Slytherin Pride
44 Epílogo
Acordei na familiar ala hospitalar de Hogwarts, que tinha substituído suas cores por preto. Aquilo me fez acordar para a realidade. Eu estava em um mundo onde Dumbledore estava morto e Draco tinha ido embora sem mim. Imediatamente quis voltar a dormir.
— Ela acordou! – ouvi e me virei para fitar a dona da voz. Cece estava com Su e Jesse esperando eu acordar. Recebi alguns abraços e fingi alguns sorrisos, enquanto eles me contavam o que tinha acontecido enquanto eu estava dormindo.
Me contaram que Dumbledore tinha morrido e que ninguém sabia como. Me contaram que a Marca Negra tinha surgido do nada no céu e que os Comensais da Morte tinham entrado de um jeito misterioso em Hogwarts. Me contaram tudo o que eu queria esquecer.
Eles acharam que eu tinha desmaiado por uma memória e eu deixei eles continuarem acreditando nisso.
Eventualmente eu contaria a verdade, mas não naquele momento, naquele momento eu tinha que fingir que nada tinha acontecido, eu tinha que deixar a culpa dentro de mim sumir aos poucos. Tinha que esquecer dos olhos cinzentos de Draco.
Fingi surpresa e consegui me livrar deles. Dormi mais alguns dias.
Suzanna me acordou para ir no enterro de Dumbledore, mas eu fingi estar mal ainda, quando já estava completamente recuperada. Eu não queria encarar nada.
Depois de um bom tempo, finalmente criei coragem para me levantar.
De modo robótico eu contei tudo para Suzanna e Beatrice, incluindo a parte do Draco e excluindo a parte do armário, porque se contasse iria morrer. Cece ficou irritada por eu ter mentido o ano inteiro, mas ficou aliviada por saber que eu não estava agindo estranho por nada.
Su apenas me chamou de imprudente e falou que eu deveria ter contado e deveria ter lidado com a situação de forma diferente, como se eu não soubesse daquilo. Realmente, se eu tivesse contado para Suzanna, talvez as coisas tivessem sido diferente.
— Não contem para Jesse. – foi a última coisa que eu falei.
— Por que? Ah, Liz, não vou conseguir manter isso por muito tempo dele. – Cece disse. Ela tinha razão, Jesse não era estúpido, ele já tinha percebido que escondíamos coisas dele, cedo ou mais tarde ele descobriria a verdade.
— Eu não confio nele. – soltei sincera. Eu não manteria mais segredos, eu não aguentaria mais. Tudo a partir dali seria transparente, elas teriam que se acostumar.
— Ele é seu primo! – Suzanna exclamou, incrédula, e eu dei de ombros.
— Eu sei, e eu amo ele. Mas não confio. Acho muito estranho ele ter entrado no sexto ano e eu nunca saber que ele era um bruxo. Ele nunca mencionou nada, Cece?
Ela negou com a cabeça.
— Ele não gosta de falar do passado. Eu também não, então nunca questionei. – ela respondeu. – Mas eu confio nele, Liz, acho que você podia confiar também.
— Não consigo ainda. – murmurei. – Com um tempo talvez eu confie, mas não agora.
Ela apenas deu de ombros.
— Você que sabe.
— Mas isso é o de menos. – Suzanna disse. – O que você vai fazer? Você não está pensando mesmo em ir atrás dos seus pais, né?
— Como não? Ela tem que ir. – Cece retrucou. – É o único lugar que ela estará salva.
— Ah, vocês vão confiar na palavra de um Comensal da Morte?
— Suzanna, ele cuidou dela quando foi abandonada pelos pais, acho que ele pode ser confiável.
As meninas continuaram descutindo a situação por mim, mas eu já tinha parado de ouvir. Minha mente estava em outro lugar. Pensei em Draco e em como ele iria se virar dali por diante, ele iria matar sangue-ruins? O que iria acontecer com ele?
E Rabastan... Ele tinha se arriscado tanto por mim e contra Voldemort e mesmo assim teve que aceitar a morte de Dumbledore e lutar contra seus príncipios. Onde ele estava? Fiquei me perguntando se realmente iríamos nos encontrar de novo...
Suspirei. Não acreditava que aquele ano tinha realmente acontecido. Era muita coisa em muito pouco tempo, eu nunca imaginaria que tudo isso poderia acontecer comigo. Talvez eu não devesse ter desejado um ano melhor para começo de conversa.
Deveria ter ficado satisfeita com a minha vida monótona de bruxa que eu tinha anteriormente.
Mas a vida nunca é como prevemos.
Talvez eu tirasse alguma coisa dessa experiência. Ainda era muito cedo para saber.
Olhei para minhas duas amigas e afirmei, finalmente sabendo exatamente o que eu estava fazendo:
— Eu vou achar meus pais e vou descobrir o que realmente aconteceu com no meu passado. E se Voldemort vier me matar, que venha, eu estarei preparada.
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