Smile
8 I'm Sorry.
Enquanto ele saiu correndo, e pôde ouvi-lo bufar, Lucy não chegou a correr, mas caminhou rápido.
Queria ter certeza de que ele não iria se machucar terrivelmente e se machucasse, iria ajudá-lo e terminar aquela briga.
Se conseguisse algo. Claro, obviamente e provavelmente, seriam poucos efeitos que a garota baixinha poderia fazer só gritando.
Escutou Meguri ameaçar um dos homens, aos gritos, escutou também uma garrafa caindo no chão.
Pessoas gritando de maneira desesperada porque o Príncipe se envolveu na briga, e ele poderia acabar se machucando. Uma coisa que Lucy tinha certeza era que ele não voltaria intacto.
Andou mais rápido e conseguiu ver vislumbres de Meguri.
Ainda não conseguia enxergá-lo direito e tentou andar mais rápido, mas a junção de pessoas em volta fazia ser difícil se aproximar.
Ouviu Meguri gritar ainda mais alto dessa vez e um baque surdo.
O som do baque foi encoberto pelos gritos.
— PARA NUNCA MAIS FALAR DA MINHA NOIVA! – Em seu rosto, uma marca vermelha se encontrava abaixo do olho esquerdo, e em seu pulso, uma marca de apertão, que estava ficando arroxeada. – SEU DESGRAÇADO!
Agarrou o homem pelo colarinho da camisa, e continuou a gritar.
O homem tentou responder algo com um sorriso cínico no rosto, que foi calado por um soco de Meguri.
Este que deixou o homem tonto e o fez cair no chão.
A respiração do Príncipe estava descompassada e suas mãos tremiam tamanha era sua raiva.
Lucy empurrou algumas pessoas e pode alcançá-lo, abraçando-o por trás.
— Já chega... – Encostou o rosto em suas costas, molhando sua camisa com lágrimas.
Meguri tremeu sobre o toque de Lucy, já que o assustou.
— Lucy... – Murmurou afrouxando a força com que segurava o homem.
A Princesa o apertou ainda mais forte e se ajoelhou no chão, levando o Príncipe junto, fazendo-o soltar o bêbado.
— Por favor... Pare. – Fungou.
— ... – Ele se virou para Lucy e a abraçou. – ...Desculpe.
A Princesa permaneceu em silêncio, o rosto escondido contra o peito do noivo, provavelmente sujando sua roupa com as lágrimas escuras graças a maquiagem, que escorriam.
Meguri se sentiu irritado por ter feito Lucy chorar daquela forma por causa de si. Estava agora mesmo a bater em outros homens por dizerem coisas terríveis sobre ela e a fazia chorar.
Acariciou-lhe o topo da cabeça e beijou.
— Me desculpe mesmo, Lucy. Por ter entrado na briga e... Por ter lhe feito chorar e borrar a maquiagem. – Riu um pouco.
— ... – Acariciou o lado de seu rosto que estava avermelhado. – Você se machucou.
Meguri abaixou o olhar e ficou em silêncio.
"Ótimo, agora o noivo tem um machucado no rosto, e não falta sequer uma semana para o casamento". – Abraçou Lucy novamente, deslizando a mão por seus longos cabelos negros.
As pessoas ao redor, faziam comentários.
Comentários que fizeram questão de ignorar.
— Está doendo muito, Meguri? Posso pedir um pouco de gelo para você.
— Não está doendo. – Suspirou, desfazendo o abraço. – Você está bem? Machucou-se?
A Princesa negou com a cabeça.
— Estou bem, problemas. – Segurou a mão de Meguri para ajuda-lo a levantar. – Vamos cuidar dos seus machucados.
— Eles não são nada demais, Lucy.
— Vamos. – Retrucou.
De certa forma, agora, ela estava assustada. Vendo que aquele homem conseguiu machucar Meguri, que era mais alto e tinha mais força física que Lucy... Imagine o que aquele bêbado poderia fazer com ela.
— ... – Meguri deslizou a mão pelos cabelos de Lucy, quando chegaram na ala hospitalar do castelo, a rosa branca estava em suas mãos. – Sean também quis bater nele. Sua rosa estava caindo.
Meguri ajeitou a rosa novamente aos cabelos de Lucy.
— Mas agora está tudo bem, e a briga acabou e sua preciosa irmã não se machucou. E prometo que vai ser sempre assim. Vou proteger você aqui como seu irmão faria. – Sorriu.
Meguri fez uma careta logo após quando Lucy encostou o gelo em sua bochecha.
— Frio. – Apontou o óbvio.
— Você machucou o pulso também, certo? – Olhou-o, tinha visto a marca roxa quando Meguri arrumou a rosa em seus cabelos. – Aquele bêbado te segurou?
— Sim. – Assentiu com a cabeça. – Não se preocupe com isso, se não sumir até o casamento, o terno provavelmente irá cobrir.
— ... – Suspirou. – Você se machucou... por minha culpa.
— A culpa não é sua de ser bonita desse jeito e alguém falar de forma repugnante sobre isso.
— ... – Abaixou a cabeça. – Droga... você me deixa com vergonha.
Beijou o topo de sua cabeça.
— Não fique com medo deles, tudo bem? Vou proteger você.
— Uhum. – Concordou, abaixando os olhos. – Você me lembra meu irmão falando assim.
— Você também recebia comentários, desde criança? – Encostou-se na cadeira.
— ...Não sei. Mas ele sempre me dizia isso. – Soltou sua mão.
Deixou o gelo nas mãos de Meguri e se levantou.
A porta se abriu e a mãe de Meguri, junta da mãe de Lucy, entraram afobadas.
As mães abraçaram os filhos, com preocupação em seus semblantes.
— Lucy, querida, eu estava tão preocupada... – Acariciou os cabelos da filha. – Eu pensei que algo ruim tinha acontecido com você... fiquei com tanto medo...
— ... – Escondeu o rosto no ombro da mãe. – Não se preocupe... meu noivo é realmente bom como você disse.
— Meguri, filho, olhe seu rosto, meu amor... Fiquei preocupada quando ouvi seus gritos. – A mãe acariciava o rosto do filho, que ainda segurava o gelo na bochecha.
— ...Não é nada, mãe, não é nada. – Suspirou. – Aquele idiota merecia ter perdido todos os dentes, ainda.
Lucy olhou-o por cima do próprio ombro.
— Miyuki... me desculpe. – Curvou-se levemente como sinal de respeito. – ...Ele só está assim por minha culpa.
Meguri a censurou com o olhar.
— Lucy... – Iria repetir o que disse antes, mas foi interrompido.
— Você está assim porque entrou na briga por algo que disseram de mim e você ficou bravo. Foi minha culpa, sim. – Virou-se para Miyuki. – Espero que possa aceitar essas desculpas.
A mulher olhou para a Princesa em silêncio por alguns segundos, e logo a abraçou.
— Ah, querida... não se culpa tanto. – Acariciou suas costas. – Está tudo bem que ele te defenda... isso prova que ele realmente se importa com você.
Mary abraçou Meguri também.
— Querido... Obrigada por ter parado a briga e até ter defendido Lucy. Mostra que fiz a escolha certa a querer que Lucy se quase contigo. Mas... Desculpe ter se machucado.
Meguri sorriu.
— Quando entrei naquela briga não esperava sair sem nem um arranhão. Não peçam desculpas, nenhuma das duas. Foi minha escolha defender Lucy e socar aquele merda. Me machuquei porque quis.
Lucy olhou-o em silêncio, seus olhos verdes como estavam agora, faziam Meguri sentir um pouco de pena.
— Mary, desculpe todo o problema, foi em seu castelo, me perdoe se surgirem boatos sobre isso. – Desfez o abraço. – Mas foi necessário.
— Oh, desculpas aceitas, Meguri. Mas não se preocupe, meu marido chegou logo após vocês saírem e deu um jeito naqueles nobres bêbados, duvido que algum boato ocorra. – Ela sorriu para Miyuki. – Apesar dos boatos que ouvimos são bons, não?
A outra Rainha riu.
— Claro! Estavam todos a comentar sobre o novo casal amável, e do noivo que defendeu a amada Princesa. Ninguém se preocupou muito a briga em questão. Ainda bem.
Lucy passou pelas mulheres e chegou aos braços de seu noivo.
— Vê, Lucy? Todos entenderam a verdade. – Acariciou sua cabeça.
Lucy concordou, segurando-se no braço de Meguri.
— Então, já que não houveram problemas reais, vamos voltar. Os convidados foram dispensados depois daquilo e o jantar estava sendo feito. Vamos jantar como duas famílias. – Mary falou.
Meguri se questionou se iriam dormir no castelo, já que a noite chegara a horas.
— ... – Lucy beijou-o no rosto. – Obrigada.
— De nada! – Beijou-lhe o topo da cabeça e a abraçou. – Uwaaaah, você é tão fofa de abraçar, Lucy!
Sentiu o rosto queimar de vergonha. Como ele estava agindo tão íntimo assim?
Socou-lhe o ombro com leveza.
— D-Droga, Meguri.
— Ei, ei, você fica com vergonha tão fácil assim? Oh, sério, você é tão sem expressão!
Lucy olhou para ele.
— Devo considerar isso elogio?
— Talvez. – Sorriu.
Lucy puxou-o pela mão.
— Vamos jantar, venha. – Caminhou. – Eles não vão começar a comer sem os noivos.
— Vamos, então.
Sentarem-se a mesa lado a lado, enquanto seus pais conversavam animadamente.
— Você come bem pouco, não, Lucy? – Olhou-a.
— ... – Cutucou um pedaço de carne com o garfo. – Bem... Não sei porquê.
— Você não está doente, não é? Mary, deveríamos levar sua filha ao médico. – Preocupou-se.
— Eu só não tenho fome demais, não estou doente. Eu só como em quantidades menores. – Lucy retrucou.
Virou-se, comendo um pouco de carne.
— Humpf. – Suspirou.
Meguri sorriu um pouco.
"Para alguém tão magra assim...". – Lucy não era magra ao ponto de parecer doente ou de ter braços finos demais, mas sua cintura era sim, bem fina.
Apesar de combinar consigo a cintura fina.
A deixava ainda mais delicada, como uma pequena flor branca.
Ela ainda continuava se questionando se Meguri iria dormir no castelo, aquela noite.
Não que não quisesse, mas apenas queriam saber se teriam que dormir ambos na cama dela, que era bem grande, para apenas uma garota.
Bem... Sua cama era de casal. Dormia com seu irmão quando tinha seis anos, depois que ele contou a lenda do monstro do armário, ela não conseguiu dormir sozinha por um ano.
— Mãe... Meguri vai ficar aqui esta noite? – Perguntou.
Havia terminado de comer há alguns minutos e continuava à mesa por educação enquanto bebericava um copo com suco.
— Seria ruim de nossa parte fazê-los viajarem durante a noite. Miyuki e Meguri passarão a noite aqui, sim.
Estranho. Lucy não tinha ouvido falar do pai de Meguri ainda.
Perguntaria para ele mais tarde.
— ...E ele vai dormir comigo? – Questionou, com as bochechas queimando em vergonha.
Mary riu diante da vergonha da menina, por ser tão branca, a vermelhidão era aparente.
— Se vocês quiserem! – Riu um pouco. – Mas sabe, moramos num castelo, há mais quartos de hóspedes do que posso contar.
— Então o Meguri vai para o...
— Quarto da Lucy. – Sorriu. – Não é ótimo que já podemos dormir juntos sem nem estarmos casados ainda?
Lucy olhou-o, furiosa.
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