Smells Like Teen Spirit
2 Amigo de Infância
Notas iniciais
Olá minhas leitoras lindas *-* fiquei muito feliz com os rewiews (achei que ninguém ia nem ler U_U). Esse capítulo é mais explicativo, então, boa leitura.
Depois do silencioso jantar, fomos nos sentar na sala enquanto Marta tirava a mesa. A distribuição dos lugares ficou assim: meus pais no sofá grande cor de vinho que estava de costas para a parede branca, e eu na poltrona também cor de vinho que ficava ao lado, mas inclinada para o sofá.
– Como vão as aulas? — perguntou meu pai puxando assunto.– Tivemos alguns trabalhos essa semana, provavelmente teremos prova semana que vem — disse. Provas que eu iria me ferrar lindamente, mas isso é outra história.– ainda acho que você ficaria melhor na instituição de ensino integral de Londres, mas já que insistiu tanto pra estudar aqui — de novo ele com o assunto de me enfiar num colégio interno, quanto amor.– Estou bem aqui pai, sério, o ensino é ótimo — falei brincando com as mãos sobre meu colo. – Isso não é bem o que eu acho — rebateu ele.– Tudo bem tudo bem — interveio minha mãe levantando um pouco as mãos — Richard deixe a menina, ela está feliz na escola em que está — falou apaziguadora.– Só estava pensando no melhor pra nossa filha, Olívia — resmungou ele — mas vamos direto ao assunto — ele inclinou um pouco o corpo pra frente repousando uma mão em cada perna — Lembra do Matt Crossword?– Não... — respondi meio duvidosa, esse nome me era familiar,mas não me vinha nenhum rosto a mente. – Mel, ele era seu melhor amigo quando tinha seis anos — disse minha mãe. Meu deus! Ela tava falando do garotinho loiro emburrado que brincava comigo quando eu era uma pirralhinha do jardim de infância! Ele andava pra lá e pra cá com um livro infantil, típico nerdzinho. O menino chegava a dormir na minha casa, nossas mães eram tipo, best friends forever. – Mãe, faz quase 10 anos que eu não vejo ele — Matt tinha o mesmo problema que eu: pais controladores e voltados para o futuro da sua prole. Com sete anos ele foi para Romênia estudar, e desde então eu perdi o contato com ele. Ainda me lembro da mãe do garoto arrastando ele porta afora e ele esperneando. Teria acontecido comigo se meus pais fossem 1% mais doidos. – Pois então, ele volta da Romênia amanhã — falou meu pai com um sorriso que era reservado pra quando ele tinha algo em mente. – E daí? — pensei em voz alta. Meu pai estreitou os olhos formando uma ruga na sua testa. Quando eu estada na presença deles eu tinha que ser o mais educada possível, mas a força do hábito de mandar todo mundo pro inferno pega, sacoméné...– E daí — ele imitou meu tom de voz com certa arrogância — que como os pais dele estão viajando a Elisabeth — mãe do Matt — pediu que ele ficasse hospedado na nossa casa até que eles voltassem — meu queixo caiu. – Aqui??? — perguntei ainda incrédula.– Sim — respondeu minha mãe — e você precisa ajudar ele a se adaptar, afinal, Matt está a dez anos longe de casa — ajudar ele a se adaptar isso significaria andar pra cima e pra baixo com um nerd feioso na minha cola, que amor.– Ele vai estudar na sua escola, pra não ficar o resto do ano parado — disse meu pai.– Tem certeza... — tentei fazer uma intervenção mas meu pai me interrompeu. – Mel, por favor ele usou um tom bem conhecido, o tom de "conversa acabada você vai fazer o que eu to mandando"– Tudo bem pai — disse usando meu tom de "aff, tomei no cu" — se me dão licença vou dormir — falei por fim.– Boa noite querida — disseram os dois juntos.– Boa noite — me levantei, subi as escadas e entrei no meu quarto. Queria bater a porta e xingar alguém mas nem isso eu podia. Coloquei meu pijama xadrez, e catei meu Ipod secreto debaixo do travesseiro. Esse Ipod era secreto porque só eu sabia da sua existência, tinha todas minhas músicas preferidas. Aí que droga, agora que eu vou ter que atacar de babá não vou mais poder ter a minha dupla personalidade, pois é óbvio que o Matt não ia ficar de boca fechada. Já estava me imaginando entrar na sala com minhas roupinhas descoladas, que mico! Que mico não, king kong! Fui passando as músicas despreocupadamente. Certo, talvez eu estivesse tirando conclusões precipitadas sobre o garoto, afinal as pessoas mudam. Não tinha motivo pra eu odiá-lo ainda, mas só de me lembrar que ele puxava o meu cabelo e dava com aquele livrinho encapetado na minha cabeça meu sangue ferve. Eu sempre fui revoltada assim mesmo, desde criança as pessoas me fazem passar raiva. Parei o dedo e começou a tocar "System of a Down Cigaro" deixei que continuasse. Me ajeitei na cama e fiquei encarando a janela aberta. A noite sem nenhuma estrela e a lua encoberta por nuvens pesadas, talvez chovesse amanhã. Um vento frio entrava vagarosamente no quarto, as árvores balançavam quase em sincronia. Adormeci desejando que o meu dia seguinte fosse melhor. Algum tempo depois... GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!! — cai da cama com o maldito celular tocando. Estava muito próximo ao meu ouvido, então eu tava praticamente botando os ovários pela boca. Olhei pro relógio que marcava 3h43mim AM. Tinha certeza que havia botado o perfil casa... obra do capeta isso.
– Tá de brincadeira comigo — peguei o celular e olhei o número. Desconhecido. – Quem é? — me levantei do chão e me joguei da cama puxando o edredom por cima da cabeça.– Te acordei? — não magina, eu tava meditando. ACORDO SIM FILHA DA PUTA!– Aham... — murmurei.– Que bom Aquela voz...- Que horas você sai da escola? – As cinco e mei... — eu tava praticamente dormindo no telefone.– Vou te buscar.– Ta ta. Quem é?– É o Andy — SIXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX DESGRAÇADO!!!!!– INFELIZ — eu queria berrar no ouvido dele mas devido ao sono saiu apenas um sussurro. Quem ele pensa que é pra me acordar a essa hora??– Também te amo Mel — disse ele irônico.– Vai se ferrar — desliguei o celular e joguei de lado. De manhã...– Mel, são sete horas. — batia Marta a minha porta. Me espreguicei e cai da cama, eu tinha dormido na beirada depois que o celular tocou.– Caralho — resmunguei me levantando. – MEEEEEEEEEEEL ACORDA — gritou Marta novamente. Pra ela estar gritando desse jeito meus pais já deveriam ter saído, eles odiavam gritos, barulho e desordem.– TO ACORDADA! — gritei de volta.– SEUS PAIS FORAM BUSCAR O MATT NO AEROPORTOOOOOOOOOOOOOOO — acho que lá da rua deu pra ouvir esse último. Que amor, se eu desse sorte poderia sair antes do chatinho chegar.– OK! — respondi e fui pro banheiro fazer minha higiene pessoal. Meus olhos castanhos estavam com duas olheiras lindas, passei uma base leve. Fiz um rabo de cavalo e botei um vestido bege e uma sandália leve. Meu roupeiro tinha um fundo falso, e nele minhas roupas de rebelde sem causa. Peguei um shorts de jeans claro, uma meia calça-arrastão, uma blusa de flanela xadrez vermelha com preto de mangas compridas e meu allstar preto de cano alto. Pus tudo dentro da mochila e desci. – Bom dia Marta — disse entrando na cozinha e pegando uma maça.– Bom dia chica — respondeu ela lavando alguns pratos seu namorado chega hoje Meu o que?– Namorado? — encarei-a meio boquiaberta. – Você pode não se lembrar mas quando eram crianças você dizia que iria se casar com o Matt, viviam se abraçando... — senti meu rosto corar. Por algum motivo eu não me lembrava disso, mas depois que ela falou...– Não lembro disso — menti.– Aham, sei — ela revirou os olhos na típica expressão "mentirooooooooosa". Dei uma mordida na minha maça, coloquei a mochila nas costas e sai pela porta. O único som na rua era o do meu salto, eu detestava isso. Uma neblina leve ainda pairava no ar, o sol estava encoberto. Entrei no banheiro público feliz da vida por me livrar daquele salto espalhafatoso, em alguns minutos eu estava terminando de esfumaçar o olho com minha sombra negra. Me encarei no espelho ,definitivamente outra pessoa. Matei tempo até as nove horas, quando tocava o sinal para o início das aulas. Mal passei pelo enorme portão de ferro e ouço alguém gritar meu nome aos quatro ventos.– MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEL — disse a figura, me virei para trás e lá estava o garoto alto, dos cabelos e olhos castanhos, com sua blusa social branca e uma gravata preta com uma caveira. Era Sidney, meu melhor e único amigo desde que eu entrei na PUC. É, meus pais conseguiram me colocar num curso intensivo aqui, eu era a garota mais nova no meio de gente de 20 anos pra cima.– Por onde você andou Sidney? — perguntei indo em sua direção. Ele não aparecia na escola a quase uma semana, vida boa hein. – Tive que ir pra São Paulo resolver uns probleminhas – E esses probleminhas se chamam Guilherme — não perguntei, estava afirmando. Guilherme era o namorado do Sid, um namorado um tanto problemático eu diria. – Acertou em cheio. Ele me fez ir até lá depois de uma crise de ciúmes idiota, ai que raiva viu. E o pior é que não adiantou merda nenhuma, ainda tamo brigado — dizia ele bufando de raiva — mas me conta de você, o que tem aprontado baby? — nos dirigíamos pra aula de química.– Depois eu te conto, é melhor você estar sentado.2 horas depois...– O ANDYYYYYYYYYY SIXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX?????????? — gritou ele no meio da praça de refeição da PUC. Tivemos dois períodos de química com a nossa querida professora que ficou praticamente sentada tomando chimarrão enquanto a gente copiava três capítulos do livro. Que delícia. Depois disso, ela deu uma desculpa qualquer e nos liberou pra ficar zanzando pela escola. Eu tinha quase certeza de que vi o professor de Inglês entrar na sala através da janela, mas né...– XIU! — sibilei pro meu amigo que estava com a boca aberta e olhos esbugalhados. Algumas pessoas olhavam assustadas, o puxei pelo braço para andarmos entre os prédios. Ele comia um X-salada e eu um X-calabresa. – Meu deus, garota você tem a sorte de encontrar o Andy Sixx numa rua deserta e não arrasta ele pro meio do mato, você é maluca?? Tá se drogando?? — dizia ele. – Eu não sou você — revirei os olhos. Como se eu fosse fazer isso, além do mais, quem quase me arrastou pro mato foi ele com aquela história de motel e aqueles olhares safados. Vários alunos circulavam pelo pátio conversando, alguns estavam sentados nos bancos ou embaixo das árvores. Eu gostava da PUC, pois era um lugar bem sombrio, principalmente em dias nublados, como hoje. – Tá, vai me joga na cara que eu transei no mato agora é? Foi impulso — Sid parou com uma mão na cintura, em seguida dando de ombros. Segundos depois estávamos rindo. – Qualquer garota no seu lugar estaria dançando creu até o chão de felicidade, porque está tão... — ele procurava a palavra certa.– calma? — completei.– Isso.– Porque a fama dele não me impressiona — disse, realmente era verdade. Não me importava com as milhares de garotas que queriam estar no meu lugar, Andrew Dennis Biersack pra mim era um garoto comum, e muito irritante — eu não vou me jogar no colo dele só porque é rico e famoso.– Ah... eu me jogaria — falou Sidney num suspiro.– Sidney, vai cagar — me lembrei do incrível sorriso daquele ser, não havia dúvidas de que ele era lindo, mas eu nunca fui de me impressionar com beleza alheia. Dei uma mordida no meu X-calabresa que já estava frio, nem havia percebido que eram quase cinco e meia. Finalmente casa, mas alguma coisa que dizia que eu estava esquecendo algo importante...– Tá mas eu não to falando da fama dele, to falando como pessoa — eu sabia onde Sidney queria chegar, e eu não iria entrar nesse jogo. Enrolei o cadáver do meu lanche no papel e joguei na lata de lixo.– Não me interesso por ele nem como pessoa.– Tem certeza? — perguntou me olhando nos olhos. Eu não tenho certeza de nada, essa seria a resposta. Eu só não queria me envolver com alguém tão...impossível, seria doloroso demais. Desviei a atenção dele para o prédio de medicina a minha frente, várias pessoas de branco entrando para suas respectivas aulas noturnas. Por que elas estavam tão felizes? Liberdade traz felicidade, por isso elas estavam felizes, porque eram livres. Essa é a diferença entre elas e eu.– Tenho certeza — falei ainda encarando o prédio. Sidney deu um suspiro pesado, ficamos em silêncio por um momento, apenas sentindo o vento.– GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO meu celular! Preciso trocar esse toque antes que mate alguém de susto.– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA — gritou Sid que foi parar a quase dois metros de distância com uma cara de quem viu o demônio. Calma, sibilei pra ele. – Alô?– Oi Mel — era minha mãe.– Oi, o que houve? — não era muito comum minha mãe me ligar, ela só me ligava quando alguém morria. Já estava imaginando qual dos parentes distantes era dessa vez.– Vamos chegar um pouco tarde hoje, lá pelas dez. Mas esteja em casa as nove ok? O voo do Matt atrasou e ele chega por essas horas — disse ela. Ah que ótimo, quem vai ter que dar as boas vindas pra ele sou eu. Que tal um Seja bem vindo! Quando vai embora??– Tudo bem — falei tentando parecer animada. Nessa hora percebi que Sidney me puxava para o portão, já devia ter acabado as aulas. – Você é um amor Mel — ela me mandou um beijo e desligou. Já estávamos na calçada quando percebi um amontoado de gente e meu melhor amigo com cara estática.– Aí meus ovários.... É O ANDY SIXX!!!!!!!!!!!!!!! — berrou ele em coro com algumas garotas histéricas. Atravessei a multidão e lá estava ele, recostado na Mercedes preta distribuindo autógrafos e tentando manter as fãs longe do seu... deixa pra lá, fãs são fãs. Eu podia até imaginar minha expressão, tipo QUE PORRA É ESSA AQUI?
Quando dei por mim já tinha ido até ele e o encarava incrédula.– QUE TÁ FAZENDO AQUI?– Ué, eu te liguei dizendo que vinha te buscar e você concordou — disse com a maior cara de santo. Flash back on– Que bom Aquela voz...- Que horas você sai da escola? – As cinco e mei... eu tava praticamente dormindo no telefone.– Vou te buscar– Ta ta. Quem é? Flash back off– Que droga! Eu tava praticamente dormindo, você se aproveitou de mim!– E minhas fãs vão se aproveitar de mim se você não entrar nesse carro em cinco segundos! — falou destravando o carro. Se eu não entrasse no carro, ele poderia ser despedaçado no meio daquela gente toda. Certo, você só sai daqui com ele, disse para mim mesma. Meio desnorteada escorreguei pra dentro, mas não antes de bater a cabeça acima da porta, coordenação mortora: 10! . Andy entrou no carro e deu a partida, aliviado. Olhei pra trás e as fãs seguiam o automóvel como leões atrás de carne fresca, me arrepiei com o pensamento.– Certo, quando ninguém puder te ver, você para o carro e eu vou pra casa — disse seriamente com meu lado lógico no comando. Ele me olhou dando um sorriso torto.– Nem pensar, hoje você está convidada para assistir o ensaio do Black Veil Brides. E não aceito não como resposta — uma mecha de cabelo negro cobria seus olhos, e o sorriso malicioso iluminava o carro. A Mel lógica gritava com todas as células do meu corpo "SAI DESSE CARRO JÁ!!!!!"
Notas finais
Eu não sei ainda se vou postar semanalmente, mas essa é a idéia. Essa semana eu ando bem inspirada então não se assustem se daqui a um ou dois dias tiver o terceiro capítulo ai (já está na metade e-e sou apressada). Espero que tenham gostado ^-^
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