Smile
11 I want Your Smile.
Como um daqueles livros que somente no final o segredo seria revelado, essa era a Noiva de Meguri.
E não seria na última página, com facilidade de ser descoberto.
Seria quando menos esperasse.
Mesmo que fosse... Ele não queria ler a última página antes.
A Princesa que tinha a beleza tão cobiçada por outras pessoas, estaria entrelaçada com Meguri até o fim de sua vida.
Ele faria uma leitura atenta.
Leria devagar, mesmo ansioso para as reviravoltas que aconteceriam, não teria pressa alguma.
Só assim, entenderia tudo e perceberia os mínimos detalhes que uma leitura rápida se faria perder.
Nunca fecharia o livro.
Se algum dia terminasse... O leria de novo. E de novo. Até saber tudo sobre ele, em mente.
Sim. Ele faria isso.
E a partir do momento que saísse daquele quarto, começaria sua leitura.
E também faria Lucy sorrir, mesmo que demorasse. Muito e requeria se esforço.
Queria ver o sorriso de Lucy.
Mas um sorriso verdadeiro.
Miyuki, a alfaiate e Mary estavam conversando, então Meguri constatou que poderia sair do quarto.
E o fez, depois de colocar a roupa que estava antes, e de passar a mão nos cabelos, na tentativa de arruma-los.
Lucy estava sentada na mesa do jardim, encarando o vazio. Próxima a uma xícara de chá preto, quente e de um bule.
Provavelmente, estava pensando em algo. Mas ninguém saberia dizer o que.
Sua expressão era a mesma de sempre.
Chegou perto e tamborilou os dedos na mesa, chamando a atenção de Lucy.
— Posso lhe fazer companhia?
Olhou-o de relance e concordou com a cabeça.
Ela voltou a encarar o vazio.
Meguri estava em dúvida se ela estava olhando para as rosas ou para o arco de madeira branca que era rodeado por flores, do jardim.
Ela parecia concentrada em observar algo, apesar de não parecer estar perto.
Seus pensamentos estavam distantes.
Era sempre assim.
Meguri colocou a mão sob a sua, na mesa, e levantou seu olhar novamente até ela.
Sorriu de forma fraca.
Sabia que ela não iria devolver o sorriso, já que era o normal dela.
Ela somente virou para si, interrogando o sorriso que surgiu e o toque em sua mão.
— ... – Riu baixinho, de forma desconfortável. – Nada.
A Princesa suspirou, fechando os olhos.
— Mudando de assunto... Como foi a prova das roupas? – Sua voz moldou-se a um tom de deboche.
— Horrível. Era vergonhoso. – Murmurou, sem graça. – E para você?
— O mesmo.
— Imagino... Minha mãe com certeza deve ter falado de como seu corpo é perfeito. – Colocou a mão na testa. – Ela não consegue ficar quieta.
Lucy assentiu com a cabeça.
— Minha mãe também falou coisas sobre você?
— Bem, elas foram mais quietas comigo... – Coçou a cabeça. – Mas falaram um comentário aqui e outro lá.
— Hum... claro. – Desviou o olhar. – Tome um pouco de chá, se quiser.
— Irei aceitar, obrigado.
Pegou uma xícara e se serviu.
Não gostava tanto assim de tomar chá como a Princesa, já que percebera que sempre que podia, Lucy estava a tomar chá.
— Você gosta bastante de chá, não?
— Sim... eu tomava chá com o meu irmão no jardim. – Deu uma pausa breve. – Mas eu gosto bastante, sim.
Honestamente, o Príncipe preferia café.
Gostava do café um pouco doce, um pouco amargo, na medida certa.
Chá era algo que... Não desgostava, mas não achava o gosto tão atrativo assim.
Mais uma das diferenças entre eles.
— Hum... – Lucy olhou-o. – Passou a noite bem? Não tive oportunidade de perguntar-te ainda.
Meguri não se lembrava muito bem se dormiu mal ou não, deitara na cama e dormira.
— Sim, não tive problemas.
— Espero não ter incomodado muito por conta dos meus pesadelos.
— De forma alguma me incomodou. – Colocou a xícara vazia sob a mesa. – Fiquei feliz de ter te ajudado.
Decidiu não se servir mais de chá, uma xícara já estava bom.
Observou Lucy servir-se de mais chá.
— Você não gosta muito, não é? – Lucy o olhou.
— Do que? – Questionou.
— De chá, e de ter que se casar, provavelmente.–Suspirou.
— Não desgosto de chá, apesar de não ser uma de minhas bebidas favoritas. Eu não sou contra me casar, ter uma esposa, se importar com alguém, cuidar de alguém é algo que eu quero para meu futuro.
— Entendo... – Riu fracamente.
Felizmente, teria um bom marido.
Bem, não esperara aquela resposta. Antes, ele agia frio em relação a ideia de se casar.
Lucy nunca sabia dizer se ele mentia.
Não sabia reconhecer quando Meguri mentisse.
Esperava que ele falasse a verdade.
Queria acreditar no que Meguri falava.
Não queria ser enganada.
Por ninguém.
Não queria confiar em alguém assim tão fácil.
Mas Meguri, em parte, provara que era digno daquele pouco de confiança com seus gestos.
Esperava não se decepcionar.
Suspirou e voltou a encara-lo.
A mãe de Lucy surgiu pela vidraça que era janela de onde os levava para o jardim, e os chamou.
— Precisamos terminar a decoração, e vocês devem ajudar a escolher. – olhou exclusivamente para Meguri. – Miyuki quer discutir algo importante com você.
Se questionou o que era.
Lucy se levantou sem espera-lo e dirigiu-se para dentro.
Meguri andou com ela até a porta e se separou, indo atrás da mãe, um tanto incomodado com o que ela poderia falar.
— Mãe? Aconteceu alguma coisa que eu deva saber? – Perguntou desconfiado quando chegou até onde estava mãe.
— Ah, não querido. Só achei que deveríamos discutir últimos detalhes que Lucy não pode saber. Como a lua de mel de vocês. – Sorriu.
— Lua de mel? Por quê? Não é um casamento de verdade, mãe.
— É claro que é, Meguri. Não é porque foi arranjado que é de brincadeira. E você não odeia mais a idéia de se casar com Lucy, filho.
Ele olhou para o lado, com o rosto ruborizado.
— Entendo... – Suspirou. – O que precisamos falar sobre... Ahn... Isso aí?
— Para onde vocês vão? – Perguntou lhe dê forma calma.
— Como assim?
— É o aproveitamento dos recém casados, você deve escolher um lugar para levá-la e aproveitarem. Então, sua sugestão?
— Não sei... – Suspirou. – Litoral talvez? Algum lugar bonito, obviamente...
Miyuki ficou olhando para o filho em silêncio. Ele estava tão corado que a fazia rir um pouco.
— Não precisa ficar todo envergonhado, filho. – Bateu de leve nos ombros dele. – Está pensando em algo que eu não deva saber?
Miyuki riu logo após, vendo como seu filho ficou ainda mais vermelho com a brincadeira.
— Não! – Suspirou e bateu nas bochechas, para que voltassem ao normal. – Muito provável de que Lucy saiu do castelo poucas vezes. Podíamos levá-la até à praia.
— Entendo... – Continuou sorrindo. – Mas, ela realmente saiu poucas vezes do castelo. Pelo que soube... depois da morte do irmão dela, não saiu mais. Ah... isso é tão triste.
— Algo mais que tenha que me dizer?
— Por hora, não. Vou conversar com Mary, para ouvir a opinião dela e arrumarmos a viagem. Pode ir.
Assentiu com a cabeça, aliviado.
"Uh... ela não me disse nada de mais...". – Suspirou, indo em direção a porta.
— Ah, e mais uma coisa, querido! – Colocou a mão em seu ombro.
Olhou-a, em silêncio.
— Sim?
— Continue sendo gentil com ela, mesmo se estiver bravo... – Suspirou. – Sei que iria fazer isso mesmo que eu não pedisse. Mas... Ela realmente parece sensível. Por trás daquela face tão séria, tem uma garotinha que pede proteção e carinho.
Miyuki sorriu.
— Sei que você não me decepcionaria.
— Vou fazer isso, mãe. – Sorriu e acenou, saindo rapidamente.
Bem, não é como se realmente fosse difícil ser gentil com Lucy.
Era fácil e saía naturalmente.
Apesar de não receber quase nada em retribuição.
Mary olhou para a filha, nos olhos.
Droga, ela realmente queria que a filha sorrisse.
Aquele rosto inexpressivo a incomodava.
Sua filha parecia tão infeliz...
Isso sempre a incomodou, porque ela era a mãe da Princesa.
Suspirou.
Mas agora, sua filha parecia melhor.
Não a ponto de sorrir, nem com uma mudança drástica.
Lucy olhou para a mãe.
— O que queria falar comigo? – Questionou, com as mãos juntas na parte da frente de seu corpo.
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