Smile
3 The Prince.
— Por quê? – Lucy mudou a expressão monótona para desconfiada.
Mary desviou o olhar, para o lado.
— Posso dizer que vocês dois... podem ser bem parecidos, Lucy. – Suspirou. – Bem, não acredito que ele seja má pessoa.
A Princesa olhou para mãe com desconfiança.
— ...Claro.
— Lucy, você não é má pessoa, é? Pois então.
Sua mãe tinha um ponto. Um bom ponto.
— A senhora já marcou o dia em que ele virá? De onde ele é? Príncipe de onde?
— Ele provavelmente virá nesta semana, provavelmente amanhã ou no dia seguinte. Nos deixou em dúvida. – Suspirou. – Bem, ele é o Príncipe de um reino vizinho. Como você não costuma sair do castelo, desconhece.
— ...Amanhã?! – Segurou a asa da xícara com força. – ...diga por favor que é no dia seguinte.
— Não tenho certeza, Lucy. Para o caso, se prepare para amanhã. Esteja bonita. – Mary se levantou e ajeitou o vestido. Acariciou os cabelos da filha. – Mais do que já é.
E saiu.
Lucy tomou mais alguns goles de chá, pensando em coisas aleatórias.
Não iria gastar tempo pensando em coisas como o casamento, iria deixa-lá aborrecida.
— ... – Suspirou, olhando para algumas pequenas folhas de hortelã que estavam no fundo de sua xícara. – Estar mais bonita do que eu já sou?
Essa frase não era incomodante, mas, o fato de ter que se arrumar para um homem, causava um frio na espinha de Lucy.
— Como vou fazer isso? – Se questionou baixinho. – Não é como se eu fizesse algo para ficar assim. Eu não sei como me arrumar...
Colocou a xícara na mesinha da sala e subiu as escadas.
"Minha mãe me ensinou essas coisas...". – Suspirou. – "Só... vou agir naturalmente".
No dia seguinte, Lucy escutou batidinhas em sua porta, um pouco mais cedo do que costumava acordar para as aulas.
— Lucy, sou eu, sua mãe. Estou aqui para escolher seu vestido e arrumar seu cabelo, acorde querida!
Lucy bocejou e se levantou, abrindo a porta rapidamente.
— Boa dia...
— Banheiro! – Alertou a Rainha, que logo cedo, permanecia impecavelmente arrumada. Os cabelos num penteado diferente do coque preso firmemente.
A Princesa ainda não estava pensando direito, por ter acabado de acordar, mas foi para o banheiro e tomou uma ducha breve, voltando para o quarto enrolada em toalhas.
— ... – Surpreendeu-se um pouco. – ...Esse... vestido?
— Qual o problema com o vestido? É lindo! Agora vista-o logo, para começarmos a secar esse cabelo.
— Nada. – Suspirou. – ... é um dos meus favoritos, mesmo.
Era um vestido com cores fracas, de detalhes azuis e pretos. Vestiu-o, sem praguejar, mas não conseguia tirar de sua cabeça, o fato de que Sean também adorava quando Lucy usava este vestido.
Não queria usar justamente aquele, para conhecer Meguri.
Mas, sua mãe parecia tão alegre...
Sentou-se na cadeira, enquanto a mãe penteava e secava os fios pretos e longos com cuidado.
— O que podemos fazer no seu cabelo, Lucy?
Ela olhou para a rosa branca, que estava em cima da cômoda.
— Hum... Gostaria de deixar ele solto. – Suspirou brevemente. – Não gosto de prendê-lo.
Era verdade, quando prendia o cabelo, nunca conseguia usar a rosa junto, ela acabava caindo.
— Ótima escolha. – Prendeu algumas mechas do cabelos da filha e colocou a rosa lá. – Você gosta bastante dessa rosa, não é? Até mesmo não usa tiaras, como outras Princesas.
— Foi presente do Sean.
A Rainha ajeitou os últimos fios do cabelo que estavam fora do lugar, para então pegar um par de brincos da penteadeira.
— Sei que não os usa com frequência, mas estes combinam com você.
— São bonitos. – Olhou-se no espelho, enquanto a mãe colocava-lhe os brincos.
Lucy se questionou qual sapato sua mãe diria para ela colocar
"O mais alto, provavelmente". – Olhou-a de relance.
Lucy acertara em cheio.
Sua mãe lhe estendeu os sapatos azuis, um dos mais altos que tinha. Eles incomodavam depois de muito tempo em pé por causa do fino salto.
Colocou-os e ao terminar, no mesmo tempo, bateram-lhe a porta.
— Alteza, Majestade, os visitantes chegaram.
Lucy sentiu vontade de vomitar, mesmo que estivesse de estômago vazio.
— Diga que já estamos indo. – Mary dirigiu a palavra a criada e colocou as mãos nos ombros de Lucy. – Fique calma, certo?
A Princesa assentiu com a cabeça, mesmo que já estivesse muito nervosa.
Conhecer a pessoa com quem iria ter que se casar, não era tão fácil assim.
— Então, é hora de descermos.
Lucy engoliu em seco e seguiu a mãe.
Desceu as escadas e conseguiu ver um garoto alto, Meguri, já que as características encaixavam.
Sua expressão era de tédio e sono, enquanto esperava parado, ao lado de uma mulher que provavelmente era sua mãe.
Suas roupas eram bonitas, um casaco comum entre os Príncipes, azulado, por cima de uma camisa branca, calças de aparentemente boa qualidade e sapatos pretos.
— Cumprimente-a. – Miyuki, a mãe do Príncipe, sussurrou para o mesmo.
O rapaz de olhos dourados assentiu com a cabeça e esperou Lucy próximo ao fim da escada.
Beijou sua mão e sorriu, quando ela parou para cumprimentá-lo.
Lucy acenou com a cabeça.
— Olá, Meguri.
Desceu o último degrau da escada.
— Olá. – Sorriu um pouco. – Você é mais bonita do que minha mãe descreveu.
Questionou a si mesma se ele estava fingindo ou se era sincero. E também, não sabia como reagir a isso.
— Você é diferente do que eu esperava. – Respondeu simplesmente.
— Mais feio do que imaginava? – Meguri perguntou, irônico.
— Não é um Príncipe de dezoito anos com aparência de trinta e seis.
— Vou levar como elogio não parecer um velho.
— É. Algo assim. – Lucy desviou o olhar. – ...Então?
Miyuki e Mary estavam conversando, sentadas no sofá, rindo a cada pequeno espaço de tempo.
Lucy pode ouvir Meguri bufar, enquanto mexia no cabelo e olhava para o lado.
— Está com algum problema, Meguri? – Achou que talvez fosse indelicado perguntar, mas também seria indelicado o visitante estar visivelmente incomodado e não fazer nada.
— Nenhum. – Virou-se para ela com um sorriso. – Apenas um pouco cansado.
Lucy pode perceber. Ele era um péssimo mentiroso.
— Vamos nos sentar na mesa do jardim, sim? Gostaria de conversar com você sobre nosso casamento. – Passou a caminhar.
Ouviu os passos de Meguri atrás de si.
Ele puxou a cadeira para Lucy se sentar e depois a empurrou, para então se sentar a frente dela.
— O que em especial quer conversar sobre nosso casamento?
Antes, ela estava com coragem para falar tudo que estava pensando, sobre não querer casar-se com ele, sobre... Não saber agir diante de um marido. Mas, agora, sentada em sua frente, era como se as palavras estivessem entaladas.
— Eu... Queria falar sobre... Ahn... – As palavras estavam se embaralhando, correndo de si, sem deixá-la formar uma frase concreta. – Vamos começar do início. Qual sua opinião sobre este casamento?
Se tentasse deixar Meguri falar mais do que si, quem sabe poderia acabar conseguindo dizer o que queria.
Lucy respirou fundo e colocou as mãos em cima da mesa, olhando para Meguri.
— Eu não gosto dessa ideia. – As palavras dele soaram fluidas, soltas, durante o silêncio daquela manhã. – E você?
— Eu também não gosto nem um pouco da ideia de ficar presa a alguém tão cedo.
— Se é assim, podemos fazer um acordo mútuo de paz, somos os dois contra. Estaremos casados no papel, mas sem qualquer envolvimento.
— Certo. – Olhou-o. – Mas isso não nos dá motivos para infidelidade, também vamos casar aos olhos de Deus.
Lucy não era tão religiosa, mas, sabia que se cometesse infidelidade, seria uma vergonha para ambos. Meguri também estava ciente disto.
— Sim. Eu sei. – Suspirou. – É. Estamos acorrentados um ao outro.
Lucy suspirou pesadamente.
Se um dia amasse alguém, e quisesse ficar junto dessa pessoa, não poderia.
Estava presa a alguém que não sentia nada por ela, tanto quanto ela não sentia nada por ele.
— Sua mãe lhe deu detalhes do casamento, Meguri?
— Sinceramente, apenas quis ouvir a data. Os preparativos não me importam. – Olhou para as rosas do jardim. – Mas vai haver um baile de máscaras antes do casamento.
Lucy passou a olhar para as rosas, também.
— Baile de máscaras? – Olhou-o de relance.
— Vão nos apresentar. Algo como "a nova aliança do reinos". – Tamborinou os dedos na mesa, mas parou em poucos segundos.
— Você disse ter ouvido sobre a data, quando será?
— Hum... Dia 17. – Suspirou. – Hoje é dia 9, não?
"Droga". – Lucy bufou.
Oito dias era o que poderia considerar-se a sua "liberdade". Mas que provavelmente, seriam os dias de liberdade mais presos que alguém já vira.
Lucy sabia que amanhã ou depois, sua mãe lhe faria provar vestidos, sapatos, observar a organização.
E tinha plena certeza de que teria de fazer as malas.
— O baile é nessa semana, então.
— Sim, minha mãe já me fez escolher uma máscara. – Riu um pouco. – Mais uma além de uma fachada.
Uma fachada feita de sorrisos falsos.
— Minha mãe provavelmente fará o mesmo... – Lucy suspirou. – Ah... Vamos ter que dançar juntos, no baile de máscaras?
— Provavelmente. – Riu, um pouco. – Você sabe dançar, certo?
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