Smells Like Teen Spirit

15 Abre essas pernas pra mim baby!


Notas iniciais
Holla! Como estão? (:
Capítulo novinho em folha, já quero avisar que as coisas vão ficar mais confusas a partir de agora. E que nesse capítulo eu vou pedir que vocês ouçam uma música, no capítulo mesmo vai tá um aviso quando vocês devem botar pra tocar. Quem aí conhece 'Velhas Virgens'? (Pois é, quem conhece sabe que vai ter um pouco de safadeza) Eis o link www.youtube.com/watch?v=b_onC2sJEMs
Não tenho nada contra leitores fantasmas, mas magoa ok?

Andrew's POVS

– Eliana — chamei a garota loira que estava nua e debruçada sobre mim na cama.

– Sim? — murmurou ela, franzindo o nariz para a fumaça do meu cigarro.

– Você não se sente mal em saber que eu só estou aqui por obrigação? Que eu tenho nojo de você? — perguntei. Até o momento eu pensava que as mulheres gostavam de se sentir amadas e desejadas, mas depois de conhecer Eliana, descobri que nem sempre é assim. Porra, ela sabe que eu não sinto nada por ela, nunca mais vou sentir. Nosso lance é passado.

– Não Andy, eu te amo — falou apoiando o rosto no meu peito e dando um sorriso. Senti meu corpo se arrepiar, mas de um jeito ruim. Porque ela não entendia que eu não gostava dela? Se Eliana não soubesse de coisas sobre o meu passado que realmente pudessem me ferrar, eu já teria mandado ela pro inferno. Me levantei da cama dando graças a deus por me livrar do cheiro enjoativo do perfume daquela garota. Coloquei minha calça de couro rasgada no joelho e fui de encontro a minha camiseta.

– Aonde pensa que vai? — Eliana se enrolou no lençol e veio atrás de mim, tocando meu braço.

– Vou sair — disse sem emoção.

– Pra onde? — seu tom de ciúmes já era quase pálpavel. Foi se enrolar com uma mulher possessiva e chantagista, parabéns Andrew.

– Já transei com você, vai pro inferno — tirei a mão dela do meu braço e empurrei seu corpo contra a cama. Ela caiu sentada com uma cara nada feliz. Peguei minha camiseta e sai do apartamento de Eliana batendo a porta.

No estacionamento do prédio eu destravei o Jeep e entrei. Meu celular vibrando em cima do banco anunciava 26 ligações do Jake e uma mensagem de voz.

– Andy é sério, a gente precisa conversar. Eu acho que vi o carro do Victor na rua, me liga cara — Victor? Era só o que me faltava, até esse filho da puta veio atrás de mim. Não que eu não esperasse, mas ele foi rápido. Só me pergunto se vai demorar muito para o circo começar a pegar fogo. Victor está aqui por uma única razão, queima de arquivo, e com certeza eu estou na lista. Olhei o retrovisor, o estacionamento vazio e escuro dava sensação de medo e segurança. Eu deveria estar morrendo de medo de levar um tiro ou algo parecido, mas não. Eu era o melhor no que fazia, ele não vai me matar sem tentar me convencer a voltar antes. Até posso estar sendo muito otimista, ou burro demais. Tanto faz, pessoas como eu não tem medo de morrer. Joguei o celular num canto e ignorei as mensagens do Jake. Foda-se o Victor, por enquanto, tenho coisa melhor pra fazer.

Dirigi pelas ruas solitárias de Porto Alegre, ignorando uma ou outra prostituta perto das sinaleiras. Peguei meu boné do banco do passageiro e coloquei, ajeitando a aba para trás. Passei por prédios velhos e históricos até chegar no estacionamento do parque de diversões Arcanjo. Olhei a placa enorme de anjo que tinha na entrada, as luzes fortes iluminavam tanto que nem parecia noite. Alguns metros a minha frente, dois sujeitos mal encarados me esperavam.

– Isso vai ser interessante — pensei e adentrei o parque.

Melanies' POVS

Passamos na casa de Hanna e depois de enrolar quase duas horas, olhando MixTv e xingando algumas bandas, fomos até o parque de diversões Arcanjo onde encontramos Matt lutando contra uma máquina de soccer ball. Sidney se enfiou num canto, perto de uma barraca de cachorro-quente, enquanto falava com alguém no celular.

– Ele não desgruda daquilo — disse Hanna.

– Nunca, até pra dormir — afirmei. Olhei para Matt que parecia desconfortável, ou talvez.. nervoso?

– Tudo bem? — perguntei e recebi um sorriso forçado como resposta.

– Convidei o Arthur e o William para virem aqui — saltitou Sidney a nossa frente, sorridente.

– Você O QUÊ?? — berrou Hanna incrédula — NÃO! NEM PENSAR!

– Calma mulher — Sid arregalou os olhos e recuou um passo para trás.

– IDIOTA! — berrou ela novamente, muito irritada.

– Mel! Tu não diz nada não??

– Você é um idiota — falei.

Uns quinze minutos depois eles chegaram, Matt e Sidney logo se enturmaram com os garotos e ficavam conversando sobre banalidades masculinas. Hanna tentava parecer simpática, mas percebi que ela não estava a vontade com a situação. Na primeira oportunidade que tive arrastei-a para o banheiro.

– Tá legal, desembucha — disse fechando a porta. Ela me encarou por um momento confusa e depois suspirou.

– Eu não gosto nada do Sidney dando em cima do Arthur, pronto falei!

– Porque tu gosta dele — minha pergunta foi mais uma afirmação, estava estampado na cara dela.

– Sim... Eu sei que é errado, mas eu não posso evitar. Sou apaixonada por ele desde menina — seus olhos começando a ficar úmidos, ela estava se segurando para não chorar. Isso partiu o meu coração. Puxei Hanna para um abraço, e não disse mais nada. O que eu poderia dizer? Dizer que era errado ela gostar do próprio irmão? Ela já sabia. Dizer que não temos culpa de nossos corações escolherem as pessoas mais impossíveis para amar? Também já deveria saber. As vezes o silêncio e a proteção de um abraço são melhores do que qualquer coisa que possamos proferir com palavras.

– Realmente é ele que você quer? — perguntei depois de uma pausa. Hanna assentiu com a cabeça e acrescentou:

– Mas ele nunca iria olhar pra mim, eu sou horrível — falou amargamente.

– Sem essa Hanna! Toda garota é bonita quando quer ser — segurei seus ombros.

– Sem frases de auto-ajuda Mel, por favor — disse se soltando as minhas mãos — eu sou o que eu sou, a nerd feiosa.

– Não, isso é o que as pessoas dizem pra você.

– E elas estão certas.

Não deixe ninguém dizer quem você é– as palavras saíram da minha boca e se misturaram com a voz de Brawian em minha mente. Engraçado como cada dia eu me sentia mais como ele e menos como eu mesma. Senti um aperto na garganta, uma sensação desconfortável, como se tivesse carregando algo muito pesado. Me dirigi para a porta, mas Hanna segurou minha mão.

– Obrigado — falou. Eu sorri e saímos do banheiro.

Voltamos para junto dos garotos, e eu dei graças a Deus por tomar um pouco de ar fresco.

– Achei que tivéssem caído no vaso — debochou Arthur.

– Se a Mel cair no vaso ninguém mais acha — continou William.

– Aff, não fode — bufei.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA EU QUERO!!! — gritou Sid apontando para um pônei cor de rosa que estava entre os brindes da barraca de tiro ao alvo — ARTHURRRRRR PEGA PRA MIM! — ele juntou as mãos, os olhinhos brilhando. Arthur ficou tenso (pelo que eu saiba ele é bem hétero, e educado demais para mandar meu amigo pastar)

– Vamo lá — disse se dirigindo para a barraca.

Aconteceu que, depois de umas 30 tentativas (o que deu quase 60 reais, que daria pra comprar uns três daqueles pôneis malditos), Arthur conseguiu a pelúcia do Sidney, que mais que depressa o retribuiu com um beijo na bochecha. Nisso todo mundo caiu na gargalhada, Hanna ficou vermelha de raiva, Arthur azul de vergonha e Matt roxo de tanto rir. Depois fomos explorar o parque. William prendeu a bainha da calça no auto-choque e ficava gritando 'ME LARGA DESGRAÇA! ME SOLTA DEMÔNIO!!' e praguejava Arthur que tava batendo fotos e filmando. Matt perdeu o all star lá no alto da montanha-russa (não me perguntem como) e Sidney saiu vomitando no matinho ali do lado. Eu derrubei minha câmera no barco Viking e nem sei pra onde ela foi. Hanna saiu gritando de dentro do trem fantasma, Matt tirou uma aranha da parede e jogou em William que saiu correndo fazendo esparro. Eu e Sidney derramamos nossa coca-cola la do alto da roda gigante e na descida tivemos que sair correndo pra nao apanhar de uma velhinha encharcada.

– Acho que fomos em todos os brinquedos? — perguntou Hanna.

– Nao ainda falta aquele — disse William apontando para uma estrutura enorme de metal, talvez a maior do parque. Era uma mistura de montanha-russa com barco viking, muito maior, e pelo visto muito mais rapida.

– Nem pensar! Se eu for naquilo eu morro! — protestou Sidney.

– Ah deixa de ser chato — Arthur deu uma cotovelada de leve nele.

– Prefiro continuar sendo chato do que deixar de ser vivo — retrucou.

– Vamos na casa de jogos pro Sidney parar de chorar — disse Matt. Todos concordamos e fomos para a enorme casa com vidros fumê.

Lá dentro o ambiente era bem abafado, a fumaça de cigarros e charutos pairando acima de nós. Muito barulho de conversas, risadas e máquinas de fliperama, um típico cassino. William correu pro Pinball, Sidney pro soccer ball e Matt pro pôquer.

– Ah que maravilha — resmunguei enquanto seguia William, no único jogo que eu sabia.

– Vai perder — disse com todo o meu pessimismo falso.

– Aposta quanto?

– Você sair daqui de cueca — falei.

– Feito!

Dez minutos depois...

– CARALHO!

– Perdeu!!!!!!! — gargalhei encostada na máquina de Pinball, William me olhava com cara feia. Ah, ele quis apostar a culpa não é minha.

– Vai se ferrar — rosnou ele.

– Deixa de ser mau perdedor, e pode ir pagando a aposta — falei.

– Eu sempre cumpro minhas apostas sua...

– GANHEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! — o berro estridente do Sidney fez várias pessoas, inclusive eu, se assustar. Fomos até ele no soccer ball.

– Ganhou?? — perguntou Hanna quase pulando, enquanto Sid fazia uma dancinha da vitória.

– UUUUUUUUUUUUH GANHEIIII — afirmou ele. Todos comemoravam e pulavam junto.

– Ganhou quanto???????????? — perguntou Arthur emocionado.

– Doze reais!!!!! — silêncio... Se isso fosse um anime, esse seria aquele momento onde todos os personagens ficam com aquela gota na cabeça, é.

– Puta merda Sidney, esse estardalhaço todo por causa de doze reais??

– Não é questão de dinheiro, é questão de vencer a máquina bando de trouxas — disse ele franzindo o cenho. De certo modo, Sid até está certo. William praguejou alguma coisa e voltou pra máquina de Pinball, Arthur bufou e Hanna sentou numa cadeira ali perto.

– Ué, cadê o Matt? — perguntei deixando meus pensamentos escaparem pela boca. Sidney deu de ombros. Levantei a cabeça e procurei pelo lugar, lotado, mas nem tão grande para perder alguém lá dentro.

Encontrei meu amigo com uma expressão bem irritada, parado ao lado da mesa de bilhar. Ele tinha os dentes trincados e os punhos fechados, parecia discutir com outro jogador que estava inclinado sobre a mesa, bem no meio de uma jogada. OPA, peraí, eu conheço aquele cara...

– ANDREW!!! — falou Sid apontando para o ser de dosi metros de altura e boné com estampa de soldado da mesa de bilhar.

– XIU- sibilei para ele tarde demais, pois Andrew já estava virado para trás, sorrindo descaradamente. Virei a cara fuzilando Sidney com os olhos. Mas a pergunta aqui é: o que ele estava conversando com o Matt?

– Andrew? — perguntou Arthur flutuando no assunto.

– Sim — respondi.

– É um peguete da Mel — disse Sid. Arregalei os olhos.

– O quê???

– Tipo, o cara fica correndo atrás dela TODA HORA, já levou um monte de foras e tudo, mas não desiste. Ele persegue ela — continou em tom conspiratório. Fiquei em uma linha tênue entre descrença e raiva. Dei um olhar rápido para Andrew e Matt não estava mais lá.

– Eu posso falar com ele — falou Arthur rapidamente, mostrando-se o macho alpha do bando que defende as mulheres inofensivas. Não, obrigado, não sou inofensiva.

– Não é necessário — forcei um sorriso. A última coisa apropriada no momento é uma briga entre o Arthur e o Andrew.

– Não é sério, eu vou lá — ele já ia se lançando pra frente, quando eu o parei, tocando seu braço.

– NÃO! Eu vou — disse, abrindo caminho até a mesa de bilhar. Parei do lado de Andrew, ainda pensando no que dizer.

– Oi — falei.

– Oi — respondeu ele, sem me olhar.

– O que está fazendo aqui? — perguntei. Ele olhou pra mim, pra mesa de bilhar e depois pra mim novamente.

– Surfando.

– Não precisa começar com esse seu sarcasmo idiota — retruquei.

– Então não faça perguntas idiotas — rebateu ele. Certo, começar um bate boca aqui não vai me levar a nada.

– O que estava conversando com o Matt? — usei meu melhor tom, o mais calmo e amigável possível.

– Ele estava conversando sozinho — disse fazendo outra jogada. Tá, ele não ia mesmo tirar os olhos dessa merda de jogo.

– Tudo bem, eu aposto 20 reais que você não me ganha — falei apontando para a mesa.

Andrew olhou para mim e sorriu, maliciosamente — não quero seu dinheiro, Anjo.

– Anjo?

–Sim,gostodedarapelidosparaaspessoas–eledeudeombros.Assenti,confusaporummomento.

– O melhor de 3 — desafiei-o.

– De que tipo de prêmio estamos falando? — perguntou, os olhos azuis cintilando.

– 20 reais — repeti.

– Já disse que não quero seu dinheiro — ele revirou os olhos.

– E o que você quer? — perguntei, com um pouco de medo da resposta.

– Sua camiseta — olhei para minha camiseta escrito 'I love Ben Bruce'

– Minha camiseta? — balancei a cabeça confusa. Porque diabos??

– Quero você SEM ela — Andrew me estendeu o taco.

– Se eu ganhar, você me conta o que estava conversando com Matt — falei, me inclinando sobre a mesa e procurando uma jogada decente. Eu nunca havia jogado bilhar, mas não podia ser tão difícil assim.

– Você não vai ganhar — afirmou ele.

– Idiota presunçoso... — resmunguei experimentando minha primeira jogada que saiu TOTALMENTE ERRADA. Não encaçapei nenhuma bola. Andrew, que já estava com outro taco em mãos, não disse nada, apenas sorriu.

– Anjo — falou se aproximando — não é muito justo eu jogar contra alguém que não sabe nem encaçapar uma bola — ele veio por trás, se inclinando por cima de mim. Fiquei desconfortável com a proximidade de nossos corpos, Andrew colocou os braços em volta dos meus, moldando minhas mãos no taco de bilhar.

– Você visualiza as bolas e imagina para onde elas poderão ir — disse, os lábios encostando na minha orelha. Reprimi qualquer arrepio que estivesse prestes a vir, repeti para mim mesma que isso era um teste, não posso demonstrar que ele consegue me fazer ficar nervosa, não posso — e em seguida, escolhe a força e faz isso — Andrew fez a jogada e encaçapou 3 bolas.

Depois do meu tutorial de bilhar, consegui fazer algumas jogadas decentes. Meu adversário estava a uma jogada para encerrar e receber o troféu. Andrew passou por mim, me lançando um sorriso secreto, ajeitou o taco e com um 'crack' mandou as últimas 5 bolas para os devidos buracos. Jogo encerrado, Biersack wins! Ele apoiou uma mão na mesa, deslocando o peso do corpo para aquele lado, e arqueou as sobrancelhas para mim. O gesto dizia tudo: pague.

– Não vou ficar de sutiã no meio do parque — falei imaginando a cena.

– Devia ter pensado nisso antes — maldito! — mas, eu posso te dar uma revanche. É isso ou nada, o que acha? — um quase sorriso passou por seus lábios. Uma revanche? Bom, qualquer coisa é melhor do que ficar de sutiã no meio de um monte de caras. Isso aí Melanie, vai apostar num jogo que você nunca jogou e se foder legal.

– Eu aceito — estendi a mão para pegar meu taco de cima da mesa, mas Andrew me impediu, segurando meu braço de leve.

– Não, me encontre daqui a cinco minutos naquele prédio laranja que fica perto do Arcanjo — falou. Putz, o que esse pervertido tem em mente?

– Sixx, eu não sei se é uma boa idéia.

– Tá sentindo esse cheiro? — falou ele franzindo o nariz — cheiro de medo, E VEM DE VOCÊ — seu tom desafiador me deixou irritada.

– Prepare-se para perder Biersack — seja lá em que... Joguei o taco contra o peito dele e voltei para onde estava Sidney, Hanna e Arthur, muito concentrados no Soccer Ball.

– falou com o bonitão? — perguntou Sidney sem desgrudar os olhos da máquina.

– Sim, e resolvi tudo — mentiraaa, só me ferrei mais.

– VAI VAI VAI VAI VAI — gritavam Hanna e Arthur em coro.

– AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE — comemoravam os cinco reais que Sidney ganhou novamente.

– Gente eu vou buscar algodão doce — falei. Me senti um pouco mal em mentir para meus amigos, mas se eu disesse que ia me encontrar com Andrew, com certeza eu teria paparazzis pelas costas.

– Traz pra mim! — sibilou Sid.

Sai da casa de jogos e meu pulmão agradeceu quando entrou en contato com ar puro. Para não perder tempo, procurei logo o Arcanjo e em seguida o maldito prédio laranja. Não foi difícil de achar, pois estava quase na minha frente. Não tinha nenhuma placa, nem qualquer tipo de aviso. Entrei no lugar, dizendo para mim mesma que se esse safado tentasse qualquer coisa indecente eu iria dar uma bifa na cara dele e ir embora. Me espantei quando vi várias pessoas sentadas em mesas, de frente para um palco onde uma garotinha recebia aplausos ( e muitas vaias). Logo caiu a ficha, era uma casa de Karaokê.

Andrew subiu no palco e ajeitou o microfone.

– Mel, você veio — falou ele com um sorriso tímido. Logo outros dois caras já estavam em cima do palco, um gordo com uma regata vermelha atrás de uma bateria, e outro loiro e magricela, com uma guitarra — que tal uma revanche musical? — várias pessoas olharam para trás, em silêncio.

– Gente, eu não sei cantar — disse levantando as mãos. Eu não sei cantar e... NÃO VOU CANTAR. Andrew me olhou e arqueou a sobrancelha.

– Tá com medo? Medrosa! — falou debochado. Logo a 'platéia' começou a bater palmas e cantarolar 'medrosa! medrosa! medrosa!'. Mordi o lábio e marchei até o palco, tirando o outro microfone do suspensório.

– Quem é medrosa agora, Sixx? — lhe lancei um olhar desafiador. Ele sibilou para os caras começarem a tocar, as luzes se apagaram e o guitarrista tocou acordes que logo deram início a uma música que eu conhecia muito bem. Quem não conhece Velhas Virgens? BIERSACK FILHO DA PUTA.

[ Play Velhas Virgens — Abre essas Pernas]

Andrew foi até a frente do palco, me dando um sorriso secreto. Isso vai ser contrangedor, mas já que eu to aqui. Todos olhavam atentamente, espero que ninguém, grave e ponha no youtube.

– Abre essas pernas pra mim baby

Tô cansado de esperar

Você dá pra todo mundo. Só pra mim que você não qué dá

Esse papo de pele e de química não tem nada a vê.

Não é filme, nem novela. É só sexo, eu e você.

Já deixei você nua em pêlo, e na hora você deu pra trás

Então abre essas pernas pra mim, baby

PRA APRENDER COMO É QUE SE FAZ!

Vamo lá né Mel...

Você pode dizer o que quer

Nem por isso vou dar pra você.

Eu só transo com quem eu quero, e na hora que eu escolher

Animal é que trepa

Sem sentir e sem gostar.

Não sou bicho e nem planta, nem boneca pra você me usar

Argh...

Você vem com essa pica imensa, pensando que vai me comer

Eu não abro as pernas pra você, baby

Não adianta você querer!

– ABRE ESSAS PERNAS! — Ele começou a dar investidas na minha direção, e eu corri dele.

– Nãão!

– ABRE ESSAS PERNAS!

– Nãão!

– ABRE ESSAS PERNAS!

– Nãão!

– ABRE ESSAS PERNAS!

Todo mundo abriu, só você quer negar!

Abra essas pernas pra mim, baby

Abre e deixa eu entrar.

Abre essas pernas pra mim, baby

Que papo é esse de emoção?

Eu tô falando é de vai e vem, será que você é sapatão?

Eu nunca vi uma mulher

Que não gostasse de foder

Até hoje ninguém disse "Não"

– E A PRIMEIRA NÃO VAI SER VOCÊ! — ele piscou.

Eu tô te oferecendo, vinte centímetros de prazer.

Abra essas pernas pra mim baby

Vai ser bom, você vai ver!

– Me tire da cabeça!

Não adianta me cobiçar!

Sei que você come todo mundo, mas comigo não vai rolar.

Nem tua grana, nem teu carro, nada vai me convencer.

Não sou burra, nem tô a venda, nem pagando você vai me ter!

Pode ir pro banheiro, e tocar uma bronha se quiser.

Eu não abro as pernas pra você, baby.

Digo não e sou mulher!

ABRE ESSAS PERNAS!

Nãão!

ABRE ESSAS PERNAS! — Andrew me jogou contra a parede do palco e rasgou minha camiseta.

Nãão! — filho da putaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

ABRE ESSAS PERNAS!

Nãão!

ABRE ESSAS PERNAS!

Todo mundo abriu! Só você quer negar!

Abre essas pernas pra mim, baby.

NÃO!

Abre e deixa eu entrar.

Você diz que a minha grana não te compra — ele se virou para a platéia.

Você diz que só faz com emoção.

– Só com amor, benzinho! — idiota.

Vou provar que todo mundo tem um preço.

Eu vou provar — se virou para mim com um sorriso malicioso– COMEÇANDO O LEILÃO!

– 70? — começou a avançar na minha direção e jogar dinheiro pelo chão.

– não!!

– 90?

– não!!

– 150?

– nãaaaao!!

– 300?

– não!!

– 500?

– não!!

– 790?? — Andrew me agarrou pelo braço, me puxando contra si.

– nãao!! — gritei mais forte.

– 800?

– não!!

– 900?

– não!!

– uma milha... — seus lábios pararam a centímetros da minha garganta.

Lá vem a pior parte... Sixx você me paga!

Assim eu dou, não dá pra negar.

Assim eu dou, Não dá pra agüentar!

Só não pense que eu sou puta!

Eu tô gostando de você.

Vou abrir as minhas pernas, por amor, por prazer!

– PUTA? você? nem pensar! Puta, você? o que é que há?

Foi amor a primeira vista que eu vi! Foi "química, lance de pele vem aqui"!

– Benzinho, você sabe, Eu te — odeio– amo tanto

– Eu sabia desde o começo. Só faltava acertar quanto – Andrew piscou para a platéia e me deu um sorriso conspiratório, em seguida a música terminou juntamente com aplausos e assovios.

Desviei os olhos dele e encontrei minha amada camiseta rasgada na frente, meu sutiã de renda preta aparecendo, que amor. Desci do palco com as mãos cruzadas em frente ao peito e sai pela porta.

– Aonde vai? — perguntou Andrew me parando no meio do caminho.

– Pra casa, você rasgou minha camiseta — disse.

– Ué, era a aposta — ele deu de ombros.

– Você me arrastou até um karaokê pra rasgar minha camiseta?? — perguntei incrédula.

– Sim — falou Andrew num sorriso besta, como se fosse o feito mais normal do mundo. Bufei e virei as costas.

– Esperaaa — me puxou pelo braço — eu te levo!

– Nem pensar! Toda vez que eu entro num carro com você algo ruim acontece. Além do mais Sid tá me esperando pra gente ir embora — tirei o celular o bolso para mandar uma mensagem pro meu amigo.

– Pode tentar — falou desafiador. É claro que eu vou, imbecíl. Liguei pro Sidney, caixa postal. Hanna, caixa postal. Matt, caixa postal... Que desgraça!

– A carona ainda tá de pé...

– Cala essa boca! — sai marchando até o estacionamento e pude constatar que a Mercedes do Sidney não estava lá. Ai que maravilha, era tudo que eu sonhava pra essa noite. Acabar de sutiã num parque de diversões com o tarado do Biersack.

– Entra na droga do carro — por falar no Biersack... Estava recostado no Jeep Commander reluzente, me mandando entrar. Sem alternativas (era isso ou ir caminhando por ruas escuras e desertas) suspirei e entrei no carro. Na primeira vez foi desastroso, na segunda quase houve um apocalypse, e na terceira? O que me aguarda?

Notas finais
No próximo capítulo eu pretendo esquentar um pouco as coisas (finalmente), então sejam boazinhas :3