— Ah... – Colocou a mão dentro da água. – Peixe, Peixe, Peixe, vem!

Meguri riu baixinho.

Como ela agia inocentemente. Ele estava admirado.

— Não é assim que funciona, Lucy. – Entregou-lhe um pacote pequeno, dentro, tinham alguns grãos. – Se jogar na água, eles vão se aproximar, mas se colocar a mão, talvez eles se assustem.

Lucy agradeceu e pegou alguns grãos.

— Ei, peixe... Aqui, comida! – Sussurrou enquanto jogava alguns grão e olhava entretida a espera da aparição dos animaizinhos.

Alguns segundos se passaram e então, bolhas pequeninas apareciam.

Os grãozinhos sumiram e Lucy avistou outra vez, somente uma pequena parte da cauda antes do peixe parecer ir embora.

— Não, não vá! – Jogou mais grãozinhos.

— Que estranho... – Constatou Meguri. – Geralmente funciona... Eu fazia isso com as carpas do meu castelo.

Lucy fez bico.

— Peixe chato... – Apoiou os cotovelos na borda do barco e ficou encarando a água, esperando o animalzinho aparecer. – Por que ele não gosta de mim?

— O problema não é com você, Lucy. Esses peixes talvez só estejam acostumados com humanos os caçando, e não jogando comida. Devem ter medo.

— Entendo... – Enxugou a mão na própria roupa.

Suspirou e se sentou normalmente.

— Da próxima vai dar certo. – Meguri estava olhando para a água, queria dar um mergulho. Mas pular dali seria arriscado, e era fundo demais, mesmo que soubesse nadar, e o barco poderia virar quando fosse tentar subir de volta.

Lucy olhou de um lado para o outro e depois encarou Meguri, com uma expressão comum. Sem sorrir.

— Você está se sentindo feliz?

— Sim. Estou com você. – Meguri sorriu mostrando os dentes.

Lucy desviou os olhos, talvez um pouco envergonhada.

— Isso é...

— Não precisa ficar com vergonha disso, Lucy. Só falei que estou feliz.

— Hum. – Olhou-o de relance. – Isso é bom.

— Quando eu estava indo para a Igreja no dia do nosso casamento...

Parou.

Ele ficou em dúvida.

Deveria dizer o que tinha dito a seu pai na carruagem?

— O que? – Lucy virou para si outra vez. – O que você ia dizer?

Bom, esperava que não estivesse errado ao repetir novamente as palavras. E Lucy não parecia estar tão disposta assim para ignorar o início da frase.

— Eu disse que... Só queria te fazer feliz. – Sorriu um pouco, brincando com algumas mechas do próprio cabelo.

A rosa branca nos cabelos dela, balançou com o vento.

Lucy, como nos últimos dias andava fazendo com maior frequência, sorriu.

— Está se saindo bem, Megu. – Olhou para a água, pensativa e se voltou para ele outra vez. Pensando nas palavras. – Sabe, eu pensei que quando saísse daquele castelo, iria me sentir horrível. Pensei que sentiria tanta falta que não suportaria fazer mais nada. E que me sentiria sozinha e triste. Mas não estou me sentindo assim. Você me mostrando somente coisas maravilhosas. Só consigo pensar em te agradecer por ser bom.

Ele não conseguiu evitar sorrir.

— ...Obrigado, Princesa. – Acariciou sua bochecha. – Você nunca saiu muito do castelo... E eu tenho coisas maravilhosas pra te mostrar. Todos os dias.

— Espero poder te ensinar algo em troca. – Desviou o olhar. Estava com vergonha.

— Você me ensinou algo muito bom, Lucy. Está me ensinando. – Murmurou próximo a Lucy.

— Não me lembro de ter ensinado algo a você, Megu.

— Você está sendo meu primeiro amor, Lucy.

Ela pareceu confusa. Ficou olhando-o em silêncio com as bochechas coradas.

— Isso... É uma coisa boa?

— Não senti vontade de desistir até agora. – Sorriu.

Lucy virou o rosto para o lado, um pouco nervosa.

— Eu... Eu... Megu...

Ele tocou seu rosto.

— ... Não precisa falar. – Sorriu. – Eu não ligo se você nunca me amar. Só quero que seja feliz.

Lucy corou ainda mais.

— Por que você precisa ser tão gentil?

Ele pensou um pouco.

— Porque você é minha esposa. E eu amo a minha esposa.

Lucy se sentia uma pré-adolescente. Era uma mulher, casada e ainda sim, ficara envergonhada com uma simples fala do seu marido.

— Bem, não diria que te amo, Megu, mas gosto de você.

— Tudo bem. Eu não quero forçar você a me amar. Ninguém quer. – Estava acariciando seu cabelo. – Seus pais te querem felizes, seus professores, seu irmão, também. Eu não ligo, Lucy. Eu estou feliz de estar te fazendo sorrir.

— Mas não é injusto? – Questionou.

— Talvez. – Afastou a mão. – Mas vai ficar tudo bem.

Lucy sentiu como se estivesse iludindo-o.

Como conseguia amar uma pessoa como ela, que não tinha certeza do que sentia, que não tinha certeza que um dia iria sentir?

Tirou a rosa do cabelo, e ficou pensando, com ela nas mãos.

Se Meguri não estivesse ali, se nunca tivesse conhecido-o, ela estaria em casa, tocando piano, ou fazendo alguma aula.

Isso seria melhor?

Se Sean não estivesse morto, se nunca tivesse adoecido, ela estaria com ele, ela estaria mais feliz, ela poderia ter se tornado ainda mais forte, graças a ele.

Isso seria melhor?

Provavelmente seria.

Mas Lucy deveria viver o presente, e não pensar nos "e se..."

Sorriu para Meguri.

— Eu gosto sim de você.

— Felizmente já é um começo. – Meguri olhou em volta. – Parece que já estamos chegando no destino final.

Realmente. Era uma ilha que não ficava tão longe assim da praia, mas era muito bonita.

Meguri ajudou Lucy a sair do barco, ela sentiu um pouco de tontura por estar em pé em algo que não balançava.

O homem que os acompanhava avisou que iria esperar na parte comercial da ilha, que consistia em duas ou três lojistas de lembranças e lanchonete.

— Para que lado prefere ir primeiro? Temos o resto do dia pra andar pela ilha toda.

— Não sei. – Riu. – O lado direito é legal.

Segurou no braço dele. Precisou de um apoio pra não cair.

Estava bem tonta.

— Você está bem? – Questionou. – Está com tontura, Lucy?

— Um pouquinho. – Colocou a mão livre perto da boca.

— Aguente, não vomite. – Segurou a cintura de Lucy, apoiando-a nele. – Você só precisa sentar e olhar para um ponto físico, e de um pouco de água também.

— Não está tão ruim, Megu.

— Não fale isso. Você está pálida. Mais do que o comum. – Não tinha nenhum banco ou cadeira próxima para se sentarem.

Meguri não teve outra opção, se sentaram na areia.

— Espere aqui, vou buscar água. Tente ficar parada. – Se levantou rapidamente, correndo em direção às barracas que vendiam comida.

Voltou em menos de dois minutos.

— Aqui, Lucy. – Estendeu o copo para a menina, que parecia estar voltando a ter alguma cor no rosto.

Ela pegou o copo e tomou em golinhos.

— Desculpe te causar problemas. – Abaixou a cabeça. – Eu nunca andei de barco.

Sentia como se não estivesse conseguindo respirar o suficiente, mas sua respiração estava normal. Era apenas uma sensação. E uma sensação horrível, por sinal.

— ... Não conte aos meus pais que sou uma esposa ruim.