Slytherin Pride

39 Três palavras


Draco ainda estava inconsciente e ficar na ala hospitalar estava me deixando cada vez mais deprimida, então resolvi agir. Entrei na Sala Precisa sem me preocupar em ser seguida por Harry Potter e sem chamar Crabbe ou Goyle para me acompanhar, eu já não ligava.

Eu iria arrumar aquele armário sozinha, de uma vez por todas. Achava que eu sabia como lidar com ele porque tinha trabalhado na Borgin & Burkes por algum tempo, Rabastan deve ter me ensinado uma coisa ou outra sobre artefatos mágicos das trevas, eu só precisava me lembrar.

Sentei-me na frente do armário e me concentrei, todo aquele esforço em fazê-lo parecer velho tinha enfraquecido o feitiço de teletransporte, eu precisava consertar. Ainda não sabia como, mas alguma memória tinha que me salvar naquela hora.

Fiz um esforço para deixar minhas memórias surgirem, lembrando-me de tudo o que Snape tinha me dito sobre fechar a mente e aplicando o contrário. Ele estaria orgulhoso de mim.

De repente, minha cabeça doeu e eu sorri. Claro que a dor ainda era excruciante, mas eu já estava acostumada e pelo menos eu ganharia alguma coisa em troca.

“- Vai logo, Lizzie. – Rabastan me encorajou de forma rabugenta. – É só correr e atravessar.

Olhei para a parede na minha frente, certamente não era só correr e atravessar. Aquilo era sólido.

— Ah certo, por que você não tenta, Rab? – retruquei de volta. Queria ver ele se esburrachar de cara na parede e depois falar que é só “correr e atravessar”.


- Se eu for, você vai atrás de mim? – perguntou e eu acenei com a cabeça com incredulidade, achando que ele ia fazer um feitiço de última hora ou ia parar a tempo de não se machucar. – Até mais, pirralha.

Rabastan correu e simplesmente atravessou a parede sólida na minha frente. Fiquei algum tempo esperando ele reaparecer atrás de mim, falando que usou um feitiço de Aparatação de última hora, mas nada aconteceu. Esperei um pouco mais e comecei a ficar inquieta, o que estava acontecendo?

Então, uma garota loira apareceu por trás e me deu um tapinha nas costas.


- Juro, é só correr! – ela exclamou, extremamente entusiasmada. Fitei-a da cabeça aos pés, aquela menina certamente não era alguém de quem eu seria amiga, ela era loira, de olhos claros e simplesmente linda.

— Confia em mim, meu irmão fazia isso todos os anos. – deu um sorriso fraco e eu a encarei. Olhei para os pais dela que estavam a uma certa distância. Onde os meus pais estariam aquela hora?

Suspirei e resolvi fazer aquela loucura. Não tinha porque aquela garota mentir pra mim e Rabastan simplesmente não iria voltar tão cedo.

Surpresa, atravessei a parede e cheguei no que parecia outra estação de trem. Um trem enorme com os dizeres “Expresso Hogwarts” na frente esperava os alunos no trilho. Olhei em volta e vi várias crianças da minha idade com diferentes animais de estimação e malas gigantes.

Meus olhos correram pelo lugar procurando por Rabastan, mas não o encontrei em nenhum lugar. Por algum motivo eu soube ali que eu não o veria de novo tão cedo
.”

Acordei confusa, eu lembrava daquilo. Quer dizer, lembrava de verdade, Dumbledore tinha mantido as minhas primeiras memórias de como eu tinha conhecido Cece e Su e eu o apreciei por isso.

Mas na minha mente, eu estava com os meus “pais” e não com Rabastan, pelo menos agora eu sabia a verdade. Fiquei me perguntando quando meus pais tinham realmente me adotado e como o diretor tinha apagado minhas memórias de novo com tanta facilidade.

Suspirei, aquela memória não tinha adiantado nada para eu consertar o armário. Pelo menos eu sabia onde exatamente começava a minha “vida de verdade”, era bom saber que tudo o que tinha acontecido em Hogwarts tinha de fato acontecido.

Fitei o armário e tentei alguns feitiços que já tínhamos tentando antes. Eu me sentia com sorte, talvez eles funcionassem dessa vez.

Barão Sangrento se materializou atrás de mim, antes de eu poder testar para ver se tinha funcionado.

— Não sabia que você podia entrar aqui. – falei, fitando-o.

— Eu posso fazer o que eu quiser. – ele retrucou e eu revirei os olhos, ele nunca deixaria de ser prepotente... – Vim avisar que você provavelmente vai querer estar na ala hospitalar daqui dez minutos.

Estava pronta para fazer mais perguntas, mas ele já tinha sumido. Eu sabia que Barão estava se arriscando ao me dar informações assim, ele não podia usar sua forma de fantasma para intervir na vida dos mortais, mas ele fazia isso de vez em quando e eu o amava por isso.

Será que Draco ia acordar? A enfermeira deve ter mencionado alguma coisa sobre ele estar melhor em dez minutos. Corri. Sai da Sala Precisa na mesma velocidade que entrei e logo já estava na ala hospitalar, completamente ofegante.

Apesar de Madame Pomfrey me dar uma bronca, ela me deixou ir para o lado do Draco, ela sabia que eu estava preocupada e normalmente era o contrário, então ela me deu esse desconto...

Sentei-me na cadeira do lado da cama e apenas esperei. Dez, vinte, quarenta minutos... Barão tinha mentido pra mim? Eu iria matá-lo... Quer dizer, ressucitá-lo e depois matá-lo novamente.

Suspirei, talvez ele tivesse ouvido errado...

Encostei a cabeça na madeira da cadeira e adormeci junto com Draco, talvez no mundo dos sonhos nós pudéssemos nos encontrar e ele não estivesse irritado comigo.

— Lizzie... – ouvi baixinho de repente e abri os olhos. Ainda sonolenta, tudo o que eu via estava embaçado, tive que piscar algumas vezes para perceber que Draco estava me fitando com seus olhos cinzentos.

Levantei-me em um pulo.

— Você está bem! – exclamei, mais alto do que eu deveria.

— Elizabeth! – Madame Pomfrey me repreendeu e eu pedi desculpas antes que ela me expulsasse de novo.

Eu quis abraçar Draco e dizer que estava feliz por ele estar bem, mas eu não sabia se ele ainda estava bravo comigo por causa da nossa briga estúpida. Quer dizer, ele tinha razão, Peter tinha me beijado e eu não tinha o impedido. E a verdade era que eu gostava de Peter, ele era legal comigo, ele gostava de mim... As coisas entre nós eram simples. Mas isso não bastava. Nunca bastou. Como eu podia explicar que eu nunca, nunca, iria amá-lo como eu amava Draco?

Fiquei em silêncio, aliviada por ele estar bem, mas muito receosa para dizer qualquer coisa. Tudo o que eu ouvia eram alguns resmungos de dor e, bem de longe, a voz de Madame Pomfrey dando algumas informações para algum outro paciente. Minha respiração era mais alta do que eu pensava e eu percebi que todo aquele silêncio ia me sufocar.

Os seus olhos claros não fitavam os meus e eu quis gritar.

— Nunca consertaremos o armário se você não olhar na minha cara. – falei em um sussurro, tentando engolir os soluços que estavam tentando sair tão arduamente da minha garganta

Ele me fitou. Foi pior. Seus olhos estavam frios como gelo e sua expressão séria como pedra. Aquele era o Draco Malfoy que todos conheciam, o indiferente e prepotente sangue-puro da Sonserina. Quis chorar, mas engoli um seco ao invés disso. Suspirei e tentei ao máximo não demonstrar a minha angústia e os meus soluços contidos.

— O que aconteceu? – perguntei, mesmo sabendo a resposta. Eu estava desesperada para ter alguma coisa para conversar.

- Potter. – ele falou quase cuspindo o nome e eu percebi que ele não iria querer explicar mais do que isso. – Meu pai vai saber sobre...

Então ele parou, percebendo que o pai dele saber sobre qualquer coisa no momento era simplesmente inútil. Os Malfoy já não tinham toda aquela influência depois que Voldemort voltou, ainda mais sendo ameaçados pelo próprio.

Vi o tom raivoso do olhar cinzento de Draco tornar-se melancólico. Eu simplesmente não acreditava que eu tinha piorado ainda mais a situação. Eu era tão idiota.

— Isso não importa. – me apressei em dizer – Quando você fizer os você-sabem-quem entrarem, tudo vai ficar bem.

Não mencionei Dumbledore de propósito, porque sabia que ele não iria matá-lo, ele não estava pronto, ele simplesmente não conseguiria. Talvez eu fizesse isso por ele, talvez outro Comensal o matasse... Eu não sabia o que iria acontecer, mas sabia que não iria ser Draco.

— Eu tenho que sair daqui logo! – ele ralhou e fez um esforço para se levantar, falhando comicamente. Seus ferimentos ainda não estavam completamente curados e estava claro que ele ainda estava sentindo-os.

— Para. – pedi.

Draco soltou um olhar fulminante e eu não desviei os meus olhos.

— Não seja idiota, isso só vai piorar a sua condição. – falei – Eu cuido do armário, fica aqui e não entre em mais nenhum duelo imprudente com ninguém.

O loiro bufou, completamente irritado. Eu gostava de irritá-lo, mas não naquele momento. Eu queria que ele me perdoasse, não que jogasse uma maldição imperdoável em mim. Me condenei mentalmente por tê-lo provocado.

— Você não pode ficar bravo comigo pra sempre. – murmurei, mesmo sabendo que era mentira. Ele podia muito bem me odiar pra sempre...

— Eu não estou bravo. – falou a pessoa que estava quase soltando fogo pelos olhos – Você faz o que quiser da sua vida, Elizabeth.

Suspirei. Certo, agora ele estava me dando o tratamento de choque, como se não se importasse comigo ou com o que eu fazia porque ele não estava nem ai pra mim, ótimo. Eu não podia nem dizer que a culpa era dele, porque eu mesma tinha causado tudo isso...

— Tudo bem, então. Vou te deixar em paz e cair nos braços de Peter, meu príncipe encantado. Vamos nos beijar no pôr-do-sol e viver felizes para sempre, satisfeito? – provoquei, no auge da minha impulsividade. Talvez o dia em que eu parasse para pensar no que eu falasse, a minha vida seria cem por cento melhor.

Draco não me fitava.

— Tanto faz. – ele resmungou e eu revirei os olhos.

— Ah, você voltou a não se importar? Não foi há muito tempo que você estava me perguntando o que você era pra mim e...

— Cala a boca! – ele berrou, ficando vermelho e eu segurei um meio sorriso. – Você está me deixando louco!

Aham, certo, como se ele já não fosse louco antes.

— Eu não ligo. Você me deixa louca também. Como você acha que eu me sinto com os seus sinais contraditórios? Eu já falei sobre isso... Eu...

— Isso não são sinais contraditórios. Não tem como eu ser mais claro que isso: eu cansei de você.

As lágrimas e soluços que eu estava mantendo para mim mesma com tanto afinco voltaram com força máxima. Eu sempre estava pronta para dar respostas ácidas e sempre parecia forte, mas a verdade era que eu morria de medo de perdê-lo. Eu simplesmente não podia perdê-lo depois de tanto esforço.

Senti a água nos meus olhos e deixei a máscara cair.

— Eu não queria beijar Peter. – falei com a voz trêmula, em um esforço máximo de me explicar – Ele que me beijou.

— Eu não me importo.

Ele tinha que se importar. Ele tinha que entender. Eu estava pronta para morrer e matar por ele, ele não podia me descartar por uma coisa tão estúpida, isso não podia acontecer.

— Draco... – pedi, suplicante. Eu entendia a situação patética em que me encontrava, mas eu não podia deixar o meu orgulho me impedir mais. Eu estava perdendo o jogo, precisava engolir meu orgulho de sonserina e encara aquela situação.

— Draco, há alguns dias você me perguntou porque eu queria te ajudar, porque eu ainda estava do seu lado, mesmo depois de tudo o que você fez e quer fazer. Você não entendia o motivo. – minha voz estava fraquejando, mas eu continuei – E eu falei que você não precisava entender, era só sentir.

Não ousei olhar em seus olhos, porque sabia que estaria naquela expressão de desdém e prepotência, me julgando por estar me humilhando daquele jeito.

— Eu ainda acredito nisso, mas eu só falei isso porque estava com medo de dizer outra coisa. – suspirei – Talvez não medo... Eu não queria dizer. Eu não quis dizer porque não gosto de me expor e odeio ainda mais engolir o meu orgulho e falar o que eu sinto. Você deve entender, porque é assim também.

Então dei um sorrisinho, era irônico eu dizer que odiava falar sobre os meus sentimentos, mas estar discursando sobre eles mesmo assim. Era exatamente isso que eu estava tentando demonstar com tudo aquilo. Como eu me tornava pateticamente fraca e fazia de tudo por ele...

— Qualquer coisa que você esteja tentando dizer é... – ele começou, com o seu tom nojento de superioridade.

- Eu te amo, seu babaca! – exclamei logo antes que perdesse a coragem.

Notas finais
Ooie, algumas horinhas atrasada, mas culpem o horário de verão que comeu meu fim de semana haha
Enfim, cap novo heheh
Gostaram? Me falem pra eu saber se estou no caminho certo (:

Beijocas ♥