Smells Like Teen Spirit

27 Smells like teen Spirit


Notas iniciais
Eis mais um capítulo :3

Melanie's POVS

Abri os olhos, e os raios de sol adentrando o quarto me diziam que já era dia. Pisquei relembrando as cenas da noite passada, o quarto estava todo bagunçado, travesseiros no chão, lençóis, e um leve cheiros de velas queimadas pairava no lugar. Andrew estava adormecido ao meu lado, esparramado e de bruços, com um dos braços por cima da minha barriga. A expressão tão calma, tão serena. A pele pálida em contraste com o cabelo negro, e alguns raios de sol era tão... perfeita.

Eu poderia ficar ali admirando pelo resto do dia, mas meu estômago não estava de acordo. Eu não tinha comido nada desde ontem, desde o porre de vodka. Catei um lençol preto do chão, me enrolando nele e fui na ponta dos pés até a cozinha. A quantidade de comidas rápidas que Andrew armazenava era incrível. Abri o freezer e vi um pote de sorvete de morango com calda.

- Vem pra mamãe, delícia.

Depois de me entupir de sorvete, eu fiquei ali sentada, pensando. Depois de toda essa correria, desses desastres, era a primeira vez que eu podia por os pensamentos em ordem. Por um lado, eu me sentia culpada por sumir desse jeito. Principalmente com Sidney e Hanna, depois do que aconteceu ontem, eles devem estar achando que eu surtei e me suicidei em algum canto por aí. Tem o Matt, que eu menti pra ir encontrar Sidney. Meus avós. A essa altura meu pai já deve estar sabendo e deve estar louco atrás de mim.

Por outro lado, tem muitas coisas que eu relevei e deixei de perguntar pra Andrew. Pequenos pontos, não tão importantes agora, mas que me intrigam bastante. Como a explosão no prédio, o Mustang assassino. Teria sido isso parte de toda aquela raiva que ele disse sentir? Será que ele tentou... me matar?

Um arrepio me passou pelo corpo, 20% era pelo pensamento, e os outros 80% eram devido a uma certa mão que deslizou pela minha cintura.

- Bom dia, ou melhor, boa tarde — Andrew murmurou com uma voz doce. Me virei para ele, vendo que estava semi-nu, apenas com uma cueca preta.

- Que horas são? — perguntei procurando algum relógio, mas não tinha nenhum a vista.

- Umas quatro da tarde — falou ele levantando os ombros, e se inclinando para me beijar.

- hmm... andou comendo sorvete? — perguntou afastando os lábios, e logo os junto novamente — sorvete de morango com calda de morango?

- Vejam só, ele é um cão farejador. Já pode trabalhar no FBI — disse sarcástica. Ele riu.

- Cala essa boca — disse me fazendo cócegas. Em seguida contornou o balcão de granito, até o freezer, tirando dois potes de sorvete de chocolate. Sentou-se ao balcão, a minha frente, e jogou um pra mim.

- Planos pra hoje? — perguntei destampando o pote.

- Sim — respondeu dando uma colherada — terminar o sorvete, olhar um filme e transar até não poder mais.

- Que romântico — revirei os olhos.

- É eu sou muito romântico, sou o Romeu dos tempos modernos — falou ele, irônicamente inocente — e você é a minha Julieta — Andrew fez um biquinho, em seguida mandando um beijo na minha direção.

- Romeu e Julieta, sei lá, não é uma boa comparação — disse.

- Por que termina em tragédia?

- Sim.

Ele me encarou.

- Acha que vamos terminar assim? — perguntou, tocando minha mão de leve.

- Eu tenho medo — admiti — a partir de agora, pelo que pode vir.

- Eu vou ficar com você pra sempre, até meu último respirar, até a minha alma desaparecer do infinito. Pra sempre, Melanie — falou.

- Você sempre diz a coisa certa — disse.

- Eu tenho a alma de um poeta, há — o divertimento voltou ao seu tom.

- GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO — ouvi meu celular berrar em algum canto da sala. Tinha caído por lá e ficado por lá mesmo. Quando eu estava prestes a me levantar, Andrew correu a minha frente, pegando o aparelho e desligando-o.

- Por que fez isso? — perguntei indignada.

- Sem celulares, sem interrupções.

- Mas podia ser meu pai, ou o Sid — justifiquei.

- Preocupação não mata, hmm, só dá alguns cabelos brancos. Nada que uma tintura não resolva — seu tom era cínicamente divertido

- Grr — rosnei. Andrew voltou até o balcão, sentando-se.

Eu o fitei por um momento.

- Olha, tudo bem que a gente transou, mas tu não precisa ficar andando de cueca na minha frente — falei gesticulando para a box preta.

Ele me encarou com a boca meio aberta.

- Por que não? — perguntou surpreso.

- É provocante.

- Ui, tesuda — ele começou a rir e eu joguei um pouco de sorvete na cara dele. Aí foi a minha vez de rir.

- Ah, tu vai lamber isso aqui — disse ele se levantando e vindo na minha direção. Eu corri para o outro lado do balcão.

- Tenta me pegar — desafiei-o, e pelos seus olhos, vi que aceitou o desafio. Continuamos correndo em volta do balcão, até que eu fiz a infeliz escolha de correr para o quarto, como Andrew era mais rápido que eu, me pegou num pulo, escorando-me na parede.

- E agora? — perguntou ele triunfante.

- Vem ni mim, tesão — provoquei mostrando a língua.

- uuuuuuuuuuuui — gemeu ele, me colocando nos ombros enquanto dávamos gargalhadas. Andrew me levou até o banheiro, ligando o chuveiro em seguida.

Foi um banho bem divertido.

Horas depois...

- Anjo — chamou Andrew. Eu estava deitada sobre o peito dele e seu braço estava me envolvendo, enquanto afagava meu ombro esquerdo.

- Sim? — respondi.

- Largaria tudo pra ficar comigo? — a pergunta me pegou de surpresa.

- Como?

- Largaria seus pais, seus amigos, esse país... Isso é, digamos, um pedido de casamento.

Me sentei na cama, me apoiando sobre os punhos. Encarei Andrew por alguns segundos.

- Isso... isso é sério? — perguntei.

- Nunca falei tão sério em toda minha vida — ele confirmou com um sorriso.

- Eu aceito, claro que sim! — pulei em cima dele. Eu senti-a borboletas no estômago de alegria. Andrew beijou a minha testa.

- Então, precisamos comemorar — falou levantando da cama — vamos sair, minha noiva.

- E aonde vamos, meu noivo?

- Sei lá, mas vamos — ele riu. Levantei da cama e fui ao armário de roupas, como eu não tinha trazido nenhuma, tive que improvisar. Sucedeu-se que, as calças de couro do Andrew serviram direitinho em mim.

- Caralho Andy, essa porra serve em mim — falei apontando para a calça — como tu consegue usar isso criatura?

- Como assim? — perguntou ele, boiando.

- Não... — apontei para baixo e ele continuou sem entender — Não aperta não? Não faz omelete?

Ele começou a rir.

- Ah, bom, eu já to acostumado — deu de ombros.

Pra combinar com a calça, eu peguei uma camiseta social, deixando-a meio aberta na frente, uma gravata vermelha e meus all star. Fiz minha maquiagem e estava pronta. Andrew estava usando uma calça skinny, seus milhares de cintos de metal, uma camiseta branca, um relógio preto e sem muita maquiagem.

- Vamos, Mademoiselle — disse estendendo o braço para mim na porta.

- Ai ai, só quero ver — falei antes de sairmos.

Rodamos de carro por aí durante várias horas, bebendo, ouvindo música alta. Dois loucos.

- Tá vendo aquilo ali? — Andrew apontou pra igreja.

- Uma igreja — eu disse, o óbvio.

- Não. Um bando de gente hipócrita que acha que dinheiro e confessionário vão limpar suas almas. Depois saem dali e continuam pecando.

- Falando assim, até parece satanista — falei.

- Não, sou realista — ele concluiu — quer brincar? — um sorriso malicioso se formou em seus lábios.

Andrew estacionou o Jipe metros afastado da igreja, em seguida caminhamos até a sua entrada.

- Hora do show — ele sussurrou no meu ouvido.

- SEU FILHO DA PUTA! — comecei a berrar — VOCÊ PENSA QUE EU SOU O QUÊ? UMA VAGABUNDA? UMA PROSTITUTA QUE VOCÊ COME QUANDO QUER?

- É EXATAMENTE ISSO! SUA VADIA! É ISSO QUE VOCÊ É! TÁ RECLAMANDO DO QUÊ? NÃO OUVI RECLAMAÇÕES ENQUANTO EU TE FODIA BEM GOSTOSO NO BANCO TRASEIRO DO CARRO! — os gritos de Andrew eram tão potentes e assustadores que davam até medo. Todas as pessoas se embolavam em volta para ver a discussão.

- FODIA? NEM PRA ISSO TU SERVE! NÃO SERVE NEM PRA ME FAZER TER UM ORGASMO, SEU AMANTE DE DOIS MINUTOS!

- DOIS MINUTOS? EU LEVO 20 MINUTOS SÓ PRA CHEGAR LÁ! — um "óhhhhhhhhhhh" foi exclamado pela platéia.

- CALA A BOCA SEU RETARDADO!

- CALA A TUA, NEM SEI PORQUE EU AINDA TO CONTIGO, SUA PORCA, BURRA, NÃO SABE NEM FAZER UM NISSIN MIOJO!

- PORCA É A BALEIA OBESA DA TUA MÃE — a platéia fez "óoooooh" novamente — É ISSO AÍ, É A MÃE DELE.

Andrew se aproximou de mim num supetão, sem que ninguém visse ele deu uma piscadinha. Em seguida, uma tapa super fingido na cara.

- CALA A BOCA VADIA!

Um momento de silêncio entre todos.

- Não faz assim... tu sabe que isso me excita — falei com uma voz sensual, desabotoando a camisa. As pessoas estavam perplexas, inclusive o padre.

- Vem cá minha cachorra — Andrew segurou meu rosto com força, e a gente começou a se pegar. Ele tirou minha camiseta e eu tirei a dele.

- Me fode aqui na frente de todo mundo — disse, abrindo o cinto dele. Nisso o padre já se recompôs e veio na nossa direção jogando água benta.

- Sai capeta! Sai do corpo dessas crianças! Rezem! Rezem todos! Excomunga o satanás! Pecador! Infâmia! Blasfêmia! Orgia! Sai diabo! — ele gritava. Aí eu não conseguia mais segurar o riso, Andrew se curvava de tanto rir. Quando o padre falou em "exorcisar", ele pegou minha mão e a gente saiu correndo.

Voltamos pro Jipe exaustos. Depois de mais umas voltas, achamos uma boate "Highway to hell". Tivemos que entrar.

[Play Smells Like Teen Spirit]

Homens e mulheres dançavam loucamente, batiam a cabeça, empurrões, e lambiam uns aos outros. Um cara com suspensórios em corrente segurando seu jeans subiu uma escada afixada na parede e atirou-se contra a multidão. Garotas com seios de fora se beijavam enquanto outra garota derramava whiskey nelas. Uns caras faziam roda punk. Outras pessoas estavam transando. Que lugar foda.

- Posso ter esta dança? — Andrew perguntou com um puxão simpático da sua boca. Tentei reconhecer a música, o que não foi difícil.

- Smells like teen Spirit! — gritamos juntos.

Ele apertou minha mão direita, puxando-me contra ele no ritmo de Nirvana. Hora dançavamos juntos, hora dançavamos separados. Movimentos loucos, o barulho era ensurdecedor, eu berrava a letra da música e mesmo assim não conseguia me ouvir. Agora a noite começou a passar como vários flashes.

Andrew já estava com uma garrafa de Jack Daniel's, dois porres seguidos pra mim, mas foda-se e haja fígado. Logo entramos num jogo, onde ele derramava bebida em partes do meu corpo e depois a sugava com a boca. Pescoço, boca, seios, cintura, coxas, peito, ombros, costas, virilha.

Novamente eu estava semi-nua, em cima de um balcão dançando com uma garrafa de Jack na mão e um cigarro na outra. O balcão estava rodeado de homens e bem no meio deles estava o meu, sem camisa e com a calça aberta.

- With the lights out it's less dangerous! — todos berravam juntos — Here we are now! Entertain us! I feel stupid and contagious! Here we are no! Entertain us! A mulatto, an albino! A mosquito, my libido! YEAH! HEY! YAY!

Notas finais
Sejam boazinhas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.