Smells Like Teen Spirit

19 Meu Impiedoso, cruel, e amargo amor. Part II


Notas iniciais
Desculpa gente pelo atraso MONSTRO. Eu realmente não tive tempo de postar, prova de matemática ontem, entrega do trabalho de História, amanhã Geografia ainda T-T
To fazendo o possível pra cumprir os prazos, não me matem >.<'
Bom, mas tá aí o capítulo, espero que gostem.

Eu acordei no escuro.

O ar frio artificial arrepiava a minha pele, e um zumbido silencioso enchia meus ouvidos . Eu coloquei as minhas mãos sob mim, mas quando tentei me levantar, pontos de roxo e negro dançaram pela minha visão. Eu engoli a textura de algodão grosso na minha boca e rolei de costas.

Foi quando lembrei que ainda estava na biblioteca. Pelo menos, eu tinha bastante certeza de que era onde eu estava. Eu não me lembrava de ir embora. Mas o que eu estava fazendo no chão? Eu tentei me lembrar como eu chegara aqui. A tulipa. Eu tinha respirado o perfume travoso e agridoce. Logo depois, eu tinha caído no chão.

Eu tinha sido drogada?

O Andrew tinha me drogado?

Eu fiquei ali, o coração batendo forte, os olhos piscando tão rapidamente que as piscadas ficavam uma em cima da outra. Eu tentei me levantar uma segunda vez, apegando-me a mesa, eu me arrastei até ficar de pé. Meu cérebro protestou contra a vertigem, mas meus olhos localizaram o sinal de saída verde embaçado acima da porta da biblioteca. Eu cambaleei até lá.

Virei a maçaneta, e a porta estava trancada. Eu franzi a testa. Só pode ser brincadeira. Bati a minha mão contra o vidro.

- Olá? — eu gritei — Alguém pode me ouvir?

Eu tentei a porta novamente, forçando a maçaneta com toda minha força, que não era muita. A porta não se moveu nem um centímetro. Meus olhos estavam totalmente adaptados à escuridão agora, e eu achei o relógio na parede. Dez? Isso estava certo? Eu realmente tinha dormido por mais de duas horas?

Eu peguei meu celular, mas não havia sinal. Eu tentei entrar na Internet, mas fui informada repetidamente de que não havia redes disponíveis. Procurando frenéticamente na biblioteca, eu passei os meus olhos sobre cada objeto, procurando por algo que eu pudesse usar para sair. Livros, cadeiras giratórias, arquivos... nada sobressaia pra mim. Na biblioteca principal, as engrenagens chiaram em movimento enquanto o elevador de gaiola no fim do corredor subiu do térreo. Eu virei a minha cabeça na direção do som.

Uma vez, quando eu tinha quatro ou cinco anos, Brawian me levou ao parque para me ensinar a andar de bicicleta sem as rodinhas. No final da tarde, eu conseguia andar por todo o caminho do circuito de quatrocentos metros sem ajuda. Ele me deu um abração e me disse que estava na hora de ir para casa. Eu implorei por mais dois circuitos, e nós concordamos com um. Na metade do círcuito, eu perdi o equilíbrio e tombei. Enquanto eu estava endireitando a minha bicicleta, vi um cachorro preto grande não muito longe. Estava me encarando. Naquele momento, enquanto observamos um ao outro, ouvi uma voz sussurrar, Não se mova. Engoli em seco um suspiro e fiquei parada, embora as minhas pernas quisessem correr o mais rápido que pudessem para a segurança do meu irmão.

As orelhas do cão ficaram eriçadas e ele começou a ir atrás de mim num galopar agressivo. Eu estremeci de medo, mas mantive os meus pés enraizados. Quanto mais perto o cachorro chegava, mais eu queria correr, mas eu sabia que no momento que eu corresse, o instinto animal de perseguição do cachorro iria entrar em ação. Na metade do caminho até mim, o cachorro perdeu o interesse no meu corpo imóvel e decolou em uma nova direção . Eu perguntei a Brawian se ele tinha ouvido a mesma voz me dizendo para ficar parada, e ele dissera que era o instinto. Se eu o escutava, nove em cada dez vezes eu faria a melhor jogada.

O instinto estava falando agora. Caia fora.

Eu peguei uma cadeira da mesa mais próxima e joguei-a contra a janela. O vidro espatifou, deixando um enorme buraco no centro. Eu rasguei um pedaço da minha camiseta, enrolei na mão e subi, ficando com metade do corpo para fora. Então firmei meu all star na moldura da janela, e saltei para o corredor.

O elevador zuniu e vibrou mais alto, passando pelo segundo andar.

Eu corri a toda velocidade pelo corredor. Eu batia meus braços fortemente, sabendo que eu tinha que alcançar a escada, ao lado do elevador, antes que ele subisse muito mais e quem quer que estivesse lá dentro me visse. Eu puxei a porta da escada, gastando vários segundos preciosos enquanto tirava tempo para fechá-la sem fazer barulho atrás de mim. Do outro lado da porta, o elevador parou com tudo. A porta retrátil abriu-se com uma pancada e alguém saiu. Eu usei o corrimão para me impulsionar a ir mais rápido, andando de leve pela escada. Eu estava na metade do segundo lance de escadas quando a porta da escada abriu-se acima de mim. Eu parei na metade do passo, não querendo alertar a minha localização para quem quer que estivesse lá em cima. Passos pesados desceram as escadas correndo, me cortando de minhas tentativas de camuflagem. Ele estava vindo atrás de mim. Eu caí das escadas, já não me preocupando em manter o silêncio.

Ele foi ganhando terreno, pouco mais do que uns metros de distância, quando meus sapatos atingiram o solo, me enfiei através da porta que dava para a escadaria, atravessei o saguão e atirei-me para fora das portas da frente diretamente para a noite.

O ar estava quente e tranquilo. Eu estava correndo para o caminho de cimento que levam até a rua, quando por uma fração de segundos eu mudei os planos. Eu subi no corrimão à esquerda das portas, pulando de uma altura de mais ou menos de três metros no pequeno pátio abaixo. Fui pelo corredor de cimento, tropeçando nos meus pés. A biblioteca não tem um estacionamento próprio, e recomendou uma garagem subterrânea quase junto com as salas do Grêmio estudantil. Desci a rampa do estacionamento, me abaixei pela lateral, e corri na garagem para a Mercedes

Fui por um corredor e vi a parte traseira dela. Abri, liguei, e engatei a marcha. Estava dirigindo em direção a saída quando um Mustang vermelho virou a esquina. O motorista acelerou o motor, indo direto para mim. Eu passei a segunda marcha e pisei no acelerador, saindo do estacionamento segundos antes dele bloquear a saída e prender-me dentro da garagem. Minha mente estava paralisada para pensar com clareza sobre onde eu estava indo. Eu dirigi para baixo mais dois quarteirões, passando por um sinal vermelho. O Mustang veio acelerando atrás mim, colando na minha traseira. O limite de velocidade passou para cento e vinte. Eu empurrei a Mercedes para cento e cinquenta, trocando meu olhar entre a estrada e o espelho retrovisor.

Sem sinalização, virei o volante, para entrar numa viela ao lado da rua. O Mustang subiu na calçada, me seguindo. Eu virei mais duas vezes à direita, contornei o quarteirão, e voltei na contra-mão. O semáforo em frente ficou amarelo, e acelerei para o cruzamento antes da luz piscar vermelho. Com meus olhos grudados no espelho retrovisor, vi um carro branco parar. Atrás dele, o Mustang chegou a cantar pneus.

Minha respiração estava rápida. Meu pulso latejava em meus braços, e minhas mãos estavam apertadas em torno do volante. Logo que eu estava na parte de trás do morro, eu cruzei tráfego e virei à esquerda. Eu saltava sobre os trilhos da estrada de ferro, tecendo meu caminho através de um escuro, no bairro degradado de casas de alvenaria. Eu sabia onde eu estava: Sanguinário. O bairro ganhou esse apelido há mais de uma década atrás, quando três adolescentes foram assassinados um a um no playground. Eu diminuí a velocidade e vasculhei a minha mochila, escavando o meu celular.

- Oi? — Sidney respondeu.

- Quem tocou na caixa?

- Hein?

- Andrew te deu a caixa diretamente? Quem mais tocou?

- Quer me dizer o que tá acontecendo?

- Eu acho que eu fui drogada — um silêncio chiou na linha telefônica.

- Tu acha que a caixa foi envenenada? — ele repetiu em dúvida.

- A tulipa foi misturada com perfume — expliquei, impaciente — Quem te deu ela? Me diga exatamente como você conseguiu.

- Em meu caminho para a biblioteca para deixar as fritas, Matt me chamou para ver onde eu estava indo — contou ele lentamente — Nós nos encontramos na biblioteca, e Andrew estava por lá. Ele me deu a caixa e perguntou se eu daria para você. Peguei ela, as fritas, e as chaves da Mercedes e entreguei a você, então eu fui encontrar o Lucas, que ah propósito, me de um bolo.

- Ninguém mais tocou? E — eu engasguei de tão rápido que estava falando — o Matt?

- Ninguém. E sim, o Matt estava saindo com um monte de livros quando eu cheguei — o Matt estava na biblioteca? Como eu não o vi? Porque eu não o vi?

- Menos de uma hora e meia depois de cheirar a flor, eu desmaiei no chão da biblioteca. Eu não acordei durante duas horas! — disse.

- Mesmo com o tanto que não gosto do Andrew, eu tenho que te dizer, eu não posso vê-lo drogando você. Ele é um louco, mas ele tem limites — protestou Sidney.

- Então, quem? — Minha voz estava um pouco estridente — e peraí, desde quando você não gosta dele? Não faz três dias tu ovulava só de ouvir falar nele!

- Eu não sei, e eu não ovulava e não vou com a cara de idiotas que mexem com meus amigos, não importa o quão gostosos eles são. Onde está você agora?

- Sanguinário.

- O quê? Saia já daí antes de ser assaltada! Me encontra no meu apartamento, já to indo pra lá. Nós vamos resolver isso. Nós vamos descobrir o que aconteceu.

- Não posso, eu deveria estar em casa. Nem sei que desculpa vou dar pros meus pais.

Meus nervos estavam desgastados, minha mente embaralhada. Eu não estava longe da casa dele, quando notei as luzes azul e vermelha no espelho retrovisor. Ah não!

Encostei a Mercedes no fio da calçada, e um homem alto, de farda e uma cara nada feliz. Ele tirou um bloco do bolso e uma caneta, me encarando. Esse cara não me é estranho.

- Já sabe o que fazer, documento, habilitação — falou em tom grave. Puta que pariu! O fudição aqui é a seguinte: eu não tenho habilitação, e esse carro não é meu. E agora?

- Bom, esse carro não é meu — gaguejei. Uma noite atrás das grades não me faria nada bem, não hoje. Ele franziu os lábios, e retirou os óculos escuros, me fitando mais profundamente, com uma expressão de 'você está muito ferrada garotinha'.

- Aonde é o incêndio? — perguntou retórico olhando incisivamente pra dentro do carro — Drogas? Bebida?

- Acha que eu estou bêbada?

- Acho que você é louca! Estava dirigindo a cento e cinquenta! — rosnou o policial. Mordi o lábio, é só o que me faltava. Desviei os olhos e acabei encontrando o crachá da criatura. Jared. AAAAAAAAAAAAAAAAAAA NÃO ACREDITO!

- Qual seu nome? — perguntou novamente.

- Melanie Lockwood.

- Saia do carro — ordenou. Sem muita escolha, abri a porta e sai, rezando para que um milagre acontecesse. Parei do lado dele e abri os braços.

- E agora?

- Habilitação — olhei para os lados. Seria tão oportuno se caísse uma habilitação do céu agora.

- Não tenho — ele me olhou incrédulo.

- Esse carro não é seu, você estava a cento e cinquenta e não tem habilitação?

- Sim, mas eu posso explic...

- Pode me acompanhar por favor? — Jared pegou meu braço antes que eu pudesse sequer pensar em sair correndo. Abri a boca para protestar, implorar e alegar risco de morte quando um segundo carro parou atrás da Mercedes. Nós dois nos viramos para olhar a BMW prata que caiu do céu. Matt. Nunca fiquei tão feliz em vê-lo.

- Algum problema senhor policial? — perguntou ele se aproximando com seu casaco de couro preto e uma calça skinny rasgada nos joelhos.

- Na verdade sim, conhece essa garota?

- Somos irmãos — respondeu Matt. Opa, irmãos? Arregalei os olhos com uma expressão de 'o que pensa que está fazendo?' — Meu pai me mandou atrás de você garota, ele tá furioso — disse, agora se dirigindo a mim.

- Sendo assim, posso ver a sua habilitação rapaz? — Jared olhou curioso para Matt, ainda calculando o quanto isso poderia ser verdade. Matt entregou-lhe a habilitação e o policial analisou.

- Seus sobrenomes são diferentes, mas consta o mesmo endereço — disse — automaticamente você se torna o responsável, então tenho que multar VOCÊ — concluiu.

- Ah que ótimo, uma multa — reclamou Matt pegando o papel.

- Mais uma coisa, preciso do nome dos seus pais e do proprietário do carro — falou Jared.

Depois de dar todas as informações que ele me pediu, entrei na BMW com a promessa de sigilo absoluto (por enquanto) e de que a Mercedes seria entregue a Sidney amanhã. Matt dirigiu alguns quilômetros antes de parar o carro, para que eu pudesse trocar de roupa. Por sorte, tinha algumas peças no porta malas. Ele recostou a cabeça para trás, encarando o teto da BMW.

- E então? Te tirei de uma roubada, agora quero explicações — falou calmamente. Pensei por um momento. Matt era meio misterioso, mas mesmo assim uma pessoa confiável. Do tipo que eu poderia contar o que realmente estava acontecendo, e talvez assim ele também me esclarecesse algumas coisas.

- Não é uma coisa muito fácil de contar, não sei por onde começo — disse enquanto colocava a blusa bordô de botões na frente.

- Que tal pelo começo? Porque estava correndo? — perguntou. Suspirei uma vez, colocando os pés pra cima do banco de trás e amarrando as tiras da sandália.

- Alguém me drogou na biblioteca, e eu acordei duas horas depois com alguém me perseguindo. Peguei a Mercedes e tive que fugir de um Mustang vermelho até minutos antes da policia me parar...

- Mustang vermelho? — ele me cortou bruscamente.

- Sim — balancei a cabeça, impaciente — Conhece alguém que tenha um? Já me ajudaria bastante pra descobrir quem está tentando me matar! — Matt me olhou com uma expressão confusa, suspirei novamente e arrastei as mãos pelo rosto. Lá vamos nós.

Pulei para o banco do passageiro, ajustando os óculos no rosto e contei toda a história, desde o dia da explosão até a perseguição de carro. Ele ouviu tudo atentamente, chegando a mesma conclusão que eu: nenhuma.

- Olha isso é muito estranho, me sinto num filme policial agora — falou Matt franzindo os lábios.

- Imagine como eu me sinto então... — gemi.

- Ah Mel — ele se virou para mim, pegando de leve na minha mão que estava em inércia sobre minha coxa — seja o que for que estiver acontecendo, vamos dar um jeito nisso ok? A primeira coisa é você não ficar mais sozinha por aí, é quase como um convite para psicopatas.

- E andar com um guarda-costas a tira colo só vai ajudá-los a encontrar meios de me eliminar a distância — Matt me encarou, sem palavras pois meu argumento era lógico. Como se mata um líder de estado? Um presidente? A distância, pois ninguém conseguiria chegar perto com a quantidade de homens armados até os dentes que ficam a volta deles.

- Mesmo assim — continuou ele — você só sai de casa comigo.

- E o que tu pretende? Arrumar uma arma? — protestei. Ele bufou.

- Não seria tão mais simples contar tudo pro seu pai? Ele é advogado poxa, ia dar um jeito na hora.

- Ah claro, vamos contar tudo pra Richard Lockwood! Inclusive que eu saio escondido de casa a noite, do porre que eu tomei, do Mustang que me perseguiu e dos integrantes do Black Veil Brides metidos na história. Nossa, ele vai A-M-A-R — disse quase me engasgando com meu sarcasmo — deixa essa história quieta por enquanto, vou investigar por conta própria — Matt assentiu levemente e eu dei o assunto por encerrado, por hoje.

Era quase meia-noite, quando a BMW parou em frente a minha casa, as luzes acesas diziam que eu estava muito ferrada. Fitei minhas mãos trêmulas que repousavam no meu colo, e a minha visão se distorceu um pouco. Foco Mel.

- nervosa? — perguntou Matt, deitando a cabeça para me olhar.

- tá tão na cara assim? — tentei dar um sorriso, mas foi falso até os ossos. Suspirei. É vamo lá, hora de encarar o Nemesis.

- Como eu estou? — perguntei. Matt me analisou, estreitando os olhos na região do meu rosto. Ele se inclinou para frente, ficando a centímetros do meu rosto, com o polegar, ele esfregou o canto da minha boca.

- Mancha de batom — concluiu. Pisquei rapidamente duas vezes, e depois me virei para a porta. O meu gesto pode parecer até meio infantil, mas eu não queria Matt por perto, não desse jeito. Ou melhor, eu não queria ninguém por perto desse jeito. Se apaixonar é tomar no cu, só que disfarçado. Fiz meu caminho até a porta da frente com passos lentos, consciente de que Matt estava logo atrás de mim. Meus músculos estavam tensos e meus pensamentos a mil, por um momento me senti uma garotinha de cinco anos que fez uma besteira muito grande. Eu não tinha um plano, e eu não fazia idéia do que dizer, mas uma vez eu estava a merce da minha sorte. Puxei o ar para os pulmões. Vamo nessa.

Assim que entrei em casa, fiz uma análise rápida pelo ambiente. Minha mãe estava sentada no sofá, com os cotovelos apoiados nos joelhos, Marta ao lado dela com um copo entre as mãos. Meu pai estava com o telefone na orelha, andando de um lado para o outro. Todos se viraram para me olhar. Um silêncio mortal ecoou pelas paredes. Imaginem aquela cena onde a zebra é encurralada por um bando de leões, e qualquer movimento brusco pode significar um minuto a menos de vida. Imaginaram? Pois é, eu também.

- Aonde você estava?! — foi minha mãe que rompeu o silêncio, se levantando abruptamente do sofá — ligamos para todos os hospitais! todas as delegacias! — ela estava histérica, balançando os braços pelo ar.

- Mãe calma — foi o que eu consegui dizer, mas não tenho certeza se ela me ouviu.

- Calma? — agora foi a vez do meu pai começar a falar. Seu tom era baixo, mas ameaçador — você sai de manhã para a escola e volta meia-noite, e nos pede calma? O que é isso Melanie? O início de uma revolta adolescente?

- Pai, olha eu posso explicar — na verdade eu não podia, só estava tentando ganhar tempo.

- EXPLICAR? — agora ele estava gritando. Recuei dois passos para trás — eu acabei de receber uma ligação da polícia dizendo que a minha filha — ele apontei para o próprio peito — estava dirigindo a CENTO E CINQUENTA uma Mercedes ROUBADA! Pode me explicar isso?? — meu queixo caiu nos joelhos. Jared filho da puta!

- Não roubei carro nenhum! Era o carro do Sidney! — protestei.

- E lá vamos nós! — meu pai jogous as mãos para o alto — eu não tinha te proibido de andar com esse... essa... COISA?

- Ah, pai, por favor, PODE IR PARANDO OK! NÃO VOU OUVIR ISSO. — rosnei incrédula.

- A culpa foi toda minha — Matt se meteu — eu desafiei Melanie num racha pela cidade e ela aceitou, foi isso — os olhos do meu pai se arregalaram, furiosos.

- Se você acha que pode acabar com a vida da minha filha como acabou com a sua, está enganado garoto!

- Quem tá acabando com a minha vida é você, Richard Lockwood! Tá querendo viver através de mim! — cuspi as palavras com raiva.

- Olha como fala Melanie!

- Olha VOCÊ como fala! — exclamei. Mal terminei a frase e estava no chão, uma dor formigando o lado esquerdo da minha bochecha. Arregalei os olhos, descrente do que aconteceu. Ele me bateu? Meu pai me bateu? Olhei para minha mãe que soluçava e saia evasiva para a cozinha. Marta entrou na minha frente, me levantando do chão. Meu pai tinha a mesma expressão furiosa.

- É isso que filhos desobedientes merecem — falou. Olhei em seu rosto, mágoa e raiva queimavam no fundo dos meus olhos, mas eu me recusei a chorar na frente dele. Matt estava parado ao lado da escada, os lábios franzidos. Ele me olhou, transmitindo pena. Era mais do que eu podia suportar. Me livrei dos braços de Marta ao meu redor e marchei os degraus acima, batendo a porta do quarto e trancando. Sentei no chão, de costas para a porta. O som da discussão que se iniciava no primeiro andar ressoava nos meus ouvidos. Pressionei as palmas fortemente contra as orelhas.

- Teu pai não teve pulso pra te por na linha, mas eu tenho! Você acha que vai ficar por isso mesmo?!... um irresponsável que...nessa vida... inútil...

- Você é um verme...acha que manda em todo mundo mas...que é o poderoso chefão...no teu enterro nem a tua filha vai estar lá!...

Mesmo apertando as mãos contra os ouvidos, as palavras deles ainda passavam, algumas entre-cortadas. Me recusei a continuar ouvindo aquilo. Engatinhei até a beirada da cama, retirando meu Ipod debaixo do travesseiro. Coloquei no máximo e me concentrei na letra. Agora as lágrimas já podiam escorrer sem represalhas. Eu me pergunto por quanto tempo eu vou me prender, ser minha própria jaula, um pássaro que tem medo de voar. Procurando o fim do mundo, pra em um segundo tentar esquecer.

- You left me with these broken lies, and I let you. Got no more time for your goodbyes, so god bless you. God bless you.

Notas finais
Então? ♥