Small Pieces

2 02. Prêmio


Notas iniciais
Resumo: Celebrações e competições em um Natal March.

Amy March era impetuosa, orgulhosa, resistente e concentradamente dramática. Adjetivos que a acompanharam por toda a infância até a idade adulta, um número expressivo que a encaixava em uma geração de jovens adultos buscando um lugar no mundo. No auge dos seus vinte e quatro anos, a mais nova dos March vivia um dilema crucial, o qual a tirara noites de sono ao longo das semanas que antecederam o almoço de Natal oficial da sua família. Então, ali estava ela, parada à porta de entrada da sua casa de infância, treinando uma respiração falha enquanto escutava o som das batidas do seu próprio coração ecoarem altas em seus ouvidos. O som a mergulhava no nervosismo que tomava conta do seu corpo, fazendo com que o resultado da sua decisão se tornasse ainda mais grandioso do que realmente era.

- Hum, só para saber, vamos entrar agora ou só no Ano-novo?

- Calado, estou me preparando. — respondeu levemente ríspida, ignorando o som de indignação que ele soltou ao seu lado.

- Estamos aqui há quase dez minutos, não sei se você percebeu, mas é um tempo longo para uma preparação.

Zombou do tom dramaticamente entediado dele, mas seus lábios teimavam em formar um sorriso que sabia que o faria ficar presunçoso, então continuou a olhar para a porta fechada, falando calmamente:

- Você já poderia ter entrado.

- Que tipo de namorado eu seria se deixasse minha outra metade congelada na porta dos meus sogros completamente sozinha?

Ela apenas o encarou entediada, se Amy March era dramática, Theodore Laurence poderia ser considerado a epítome do drama. A cada oportunidade ele fazia questão de mencionar seu novo status de relacionamento: em um pedido em uma cafeteria alternativa (Minha namorada ama frapuccino!), em um estacionamento no supermercado (Preciso encontrar o carro da minha namoraaada!) ou até mesmo quando assistiam a filmes no sofá da sala de estar do Laurence (Amy, sabia que a minha namorada ama ver pessoas apanhando?). Porém, era um gesto doce e ela nunca o corrigia, apenas quando ele a envergonhava, como no caso do estacionamento, sair gritando enquanto fingia estar perdido o rendeu um bom sermão estilo Marmee March. Tal comparação saiu dos trilhos quando Laurie completou que era um ótimo treinamento para os seus futuros filhos, ele teve que desviar de um pacote de biscoitos após o comentário.

- E se eles não gostarem? — indagou preocupada, encarando a torta coberta em suas mãos, uma receita nova para o almoço que vinha tentando deixar perfeita há semanas.

Ela não era a cozinheira perfeita, esse papel era de Meg e Beth. Até mesmo Jo conseguia se sair razoavelmente bem na área culinária, o que por vezes acontecia de maneira decente só para provocar Amy. Então, as irmãs March criaram uma competição não oficial que acontecia todos os anos durante o almoço de Natal e, como sempre acontecia com elas, descarrilhou um pouco em algum momento e agora envolvia como prêmio um passe livre de algumas das tarefas de fim de ano.

- Meg vai adorar ter outra pessoa cozinhando para as festas além do dia da competição. — ele a consolou, puxando-a para um abraço. — Além do mais, tudo o que você faz fica incrível.

- Você tem que dizer isso, está no manual. — brincou levemente, levantando o rosto para encará-lo.

- O Manual do bom namorado?

- O Manual da boa pessoa. — o corrigiu, beijando suavemente o seu queixo, depois sua bochecha esquerda. — Mas você não precisa disso. — declarou, selando seus lábios rapidamente em um beijo carinhoso. — Obrigada.

- Sempre à disposição, minha senhora.

O sorriso dele a relaxou no mesmo instante, o brilho em seus olhos fazendo seu coração bater um pouco mais rápido, mas logo encontrando um ritmo familiar, uma pulsação suave que a fazia querer se aconchegar ainda mais entre os braços de Laurie. Era sempre assim, ele a levava à loucura no mesmo passo que a fazia se sentir em casa com um simples olhar.

- Eu te amo, Laurie. — a forma como ela podia sentir o amor dele emanando de seu corpo a cada vez que ela o dizia aquelas palavras, sempre a faria querer repetir a cada oportunidade que tivesse.

- Também te amo, Amy. — declarou contente, inclinando o rosto para compartilharem outro o beijo, o qual foi impedido por um grito alto vindo da janela lateral.

Os dois separaram-se rapidamente, olhando em volta e encontrando Jo e Beth os encarando em níveis diferentes de excitação.

- Não acredito! — Jo gritou indignada enquanto Beth ria animada. — Meg, Meg, Meg!

- Lá se vai a minha novidade. — Amy resmungou quando suas irmãs desapareceram dentro de casa, contando os segundos até alguém começar a arrastá-los para dentro.

- Você estava realmente preocupada com a torta? Sendo que pela reação da Jo eu aposto que tem uma aposta ridícula acontecendo e não nos chamaram...

- Eu queria vencer. — um bico infantil adornou seu rosto enquanto ela encarava a torta em suas mãos e ignorava a risada de Laurie. — Mas agora só vão falar sobre o nosso namoro.

- Amy March! Theodore Laurence!

Amy se encolheu dramaticamente quando escutaram um estrondo de passos vindos de dentro da casa, mas relaxou quando Laurie a abraçou de lado, beijando a lateral de sua cabeça ao sussurrar em meio à festa que sua família começava a fazer na porta de entrada:

- Acredite, meu amor, nós ganhamos.

E, ah, Amy sabia que ele tinha razão e o amava por isso. Mas ela ainda teria a torta premiada em algum momento.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.