Slytherin Pride
27 Máscaras
Para a minha surpresa, eu não fiquei na ala hospitalar tempo o suficiente para perder as aulas práticas de aparatação em Hogsmeade, mas mesmo assim Madame Pomfrey não me deixou ir, recomendando que eu repousasse. O que não era legal. O teste seria em quinze dias e eu estava pensando seriamente em não comparecer, eu falharia mesmo se tentasse...
Quando finalmente sai, a primeira coisa que fiz foi dormir. Ok, quem estou enganando? A primeira coisa que fiz foi fazer todas as tarefas que eu perdi. Eu podia ter perdido minhas aulas de aparatação, mas eu não queria repetir de ano. Felizmente, Suzanna me ajudou –muito-.
Draco não tinha me visitado nenhuma outra vez desde que perguntou quando eu sairia e eu fiquei me perguntando o motivo. Ele certamente ainda precisava da minha ajuda, por que estava se fazendo de difícil?
Deixando esses pensamentos de lado, vaguei por uma Hogwarts quase vazia nos dias das aulas práticas em Hogsmeade, aparentemente, quase todos os alunos do sexto ano tinham idade o suficiente para fazê-las.
Fui para a biblioteca afim de encontrar Draco, eu sabia que ele era um dos que não ainda não podia o prestar o exame e ele tinha me dito que sempre estava na biblioteca ou na Sala Precisa. Eu não duvidava nada, ele estava assustadoramente determinado.
Para a minha surpresa, quem estava lá era Peter. Abri um sorriso pra ele e, com um gesto de mãos, ele me chamou para aproximar-me.
— Oi. – sussurrei, sentando-me na cadeira a sua frente.
— Elizabeth Miller, você não está mais hospitalada. – ele falou, no mesmo tom baixo que o meu.
Acenei com a cabeça.
— O que está lendo? – perguntei, tentando ver a capa do livro pesado que estava aberto sobre a mesa.
— Coisas do sétimo ano, muito avançadas para plebeus como você.
Dei-lhe um tapa no braço e ele riu, tirando um “shh” de alguns outros alunos que estavam na mesa ao lado.
— Vamos sair daqui. – Peter disse, em um tom mais alto que o normal só para provocar os outros e eu sorri, acenando que sim.
Eu sempre me aventurei por Hogwarts sozinha e por isso conhecia várias partes do castelo que muitos nunca nem ouviram falar, mas, pela primeira vez, eu estava sendo levada para um lugar que nunca tinha ido.
— Onde estamos indo? – perguntei, quando passamos pelo portão principal e fomos para os arredores do castelo.
Foram raras as vezes que eu andei por fora do castelo porque tinha medo de me perder na Floresta Proibida –e ser expulsa-, mas Peter parecia saber exatamente onde ir, então me senti mais segura.
A princípio, achei que fôssemos até os campos de quadribol, mas viramos para o outro lado e logo me deparei com o Salgueiro Lutador. Francamente, por que a escola tinha aquela árvore por perto?
Quer dizer, ela só servia para espantar os animais e machucar os alunos. Era extremamente perigosa! No segundo ano, teve até boatos de que Harry Potter e Rony Weasley bateram na árvore com um carro voador porque se atrasaram para o trem.
Eu duvido muito que isso tenha acontecido, quais são as chances deles saírem de Londres com um carro voador sem serem vistos? Nenhuma.
— É surpresa. – ele respondeu de repente, me livrando de meus devaneios.
Passamos pelas estufas e finalmente nos estabelecemos na beira do lago, ao lado do grande penhasco que divida-o com as paredes do castelo, que agora estava no alto. Se seguíssemos bem adiante, veríamos a estação de trem.
— Nunca tinha vindo aqui. – admiti, impressionada com a grandeza do lago. Eu nunca tinha parado para pensar o quão grandioso era.
— Nunca apreciamos direito esse lugar quando passamos por aqui de barco no primeiro ano. – ele disse, como se sentisse falta daqueles tempos.
— É verdade.
— Sou fascinado pelas criaturas do lago, sabia que algumas delas tem até uma civilização própria?
— Você é realmente da Corvinal. – eu disse, depois de rir. – Mas não, eu não sabia.
Ele deu um sorriso.
— Agora sabe. Eu sei bastante curiosidades sobre o castelo porque a esfinge sempre pergunta esse tipo de coisa...
Fiz uma cara de confusão e ele explicou rapidamente:
— É assim que chamamos a estátua de bronze que nos faz perguntas para podermos entrar no salão comunal. Mesmo ela sendo uma águia...
— Como assim? Vocês sempre tem que responder a uma pergunta para poder entrar? – perguntei, incrédula.
Ele acenou com a cabeça. E eu, como sempre, soltei um comentário idiota:
— E se você esquecer um livro ou alguma coisa?
— É só torcer para que a pergunta seja ridiculamente fácil, se não, deixe o livro pra lá. – respondeu, rindo.
Parei para notar o riso de Peter, era simplesmente adorável e familiar. Confortador. Diferente de Draco, que sempre parecia um desafio, estar com Peter era cômodo, mais fácil.
— Como você faz para entrar no salão da Sonserina? Um pacto de sangue, jurando ser mal para sempre? – perguntou, zombateio.
— Sim, normalmente exige um sacrifício de um animal. – respondi, brincando e rimos.
Percebi que minha relação com Draco nunca seria assim, nós nunca íamos brincar sobre coisas idiotas e rir juntos. Porque ele não era assim, e eu não era assim com ele. Mas, se eu tinha tanta certeza da nossa incompatibilidade, por que ficava pensando nele o tempo todo?
Por que seus olhos cinzentos não saiam da minha mente? Quer dizer, ele era indiferente comigo, mas também tinha me agradecido por salvar sua vida e na Sala Precisa tinha mostrado se preocupar.
Nós tínhamos nos beijado e ele tinha retribuido, isso tinha que significar alguma coisa. Certo? Certo?
Mais do que nunca, odiei o fato de não poder contar nada disso para Cece ou Su, porque eu tinha certeza que elas me ajudariam.
De volta para a realidade, voltei a fitar os olhos incrivelmente claros de Peter e me concentrei em sua pessoa. Era injusto com ele ficar pensando em Draco, enquanto ele estava sendo tão legal comigo.
Qual era o meu problema?
Eu tinha um cara absolutamente lindo na minha frente que era engraçado e inteligente e claramente queria ser meu amigo -ou até talvez mais do que isso-, por que eu estava pensando no idiota do Malfoy?
“Foco.”, pensei e respondi a pergunta dele:
— Na verdade, tem uma porta que se materializa em uma parede ao reconhecer um sonseríno. Segundo o Barão Sangrento, ninguém de outras casas jamais conseguiu entrar lá.
— Vou ser o primeiro, então. – ele disse, soltando seu sorriso cativante.
— Claro que vai. – disse, irônica e rimos novamente. Falar com ele era tão fácil.
— O Barão Sangrento é legal? Eu nunca consegui falar com o fantasma da minha casa.
— Você vai achar isso patético, mas o Barão é o meu melhor amigo.
Me arrependi logo depois de ter falado aquilo. Sério, eu realmente era patética. O que fazer quando um cara lindo fala com você? Diga que seu melhor amigo é um fantasma. Óbvio, por que não?
— Isso não é patético. – ele disse, mas eu vi seu esforço para não rir.
— Pode rir. – dei-lhe permissão. – Mas não se esqueça que eu sempre posso pedir para ele te assombrar e ele é muito bom nisso.
Peter imediatamente fingiu estar assustado e eu sorri, triunfante.
Ficamos o resto da tarde conversando sobre as diferenças da Sonserina e Corvinal e de outras coisas aleatórias sobre Hogwarts. Eu não tinha visto o tempo passar, e, quando me dei conta, já estava escurecendo.
— Ótimo, vamos ser comidos por algum centauro maligno da Floresta Proíbida. – comentei, levantando-me rapidamente, ao ver o sol prestes a se pôr.
— Não seja ridícula, Liz, centauros são criaturas racionais e muito inteligentes, por sinal. Você não tem aulas de Adivinhação com o Firenze?
— Não faço Adivinhação. – disse, perguntando-me por que raios Peter fazia essa matéria. – Firenze é um... Centauro?
— Sim.
— Talvez eu resolva fazer Adivinhação. – comentei e ele riu, finalmente levantando-se também. – Como eu nunca vi um centauro na mesa dos professores?
Logo depois de fazer a pergunta, perguntei o quão óbvia era a resposta e comecei a gargalhar, sendo acompanhada por Peter, que percebeu tão rápido quanto eu.
— Sua perspicácia me fascina, Liz, as vezes me pergunto por que você não é da Corvinal. – ele disse, zombateio, só aumentando ainda mais as nossas risadas.
Juntos, fomos para dentro do castelo e nos despedimos, indo cada um para seu respectivo salão comunal. Fiquei pensando em quanto tempo ele ficaria parado do lado de fora até adivinhar a charada. Mas então lembrei-me que ele era extremamente inteligente e que se fosse eu, ficaria mais de um dia com certeza.
Depois de finalmente sentar-me em uma das aconchegantes poltronas do salão da Sonserina, vi Suzanna e Beatrice se aproximarem de mim. Sentaram-se também, parecendo exaustas.
— Como vocês foram nas aulas? – perguntei.
— Eu sou horrivelmente terrível em Aparatação. – Cece murmurou, cabisbaixa.
— Pelo menos você tem chances de passar no teste. – comentei, tentando animá-la.
— Só que não. – ela disse. – Sério, Liz, acho que você é melhor que eu sem nem ter feito as aulas.
— Eu duvido muito. – respondi, sincera.
— Ambas são ruins. – Suzanna disse de repente, arrancanco risadas nossas. Cece e eu sabíamos que Su tinha apenas tinha sido sincera acidentalmetne, sem nenhuma intenção de ser grossa, por isso achamos graça de sua súbita maldade.
— Quer dizer... – começou, tentando se redimir.
— Esquece, Su, nós sabemos.
— Por favor, vamos parar de falar sobre isso. – Cece pediu, suspirando. – O que você fez o dia todo?
Não conseguia ver meu rosto, mas simplesmente o senti mais vermelho de repente, o que fez o interesse de Cece aumentar rapidamente. Agora que já tinha sido absolutamente pega, desconsiderei qualquer mentira que estava planejando contar.
— Eu passei o dia com Peter. – murmurei, sem graça.
As duas abriram sorrisos extremamente exagerados e Cece logo perguntou:
— Aquele gatinho que você mencionou? O da ala hospitalar?
Acenei que sim e ouvi um gritinho histérico da loira, que claramente precisava de medicação e terapia intensa.
— Ok, Cece, não aconteceu nada, ele é meu amigo. – esclareci rapidamente, antes que ela começasse a tirar conclusões precipitadas.
— Por Merlin, Su, me ajude aqui... – ela pediu revirando os olhos e fitando Suzanna.
- Ela está certa, Liz. Você passou vários dias conversando com ele na ala hospitalar, dai você sai e passa o dia todo com ele, sozinha. Ele pode ser seu amigo agora, mas...
— Mas nada! – exclamei, inconformada. – Gente, ele é meu amigo e ponto. Nada vai acontecer entre a gente.
— Mas Liz...
— Espera, isso não é por causa do Malfoy, é? – Cece perguntou, claramente irritada.
Elas sempre desaprovaram a minha paixonite por Draco, mas não sabiam que agora não era mais assim. Era real dessa vez. Nós estávamos mais próximos do que nunca...
— Não! – exclamei, porque, por mais que eu quisesse esfregar na cara de Cece que nós tínhamos nos beijado e que ele se importava comigo, eu não podia.
— É sim, Liz, está estampado na sua cara. – ela respondeu, ríspida. – Nunca vai rolar entre vocês, amiga, esquece! O Peter é legal, engraçado e uma gracinha, como você mesma disse, talvez você deva dar uma chance a ele.
— Ok, eu vou dar. – eu disse logo depois, afim de me livrar dela. Percebendo minhas palavras, me arrependendi imediatamente.
Notas finais
Cap novo pra vocês ♥
Não sei ao certo se vou viajar, mas se eu for, vou demorar um pouco mais para postar o próx, se não, postarei daqui uma semana, como sempre (:
E ai, gostaram do cap? Comentem, comentem *-*
Beijão :*
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