Eu acordei com a cabeça latejando, tive mais um de meus pesadelos frequentes. Eu sei, eu sei, são só pesadelos, eles são de mentira, mas alguns simplesmente me deixam maluca.

Cece e Su já me esperavam no salão comunal quando eu desci, elas estavam dizendo coisas que eu não compreendia. Minha cabeça não funcionava de manhã, mesmo. Murmurei algo e nós fomos juntas para a primeira aula. Eu não mencionei minha pequena conversa com o diretor, não sei porque, mas era uma coisa que precisava ficar só comigo.

Eu não consegui prestar atenção em nenhuma aula naquele dia. Nem mesmo nas que o Draco compareceu – que não foram muitas, devo dizer-. Quando me dei conta, era intervalo e eu estava andando, como um zumbi, para a sala de Dumbledore.

Eu precisava saber, precisava tirar aquilo tudo da minha cabeça. Estava me dando náuseas.

– Acidinhas. – falei para a gárgula. Não consegui conter um sorriso, aquilo era genial, eu nunca inventaria algo assim.

Subi o grande lance de escadas circular e esperei na porta, perguntando-me se deveria bater. Não lembro o que eu estava pensando na hora, mas eu fui estúpida o bastante para dar três toques leves na grande porta.

Ninguém atendeu, fiquei um bom tempo olhando para a grande porta pensando que deveria ter outra senha. Fiquei furiosa, eu queria respostas! Então, sem pensar duas vezes, abri-a e olhei ao redor, a procura do diretor.

Não me culpem, eu realmente me senti bem mal depois, mas na hora me pareceu uma ótima ideia entrar e esperar Dumbledore lá.

De qualquer jeito, ali estava eu com toda a minha curiosidade na sala do diretor de Hogwarts, que possuia várias coisas esquisitas e coloridas que me deixavam ainda mais ansiosa. Então eu a vi. A Penseira.

Eu já havia ouvido da Penseira antes, era um artefato muito útil para grandes bruxos como Dumbledore, e bem fascinante. Quando me dei conta, estava de pé na frente da hipnotizante água cristalina da Penseira.

Ergui o olhar e vi várias prateleiras com pequenos frascos de vidro contendo líquidos tão cristalinos quanto a água. Imediatamente soube o que eram… As memórias de Alvo Dumbledore estava ao meu alcance.

Completamente extasiada, comecei a ler todos os rótulos dos frascos e eventualmente notava vários nomes famosos. Os que mais se sobressaiam era “Harry Potter” – óbvio — e um tal de “Tom Riddle”.

— Quem é Tom Riddle? — me perguntei com a adrenalina correndo solta pelo meu corpo.

Rolei os olhos por todos os frascos, maravilhando-me com tudo que eu poderia descobrir só despejando algum daqueles líquidos na Penseira. Estava prestes a pegar um dos frascos, o que estava escrito “Draco Malfoy”, quando eu vi um “Elizabeth Riddle”.

Riddle... Quem será que foram Elizabeth e Tom Riddle? A curiosidade de xeretar a vida da minha xará foi maior do que a de ver alguma possível travessura de Draco.

Então peguei o outro frasco e desepejei sem pensar duas vezes. Quase imediatamente, me vi dentro de uma casa, não era tão pequena e me parecia um bom lugar para morar. Mas era obviamente de outra época, julgando pelos objetos e as roupas penduradas.

Logo, seis pessoas entraram em foco, havia um casal de idosos, que estavam sentados em cadeiras de balanço de mão dadas apenas observando o aposento. Algo neles me fez sentir pena, mas não sei muito bem o que. No meio da sala, havia outro casal, bem mais novo que estavam sentados no chão.

O homem me pareceu alto, era moreno e bem bonito, mas com um rosto sofrido, como se estivesse prestes a morrer a qualquer momento, bem perturbador. Ao seu lado, uma mulher, sorridente, arrumando a roupa de uma menina pequena que não parava de se mexer, soltava gritinhos estridentes constantemente.

Mas o que me chamou mais a atenção foi um sujeito magrela e completamente pálido que se encontrava no canto da sala, abraçando as pernas. Como o outro, sua expressão mostrava angústia, como se o teto fosse cair sob sua cabeça a qualquer momento.

Por um tempo, fiquei imaginando o que realmente eu estava olhando. Por que aquela era uma memória de Dumbledore? Não me parecia nada demais.

— Morfino, faça-se útil e vá buscar o agulheiro! – a mulher gritou para o magrela do canto da casa. Este, surpreso, levantou-se tremendo e andou desengonçadamente para fora da sala.

— Mamãe! Está pinicando! – a garotinha murmurou batendo o pé.

— Se você ficar parada será muito mais fácil, Lizzie. – explicou-lhe o homem moreno.

– Morfino! – gritou a mulher novamente.

Morfino voltou com um agulheiro em mãos, ainda tremendo e pálido. Assim que ele chegou, a mulher gritou. De repente, ela se mostrou pálida e completamente desesperada, assim, do nada.

— Venha Elizabeth! – ela puxou a filha, que se contorceu e protestou. – Venha Tom! – gritou para o homem moreno, que estava perplexo, piscando rapidamente. Ele obviamente não entendeu o que estava acontecendo, assim como eu e os outros do aposento.

A mulher fez moveu a boca sem emitir som, dizendo “venha! Confie em mim!”, mas não adiantou. Tom ainda estava surpreso demais para levantar-se e correr com a mulher para onde quer que fosse.

Assim, a mulher, já com lágrimas nos olhos, e Lizzie, berrando descontrolada, sairam pela porta da frente sem mais nem menos.

A imagem se desfez e em um piscar de olhos eu estava de volta no escritório de Dumbledore. Eu não fazia idéia do que eu tinha acabado de ver, mas devia ser alguma coisa importante, já que era uma memória que estava na prateleira do diretor. Arfei um pouco e sentei-me no chão, um tanto exausta – sem motivo eminente -.

De repente, minha cabeça começou a latejar e, em instantes, doia profundamente, ficando insuportável. Eu já estava acostumada com essas dores de cabeça, sempre achei que fosse alguma doença desconhecida que eu tinha. Mas daquela vez foi a pior, era como se algo quisesse sair do meu cérebro a força. A pressão era quase sufocante… Eu não conseguia mais respirar direito e minha cabeça era como uma bomba atômica explodindo.

Tentei gritar, mas todo o ar parou na minha garganta, tudo o que eu consegui fazer foi me contorcer no chão e fechar bem os olhos, esperando que a dor passasse. Por um instante, eu achei que fosse morrer de dor de cabeça, mas até eu sabia que aquilo não era possível.

— Elizabeth? – ouvi uma voz familiar dizer meu nome, mas eu não tinha força para abrir meus olhos e ver quem era. De repente, tudo sumiu.

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Quando eu acordei, estava na enfermaria, com Su e Cece me olhando com faces preocupadas.

– ELA ACORDOU! – berrou Beatrice, me assustando.

— Shh, fala baixo, ela acabou de acordar! – Suzanna falou, não tão mais baixo.

— Garotas, garotas, vamos, podem ir para a aula agora. Ela vai ficar bem. – Madame Pomfrey disse, empurrando as meninas para fora da enfermaria.

Logo depois, enfiou uma colher com alguma coisa na minha boca e eu engoli a força. Era horrível e eu quase cuspi tudo, mas seria desrespeito, acho.

— O que aconteceu? – perguntei, mas saiu mais como “Ê onceu?”.

— Shh, querida, você ainda está muito fraca. – ela falou, preocupada.

Bufei e fiquei quieta. Eu descobriria mais cedo ou mais tarde.

— Ah, o professor Snape estará aqui em um minuto. – completou em um tom gentil.

“Bom, me ferrei.”, pensei. “Provavelmente ele descobriu que eu invadi o escritório de Dumbledore e mexi nas suas coisas e vai tirar milhões de pontos da Sonserina por minha causa.”

Vejamos, ele me odiava, não tinha nenhum motivo para ele me poupar.

— Miller. – Snape falou assim que chegou, com aquela sua linda voz que podia fazer borboletas sairem do casulo mais rápido do que deviam.

— Olá professor. – falei.

Ele franziu o cenho. É, eu estava ferrada.

— O que a senhorita estava fazendo no escritório do diretor sem autorização? – perguntou seco.

Suspirei e pensei antes de responder. Eu nunca tinha me metido em encrenca, em nenhum dos meus anos em Hogwarts, aquela não seria a minha primeira vez. Não, a primeira vez teria que ser épica, não por causa de uma besteira daquela.

— Eu tive uma conversa com o diretor ontem que ficou inacabada, então pensei que… Bem, pudesse continuá-la hoje… Senhor.

— Pensou errado. Se o diretor quisesse falar com você, ele te chamaria. Agora ande, você está de detenção. Amanhã, comigo, depois da última aula. – afirmou simplesmente.

— O quê?! Mas eu só… Detenção?! Não posso, eu… — eu comecei, tentando achar palavras para expressar toda a minha indignação, mas ele já havia saido andando, com aquele cabelo liso e idiota dele.

Odiava ele, preferia muito mais a professora McGonagall… Ou qualquer outra pessoa no mundo.

Eu sai da enfermaria depois de algum tempo e vaguei pelos corredores da escola, que já estava quase vazia, todos deviam estar jantando ou fazendo outras coisas no tempo livre.

— Cala a boca! – ouvi alguém gritar do banheiro feminino. Detalhe: do banheiro feminino da Murta-Que-Geme. Quem estaria lá? Ainda mais naquela hora?

Como sempre, minha curiosidade me moveu e eu coloquei a cabeça para dentro do banheiro, me deparando, surpresa, com Draco Malfoy conversando com a Murta. As borboletas no meu estômago deram uma parada quando analisaram a situação de verdade. Eu não sabia se ficava perplexa ou maravilhada em ver ele.

— Draco, o que você quer dizer com isso? – ouvi a Murta perguntar indignada.

Do que eles estavam falando?

— Você entendeu da primeira vez! Agora vê se fala baixo. – ele retrucou impaciente. – Tem, ou não?!

— Eu não sei… Talvez…

Tentando me aproximar mais, eu tropecei e cai com tudo no chão, fazendo um barulho alto demais para passar despercebido. Percebendo o meu erro, levantei-me rapidamente e fingi que estava andando normalmente pelo corredor. Se eu saisse correndo, seria muito óbvio.

Em segundos, eu vi Draco saindo do banheiro e olhando para os lados.

– O que você ouviu?! – ele perguntou furioso.

Eu olhei para ele e pisquei, fingindo inocência.

— Quê? – perguntei com a minha melhor voz.

Ele bufou e revirou os seus olhos maravilhosos.

— O que você ouviu?! – repetiu, agora mais alto e segurando o meu braço.

Certo, eu não iria lavar aquela área que ele tocou nunca mais na vida. Brincadeira, mas eu admito que me arrepiei toda e meu estômago entrou em êxtase novamente.

— Eu não ouvi nada. – menti, forçando um sorriso. Ele não me assustava, apesar de estar bem estranho naquele ano.

Draco franziu o cenho e me olhou desconfiado, com razão, logicamente. Ele era tão esperto, quase que eu cai em seus braços naquele momento, mas antes de eu dizer ou fazer mais alguma coisa, ele virou-se e andou para longe, deixando o corredor sentindo falta de sua presença marcante.

Fiz o mesmo, virei-me e me arrastei para o lado oposto, tentando ao máximo não correr de volta. Minha força de vontade me surpreendeu e eu logo estava no salão comunal, encontrando Cece e Su, que me perguntavam freneticamente o que tinha acontecido.

Toda vez que eu respondia “não sei”, elas faziam sinais negativos com a cabeça, como se não acreditassem em mim. Bem que eu queria que aquilo tudo fosse mentira. Quero dizer, a parte da detenção, da dor de cabeça e dos meus pais não serem meus pais, não a parte de Draco Malfoy.

Fui para a cama pensando no meu próximo pesadelo e crise de dor de cabeça. Eu não poderia ficar desmaiando por ai, eu sabia que algo estava errado, e algo me dizia que a memória que eu vi tinha algo a ver com isso.

Talvez se eu visse mais memórias… Novamente, sendo estúpida como sempre, levantei-me da cama e andei sorrateiramente para fora das masmorras.

Notas finais
Oooi, desculpeeeem a demora, começo e fim de ano é uma loucura e meu computador ficou um tempo quebrado tambéem...

Enfim, ta aí mais um capítulo, espero que gostem *--*
E para quem eu não mandei: FELIZ ANO NOVO - atrasado- ^^

Beeijos, mandem-me um review e me deixem feliz 8D