braços. –Senhora... eu sei que você não me conhece, mais quero que saiba que essas impressões de digitais sobre os degraus são minhas. –Apontei para a escadaria, onde pequenas mãozinha reinavam aquele terceiro degrau.
–Filha...me chama de mãe.
–Por quê? Você nunca me chamou de filha. –Falo indignada em ela ainda continuar com esse teatro.
–Sakura, não fale assim com a sua mãe, deixem de ser ingratos! Vamos embora daqui . –Falou divulgando a sua raiva interior.
–Não vamos a lugar algum. –A voz de Katsu, poderia ser ouvida por todo lugar nessa casa.
–Você esta me desafiando moleque? -Ele arqueou uma sobrancelha.
–Pensei que fosse mais esperto...pai. –Ele falou a ultima palavra com desgosto.
–Olha aqui garoto. –Ele ia pra cima dele, mais sendo parado pela sua mulher segurando firmemente.
–Não faça nada com ele Kizashi. –Falava ela.
–Você vai protege-lo? Depois de tudo o que ele fez! Toda a preocupação que eles nos fizeram ficar.
–Chega!! –Gritou o policial. –Nosso trabalho era achar essas crianças fugitivas, demos isso aqui como caso encerado. –Falou seguindo pela porta da frente, com a mulher policial atrás de si.
–Esperem! Isso aqui não acabou, queremos registrar queixa.
–O que? –O uníssono fora tomado pela sala.
–Nos somos maltratados por essas duas pessoas. –Disse Katsu. –Não aguentamos mais viver com elas...por isso fugimos.
–Me conte melhor isso garoto. –Pediu a policial.
–Com muito prazer. –Disse Katsu com uma voz firme.
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