Smelling Of Cigarette.
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Antes de mais nada, quero dizer que esta fanfic é uma repostagem. Eu a deletei do site no começo do ano, pois na época pensava seriamente em sair do mundo das fanfics. No enanto, você pode sair das fanfics, mas as fanfics não saem de você, então... TCHARAM! Eu voltei.
Sendo assim, peço que não denunciem pensando que é plágio, okay? O próprio site tem Smelling Of Cigarette registrada nas minhas histórias excluídas.
No demais, só digo: aproveitem!
P.S.: Leve - ou nem tanto assim - LawLu.
Sentiu uma mão quente e áspera adentrando sua camisa, cheia de calos devido aos constantes treinos, percorrendo sua pele com uma suavidade inimaginável, que jamais seria atribuída a um bruto como aquele. A outra mão forte lhe mantinha cativo, pressionando suas costas, puxando-o de encontro a si, permitindo-lhe sentir a rigidez dos músculos do tórax forte e desnudo. O hálito quente, exalado em demoradas e calmas arfadas, tocava a pele sensível de seu pescoço, e mais uma vez, naqueles braços, sentiu-se arrepiar.
Primeiramente, veio o contato dos lábios, leve como uma brisa, morno como os raios de sol da primavera; depois, os dentes, mordiscando sutilmente, pinicando sua pele como o vento gélido do inverno.
Suas mãos, que repousavam nos ombros fortes, acariciaram os músculos tensos, subindo em direção ao pescoço em um toque contínuo, permitindo que seus dedos brincassem com as madeixas tão selvagens quanto seu dono.
Expirou próximo à orelha que carregava o trio de brincos dourados, vendo a pele bronzeada arrepiar-se ante àquele gesto tão íntimo:
– Marimo... Quanto mais terei que estar entregue para que me beije como quero? – sua voz soou doce até mesmo para si, quase como se não fosse sua, o tom lânguido refletindo-se no estado de seu próprio corpo, suas pernas bambas, suas mãos trêmulas. O calor de Zoro o estonteava.
– Te quero entregue ao ponto de que não seja de mais ninguém... Te quero entregue ao ponto de fazê-lo deixar de ser até mesmo seu para que se torne apenas meu. – a voz rouca, grave, retumbante, que fazia seu coração disparar, soou ao pé de seu ouvido, junto a uma breve mordida no lóbulo de sua orelha. Queria olhar dentro daqueles olhos calorosos...
– Há muito já não sou mais meu. Há muito entreguei-me a meus desejos. E neles, há apenas você. – ouviu-se dizer, entregue, mal acreditando que aquelas palavras haviam saído de seus lábios. Zoro o fazia perder toda a noção de si mesmo.
– Então me prove. – Zoro incitou-o, afastando o rosto da dobra de seu pescoço e encarando os olhos azul-escuros, como um mar tempestuoso. Ah, aqueles olhos... Desde quando aqueles olhos haviam se tornado a perdição de Sanji? Aqueles orbes castanho-escuros, calorosos... E aquelas feições másculas tão familiares... Sanji o queria todo para si, e faria qualquer coisa para provar sua determinação.
Qualquer coisa... Qualquer coisa...
– Qualquer coisa... Qualquer coisa por você... – murmurou, apertando-o ainda mais em seus braços, sentindo sua maciez e... Maciez? Desde quando Zoro era macio?
– Oe, oe... Ero-cook... Se está acordado o bastante para falar sozinho, está acordado o bastante para cozinhar! – a voz que povoava seus sonhos fez-se ouvir na rede abaixo de si, fazendo cada músculo do seu corpo retesar-se ao abrir os olhos e constatar que tivera mais um daqueles sonhos.
Percebeu, então, que agarrara-se à seu próprio travesseiro, uma frustração sem tamanho invadindo-o e espalhando-se por todo seu corpo enquanto enchia seus pulmões com o ar fresco e salino, dando-se conta de que o “quarto dos rapazes”, no Sunny, ainda estava a mais completa penumbra, indicando que o sol não daria o ar de sua graça tão cedo, e os roncos vindos de seus companheiros de quarto confirmavam que apenas Zoro e ele estavam acordados àquela hora, à exceção de quem fazia o último turno de vigilância, n’O Ninho do Corvo.
Apenas Zoro e ele... Apenas os dois...
Sacudiu a cabeça, os fios loiros bagunçando ainda mais ao esfregar-se contra rede confortável e espaçosa na qual dormia. Tinha que espantar aqueles pensamentos, aqueles vestígios de seus sonhos vergonhosos para longe de sua retina, aquelas sensações que espalhavam-se por todo seu corpo ao lembrar-se do toque áspero em sua pele, do hálito quente... Não! Além do mais, seus sonhos eram tão fantasiosos... Onde Zoro e ele conseguiriam falar daquela forma um com o outro? Quanta bichisse...
– Oe... Está me ouvindo? – a voz de Zoro soou mais uma vez, apenas um murmúrio audível, e Sanji saltou em sua rede ao sentir a extremidade de uma das espadas daquele Marimo de merda cutucando a região de suas costelas mais de uma vez, gerando um riso anasalado e baixo por parte de Zoro, e Sanji forçou-se a não sorrir enquanto pendurava sua cabeça para baixo, encarando a direção onde provavelmente estaria o rosto de Zoro.
– Cabeça de algas, me deixe em paz antes que eu desça e chute esse seu traseiro de merda para fora d’O Novo Mundo! – ralhou, sussurrando, reprimindo o desejo de rir-se. O que estava havendo consigo? Desde quando não irritava-se mais com as provocações idiotas de Zoro? Ah, sim... Desde aquilo.
Retornou à posição na qual estava antes de ser incomodado, ajeitando o travesseiro sob sua cabeça e começando a abotoar sua camisa, à qual deixara com vários botões abertos devido ao calor da ilha de verão inabitada na qual o Sunny havia baixado âncora. Tocou a pele de seu próprio pescoço e sentiu-se arrepiar ao pensar que Zoro estivera beijando aquela região, nem que fosse ao menos em seus sonhos.
– Gostaria de ver você tentar. – Zoro provocou, sua voz sendo levemente abafada pelos roncos monstruosos de Luffy, em uma das redes ao lado. – Estou com fome.
– Então levante-se e faça algo para comer, idiota. – Sanji retrucou, sentindo-se nervoso consigo mesmo por todo aquele alvoroço de sensações e sentimentos que o invadia repentinamente. Sabia que estava no fim da fase de negação, já que havia momentos em que negava, para si mesmo, sentir alguma coisa, e em outros ansiava pelas sensações, e justamente isso o amedrontava. O que viria depois da fase de negação? Não, não queria descobrir. Tudo por causa daquele incidente... – Está cedo demais até mesmo para começar a preparar o café da manhã, então ou você se levanta e faz alguma coisa pra comer, ou cala essa boca de merda e me deixa em paz.
– Não, acho que não... – Zoro teimou, mantendo o tom de voz. Repentinamente, Sanji estava ciente de que Zoro estava cerca de um metro abaixo de si, deitado, despojado, provavelmente sem camisa, com aquele sorriso estonteante no rosto, aquele calor abrasador de sempre sendo exalado em ondas tentadoras... E, estando ciente disso, sentia-se parte do mundo, por algum motivo. Podia ouvir as ondas quebrando na praia e no casco do Sunny, o leve movimento da embarcação, o canto distante de gaivotas que já começavam a despertar, o cheiro da água do oceano preenchendo seus pulmões, e até mesmo os raios de sol, ainda latentes. Seus batimentos cardíacos estavam altos, reboando em seus ouvidos, mas aquilo não o incomodava... Na verdade, o acalmava. Aquilo era o mais próximo que chegara de estar apaixonado, provavelmente, mesmo que não tivesse consciência alguma disso. E então, sentiu o cabo ousado da espada de Zoro percorrer sua espinha lentamente, fazendo-o encolher-se contra sua própria vontade, seu coração falhando uma batida. – Acho que vou ficar aqui te atormentando um pouco mais.
– Vai se foder, Marimo de merda! – Sanji rosnou um pouco mais alto, arrependendo-se de imediato. Mas a culpa não era sua! Como poderia controlar-se (tarefa que já estava sendo difícil o bastante sem Zoro dificultando as coisas) quando aquele idiota não lhe deixava em paz? – Quer que eu me levante? Ok, me levanto! Mas, só mais uma coisa: vai se foder mais uma vez!
E, com essa deixa raivosa, Sanji saltou de sua rede, caindo leve como uma pluma no chão de madeira do navio, mas para sua surpresa, sua graciosidade foi completamente arruinada quando sentiu a bainha de uma espada intrusa bater com força da parte traseira de seus joelhos, retirando todo seu equilíbrio e o loiro sentiu-se cair para trás. Desde quando perdia o equilíbrio com tamanha facilidade?
Sentiu tantas coisas simultaneamente quando, primeiramente suas nádegas, depois suas mãos entraram em contato com a pele quente e rígida do tórax nu de Zoro: arrepios percorreram sua espinha no mesmo exato momento em que seu coração falhava uma batida, para então disparar loucamente, colorindo sua face em diferentes escalas de tons avermelhados. Puxou rapidamente suas mãos para junto do corpo, como se a pele de Zoro queimasse em contato com a sua e arfou, surpreso e aturdido tanto com as próprias reações, sensações e sentimentos quanto com o ato de Zoro de tentar derrubá-lo.
– Calma, Ero-cook... Sou eu, não precisa parecer um gatinho assustado. – Zoro riu-se, e Sanji teve certeza de que apesar de não poder vê-lo, Zoro podia ouvir sua respiração rasa e arfante, bem como seu coração estupidamente acelerado, e podia, acima de tudo, sentir o calor que seu próprio corpo exalava, os dedos dos pés retorcendo-se em contato com a madeira fria e lisa do chão do Sunny.
– I-idiota! N-não estou assustado, Marimo retardado! – Sanji negou, sem forças para levantar-se, odiando-se quando sua voz tremeu e gaguejou, e amaldiçoou-se quando sua voz quebrou, impedindo-o de proferir um maior número de xingamentos e impropérios contra Zoro. Parecia que, quando estava próximo ao limite, Zoro forçava-o para além dele, ao ponto de fazer com que Sanji sentisse um desejo quase incontrolável de colocar em prática tudo sobre o que já havia sonhado envolvendo os dois. E, ainda pior, parecia que Zoro tinha plena consciência disso.
– Você não parece bem, Cook... – Zoro murmurou na escuridão, a voz num tom entre malicioso e preocupado. E então Sanji sentiu aquela mão grande, pesada e quente pousando em uma de suas coxas, apertando-a quase imperceptivelmente. Aquele era o limite de Sanji.
Em um pulo, levantou-se, pegando seus cigarros e sua caixa de fósforos, revirando suas próprias roupas em busca de peças limpas, e então correu escadas acima, abrindo a porta do quarto no topo destas, que levava diretamente ao convés e fechando-a ao passar, atravessando o gramado muito verde, mal respondendo ao cumprimento preguiçoso de Franky, que fazia a última ronda, e entrou no banheiro batendo a porta às suas costas, trancando-a.
Recostou-se na madeira fria, encarando o banheiro ainda mal iluminado, com apenas um lampião a gás aceso, a respiração arfante normalizando-se aos poucos, enquanto deixava-se deslizar pela porta, até encontrar o chão. Puxou suas pernas conta o peito, abraçando-as e escondendo seu rosto quente e corado entre seus joelhos. O calor de Zoro ainda se fazia presente, queimando suas mãos, colocando sua pele em chamas... O que estava havendo consigo?
Travou o maxilar, rangendo os dentes dolorosamente e apertou as mãos em punhos. A situação não poderia continuar daquela forma por muito mais tempo... Estava se tornando insustentável, e seu limite há muito ficara para trás. Por que Zoro fazia aquilo consigo? Saberia de seus sentimentos? E aquele toque casual? O que diabos fora aquilo?
Inspirou e expirou profundamente, não resistindo à tentação de acender seu primeiro cigarro do dia e fumar ali mesmo, encarando a fumaça que subia enquanto a nicotina lhe acalmava os nervos, a mente presa em um incidente perdido há meses no passado.
xxx
Um outro relâmpago cruzou o céu, inundando a cena com uma iluminação esbranquiçada e assustadora, gravando seu esplendor na retina dos piratas da Tripulação do Chapéu de Palha. Um rugido estrondou nas nuvens, próximo demais, fazendo tremer a madeira da enorme embarcação, que era jogada impiedosamente para cá e para lá pelas ondas. E mais um relâmpago. E outro trovão.
Nami estava entrando em desespero, gritando para fazer-se ouvir acima dos barulhos ensurdecedores da chuva, do vento, dos trovões e do oceano. A navegadora, já bastante experiente, usava uma capa de chuva, mantendo os olhos abertos com certa dificuldade, recusando-se a perder de vista os usuários de Akuma no Mi – especialmente Luffy.
Franky cuidava de tudo, ajudado por Usopp, Zoro e Sanji, obedecendo à risca todas as ordens e recomendações de Nami. À medida do possível, Robin, Brook e Chopper davam algo de si para ajudar também, mas não havia muito que pudessem fazer, visto que estavam bastante preocupados em não serem jogados para fora da embarcação. Uma vez no oceano, naquela tempestade, seria o fim. Nami os proibira de sair de perto de si, e em situações como aquela, na qual a sobrevivência de todos dependia do desempenho da embarcação e dos conhecimentos de Nami, a palavra da navegadora só ficava abaixo das ordens do capitão.
Zoro, com sua força descomunal, puxava as cordas que prendiam as velas recolhidas, atando nós que apenas ele saberia desfazer depois:
– Oe, Cook! Pegue aquela corda para mim! – gritou, acima do rugido feroz dos céus, e quando aqueles olhos azuis voltaram-se para si, soube que o cozinheiro o havia ouvido, mesmo que estivesse do outro lado do convés.
Quando Sanji levava a última corda para Zoro, uma onda gigantesca, jamais vista, ergueu-se nas águas escuras e tempestivas, e nem mesmo Nami pôde prever seu surgimento. Chocou-se contra o casco fortalecido do Sunny, jogando bruscamente a embarcação para a direita.
Tudo foi tão rápido que ninguém viu ao certo o que acontecera. Sanji poderia ter soltado a corda, ou esta poderia ter-se partido. Nem mesmo ele próprio soube dizer, depois, o que o levara àquilo, mas repentinamente estava em queda livre na direção das águas turbulentas, uma dor lancinante na lateral de sua cabeça fazendo-o crer que algo chocara-se com ela em algum momento, e o líquido quente e pegajoso que escorria por sua face jamais poderia ser confundido com a água da chuva.
Uma voz grave acompanhou sua queda, e ele poderia jurar que estava gritando seu nome.Quem seria o idiota?
Se não estivesse se sentindo tão leve, tão longe da realidade, tão zonzo, poderia facilmente sair das águas, retornando, são e salvo, para o convés, ajudando a tripulação a passar por aquela tempestade. Mas, em seu íntimo, havia aquela certeza de que tudo havia acabado... Depois de tantas batalhas, de tantas dificuldades, de tantas situações mais do que apenas difíceis... Morreria ali, em meio à uma tempestade, de forma tão patética, sem nem ao menos ter realizado seu sonho.
Sem nunca ter vencido Zoro.
Sentiu o frio envolve-lo quando chocou-se com a água gélida, sendo imediatamente jogado contra o casco do Sunny pela correnteza, uma dor agonizante explodindo mais uma vez em sua cabeça.
Sim, era o fim.
Então, sem que esperasse, um braço forte e protetor envolveu-o pela cintura, puxando-o com força na direção de um corpo frio, com hálito quente e, apesar de tudo, podia sentir um perfume almiscarado, que nunca antes notara.
Zoro pulara no mar revolto por ele.
Por quê?
– Oe, oe! – ouviu aquela voz retumbante gritar em seu ouvido, forçando-o a manter os olhos abertos. Mas estava com tanto sono, e suas pálpebras pesavam tanto... – Oe! Sanji! – a menção de seu nome por aquela voz grave, que gritava acima do rugir das ondas, da chuva, do vento e dos trovões o trouxe de volta à realidade, fazendo-o focalizar o rosto másculo tão próximo ao seu, o cenho franzido e o olhar preocupado sendo destacados pela luz esbranquiçada de mais um relâmpago. – Mantenha-se acordado!
Como se houvesse recebido uma descarga de adrenalina diretamente no coração, Sanji sentiu-se desperto, pronto para retornar ao convés pelo uso da própria força, mas percebeu um pouco tardiamente que não seria necessário. Zoro pulara com uma corda segura na mão direita, a qual atara em algum ponto no navio, e com apenas uma mão forçava a subida de ambos. Talvez aqueles músculos monstruosos fossem realmente úteis, afinal.
No momento em que Zoro conseguira jogar-se convés adentro, carregando Sanji em um braço, a tempestade passou, sendo deixada para trás enquanto o Sunny conseguia navegar em águas tranquilas, raios solares mornos e uma brisa fresca atingindo-os como se pertencessem à outra realidade, mas aquela era a realidade da Grand Line, d'O Novo Mundo.
Zonzo novamente, Sanji podia ouvir a voz de Zoro, arfante, gritando ao seu lado, enquanto sentava-se rapidamente, analisando-o:
– Oe, Chopper! Chopper! Cook precisa de cuidados!
Sentiu que um leve sorriso espalhava-se por seus lábios enquanto, no fundo de sua mente, detectava os gritos de todos da tripulação, a histeria de Chopper e seu ataque de “Sanji está ferido! Um médico! Precisamos de um médico! Ah... Eu sou o médico!”. Mas o sorriso não era pela preocupação de seus companheiros. Era, na verdade, pelo olhar preocupado que Zoro lhe lançava, recusando-se a afastar-se mesmo quando Chopper pedira espaço.
Queria ouvi-lo dizer seu nome mais uma vez...
Antes de entregar-se aos delírios da inconsciência, estava ciente de uma mão grande e fria segurando a sua com força, e foi então que percebeu que Zoro se arriscara, de fato, por si, mesmo que, na verdade, estando são, sair daquele mar tempestuoso não fosse grande coisa para Sanji, algo que tinha certeza que Zoro sabia.
Deu-se conta, por fim, de quão bonito Zoro parecia aos seus olhos naquele momento.
Quando acordou e abriu os olhos, fechou-os imediatamente, sentindo a ardência espalhar-se por seus orbes devido à intensa luz que entrava por uma das janelas da enfermaria do Sunny, uma dor aguda em sua cabeça fazendo todas as lembranças da noite tempestuosa retornarem como se surgissem dos mortos.
Os sentimentos...
Zoro...
Os sentimentos por Zoro...
Vergonha!
Escondeu-se sob o leve e quente edredom branco que o cobria, inspirando profundamente, buscando calma. Claro que tudo aquilo não fora genuíno... Eram apenas sentimentos e sensações causados pela confusão da pancada na cabeça e pela surpresa de ver-se jogado no oceano.
Mais calmo, retirou sua cabeça enfaixada do edredom e arriscou abrir os olhos novamente, piscando vezes seguidas até que seus olhos se adaptassem à luz do ambiente. E foi então que voltou sua atenção para o lado de sua cama, onde havia uma poltrona bastante confortável, e surpreendeu-se por encontrar justo aquela pessoa ali, com os braços cruzados e o corpo largado, a cabeça recostada na poltrona, as lábios finos entreabertos, os cabelos verdes mais bagunçados que o normal, olheiras profundas sob seus olhos. Por que, de todas as pessoas, justo Zoro estava ali?
Sanji sentia que precisava sair dali, fugir com urgência, então jogou as pernas para fora da cama e levantou-se, porém a tentativa foi falha. Quando seus pés tocaram o chão e suas pernas se firmaram, guinou o corpo para frente e apenas então percebeu que não tinha controle algum sobre os movimentos bambos de suas pernas, caindo com um baque surdo sobre o colo de Zoro, despertando-o bruscamente, assustando-o.
Por um momento, Zoro estava confuso e Sanji, envergonhado demais, então nenhum dos dois disse qualquer coisa. Porém, assim que Zoro se pronunciou, Sanji sentiu falta do silêncio. Claro que o comentário o irritara, mas as correntes elétricas que percorreram seu corpo ao som da voz do Marimo o deixaram furioso:
– Oe, Ero-cook... Se gosta tanto de mim ao ponto de querer sentar-se no meu colo é só dizer, não precisa atirar-se dessa forma. – Zoro falou com voz rouca e sonolenta, um riso baixo saindo de seus lábios.
– On-onde estão os outros? – Sanji perguntou, abraçando a si mesmo, sem forças para sair do lugar onde caíra, as pernas fortes e rígidas de Zoro não demonstrando incômodo ante sua presença. Tudo o que não queria naquele momento era começar uma briga com Zoro, que lhe salvara, portanto ignorou o comentário cretino, mas não sabia por que sentia-se tão quente repentinamente e seu coração batia tão forte e descompassado.
– Não faço ideia. Faz algum tempo que estou dormindo, mas antes de pegar no sono, me lembro do Chopper dizendo que sairiam para explorar a ilha de primavera na qual baixamos âncora. – Zoro deu de ombros com pouco caso, a expressão não indicando estranheza ou desagrado pelo fato de Sanji não levantar-se de seu colo.
– Quanto tempo eu dormi? – Sanji perguntou, preocupado repentinamente. Haviam acabado de entrar n’O Novo Mundo e justo ele, que treinara tão duro, sofrera aquele acidente ridículo!
– Apenas algumas horas. Chopper examinou sua cabeça e disse que não há nada grave contigo, nem há nenhuma sequela, já que não foi um acidente muito grave, mas eu acho que isso se deve ao fato de que ficar mais sequelado do que você já é seria meio impossível. – Zoro provocou novamente, um riso torto nos lábios, e Sanji não aguentou-se mais, mostrando-lhe um dedo médio e gritando em seguida.
– Enfie suas espadas goela abaixo, Marimo de merda! Se me acha tão sequelado, por que não me deixou morrer?
Nem percebeu que arfava, raivoso, as mãos apoiadas nos ombros de Zoro, a face corada. Queria que Zoro lhe dissesse que o odiava, e que salvá-lo fora nada mais que um reflexo. Aquilo tornaria a situação muito mais fácil de lidar.
Mas surpreendeu-se.
Zoro aproximou seu rosto um pouco mais de Sanji, nunca quebrando o contato visual, nunca parecendo desconfortável, e Sanji sentiu arrepios percorrerem seu corpo. Talvez estivesse febril, pois repentinamente, a fina camisa social que usava parecia em chamas e arrepios constantes lhe assaltavam.
– Você está sempre cheirando a cigarro. – a voz rouca e grave disse ao pé de seu ouvido, fazendo-o arrepiar-se ao tocá-lo levemente, quase imperceptivelmente, na cintura coberta pela fina camisa social branca, suas faces adquirindo um tom escarlate imediatamente. – Eu gosto disso.
Sanji engoliu em seco, sentindo-se quente, sem reação, o hálito quente de Zoro chocando-se contra seu pescoço, o rosto do Marimo detestável apoiado levemente em seu ombro, suas próprias mãos apertando os ombros largos e fortes com firmeza. Sentiu vontade de beijar os lábios de Zoro, que cheiravam levemente a hortelã e saquê. Queria sentir seu gosto, seu calor, sua maciez. E aquilo o assustava.
De um pulo, levantou-se do colo de Zoro e saiu da enfermaria, batendo a porta ao passar, percebendo então que, apesar de bambas, suas pernas estavam recobrando sua força original.
Caminhou, apressado, na direção do convés, apoiando-se na amurada forte do Sunny, inspirando profundamente, apalpando seus bolsos em busca de seus cigarros e fósforos, surpreendendo-se por encontra-los. Alguém havia trocado suas roupas e, provavelmente, este mesmo alguém colocara seus cigarros e fósforos em um de seus bolsos. Alguém que o conhecia bem, mas naquele momento Sanji não queria pensar em quem poderia ser.
Acendeu um cigarro e tragou com vontade, fechando os olhos ao sentir a brisa fresca e perfumada que lhe acariciava a pele. Levou uma de suas mãos à cabeça enfaixada e fechou os olhos. Por que tudo aquilo acontecera justamente consigo? Como o restante da Tripulação poderia confiar nele depois daquilo?
– Ah, Sanji, você está acordado! – os gritos animados de Luffy retiraram-no de seus pensamentos preocupados, atraindo sua atenção em direção à praia, de onde o capitão acenava, alegre. – Espera aí que eu já chego!
Sanji estreitou os olhos para Luffy, relutante com o que aquele maluco poderia fazer, mas não teve muito tempo para pensar, já que Luffy atirara-se em direção ao convés segundos depois, aterrissando estrondosamente ao seu lado, rolando pelo gramado do Sunny.
– Oe, você está bem? – Sanji perguntou, franzindo o cenho para a figura do capitão que levantava-se, resmungando algo sobre precisar ser mais cuidadoso. Luffy mais cuidadoso? Em que mundo?
– Eu deveria lhe fazer a mesma pergunta, mas não vou. – Luffy aproximou-se, sorrindo largamente, e apoiou-se na amurada do Sunny, fazendo companhia para Sanji. – Afinal, você é forte, então não preciso me preocupar.
Um arroubo de gratidão por seu capitão explodiu no peito de Sanji com aquelas palavras e então sorriu, afastando o chapéu de palha da cabeça de Luffy e bagunçando seus cabelos negros, fazendo-o rir.
– Obrigado, capitão. – Sanji agradeceu, voltando sua atenção para a ilha de primavera, admirando as árvores frondosas e floridas que erguiam-se imponentes, projetando suas sombras sobre o oceano, os arbustos e árvores médias formando um conjunto agradável aos olhos e ao olfato. O vento carregava uma mescla perfeita de diversos perfumes diferentes que completavam-se.
– Nós encontramos uma vila. – Luffy informou, sentando-se sobre a amurada do navio e balançando os pés, os olhos atentos em direção à água azul do oceano que cercava o Sunny. – Eu falei com um vovô muito legal. Ele me contou algumas coisas interessantes.
– É mesmo? O quê? – Sanji perguntou com algum interesse após tragar profundamente uma grande quantidade da fumaça de tabaco do seu cigarro e exalar lentamente. Provavelmente, seria algo sobre carne ou alguém superforte que o velhinho conhecia, mas Sanji queria ouvir mesmo assim.
– Ele me disse que o mar de tempestades por onde passamos – Luffy apontou para sua direita e Sanji olhou, identificando longe uma tempestade que se formava. – é um mar misterioso. As tempestades começam tão depressa que ninguém pode prever, e sair delas é quase impossível. Curiosamente, elas nunca chegam aqui.
– Hah... Então quer dizer que tivemos sorte por sairmos dela ou que Nami-san é muito habilidosa. – Sanji suspirou. – Aposto na segunda opção.
– Eu disse a mesma coisa para o vovô. – Luffy suspirou, trazendo o chapéu de palha para sua cabeça novamente. Aquela expressão séria estava assustando Sanji. – Mas ele riu. Disse que não importava quão habilidosa fosse nossa navegadora ou quão sortudos todos nós fôssemos... Ninguém atravessa aquele mar só com isso. E foi aí que a história ficou interessante. – os olhos escuros de Luffy encontraram-se com os azuis de Sanji. O capitão colocou o indicador em riste e então apontou para o cozinheiro surpreso. – Ele disse que conseguimos sobreviver por sua causa.
– Por minha causa? – Sanji virou-se para Luffy, a mão com o cigarro entre os dedos indicador e médio parada a meio caminho da boca, o cenho franzido. O que Luffy queria dizer com aquilo?
– Hm. É. E por causa do Zoro também. – Luffy voltou seus olhos para a ilha, os pensamentos meio perdidos.
– Do Marimo também? – Sanji sentiu seu coração apertar-se no peito com a menção do nome de Zoro, mas colocá-los na mesma situação peculiar daquela forma era estranho até mesmo para que Luffy o fizesse e aquilo assustava Sanji. Luffy confirmou com um aceno de cabeça. – Não estou entendendo, Luffy.
– Eu contei sobre o acidente para o vovô antes que ele dissesse isso, é claro. E eu também não entendi quando o vovô disse isso. Eu até ri. Pensei que fosse piada. Mas... – Luffy suspirou e pousou as mãos na amurada do navio, apertando a madeira com força. – Não era. O vovô me contou a história por detrás dessas tempestades. – Luffy encarou uma nuvem solitária que destacava-se no céu muito azul logo acima do Sunny. – Há muitos e muitos anos havia uma moça muito linda que era apaixonada por um rapaz inteligente e talentoso. Ele era um artista e ela o amava com todas as forças em si e faria qualquer coisa para ter seu amor correspondido por aquele a quem tanto adorava.
"Porém, após confessar seu amor, a moça descobriu que o coração do rapaz já pertencia a alguém. Apesar de desolada, conformou-se. Se o rapaz queria outra moça, ela podia entender.
"Mas então ela descobriu que ele amava outro rapaz. Porém, este outro não era um rapaz qualquer. Era seu irmão. Você pode imaginar quão partido estava o coração da moça? Como ela poderia aceitar algo assim? Era absurdo, impuro, insano! Não, ela não permitiria!
"Havia um cruzeiro marcado para ambas as famílias, que eram amigas, e a jovem embarcou com o coração carregado de ódio. Ela não perderia seu amado para seu irmão!
"No segundo dia em que velejavam por mar aberto, foram pegos por uma tempestade muito violenta, e a moça viu nisto a oportunidade de livrar-se de seu próprio irmão. Ela colocaria um fim naquele amor sem fundamento algum.
"Na confusão que o convés encontrava-se enquanto os céus e mares rugiam, a moça esgueirou-se de seus aposentos e viu seu irmão ajudando a tripulação a controlar a embarcação. Naquele momento, vendo ali seu irmão que ela tanto amava lutando pela segurança de todos, o ódio em seu coração se desfez.
"Viu quando seu amado aproximou-se com dificuldade de seu irmão e sorriu como nunca antes o fizera para si, e o sorriso que seu irmão abriu ao ver aquele a quem ambos amavam aproximar-se parecia cheio de luz. Eles, de fato, amavam-se. E aquilo trouxe todo o ódio de volta ao seu coração.
"Seu amado afastou-se a fim de ajudar em outro lugar e na distração de seu irmão devido à aparição de seu amor secreto, a moça viu uma oportunidade.
"Desamarrou um barril cheio de algum líquido e deitou-o com grande dificuldade. Então, empurrou-o e permitiu que ganhasse velocidade devido à inclinação da embarcação que era favorável aos seus planos.
"Tudo o que seu irmão pôde sentir foi a dor causada pelo barril ao acertar-lhe as pernas. Com a dor e o desequilíbrio, bateu a cabeça na amurada do navio e seu corpo caiu no mar revolto.
"O rapaz a quem a moça amava viu aquilo e, sem nem ao menos parar um segundo para pensar, atou uma corda no mastro e pulou atrás do homem que fora atirado ao mar pela crueldade de sua própria irmã.
"Vendo aquilo, a moça envergonhou-se de seus sentimentos e amaldiçoou-se. Correu para seus aposentos e, chorando tanto que mal podia ver, escreveu uma carta destinada ao seu irmão.
"Correndo de volta para a tempestade, lançou-se ao mar sem medo, porém com lágrimas nos olhos, incapaz de perdoar-se.
"Ambos os rapazes conseguiram retornar para a embarcação em segurança e o irmão da moça suicida foi aquele que encontrou a carta no outro dia enquanto ajudava na procura por ela após já ter recebido cuidados devidos."
Luffy colocou a mão direita em um dos bolsos de sua bermuda e retirou um papel amarelado e bem dobrado, oferecendo-o a Sanji sem encará-lo.
Percebendo que Luffy esperava que ele lesse, Sanji desdobrou a folha envelhecida e engoliu em seco assim que começou a ler. Antes que percebesse, o fazia em voz alta:
– "Querido Iasson,
Eu o amo. Me perdoe.
Diga ao Riki que também o amo e o amarei por toda a eternidade.
Sei que ambos conseguirão retornar em segurança, pois darei minha vida para que isto aconteça. Se existe alguma bondade no universo, ele aceitará minha alma em troca da vida de vocês dois.
Tudo o que fiz foi por amar Riki em excesso, por não aceitar que ele poderia amar alguém que se parecesse tanto comigo sem que, no entanto, essa pessoa fosse eu. Eu não podia permitir, em meu egoísmo, que essa pessoa fosse você.
Mas agora vejo que no mundo não há nada mais puro que o amor de vocês e por isso dou tudo o que tenho em prol da vossa felicidade.
Sejam felizes como eu nunca serei.
De hoje em diante manterei meu espírito nestas águas, guardando os casais que se amam e unindo aqueles que desconhecem seus próprios sentimentos. De uma forma ou de outra, obterei sucesso nesta empreitada.
Eu os amo.
Com toda a esperança que tenho no amor,
Sua irmã,
Mimea."
Sem conseguir acreditar que houvesse, de fato, uma história que se assemelhava tanto ao que acabara de lhe acontecer, Sanji dobrou novamente a folha amarelada e entregou-a a Luffy, que a guardou.
– Ela continua naquelas águas. – Luffy decretou após alguns segundos de silêncio. – Suas últimas intenções era boas, mas havia algo de negro em sua alma, portanto, seu desejo de unir casais é distorcido. Seu espírito carrega uma grande confusão de sentimentos, então ela perde-se em meios às suas intenções e acaba fazendo repetir sua história.
– Isso é inacreditável. – Sanji balançou a cabeça ao apoiar-se na amurada mais uma vez e tragou profundamente seu cigarro vezes seguidas.
– Quase. – Luffy sorriu de canto. – Porém, o vovô é, literalmente, a prova viva de que, apesar de perigosa, a maneira como ela une casais é totalmente eficaz. – os olhos escuros encontraram-se mais uma vez com os azuis. – Você é esperto o bastante para saber o que isso significa, não é?
Sanji estava sem palavras.
Seria tudo aquilo uma brincadeira?
Não, Luffy não era esperto o bastante para inventar aquela história toda.
Mas poderia ter outras pessoas da Tripulação envolvidas naquilo e naquele momento todos estariam rindo da sua cara, por que agora ele era a piada do bando?
Mas e a carta? Quem a forjara?
– Bem, você acredita se quiser. – Luffy espreguiçou-se, bocejando. — E prometo não comentar nada com ninguém e pedi para que o vovô Iasson também não o fizesse. – deu de ombros. Sanji encarou-o, tentando descobrir qual seria a real intenção por detrás daquelas ações de seu capitão, mas ele era inocente e burro demais para mentir ou enganar. Ele havia, então, encontrado o tal Iasson mencionado na carta? – Mas... Sabe... Mesmo que isso não seja da minha conta, você deveria fazer alguma coisa.
E sem dizer mais nada, Luffy atirou-se de volta para a praia, caindo e rolando sobre a areia e deixando para trás um Sanji aturdido.
Tudo estava muito implícito naquela conversa. Dava até para duvidar que Luffy soubesse sobre o que estava falando.
– Ah! Eu comi areia! – Luffy começou a cuspir enquanto batia a areia da praia de suas roupas e Sanji riu. – Vou devolver a carta para o vovô. Ele disse que faria carne para mim e para o vovô Riki, que mora com ele! Não é demais?
– É sim. – Sanji respondeu, rindo.
Deus... Como tudo ficara complicado daquela forma? O que Zoro significava para si agora? Seria tudo aquilo verdade? Estaria fadado a ficar para sempre com o Marimo? Aliás, quais seriam os sentimentos de Zoro? Haveria, de fato, algum sentimento? Havia em si algum para com o espadachim? E a pergunta que não queria calar: como Luffy conseguira decorar toda aquela história para contar-lhe?
Ah, estava confuso...
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O tempo passara desde aquele incidente, mas Sanji ainda não tinha resposta para aquelas perguntas.
Tragou profundamente seu cigarro enquanto levantava-se e acendia os lampiões a gás do banheiro, deixando-o mais iluminado.
Não queria pensar sobre as palavras de Zoro nem de Luffy. Eram dois idiotas. Ponto. Não havia nada a ser feito. Ponto. Nenhuma decisão a ser tomada. Ponto. Não haviam sentimentos. Ponto final.
Porém a voz de Zoro não saia de sua mente e a imagem do rosto do espadachim pairava em torno de seus pensamentos. Não queria pensar sobre aquilo, mas não havia escolha alguma, perdera o controle de si há muito tempo.
Como dissera em seu sonho, em seus desejos havia apenas Zoro e nada mais e aquilo o deixava muito irado! Como diabos aquilo fora acontecer?
Sanji era um amante de mulheres. Adorava seus diferentes cheiros e diferentes vozes, a maciez da pele e a sutileza dos olhares, a fragilidade e a forma como elas sorriam. Amava as curvas de seus corpos, a forma como colocavam uma mecha de cabelos atrás das orelhas ao ficarem nervosas ou constrangidas e como seus corpos moviam-se enquanto caminhavam.
Então, por que sentia-se daquela forma com Zoro? Aquele Marimo imbecil não se enquadrava de forma alguma na descrição de uma mulher que fazia o tipo de Sanji.
Fazia muito tempo que não se relacionava com mulher alguma, isto era bem verdade, mas Sanji não era hipócrita o bastante para assumir que tal fator fosse a causa para as sensações que tomavam conta de seu corpo quando Zoro estava próximo. Era algo muito mais profundo, era além do físico.
Tinha sentimentos por Zoro. Não podia mais negar. Por mais que desejasse, não podia. Não era do tipo que mentia para si mesmo e recentemente o fizera muito... Ah, aquilo lhe deixava mal.
Apagou seu cigarro, jogou-o na lixeira do banheiro, abriu o registro do chuveiro e começou a despir-se. Não tomaria um banho quente, queria esfriar seus pensamentos, seus sentimentos... Seu corpo.
Colocou-se sob a água fria e arfou ao sentir sua pele arrepiar-se quase dolorosamente. Estava cedo e o clima da ilha era bastante ameno, mas água fria continuava sendo água fria.
Zoro... Quando começara a nutrir sentimentos por aquele idiota?
O odiava. Sempre o odiara, desde que o vira pela primeira vez.
"Você sabe o que dizem sobre o ódio e o amor, certo?"
Ah, por que aquelas palavras de Zeff tinham que vir à sua mente naquele momento? O que aquilo significava? Que amara Zoro desde que o vira? Claro que não! Claro que... Bem, talvez, apenas talvez houvesse em si um pouco de admiração pelo espadachim... Não, não havia talvez. De fato, o admirava. Era apenas isso então? Admiração? Obviamente! Sanji suspirou, aliviado. Apenas confundira tudo, afinal.
Mas admiração poderia gerar sonhos como aqueles que passara a ter? Poderia ser a causa das reações de seu corpo quando estava na presença de Zoro?
Não. Não. Ele sabia que não.
Apenas um tipo de sentimento poderia ter aquele tipo de influência sobre alguém.
Estava apaixonado por Zoro.
Apertou as mãos em punhos e travou o maxilar. Por que aquilo estava acontecendo consigo? Dentre todas as pessoas do mundo, por que apaixonara-se justo pela única que era e sempre seria impossível? Eles nunca dariam certo e Sanji não faria nem um mínimo de esforço para que algo acontecesse.
"Sabe... Mesmo que isso não seja da minha conta, você deveria fazer alguma coisa."
Oh, ótima hora para que as palavras de Luffy dançassem em sua mente, sambando em sua sanidade.
"Você está sempre cheirando a cigarro. Eu gosto disso."
Ah, aquela maldita voz rouca e grave... Se as palavras de Luffy acabavam com sua sanidade, a voz de Zoro cuidava de seu bom senso.
Aquelas sensações estavam de volta.
A respiração rasa.
A pele em chamas.
Os arrepios que nada tinham a ver com a temperatura da água.
A agitação no estômago.
A excitação crescente...
Precisava dar um jeito naquilo.
– Zoro... – sua voz saiu em um sopro baixo enquanto sua mente era dominada pela sensação das mãos de Zoro dedilhando seu corpo, deslizando por sua pele, os lábios capturando a pele de seu pescoço e sugando, os músculos rígidos pressionados contra seu corpo, a língua quente percorrendo sua clavícula, as mãos ásperas passando por suas costelas, descendo por sua cintura e segurando com firmeza seus quadris, os dentes suavemente mordiscando a cartilagem de sua orelha, e então uma das mãos fortes estava sobre uma das suas, cessando os movimentos que nem ao menos notara começar em seu membro, recomeçando-os lentamente torturantes para evoluir gradualmente, cada vez mais rápidos, mais firmes, mais deliciosos. "Cook...", a voz de Zoro sussurrou ao pé de seu ouvido e espasmos começaram a tomar conta de seu corpo. – Marimo... Zoro... Zo-Zoro... – murmurou para a solidão do banheiro, os olhos fechados, bem apertados. Estava quase lá, quase lá, quase lá... E então a explosão de sensações o fez abrir os olhos e retirou toda a força de seus músculos.
Gozara pela primeira vez pensando em um homem, mas não um homem qualquer. Pensara em Zoro. E fora seu orgasmo mais incrível.
Encostou-se à parede gélida do banheiro e estendeu sua mão sob o fluxo de água, observando melancolicamente seu sêmen ser levado. Estava sozinho. Não havia Zoro algum ali consigo. Mas... Fora tão real... Tão real ao ponto de fazê-lo sentir-se solitário ao dar-se conta de que o Marimo não estava ali. Nunca estaria. Zoro não era seu. Nunca seria.
Começou a ensaboar o corpo e algo estava estranho em si. Sua garganta doía. Estaria começando a ficar doente? Seus olhos ardiam. Poderia ser uma gripe. Seu peito se apertava. Seria melhor pedir para que Chopper o examinasse mais tarde?
Sentiu algo quente deslizar por suas bochechas e cair entre seus lábios entreabertos. O gosto era salgado.
Eram lágrimas.
Estava chorando.
Chorava pois jamais teria Zoro em seus braços, e Sanji nunca imaginara que amar doesse tanto daquela forma.
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– Sanji-kun? Sanji-kuuuuun? – chamava Nami, sentada em um dos doze lugares disponíveis na mesa da cozinha do Sunny, sendo que naquele momento Trafalgar Law, Momonosuke e Kin’emon ocupavam os lugares geralmente vazios, e Caesar fora isolado, ainda preso ao mastro do navio, mas Sanji não ouvia os chamados da navegadora, totalmente alheio às conversas enquanto fazia ovos mexidos.
– Oe, Cook? – aquela voz na cadeira que ficava diretamente alguns passos atrás de si despertara Sanji de seus devaneios, despertando um arrepio em seu corpo, o qual percorreu sua espinha. Voz infernal. – Nami está chamando. Ficou surdo?
– Sim, Nami-san? – Sanji ignorou completamente Zoro e respondeu sem o usual entusiasmo, intrigando a navegadora, que franziu o cenho. Aquilo era totalmente atípico de Sanji.
– Ahn... Só queria avisar que os ovos estão queimando, e esta era minha porção! – Nami reclamou, franzindo os lábios em um bico cômico.
– Oh, porra! – Sanji sibilou, percebendo que Nami tinha razão. Retirou a frigideira do fogão e começou a raspar o fundo com a espátula. – Não se preocupe, farei mais para você. – Sanji respondeu com algum nível de frieza. Estava distante, falando palavrões em frente às garotas (coisa que nunca fazia) e não estava tão prestativo quanto o usual. Nami especulava consigo o que poderia estar acontecendo. Sanji estaria adoecendo? Não, impossível. Ele nunca ficara doente. – Hey, Luffy, você quer?
– Huh? – Luffy atentou-se ao que Sanji dizia, interrompendo sua conversa com Law, sentado ao seu lado. Ao perceber que Sanji oferecia mais uma porção (mesmo que queimada) de ovos mexidos, os olhos escuros iluminaram-se. – Oooooh! Queimadinhos! Eu quero, eu quero, eu queeeeeero!
Sanji sorriu e serviu os ovos levemente queimados no prato do Capitão. Era a quarta porção, mas Luffy não tinha limites, então começou a comer imediata e furiosamente.
– Tudo isso é fome? – Law perguntou, apoiando o queixo em uma das mãos e observando Luffy comer com certo interesse.
– Trafal, você precisa entender uma coisa: se tem comida, é pra comer. – Luffy explicou colocando um dedo em riste, a expressão séria completamente arruinada pela boca cheia e arrancou gargalhadas contidas de Law, que levou uma de suas mãos ao rosto de Luffy, pegando um naco de ovos que alojara-se na bochecha do Mugiwara, próximo à sua boca.
– Há um pouco aqui. – Law disse e a atenção de Luffy voltou-se para a mão do Trafalgar, tão próxima ao seu rosto. Engoliu os ovos mexidos que ainda estavam em sua boca e mordeu levemente os dedos que seguravam o naco de ovos, deslizando a língua entre o indicador e polegar lentamente, libertando os dedos e levando consigo o naco de ovos.
Ao perceber o olhar repleto de significados de Law, Luffy corou e voltou sua atenção para a conversação barulhenta à mesa de café-da-manhã, apenas então percebendo que todos estavam imersos nas piadas que Brook contava, à exceção de Zoro, que observava discretamente as costas de Sanji enquanto preparava os ovos mexidos de Nami.
– Se você vai ficar todo envergonhado assim sempre que eu te olhar dessa forma, é melhor que seja discreto como seu Imediato ali. – Trafalgar declarou, gesticulando quase imperceptivelmente em direção à Zoro, a voz em um murmúrio audível apenas à Luffy, que corou ainda mais.
– Cale a boca! – Luffy sibilou entre dentes e olhou para o lado oposto, sua mão esquerda sob a mesa subindo pela coxa de Law e apertando levemente a região da pélvis sobre as calças escuras que Trafalgar usava, massageando ali, certo volume anormal começando a mostrar-se. Voltou seus olhos para seu mais recente aliado e percebeu que ele travara o maxilar, as mãos fechadas em punhos sobre a mesa, os olhos faiscando na direção de Luffy, que sorriu com malícia. Quando Law começara com tudo aquilo, jamais poderia imaginar que Luffy fosse tão... Peculiar. Por Deus, ele era quente como um vulcão em erupção e quem o via, todo inocente, nunca diria algo daquele gênero sobre o simples e ingênuo Mugiwara. Mas Law podia dizer, pois já provara e adorara ao ponto de estar completamente viciado. – Até quando você conseguirá ser discreto? – Luffy perguntou, mordendo o lábio inferior, os olhos escuros brilhando. Ele era uma mistura entre sensualidade e inocência, e aquilo levava Law à loucura.
– Mais tarde... – a voz de Law soara rouca e baixa quando curvara-se na direção de Luffy, mantendo contato visual, o maxilar apertando-se ainda mais. – Você me pagará caro! Vou te fazer gozar até desmaiar, e então vou te acordar e começar tudo novamente.
– Mal posso esperar. – Luffy sorriu, inocente, retirando a mão da virilha de Law, que suspirou entre frustrado e ansioso. Todos os Mugiwara sairiam depois do café-da-manhã afim de explorar a ilha, à exceção de Franky, que optara por ficar e vigiar Caesar enquanto trabalharia em um de seus projetos, mas Law com certeza exploraria outro lugar e o faria com muito gosto.
Luffy voltara a comer, gritando coisas para Usopp esporadicamente e rindo sem motivo aparente, como era de costume naquela tripulação.
Aquele moreno fascinava Law...
Em meio ao lado frio de Punk Hazard, encontrara Luffy. Tudo começara como uma espécie de brincadeira pervertida para Law, mas quando Luffy correspondeu à altura... Law entendeu que nem mesmo o lado quente daquela ilha poderia fazê-lo sentir tamanho calor.
Luffy era erótico e ingênuo, e aquilo excitava Law a um nível completamente novo, nunca atingido anteriormente.
Ainda, Law sentia que, para si, Luffy ia além de sentimentos físicos... Não sabia ao certo como, ou quando acontecera e por que, mas talvez não gostasse de descobrir. Talvez não quisesse descobrir. Talvez não quisesse nem ao menos pensar naquilo, e era o que faria.
– Aqui está, Nami-san... Sua porção. – Sanji sorriu polidamente enquanto colocava ovos mexidos macios e de coloração e aparência apetitosas no prato de Nami, voltando ao fogão para preparar a sua porção.
Deixava todo o café-da-manhã pronto com antecedência, à exceção dos ovos mexidos, que gostava de fazer pouco antes de serem comidos afim de que quem quer que comesse, pudesse degustar toda a gama de sabores e experienciar todo o leque de sensações que sua culinária poderia proporcionar.
Sanji retornou ao fogão, fazendo sua porção com rapidez e sentando-se em seu lugar na mesa após servir-se e colocar a frigideira na pia. E seu lugar era justamente ao lado de Zoro na mesa redonda.
– Seus ovos parecem bons, Cook. – Zoro falou, encarando o rosto de Sanji, que imediatamente corou, segurando os talheres com mais força. Aquele tom de voz... Baixo, rouco e insinuante. Ou seria apenas a fértil imaginação de Sanji? Ah, aquelas palavras pareciam tão eróticas... Sanji enlouqueceria.
– O-o que? – Sanji gaguejou sem voltar seus olhos na direção do rosto de Zoro. Podia sentir os olhos castanho-escuros cravados em seu rosto, então não se atreveria a olhá-lo e trair a si mesmo.
– Eu disse... – Zoro curvou-se levemente em sua direção apontando para seu prato, o ombro forte roçando quase imperceptivelmente o de Sanji, que encolheu-se instintivamente. Sua boca estava a, no máximo, dez centímetros da orelha de Sanji, que sentiu-a esquentar. – Que esses seus ovos parecem deliciosos. Luffy comeu todo o bacon, mas ainda tenho o meu e acho que está bastante... – a próxima palavra soou mais rouca, mais grave... Mais sedutora. – quente ainda. Se você me deixar ter um pouco dos seus ovos, poderá ficar com um pouco do meu bacon... Ou com tudo. Depende de quanta fome você tem e do quanto consegue colocar na boca.
Cada palavra soara tão erótica à Sanji que as imagens mentais que o haviam feito gozar durante o banho estavam de volta e sua garganta estava seca demais para que conseguisse responder à Zoro. Estava ficando fora de controle.
Sem dizer qualquer coisa, inclinou seu prato sobre o de Zoro e colocou metade de seus ovos mexidos no prato, pegando três tiras de bacon frito dali e colocando-as em seu prato sob o olhar vigilante de Zoro.
Em silêncio enquanto a mesa parecia povoada por um circo tamanha bagunça, Sanji começou a comer.
– Aonde você vai hoje? – a voz de Zoro soou ao seu lado enquanto também comia, mais interessado na conversa com Sanji do que na palhaçada que se tornara aquela mesa de café-da-manhã. Sanji finalmente levantou o olhar para o rosto de feições duras, encarando-o pela primeira vez desde que o dia tivera início, a expressão confusa forçando Zoro a esclarecer. – O pessoal vai sair para explorar a ilha e eu quero saber aonde você irá.
– Ah, sei lá, vou só andar a esmo. – Sanji deu de ombros, voltando a comer. Após engolir a próxima porção que colocara na boca, prosseguiu. – Mas acho que saber disso não fará diferença alguma pra você, já que ficará perdido de qualquer forma. – não pôde evitar sorrir ao provocar Zoro com aquelas palavras.
– Retire o que disse. – Zoro brandiu a faca que usava para cortar o bacon na direção do rosto de Sanji.
– Até parece! Eu não tenho culpa se você não encontra o norte nem com uma bússola. – Sanji rangeu os dentes para Zoro, largando seus talheres do prato.
– Ero-Cook! – Zoro quase cuspiu as palavras, abandonando a faca e segurando as bochechas de Sanji, puxando-as dolorosamente.
– Ixtubid-Malimo! – Sanji segurou e puxou as bochechas de Zoro como ele fazia com as suas e devolveu a ofensa com dificuldade para falar.
Nami, sentada ao lado de Zoro, estava pronta para intervir naquela briga anormalmente infantil, mas antes que pudesse fazê-lo, ambos desataram a rir e voltaram a atenção para seus pratos, ainda rindo. Aquilo sim era anormal! Mas como ambos também eram anormais, Nami optou por deixar aquilo de lado.
– Se eu vou me perder, então ande comigo para que isso não aconteça. – Zoro sugeriu, um sorriso remanescente do riso ainda em seus lábios, os olhos fixos em Sanji.
– Acho que acabarei matando você, e não posso deixar passar a oportunidade. – Sanji riu-se e então percebeu que toda a tensão que lhe atormentara desde seu banho havia desaparecido apenas por falar com o causador de todos os seus problemas.
"Na doença chamada amor, o agente causador é também a cura.", Zeff lhe dissera certa vez, e agora Sanji percebia que ele tinha razão.
Estar apaixonado por Zoro não era de todo mau, Sanji concluiu.
O café-da-manhã prosseguiu naquela baderna até que não houvesse mais nenhum suco, leite, pão francês, pão-de-queijo, queijo, sanduíche, doce, peixe, fruta ou qualquer outra coisa comestível na mesa. Então, todos foram deixando a cozinha, até que restassem apenas Zoro e Sanji ali.
– E, como sempre, a louça sobra para mim... – Sanji suspirou, acendendo um cigarro enquanto levantava-se e tragava-o com vontade para então começar a retirar a mesa. Surpreendeu-se ao perceber que Zoro o ajudava. – Ajuda de você é a última coisa que estava esperando.
– Quanto mais rápido terminarmos, mais rápido saímos, certo? – Zoro soltou a pergunta retórica, parando brevemente apenas para levantar o olhar na direção de Sanji e sorrir, seguindo na tarefa logo depois.
Ah, aquele sorriso desarmara Sanji, que permaneceu sem reação por algum tempo ainda antes de retomar a limpeza.
Zoro ajudou-o também a secar e guardar a louça. Enquanto Sanji lavava, Zoro secava, e na execução daqueles movimentos ritmados, a mão grande de Zoro sempre se sobrepunha à de Sanji, fazendo-o sentir-se... Seguro. Não o intimidava, não o enojava tampouco e não fazia-o sentir vontade de correr para longe. Sentia-se bem. Sentia-se curiosamente completo.
Quando começaram a guardar a louça, na pilha de Sanji acabou calhando um vasilhame que ficava guardado no ponto mais alto do armário mais alto, o que era um castigo para Sanji. Ele quase alcançava... A diferença era de tão poucos centímetros que era agônica, e sempre fazia Sanji tentar colocar o vasilhame de volta sem o uso de uma cadeira, mesmo sabendo que precisava de uma. Sempre precisava.
Mas não naquele dia.
Surpreendeu-se ao sentir um braço forte envolver suas coxas com força, e então seu corpo foi guinado facilmente para o alto, quase fazendo-o bater a cabeça no teto alto da cozinha.
Sentindo o rosto quente, Sanji colocou o vasilhame em seu devido lugar e então disse com a voz tão segura que o surpreendeu:
– Pronto. – e Zoro o soltou, deixando-o cair com leveza habitual, e desta vez o Marimo não arruinou o equilíbrio de Sanji, apenas manteve seu corpo próximo. Muito próximo. Excessivamente próximo. Aquilo era uma má ideia para Sanji. – Obrigado.
– Tudo bem. – Zoro deu de ombros e, com mais um segundo de hesitação, afastou-se, falando novamente apenas quando já estava na porta da cozinha. – Vá se trocar para sairmos.
O peito de Sanji apertou-se quando ouviu os passos de Zoro afastando-se. Era tolo. O que estava esperando? Que Zoro o beijasse? Loucura!
– Eu sempre fui azarado pra caralho, mas isso já é demais... Aquela magia do amor de merda inventou de falhar justo no meu caso surtindo efeito só em mim. – Sanji murmurou para si mesmo e riu-se de toda a ironia de merda que a situação representava. Talvez fosse um castigo por ser mulherengo demais. Riu-se mais uma vez e o sabor de seu riso era bastante amargo.
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Caminhava pela areia da praia, a qual entrava em suas sandálias de correias, sem, no entanto, o incomodar. O sol estava perfeito, o vento estava perfeito, e a companhia era também, à sua maneira, perfeita.
– É raro que você use bermuda. – Zoro comentou enquanto caminhava ao lado de Sanji, vestindo calças escuras, uma camisa clara com todos os botões abertos e suas botas de sempre. Suas três katanas estavam em sua cintura, inseparáveis de si.
– Está calor demais pra usar calças, mas acho que você é muito lerdo para perceber. – Sanji riu-se, soprando para dentro de sua camiseta de tecido leve afim de aliviar um pouco o calor. Curiosamente, a camiseta trazia os dizeres: "Here is the Cook. Kiss him.".
Zoro sorriu e chutou areia nas pernas de Sanji, que riu e correu na frente, gritando que desapareceria e deixaria Zoro perder-se, pisando no chão duro e cheio de pedras que substituía a areia e mais à frente dava lugar à vegetação densa e verde-escuro da ilha.
Sanji pulou um arbusto e então recomeçou a andar normalmente. Zoro alcançou-o pouco tempo depois e caminharam lado a lado. Falaram sobre tudo e sobre nada.
Conversaram sobre algumas pequenas coisas de suas respectivas infância e adolescência, riram de acontecimentos engraçados, se entristeceram com pontos tristes do passado e então riram novamente após trocarem olhares cúmplices. Sanji jamais imaginara que seria tão fácil falar com Zoro.
Então, Sanji ouviu alguma coisa. Se assemelhava a um gemido... Mas de quem? Seria aquela ilha habitada e eles não sabiam? Franziu o cenho e, quando Zoro recomeçou a falar, colocou um indicador em frente aos próprios lábios, caminhando silenciosamente na direção dos gemidos.
Desviou-se de algumas árvores e avistou uma clareira logo mais à frente, mas o que chocou-o não foi a beleza do lugar, e sim a cena da qual não conseguia desviar os olhos, estarrecendo-o escondido entre duas árvores muito juntas.
Aqueles eram... Luffy e... Law? E... Eles estavam fazendo... Deus, o que Law estava fazendo com Luffy?
Sanji engoliu em seco e mordeu o lábio inferior com força. O que deveria fazer? Sentiu suas faces quentes e o coração descompassado.
Luffy gemia e suava sobre a toalha estendida no chão da clareira, a cabeça jogada para trás, os olhos apertados com força, as unhas curtas cravadas nas costas de Law, que arremetia com força em seu interior, as faces coradas, o maxilar travado, os olhos fixos no rosto de Luffy.
Sanji perguntava-se quanto aquilo doeria, mas os gemidos de Luffy carregados de prazer que chegavam aos seus ouvidos faziam-no pensar se aquilo seria de fato bom. Gostaria de experimentar... Mas não com Law, claro. Queria... Engoliu em seco ao pensar: queria Zoro. Ah, sentia seu corpo ficar quente...
– Ah, Luffy... Você é tão... Quente e apertado. – Law gemeu, mordendo o ombro de Luffy, que aproximou a boca de sua orelha, sugando-lhe o lóbulo.
– Você gosta? – Luffy perguntou com um tom de voz tão malicioso que Sanji não podia acreditar que fosse mesmo seu inocente Capitão dizendo-as.
– Eu amo... – Law sorriu ao dizer tais palavras e, de onde estava, Sanji pôde ver um brilho diferente surgir repentinamente nos olhos do estranho aliado ao encarar Luffy. E suas próximas palavras chocaram o cozinheiro. – Eu amo você. – e beijou um Luffy surpreso com ternura, que, passado o momento de surpresa, correspondeu-lhe.
– Acho que você não deveria estar aqui. – a voz de Zoro soou tão próxima de seu ouvido que Sanji sentiu os lábios macios e finos tocarem sua orelha, mas antes que pudesse emitir qualquer som, uma mão grande e áspera tapou-lhe a boca. – Shhhh. Não diga nada. Não faça barulhos. Venha.
Sendo quase arrastado silenciosamente por Zoro, Sanji permitiu-se ser levado pela mão grande e quente que segurava a sua. Era áspera, com calos, mas... Era agradável. Era a mão de Zoro.
Zoro...
Zoro o estava arrastando...
Zoro o estava arrastando! Por Deus, eles ficariam perdidos!
Sanji olhou em volta, continuando a andar atrás de Zoro e percebeu que já estavam perdidos, era tarde demais. Zoro era recordista em perder-se de forma mais vergonhosa no menor tempo ou o quê?
– Ma-Marimo... Você... – Sanji engoliu em seco ao começar a falar, dando-se conta que sua garganta estava seca e sua voz tremia. A imagem de Law e Luffy fazendo sexo não saía da mente de Sanji. Aquilo o chocara, seus pensamentos não faziam sentido, não conseguia articular palavras que tivessem algum nexo entre si. – Eles... Eu...
– É, eles estavam fazendo sexo. – Zoro, sem hesitar, respondeu à pergunta que Sanji não conseguira fazer. – E daí?
– Co-como assim "e daí"? Poderia ser um estupro você sabia? – Sanji retrucou, corando. Falar sobre sexo com Zoro não era uma boa ideia para si.
– Aham. Naquele cenário, sobre uma toalha cuidadosamente colocada no chão, com os dois gemendo e se esfregando... Acho que você não estava enxergando muito bem, só pode. – Zoro gargalhou, um som rouco, novo para Sanji, que fê-lo arrepiar. Como ele podia manter-se tão calmo falando sobre coisas como aquelas?
– Mas... Isso quer dizer... Que eles... Eles... – Sanji tentou articular outra pergunta, mas não obteve muito sucesso.
– É, eles estão juntos. – Zoro interpretou suas meias palavras como ninguém poderia fazer e aquilo surpreendeu Sanji, especialmente pelas palavras que se seguiram, quando Zoro adivinhou sua linha de raciocínio e previu sua próxima pergunta. – E eu não sei há quanto tempo. Talvez desde que se encontraram em Punk Hazard. Vai saber.
– E nós? Como nós ficamos nisso? – Sanji perguntou referindo-se à Tripulação, e Zoro demorou a responder. Sanji sentiu a mão grande apertando a sua com força e aquela atitude o incomodou. – Marimo!
– Você está apaixonado pelo Luffy por acaso? – Zoro enfim perguntou, parando de andar, mas sem olhar para trás. Sanji franziu o cenho. O que o levara a pensar aquilo?
– Claro que não! – Sanji respondeu, levemente ofendido. Zoro era mesmo uma mula incapaz de ver os sentimentos que ele nutria! Duvidava que se esfregasse-os na cara do espadachim ele seria capaz de entendê-los!
– Então por que se importa com isso? Deixe ele dar pra quem ele quiser comer e comer quem quiser dar pra ele, tanto faz. Isso não é da nossa conta. – Zoro deu de ombros, um gesto duro, tenso, recomeçando a andar e arrastando Sanji consigo mais uma vez. – Se ele está feliz, é tudo o que importa.
Zoro era mesmo um idiota! Será que não entendia que aquilo poderia afetar toda a Tripulação?
As árvores mais altas foram diminuindo, dando lugar à vegetação cada vez mais rasteira, e então havia apenas um gramado bastante verde, que estendia-se até a beira de um córrego profundo o bastante para cobrir até os ombros de Sanji. Do outro lado, mais gramado, mais mata.
O lugar era lindo.
– Bonito aqui, não é? – Zoro sorriu ao virar-se para trás e encarar Sanji, que ainda observava o lugar estarrecido. Zoro optara por mudar a linha de raciocínio de Sanji. Por que o Cook se importava tanto com aquilo? A mão de Sanji que Zoro segurava apertou ainda mais a sua, chamando sua atenção para as mãos unidas. Soltou sua mão daquela de pele clara e dedos compridos e finos, para então entrelaçar seus dedos nos de Sanji, que continuava absorto pelo lugar e nem ao menos percebeu. Para Zoro, daquela forma era melhor.
– É, é sim. – Sanji admitiu e voltou seu olhar para Zoro. Momentaneamente, esquecera-se de Law e Luffy. – Mas agora estamos perdidos.
– Não, não estamos. Toda água acaba no oceano, basta seguirmos o curso do córrego e acabaremos na praia. – Zoro apontou na direção que a água corria, murmurando agradavelmente ao passar pelas pedras. – O Sunny está a leste, onde o sol nasce. – apontou para o céu, diretamente para o sol, e seguiu com o dedo em uma linha reta e vertical, apontando para o mesmo ponto anterior, aquele determinado de acordo com o curso da água. – Logo, está naquela direção também.
– Se você sabe se localizar tão bem, como sempre acaba perdido? – Sanji perguntou, franzindo o cenho. Aquilo não fazia sentido algum.
– O problema não é se localizar, é se deslocar. – Zoro explicou, dando de ombros e riu, acompanhando Sanji. – Interessante essa sua camiseta. – falou, tombando a cabeça levemente, um brilho diferente no olhar assim que pararam de rir.
– Ahn? O que tem de interessante ne-? – Sanji não pôde terminar a pergunta, pois antes que pudesse perceber, os lábios de Zoro se sobrepunham aos seus, pressionando, massageando.
Sanji sentiu seu corpo todo quente e dormente. A mão livre de Zoro segurou-lhe a cintura, puxando-o para mais perto, colando os corpos, e a mão que segurava a sua soltou-a, segurando em sua nuca com firmeza. Seu corpo não lhe obedecia e sua mente estava focada demais no calor dos lábios de Zoro nos seus para preocupar-se com qualquer coisa que não fosse a sensação de proximidade com o corpo de Zoro.
– Ma-Marimo... Espera... – Sanji afastou-se, tentando falar, mas a mão forte de Zoro em sua nuca reaproximou os rostos. Por algum motivo que o próprio Sanji desconhecia, seus lábios mantinham-se fechados, mas não o fizeram por muito tempo ao sentir o polegar de Zoro no lábio inferior, deslizando, acariciando. Sanji mordeu-o com certa dose de força, os olhos guiando-se na direção dos calorosos orbes castanho-escuros, que brilhavam de uma forma que o cozinheiro nunca vira antes. Zoro engoliu em seco diante da mordida de Sanji e umedeceu os lábios. Aquilo era tão sensual... Então foi Sanji quem atacou os lábios de Zoro, beijando-o com todo o desejo que reprimia em si há tanto tempo.
Uma de suas mãos pousou entre o ombro e o pescoço de Zoro e a outra no rosto quente do Marimo, que abriu a boca ao sentir os dentes de Sanji mordiscarem seus lábios, dando espaço para a língua quente e hábil do cozinheiro adentrar sua boca, percorrendo lentamente toda a extensão da língua de Zoro e então o céu de sua boca.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Zoro apertou Sanji em seus braços com mais força, degustando a boca do loiro, que ainda conservava um pouco do gosto de cigarro, mas Zoro não se importava, de forma alguma, afinal fora aquilo que tanto lhe atraíra em Sanji desde o princípio.
– Ah, Marimo... – Sanji suprimiu um gemido ao sentir a boca de Zoro abandonar a sua em busca de ar e rumar para seu pescoço, mordendo-o. – Por-por que está fazendo isso?
Zoro parou o que fazia e encarou Sanji, afastando a franja loira que caía sobre um dos olhos azuis-tempestuosos e selou seus lábios aos de Sanji mais uma vez, rapidamente, antes de responder:
– Estou apenas seguindo a sugestão da sua camiseta. – Zoro sorriu e Sanji franziu o cenho, colocando ambas as mãos nos ombros de Zoro e empurrando-o.
– Então não siga mais instruções de uma camiseta que é tão estúpida quanto você! – Sanji ralhou, sentindo seu peito apertar. Fora estúpido! Por um momento pensara que... Que Zoro o beijara por que queria beijá-lo, não por uma brincadeira idiota.
– Não estou seguindo instruções de uma camiseta. Ela sugeria que eu fizesse algo que eu já queria fazer há algum tempo, então resolvi que era hora de fazer. – Zoro deu de ombros e Sanji encarou aqueles olhos castanho-escuros tão profundos, tão cheios de significados.
– Não vai me dizer que isso tem alguma coisa a ver com o que Luffy e Law estavam fazendo... – Sanji estreitou os olhos na direção de Zoro, que sorriu, contrafeito.
– O que Law e Luffy fazem é da conta deles, seu intrometido. Esqueça-os, pelo amor de Deus! Minhas ideias sobre o que fazer com você... – Zoro mordeu o lábio inferior de Sanji com certa dose de força, a voz mais rouca que o habitual quando tornou a falar. – Vem de um lugar completamente diferente.
– Isso está errado, Marimo. Nós não podemos! – Sanji teimou, segurando nos braços de Zoro, que o prendiam com força pela cintura e tentando inutilmente libertar-se. Queria aquilo mais do que palavras poderiam dizer, mas... Não podia! Dissera a si mesmo que não investiria naquilo! Se acabassem se envolvendo e depois se separando... Talvez a tripulação toda desmoronasse! Não podia arriscar o sonho de Luffy por egoísmo! E ainda assim queria! Argh... Sentia vontade de morrer! Aqueles sentimentos conflitantes o estavam matando aos poucos, corroendo seu coração.
– E daí? O que poder ou não tem a ver com isso? Foda-se o que pode e o que não pode. – Zoro sussurrou ao pé do ouvido de Sanji, mordiscando seu pescoço e ocasionando-lhe arrepios por todo o corpo. – Você não quer?
– ISSO NÃO TEM PORRA NENHUMA A VER COM QUERER OU NÃO, MARIMO BURRO! DEIXE DE SER EGOÍSTA! – Sanji gritou, batendo com os punhos fechados contra o peito de Zoro, atraindo a atenção dos orbes escuros e surpresos. Será que ele não entendia? – ISSO É MAIOR QUE NÓS! SERÁ QUE VOCÊ NÃO VÊ QUE ALGO DESSE PORTE ENVOLVE A TODOS? SERÁ QUE NÃO ENTENDE QUE ISSO NÃO VAI DAR CERTO?
– Acho que, se tem alguém aqui que não vê e não entende alguma coisa... Esse alguém é você. – Zoro murmurou, soltando Sanji e afastando-se um passo, o olhar desviando-se para longe, perdendo-se no céu sem nuvens. Repentinamente, Zoro parecia tão melancólico...
– O quê? O que eu não entendo? – Sanji perguntou, arfante, parado diante de Zoro, que sentou-se pacientemente no gramado e colocou suas katanas ao seu lado. Zoro o tirava do sério! Odiava aquele Marimo por fazê-lo gostar tanto dele!
– Só saia daqui, ok? Não quero falar com você agora. – Zoro pediu, os olhos recusando-se a encontrar os de Sanji. Se o cozinheiro não podia entender, não seria Zoro quem explicaria.
– Seu Marimo de merda... – Sanji rosnou travando o maxilar, e segurou a gola da camisa de Zoro com ambas as mãos, sacudindo-o, caindo sobre as pernas esticadas do espadachim e colocando seu rosto próximo ao dele. – VOCÊ É QUEM NÃO ENTENDE CARALHO NENHUM E AGORA VEM ME DIZER QUE EU... EU!, NÃO ENTENDO?
– VOCÊ NÃO ENTENDE! – Zoro gritou, finalmente encarando Sanji novamente, os olhos brilhando em um misto de mágoa e raiva, as mãos fortes segurando os braços de Sanji e apertando-os. – VOCÊ NÃO ENTENDE POR QUE É BURRO DEMAIS PRA VER QUE EU TE AMO, PORRA!
Um silêncio instalou-se entre ambos e dessa vez era Zoro quem estava arfante de raiva, uma expressão de dor espalhando-se por seu rosto.
Sanji ainda segurava a gola da camisa de Zoro, porém sem força alguma, os olhos incrédulos encarando o rosto do moreno, os lábios entreabertos de surpresa. O que...? O que diabos, no inferno, Zoro acabara de dizer?
– Saia daqui. – Zoro pediu, quebrando o silêncio, a voz arrastada. Soltou os braços de Sanji e desviou o olhar.
– Não. – Sanji respondeu, ainda no mesmo estado estarrecido. – Não vou sair daqui.
– O que você quer aqui ainda? Apontar pra minha cara e rir? – Zoro perguntou, encarando Sanji novamente e surpreendeu-se ao sentir os lábios de Sanji contra os seus, sua língua quente dentro de sua boca, provocando-o, as mãos claras e trêmulas colocando-se dentro de sua camisa aberta e deslizando-a por seus braços, livrando-o dela. Que diabos estava acontecendo ali?
Sanji ouvira as palavras de Zoro. Entendera-as. Queria dizer o mesmo, mas não conseguia. Queria tanto... Mas, por algum motivo, não conseguia. As palavras não passavam por sua garganta! Então faria com que Zoro compreendesse seus sentimentos de outra forma. Mesmo que aquilo não desse certo, mesmo que tivesse consequências catastróficas... Eram seus sentimentos. Eram os sentimentos de Zoro. Egoísmo era, na verdade, sufocá-los. Chorar por um coração partido era uma perspectiva muito melhor que chorar por arrependimento sem ter tentado ser feliz.
Sanji queria aquilo. Queria investir naquele relacionamento. Queria tudo o que Zoro tivesse para lhe oferecer. Queria que Zoro aceitasse seu coração e tudo o que ele era. Pois Sanji o amava e não havia palavras que definissem aquele sentimento corretamente.
– Faça sexo comigo. – Sanji pediu, livrando-se de sua camiseta diante dos olhos incrédulos de Zoro, que percorreram o tórax esguio de pele clara, fazendo-o engolir em seco e umedecer os lábios. Mordeu a cartilagem da orelha do espadachim, sentindo seu corpo estremecer. – Me come, Zoro. Agora.
Sanji dissera seu nome... Ele nunca o fizera antes. Zoro nem ao menos conseguia piscar. O que estava acontecendo ali? Que tipo de reação era aquela por parte de Sanji? Não era ele quem estava dizendo ainda há pouco que aquilo não daria certo, que não podia acontecer? E aquelas palavras? Sanji queria... Queria fazer sexo consigo? E ele era tão sensual... Zoro o queria mais que tudo!
– Se você não diz nada, eu não tenho outra escolha. – Sanji sussurrou, rouco, empurrando Zoro que apoiava-se nas próprias mãos, os braços para trás, fazendo-o deitar-se no gramado, os olhos castanhos surpresos arregalados ao sentir a língua quente e úmida de Sanji percorrer toda a extensão de seu pescoço, fazendo-o arfar.
As mãos macias e quentes de Sanji deslizaram pelo tórax musculoso e rígido de Zoro enquanto seus lábios encontravam-se com aqueles que, durante tanto tempo, desejara em segredo. Beijou-o com volúpia, sentindo o desejo e o prazer crescerem dentro de si, queimando-o.
Uma de suas mãos desabotoou as calças de Zoro e desceu o zíper, adentrando sua roupa íntima e tocando seu membro pulsante, um gemido por parte de Zoro sendo abafado pelos lábios ainda unidos, uma das mãos do espadachim segurando com força nos cabelos da nuca de Sanji, prendendo-o ali enquanto suas línguas deleitavam-se em carícias ousadas e a outra passava por suas costelas, fazendo-o arrepiar, deslizando por suas costas.
Sanji, perdido no calor do corpo de Zoro, no seu perfume único, amadeirado e delicioso, permitiu-se pensar que ali era o lugar que gostaria de estar para sempre, nos braços daquele que roubara seu coração apenas para si. E Zoro era tão grande...
Retirou o membro da cueca de Zoro e massageou-o. Sabia bem o que estava fazendo. Sentia-o ereto em sua mão, pulsante, quente, e... Grande. Não conseguia parar de pensar naquilo. Como ele entraria em si daquele tamanho? Não, ele não alimentava esperanças de ser o seme de Zoro... E nem o queria. Gostava de pensar nas coisas daquela forma, excitava-se ante a perspectiva de Zoro dentro de si.
– Uau... Já está assim? Nós estamos apenas começando, Marimo. – Sanji murmurou, sua voz rouca de excitação, os olhos brilhantes de Zoro encarando-o cheios de luxúria, um sorriso nos lábios finos.
– Zoro. Meu nome é Zoro. Quero que me chame assim. – Zoro explicou com dureza, colocando a franja de Sanji atrás de sua orelha, deleitando-se ao olhar para aqueles olhos azuis tão próximos de si naquele rosto quente e corado.
– Você nunca me chama pelo meu nome. – Sanji retrucou, os olhos estreitando-se para Zoro, vendo-o travar o maxilar e reprimir um gemido quando deslizou o polegar pela glande de seu membro, movimentando sua mão fechada para cima e para baixo. – E você será castigado por isso.
Sem esperar por uma reação de Zoro, Sanji desvencilhou-se das mãos grandes e afastou-se do corpo do espadachim, voltando seu olhar então para o membro pulsante que tinha em mãos.
Qual era o problema consigo? Em uma situação como aquela não estava inibido? Sentia-se tão livre. Era totalmente diferente de estar com uma mulher, claro, e talvez por isso... Não... Era mais que isso. Sentia-se bem pois quem estava ali consigo era Zoro. Sentia-se como se houvesse ansiado por aquele momento toda uma vida.
Sabia exatamente o que fazer com Zoro. Não havia hesitação. Não havia medo. Havia apenas aquele sentimento de que estava completo, de que estava no lugar certo, com a pessoa certa, e aquele calor que subia de sua virilha e espalhava-se por todo seu corpo, aquele prazer imensurável, aquela ansiedade por sentir, por causar... Amava sentir-se daquela forma. Era algo totalmente novo, completamente diferente de tudo que sentira até então.
Estava excitado e duro há quanto tempo? Desde quando? Zoro o desnorteava...
Para Zoro, que apoiara-se em seus cotovelos afim de ver o que Sanji faria, tudo aquilo era perfeito demais.
Implicara com Sanji desde sempre, mas a verdade era que estivera ciente de seus sentimentos desde o princípio.
Queria-o, claro, mas não ousaria falar aquilo... Até que, depois daquele acidente na tempestade, seus sentimentos começaram a entrar em colapso, ameaçando sua sanidade, forçando-se, expandindo-se.
E ali estavam eles naquele momento. Jamais imaginara que as coisas chegariam àquele ponto, mas sonhara diversas vezes com Sanji fazendo aquilo para si.
Sanji lhe causava tantas sensações diferentes, tantos sentimentos... Sentia-se excitado como nunca imaginara ser possível. Estremeceu ao ver e sentir o cozinheiro deslizar a língua por toda a extensão de seu membro, sentindo-o pulsar dolorosamente.
E então a boca quente e molhada de Sanji o envolveu, sugando-o, fazendo-o jogar a cabeça para trás e soltar um gemido de prazer por entre os dentes apertados, as mãos fechando-se em punhos.
Sanji deslizou suave e lentamente os dentes pela glande de seu membro, fazendo-o arfar, os olhos azuis deliciando-se com aquelas reações. Envolveu a glande com os lábios, sugando-a enquanto deslizava a língua ali, ouvindo os gemidos sem nexo de Zoro e sentindo o membro pulsar em sua boca, quase como se aumentasse de tamanho.
Desceu até onde podia, sentindo o membro de Zoro tocar sua garganta e subiu novamente, tornando a fazer o mesmo movimento lentamente. A língua quente e a boca molhada de Sanji estavam levando Zoro a um novo nível de prazer.
Sanji aumentou a velocidade dos movimentos, os gemidos e arfadas de Zoro chegando como uma música excitante e erótica aos seus ouvidos. Sentia seu membro latejar, mas não queria nem podia dar-lhe atenção, desejava prender-se a cada expressão de Zoro.
– Pare, pare! – Zoro ordenou, puxando Sanji bruscamente pelos cabelos sem machucá-lo e o loiro sorriu enquanto limpava a saliva que acidentalmente escapara-lhe da boca e encarando Zoro.
– Não estava bom? Por que você gemeu uma sinfonia toda pra mim... – Sanji fez um trejeito com a voz totalmente novo para si, soando languido e entregue.
– Eu estava quase gozando. – Zoro murmurou, trazendo os lábios de Sanji para si mais uma vez, beijando-o com desejo crescente. – Sua boca é uma delícia! Mas eu quero gozar em outro lugar. – Zoro decretou, puxando-o para si e apertando-lhe as nádegas com ambas as mãos, ouvindo um gemido de Sanji que soou quase como um riso.
Sanji sentia-se deliciado com os beijos e mordidas de Zoro em seu pescoço, orelhas e ombros. Aquilo o levava à loucura. Antes que percebesse, gemia o nome de Zoro, fazendo-o sorrir e parar as carícias, os olhos castanhos fixando-se no rosto claro e corado.
– O quê? – Sanji questionou num tom quase manhoso. Não entendia o que significava aquele olhar de Zoro.
– Você disse o meu nome de novo. – Zoro respondeu, sorrindo. Como ele podia ficar tão feliz com apenas aquilo?
– Isso te excita? – Sanji perguntou, um sorriso torto nos lábios finos e avermelhados. Inclinou levemente a cabeça, os olhos fixos em Zoro. – Hein, Zoro?
– Você todo me excita, – Zoro puxou-o para mais perto, as mãos fixas na região de suas costelas, a boca próxima à uma das orelhas de Sanji, a voz rouca. – Sanji.
Sanji sentiu seu corpo todo estremecer e seu coração disparar loucamente em seu peito, sua excitação crescente fazendo pulsar seu membro, preso dentro de suas roupas. O que era tudo aquilo? Sentia-se... De forma indescritível apenas por que Zoro dissera seu nome!
Zoro repentinamente sentou-se, as mãos deslizando por seu tórax, trilhando caminhos que pareciam queimar, a boca molhada descendo em beijos por sua clavícula enquanto as mãos fortes seguravam seus quadris, colocando-o de joelhos entre as pernas fortes do espadachim.
Enquanto uma das mãos grandes abriam a bermuda de Sanji, a outra subiu para um dos mamilos intumescidos enquanto a boca quente e molhada tomava conta do outro, fazendo Sanji gemer e arfar, as mãos que apoiara nos ombros largos apertando a pele bronzeada com força.
Sanji fechou os olhos com força ao sentir os dedos ásperos de Zoro beliscarem um de seus mamilos enquanto o outro era sugado com força, depois mordido e então lambido, uma de suas mãos tapando a boca, abafando seus gemidos.
Abriu os olhos e sentiu-os marejados de lágrimas causadas por prazer e felicidade. Não sabia que um coração podia sentir tantas coisas e que uma pessoa poderia ser tão feliz.
– Não abafe seus gemidos, Sanji. – Zoro pediu, sua boca abandonando o mamilo avermelhado e rígido para olhar a face corada de Sanji enquanto descia sua bermuda. – Ninguém, além de mim, pode te ouvir. Então geme bem gostoso pra mim. – Zoro pediu, mordendo o queixo de Sanji e acariciando o membro pulsante do loiro sobre sua peça íntima, deliciando-se ao ouvir um gemido demorado e trêmulo de Sanji. – Assim é melhor. – Zoro riu-se ao sentir que Sanji apoiava-se em si, apertando-o em um abraço, o corpo tremendo enquanto o espadachim continuava as carícias lentas.
Zoro baixou a peça íntima, segurando o membro ereto de Sanji e acariciando-o em movimentos lentos, sentindo os espasmos sacudirem o corpo de Sanji, que murmurava seu nome entre os gemidos.
Abraçando o corpo esguio com um braço, Zoro deitou-o de costas no gramado, deslizando a bermuda e cueca de Sanji por suas pernas e livrando-se delas, abrindo as pernas pálidas e colocando-se entre elas, as mãos deslizando pelas coxas firmes.
Sentia seu membro pulsar dolorosamente, sua excitação quase o enlouquecendo ao observar Sanji ali, diante de si, entregue. E aquela poderia ser a única vez em que aquilo aconteceria. Então não, não pensaria apenas em si. Queria, mais que qualquer coisa, tornar aquilo inesquecivelmente prazeroso para Sanji.
Beijou-lhe no tórax, na região do esterno, e desceu em mordidas e chupões pela barriga levemente musculosa, os olhos rumando para a face corada de Sanji, que mantinha um braço em frente aos olhos, enquanto a outra mão estendia-se para os cabelos de Zoro, onde os dedos embrenhavam-se. Lambeu o umbigo de Sanji, sentindo seus músculos contraírem-se, a pele arrepiada.
Assim que chegou na região da virilha do cozinheiro, levantou o rosto e mordeu-lhe o joelho esquerdo, subindo em mais chupões e mordidas pela coxa pálida, que ficava cada vez mais marcada. Zoro o torturaria, o levaria ao ápice do prazer, o marcaria como seu, nem que fosse apenas naquela vez.
A pele de Sanji era tão macia, tão quente, perfumada... Ele estava sempre cheirando a cigarro, e isto era quase afrodisíaco para Zoro quando misturado ao cheiro natural de Sanji.
Novamente, chegou na região da virilha de Sanji, mas ignorou o membro pulsante e seguiu para a outra coxa, fazendo o trajeto inverso, dessa vez lambendo a pele de quando em quando, geralmente após as mordidas fortes.
Sanji sentia que poderia explodir de prazer. Por que Zoro o estava torturando? Seu membro doía, ereto, enquanto era ignorado, mas Sanji não conseguia masturbar-se, afinal aquelas carícias de Zoro o desarmavam, tiravam-lhe o fôlego, as forças. Queria aquilo para sempre, queria pertencer a Zoro para sempre.
– Olha pra mim, Sanji. – Zoro pediu, afastando o braço de Sanji de seu rosto e surpreendeu-se ao ver que o loiro chorava. Ele não queria aquilo? Sentia nojo? Medo? Por que chorava? Zoro estava aturdido. Limpou as lágrimas de Sanji com as mãos, segurando o rosto corado com ambas, afastando os cabelos loiros do rosto do cozinheiro. – Por que você está chorando? Eu... Eu fiz alguma coisa errada?
– Eu... – Sanji começou a explicar com voz embargada e então sorriu ao ver o rosto preocupado de Zoro. Aquele Marimo era tão inesperadamente doce. – Não, Zoro, não... Você não fez nada de errado. Eu... Eu só não sabia que alguém podia ser tão feliz. – Sanji puxou o rosto de Zoro para mais perto, beijando-lhe os lábios com ternura. As palavras lhe vinham com facilidade agora e apenas então pôde entender como Law se sentira ao olhar para Luffy e dizer aquela palavras. Afastou o rosto de Zoro do seu apenas milimetricamente, sorrindo ainda mais largamente. – E eu quero sentir essa felicidade ao seu lado para sempre... Por que eu amo você.
Zoro sentia seu coração leve. Estivera tão pesado e fora tão difícil durante todo aquele tempo. Sentira como se um pouco de sua alma lhe deixasse a cada dia e agora, com aquelas palavras, Sanji resgatava cada parte de si que se dispersara.
As mãos pálidas abraçaram Zoro pelo pescoço, e Sanji aproximou a boca do ouvido do Marimo:
– Não diga nada, Zoro. Não precisa.
Sanji observou confuso Zoro chupar três de seus dedos e depois beijá-lo com desejo, mapeando o interior de sua boca de forma nunca antes feita, causando-lhe arrepios. Sentiu, então, os três dedos molhados de Zoro em sua entrada pulsante e gemeu em meio ao beijo, apertando-se.
Os três dedos esfregavam-se em sua entrada, deixando-a úmida e desejosa. Ah, aquilo era tão excitante para Sanji.
Quando a resistência diminuiu, Zoro introduziu o dedo médio dentro de Sanji, encerrando o beijo para deixá-lo respirar enquanto sentia-o pompoar em torno de seu dedo e travar o maxilar, os olhos fechados. Aquilo incomodava... Não doía, de fato, mas incomodava.
Então Sanji sentiu que Zoro o retirava de dentro de si lentamente e aquilo era tão prazeroso. Arqueou as costas, gemendo baixo. Queria mais daquela sensação.
Zoro observava cada reação facial de Sanji, deliciando-se com suas expressões de prazer, e quando seu dedo médio estava quase todo fora, empurrou-o para dentro com força e rapidez, sorrindo diante do gemido alto que Sanji não conseguira evitar.
Introduziu o indicador junto ao médio e Sanji virou o rosto para o lado, os dedos apertando com força os ombros de Zoro, um grito de dor preso em sua garganta. Quando Zoro começou a movê-los, Sanji queria chutar alguém até a morte como meio de alívio, mas antes que percebesse, já gemia de prazer mais uma vez. Novamente, aquilo estava bom, malditamente bom.
Então o anular juntou-se ao interior de Sanji, que não conseguiu conter o grito de dor que escapou-lhe da boca que buscara manter fechada e lágrimas molharam-lhe o rosto. Sentia como se estivesse sendo rasgado ao meio, aquilo doía, queimava.
– Desculpe... – Zoro murmurou com a boca próxima ao seu ouvido direito, mordiscando-lhe o lóbulo e a cartilagem da orelha, fazendo-o pompoar entorno dos dedos de Zoro com força, e aquilo continuava a doer muito.
Sentiu a língua de Zoro lamber seu pescoço e arrepiou-se enquanto os dedos dentro de si começavam a mover-se novamente, mas a dor parecia diminuta quando sentiu a mão grande de Zoro segurar-lhe o membro pulsante e negligenciado, começando a acariciá-lo rapidamente.
Gradualmente, os movimentos dos dedos de Zoro aumentaram a velocidade e Sanji recomeçara com seus gemidos de prazer, que pararam ao sentir que Zoro deixara de tocá-lo tanto em seu membro quanto em sua entrada.
Abriu os olhos e encarou Zoro, que segurava sob suas coxas, empurrando-as para cima e expondo-o aos olhos escuros, que pareciam sorrir ao buscar pelos seus.
Deveria sentir-se envergonhado? Deveria sentir-se amedrontado? Não sentia-se. Na verdade, sentia-se ansioso, excitado, extasiado. Estava com Zoro. Isso era tudo o que importava.
– Não me olhe assim. – Sanji disse, rouco, com um sorriso. Sabia pelo que Zoro estava esperando, mas não diria aquelas palavras. – Não pedirei por isto e tampouco direi que pode entrar em mim. – Estendeu a mão direita, tocando o rosto de Zoro e lhe acariciando a bochecha, os olhos escuros fechando-se para apreciar o toque quente. – Eu te amo. – jamais se cansaria de dizer aquelas palavras. – E eu quero você.
Zoro sorriu, abrindo os olhos. Curvou-se e encostou sua testa à de Sanji, os olhos castanho-escuros fixos nos azuis-tempestuosos:
– Eu sempre te amei. Eu sempre te quis. E hoje te quero mais que nunca.
Os lábios de Sanji tremeram ao tentar formular uma resposta, mas esta nunca veio, antes um gemido soltou-se dos lábios de Sanji ao sentir Zoro entrando lentamente em si. Aquilo doía, claro, mas... Havia um prazer ali que palavras não poderiam descrever.
Não fecharia os olhos naquele momento, queria ver as expressões de Zoro enquanto fazia aquilo, os olhos apertados, gemidos involuntários escapando por seus lábios.
Amava-o.
Sanji abraçou Zoro pelos ombros, apertando-o junto de si e mordendo-lhe a bochecha esquerda, permitindo que um gemido languido, mais alto, saísse por seus lábios ao sentir Zoro todo dentro de si, quente, pulsante. Como poderia haver algo tão bom quanto aquilo?
– Você... Está me apertando. – Zoro declarou, com voz rouca e entrecortada e Sanji sentiu-se corar ainda mais ao afundar o rosto na curva do pescoço do espadachim, aspirando aquele perfume que tanto amava. Sempre que Zoro lhe falava algo ou lhe beijava, ao perfume almiscarado juntava-se o cheiro de hortelã e saquê, e, juntos, eles representavam Zoro; aquilo trazia segurança e paz para Sanji. – Eu não sei se você está me sugando ou tentando me expulsar, mas... Aah... Eu gosto disso. Eu gosto de você... Do seu calor. Do seu cheiro. Eu amo tudo em você, Sanji.
Novamente, antes que Sanji pudesse responder com palavras, um gemido escapou de sua boca quando Zoro começou a mover-se lentamente, e àquele primeiro gemido seguiram-se outros, alguns mais altos, outros mais baixos, e ainda entrecortados, as vozes de ambos formando uma sinfonia única, que tinha beleza inigualável para ambos conforme os movimentos tornavam-se mais rápidos, mais fortes.
Suados, seus corpos esfregavam-se, e aquele atrito gerava ainda mais excitação. Sanji sentia-se pompoar em torno do membro de Zoro, gemidos e choramingos sendo balbuciados com dificuldade enquanto Zoro estocava em si com força, segurando suas coxas separadas e empurrando-as para cima, tornando as estocadas ainda mais profundas.
Agora, entre os gemidos desconexos, os nomes eram murmurados com uma mistura de sentimentos, beijos e mordidas sendo trocados com mais e mais frequência.
Sentiam que poderiam morrer de prazer.
Com uma estocada mais profunda e forte, Zoro atingiu a próstata de Sanji, fazendo-o arquear o corpo e gemer ainda mais alto, a cabeça jogada para trás, pompoando ainda mais entorno do membro rígido e pulsante de Zoro, as unhas curtas cravando-se na pele bronzeada.
Não precisavam pedir por mais, nem por força, nem por velocidade. Seus corpos se entendiam, eram o encaixe perfeito, causavam e recebiam prazer igualmente. Assim, Zoro continuou atingindo aquele ponto enquanto apoiava uma das pernas de Sanji em um de seus braços e tomava o membro do cozinheiro em uma das mãos, movimentando-a em subidas e descidas sincronizadas com suas estocadas.
Sentia-se perto do ápice e, a julgar pelas expressões de Sanji e a forma como seu corpo se contorcia, seu interior contraindo e relaxando, ele também não demoraria muito mais.
Mordendo o lábio inferior de Sanji enquanto estocava com mais força dentro do loiro, atingindo sua próstata em todas as vezes, Zoro murmurou:
– Eu estou quase lá.
– Então goza comigo. – Sanji pediu, os cabelos afastados do rosto, os olhos fixos nos de Zoro, um sorriso tremulo nos lábios. – Dentro de mim.
Aquelas palavras.
Zoro sentiu sua excitação atingir níveis indizíveis ao estocar quase selvagemente dentro de Sanji, que lhe arranhava com força, como se buscasse uma rota de escape para todo o prazer que sentia.
Eram intensos em demasia.
Com gemidos ininteligíveis, os espasmos de ambos os corpos intensificaram-se ao atingirem o ápice simultaneamente, o sêmen de Sanji sujando-os enquanto Zoro gozava pressionando a próstata de Sanji, fazendo o loiro contorcer-se em gemidos mudos enquanto Zoro permanecia parado, os lábios entreabertos, o prazer explosivo retirando-o da realidade por um breve espaço de tempo.
Naquele momento, até mesmo suas vozes lhes abandonaram.
Os corpos de ambos tremiam devido à intensidade do orgasmo e Zoro retirou-se de Sanji, jogando-se no gramado macio e puxando o loiro para perto, deitado sobre seu peito.
Arfantes e suados, as palavras lhes faltavam. A sanidade lhes faltava. O ar não lhes bastava. A única coisa suficiente, era, de fato, o amor.
xxx
Todos riam e divertiam-se ao jantar no convés do Sunny, reunidos em torno da mesa redonda cheia de comidas deliciosas que Sanji preparara.
Olhares cúmplices eram trocados entre Luffy e Law, e Zoro e Sanji sorriam para si mesmos sempre que captavam uma troca daqueles olhares, pois sabiam que aquela mesma expressão travessa e tola estampava-se em suas faces sempre que entreolhavam-se.
A mão esquerda de Sanji repousava na coxa direita de Zoro sempre que possível, e a mão direita de Zoro deslizava pela coxa esquerda de Sanji, apertando-a, sempre que sabia que ninguém perceberia.
Adoravam aquela sensação de proximidade entre eles, e esta não era apenas física, mas emocional também. E aquilo não tinha preço.
Terminaram o jantar e Sanji ordenou que Zoro lhe ajudasse, pois era um Marimo muito folgado e tinha que fazer alguma coisa útil naquele navio. Afinal... Tinham que manter as aparências.
Trocando xingamentos, retiraram a mesa e levaram os pratos e travessas sujos para a cozinha.
Assim que Zoro cruzou a porta do cômodo, fechou-a com um chute e, depositando as travessas na pia, agarrou Sanji pela cintura, beijando-lhe o pescoço e aspirando seu perfume.
– Você me enche de tesão, sabia? – Zoro declarou com a voz rouca.
– Se controla, seu animal! Ainda estamos no navio! – Sanji sussurrou em meio à um riso contido.
– A culpa é sua, sabia? – Zoro mordeu-lhe o lábio inferior, os olhos brilhando. Estavam tão felizes... – Não vai tomar a resposabilidade?
– Pode apostar que vou! – Sanji declarou com um sorriso ao tomar os lábios de Zoro em um beijo, uma das mãos no rosto e outra na nuca do espadachim. Amava-o tanto.
Mais cedo naquele dia, assim que conseguiram mover-se após o orgasmo intenso, começaram a rir. Ninguém sabia quem havia começado, só sabiam que quanto mais riam, mais queriam rir.
E então, quando as lágrimas do riso começaram e já não mais conseguiam rir, os lábios encontraram-se em beijos sedentos e carinhosos.
Não trocaram palavras bonitas, não fizeram juras de amor. Antes, trocaram carícias lentas e olhares intensos. Palavras não eram necessárias ali.
Com certa dificuldade e falta de vontade, levantaram-se do gramado e lavaram-se no córrego profundo, trocando palavras maliciosas e toques íntimos.
Sentiam-se bobos, porém felizes. Nunca haviam experimentado aqueles sentimentos antes.
Deitaram-se ao sol para se secarem e apenas então Sanji contou à Zoro a lenda de magia por detrás da tempestade na qual fora lançado ao mar e um momento de silêncio fez-se presente quando Sanji terminou.
– Acho que acredito; afinal... Nada é impossível na Grand Line. – Zoro enfim disse e virou seu rosto na direção de Sanji, beijando-lhe os lábios com ternura. – Mas se isso trouxe você para mim, eu sou grato.
Sanji sorriu. Não sabia se era permitido que alguém fosse tão feliz, mas se não fosse... Bem, ele já chutara as regras há muito tempo.
Levantaram-se, vestiram-se e seguiram caminho na direção do Sunny, conversando sobre tudo e nada mais uma vez, conhecendo-se um pouco mais.
Sanji caminhava com as mãos no bolso, um cigarro preso entre os lábios, e a distância entre ele e Zoro era tão pouca que seus ombros estavam sempre tocando-se.
Assim que avistaram o Sunny, aumentaram a distância entre os corpos em um acordo mudo de segredo. Sabiam que não poderiam contar a ninguém sobre aquilo.
Trocaram olhares.
Sorriram.
Não se importavam em guardar segredo. Estavam, enfim, juntos, e isso era tudo o que importava.
A porta da cozinha abriu-se bruscamente e ambos afastaram os lábios, surpresos.
Em silêncio, Luffy observou-os por um tempo, Law alguns passos atrás. E então, o capitão sorriu, entrando na cozinha:
– Cara, finalmente! Já estava de saco cheio por ver vocês dois sofrendo separados.
– Nós... Hm... Sentimos muito por interromper. – Law pigarreou, puxando a porta da cozinha até quase fechá-la. – Viemos buscar a sobremesa por que vocês estavam demorando...
– Na verdade, a gente queria expulsar vocês daqui pra se pegar, mas buscar a sobremesa também é legal, já que a cozinha está ocupada. – Luffy confessou, dando de ombros e abrindo a geladeira, ignorando o olhar mortal que Law lhe dirigia, o rosto corado. Zoro e Sanji queriam rir e continham-se a muito custo. – Pega os pratos ali e os talheres ali, Trafal. – Luffy pediu enquanto retirava um grande brigadeirão da geladeira e caminhava para a porta da cozinha, parando para esperar Law, que pegava os pratos e talheres para a sobremesa. Sorriu. – Fico feliz por vocês.
– Também ficamos felizes por você, Capitão. – Zoro disse com um aceno de cabeça enquanto olhava na direção de Law, que tentou mostrar-se impassível, mas sua face corou levemente e um breve sorriso lhe curvou os lábios ao desviar o olhar para Luffy, o qual sorria com as faces avermelhadas.
– Mais uma vez, desculpem a intromissão. Nós diremos que vocês estão brigando. – Law sorriu torto para o casal que ainda permanecia abraçado. – Mas acho que não seria prudente demorar... Luffy vai acabar comendo a parte de vocês da sobremesa.
– Trafal, você precisa parar de estragar meus planos! – Zoro e Sanji ainda puderam ouvir Luffy dizendo para Law enquanto deixavam a cozinha e riram-se. Seu capitão era bem único.
– Eles são um casal fofo. – Sanji decretou, ainda olhando para a porta.
– Uhum. São. – Zoro concordou, aspirando o perfume de Sanji mais uma vez. – Seu cheiro me enlouquece. Você está sempre cheirando a cigarro, e eu gosto tanto disso...
Aquilo de novo. Sanji não pôde conter um sorriso.
– Cheiro de cigarro é um fetiche pra você por acaso? – o loiro perguntou, arqueando uma sobrancelha.
– Só quando vem de você. – Zoro respondeu com um sorriso antes de beijar Sanji mais uma vez.
Bem, afinal, para Zoro, Sanji não era apenas uma pessoa que estava sempre cheirando a cigarro. E aquilo fazia bem ao coração do cozinheiro.
Notas finais
Para você que chegou até aqui, espero que tenha gostado. E, se gostou, que tal deixar review? Aliás, mesmo que não tenha gostado, deixe também. As críticas são sempre bem vindas.
Espero que seus surtos tenham sido tão intensos quanto os meus enquanto escrevia essa fanfic, então compartilhe suas experiências comigo =3
Obrigada às lindas que me incitaram todo esse tempo a repostar essa fanfic e me encheram de imagens ZoSan no Twitter ♥
Se quiser mais ZoSan, Above All This é minha participante do Desafio de Abril e você pode encontrá-la nesse link: < http://fanfiction.com.br/historia/609715/Above_All_This/ > ou no meu perfil ;)
Assim, espero reviews, mensagens ou tweets ♥
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