Slytherin Pride

19 Consequências


Acordei no dia seguinte achando que os cabelos loiros saindo pela porta tinha sido só um sonho muito bom. Talvez tenha sido, não tinha como ter certeza. Afinal, Voldemort era meu tio, então tudo podia ser verdade…


Pois é.

Era o último dia do ano e Madame Pomfrey me liberou, com a recomendação de que eu repousasse. O que ela esperava que eu fizesse? Sinceramente, eu não iria sair correndo e gritando pelos corredores, por Merlin!

— Você já está bem! – Suzanna berrou ao me ver de pé. Quis dizer que sempre estive bem, mas algo me impediu. Talvez o sentimento de pobre vítima. Era bom ser amada de vez em quando…

— Droga, bem quando estávamos preparando uma surpresa de ano novo… — Jesse murmurou, chegando por trás de Su.

Dei uma risadinha irônica.

— Imagino o que seria isso… — retruquei, enquanto ele fazia careta pra mim e pegava na mão de Cece, que chegara logo depois. – Vocês finalmente assumiram o namoro?

Cece ficou vermelha, não a via com vergonha assim faz tempo, talvez o lance dela com Jesse fosse realmente sério.

— Parece que sim, né? – Jesse respondeu por ela, que apenas deu uma risadinha.

Eu estava feliz por eles, mas não deixava de pensar na minha má sorte para relacionamentos. Quer dizer, sempre gostei do Draco e simplesmente sabia que ninguém da Sonserina iria gostar de mim, então sempre foi… Complicado.

E para Cece, sempre foi tão fácil. Parecia que ela escondia caras legais em algum lugar e ia terminando sempre que cansava deles, eu tinha um pouco de inveja, mas não deixava de sentir pena também.

Pensei se seria assim com Jesse…

— Ai primo, acho que é hora de eu mostrar uma foto sua daqueles tempos… Sua namorada tem que te conhecer por inteiro, certo? – brinquei e ri imediatamente com a cara que ele fez.


— Você está se referindo da época que ele era gordo? Nossa, adoraria ver essas fotos! – Cece disse entusiasmada, fazendo Jesse me fuzilar com o olhar.

Gargalhei alto e fui com meus amigos até a sala comunal. Até então, meu fim de ano estava perfeito. Claro que seria melhor se Draco fosse meu namorado e Voldemort não fosse meu tio… Mas a gente não tem tudo que quer, certo?

Nas masmorras, nos aconchegamos nos sofás e ficamos nos aquecendo na lareira até finalmente dar meia noite. Brindamos, rimos, falamos de tudo, tivemos um ótimo momento. O que era difícil para minha pessoa, convenhamos.

Era engraçado como estava indo tudo maravilhosamente bem de repente, mas eu sabia que a vida iria estragar tudo eventualmente, então não deixei minhas esperanças subirem. Depois de acordar no dia seguinte de uma noite sem pesadelos, me encontrei com o Barão.

— Feliz ano novo, Elizabeth. – ele disse, com aquele tom cordial de sempre. Ele se achava porque era de outra época…

— Feliz ano novo! Arrastou muitas correntes esse ano, se arrependendo pelo que fez e tal? – perguntei, porque era cruel com o pobre fantasma.

Mas ele nem ligava mais, depois de seis anos ainda respondia a mesma coisa:

— Seu senso de humor é impecável.

— Obrigada. – respondi sorrindo e ele estranhou o meu bom humor.

— O que te deixou tão feliz esse fim de ano?

— Você devia saber, sempre está no lugar certo na hora certa. O que me disse da última vez? Você tem que escolher entre seus sentimentos e a coisa certa. – completei, imitando seu tom de voz autoritário. – Hilário Barão, realmente.

Ele apenas ficou me fitando e eu sabia que se não fosse tão orgulhoso, reviraria os olhos e me xingaria, mas ele tinha uma reputação a manter.

— Cada ano que passa, você fica ainda mais inteligente, Elizabeth. – respondeu, irônico. Eu ri e pisquei pra ele.

— É brincadeira, você me ajudou de verdade, obrigada. – disse, agora séria. – Você sabe se Dumbledore já está em Hogwarts?

— Não sei porque você ainda faz questão de me perguntar essas coisas.

– Também não… Força do hábito, eu acho. Mas ele está? – não custava tentar.

O Barão bufou, mas antes de desaparecer acenou de leve com a cabeça. Sorri satisfeita, adorava quando ele me ajudava, mesmo sendo proibido nas leis dos fantasmas ou sei lá.

Eu tinha decidido que iria falar com o diretor, mesmo que ele lesse meus pensamentos e soubesse que eu tivesse escondendo coisas dele. Eu tinha que contar o que eu sabia de Snape, pelo menos. Sabia que Dumbledore confiava cegamente no professor, mas tinha que tentar.

Depois da conversa que ouvi entre Draco e Snape, era óbvio que o professor estava realmente do lado de Voldemort. Ainda não entendia porque Malfoy não o queria do nosso lado, mas isso só confirmava o fato de que ele era de fato do mal.

Apesar das minhas despreocupações de fim de ano, era minha obrigação avisar, antes que algo ruim acontecesse, então simplesmente fui até a sala do diretor.

Como ele tinha mentido antes, eu não pretendia contar sobre minha memória mais recente. Continuaria fingindo que estava indo perfeitamente bem em oclumência e não lembrava de nada.

Mas, falando sério, como minhas memórias podiam me por em perigo? Não é como se Voldemort estivesse preocupado em exterminar sua antiga família no momento, ele tinha outras preocupações… E pra que ele ia ler minha mente? Simplesmente não fazia sentido, então não me arrependi de desobedecer diretamente às ordens de Dumbledore.

Assim, sem nenhum arrependimento ou culpa, subi as escadas em espiral e bati na grande porta, esperando resposta. Ouvi um “entre” com uma voz fraca e entrei hesitante.

— Bom dia, diretor. – cumprimentei-o com um sorriso falso. – Feliz ano novo.

– Bom dia e um ótimo ano novo, Elizabeth. – respondeu-me com a voz cansada.

Imediatamente notei seu rosto e sua presença, Dumbledore parecia muito fraco, mais do que todas as vezes que o vi. Sua mão parecia imensamente pior e não pude ignorar dessa vez.

— Diretor, sua mão… Está piorando. – disse, tentando ser cuidadosa.

— Ah, sim, sim, parece bem pior, não é? – respondeu, agora pegando um frasco e tomando um líquido qualquer. – Não se preocupe, Elizabeth, nada demais.

— Não parece que é nada demais. – retruquei, porque estava cansada das mentiras de Dumbledore. – Senhor. – completei, porque apesar de tudo, ainda tinha medo dele.

Ele riu. Porque ele sempre achava graça de mim. E apesar disso me irritar, me deixava mais aliviada.

— Eu sempre esqueço, sempre esqueço… — murmurou, mais pra ele mesmo do que pra mim.

— Do que, senhor? – perguntei, porque era insuportável e queria respostas.

— Da sua teimosia. Você tem sangue sonserino afinal… — certo, claro, sempre. – Você é tão diferente dele, Elizabeth, mas tão parecida em outros aspectos.

“Ele quem?” quis perguntar imediatamente, mas eu comecei a achar que Dumbledore estava brincando comigo. Por que ele falava por enigmas? Qual era a dele em falar claramente? Honestamente…

Deixei quieto o assunto da mão e fui direto ao ponto:

— Snape é um comensal da morte.

O diretor estreitou o olhar e seus oclinhos meia lua escorregaram um pouco pelo seu nariz pontudo. Após um tempo em silêncio, perguntou, mais sério:

— O que te leva a pensar isso?

— Eu ouvi ele conversando com Draco, ele fez um voto perpétuo, prometendo que o ajudaria à… O senhor sabe. – respondi.

Dumbledore deu um longo suspiro. Não soube interpretar se fora de pesar ou de impaciência.

— Eu confio nele, srta. Miller. – disse, simplesmente. Com um tom de voz calmo e confortante.

Juntei as sombrancelhas.

– Mas senhor, o senhor não acredita em mim? Ele é…

— Eu acredito em você, Elizabeth. – me interrompeu num tom autoritário.

— Então como pode confiar nele?! Não faz sentido!

Eu estava prestes a levantar, começar um escândalo e provavelmente falar coisas que não devia, como contar minhas memórias e confrontá-lo sobre as mentiras, mas o seu olhar cansado, pidão me impediu.

O diretor parecia realmente exausto, o que estava acontecendo afinal?

Ele deu um longo suspiro e perguntou, como se nada tivesse acontecido:

— Está conseguindo bloquear suas memórias com sucesso?

Bufei, não conseguia acreditar em Dumbledore. Era tão irritante. Tinha acabado de falar que um de seus professores era um comensal da morte e estava tentando matá-lo e ele respondia que confiava nele? Pelo amor de Merlin!

— Sim, senhor. – respondi num murmúrio. Era mentira, claro. Mas não poderia falar a verdade sem confrontá-lo e eu não queria ouvir mais de suas falsas histórias.

Ele me fitou por alguns instantes, aquele tipo que penetra na sua alma.

– E sobre Draco, algo que tenha que me contar?

“Sim, a gente envenenou um hidromel e demos para o Slughorn te dar de Natal, mas eu disfarcei o cheiro, então tudo bem”, isso é o que eu deveria dizer. A coisa certa a fazer. Mas eu estava com tanta raiva dos segredos e mentiras do diretor que simplesmente respondi:

— Não. Quer dizer, descobri que Volde… Você-Sabe-Quem ameaçou matá-lo se ele não cumprisse sua tarefa, parece ter a ver com a honra da família Malfoy ou algo assim. Sinceramente, não acho que Draco seja capaz de cometer um assassinato, mas ele está com muito medo para aceitar isso.

Dumbledore acenou de leve, obviamente não era isso que ele queria ouvir, ele sabia disso muito bem. Queria saber como Draco iria trazer os comensais da morte e quando, queria descobrir se eu realmente estava ajudando-o.

Bom, eu tinha feito o voto perpétuo, não podia revelar sobre o armário. Essa era a minha desculpa, mas a verdade era que eu não sentia mais vontade de ajudar Dumbledore. Tudo que ele tinha feito era mentir pra mim. Ainda não queria matá-lo, obviamente, mas talvez se eu não tivesse feito o voto, eu ainda não lhe contaria a verdade…

— Entendo… Bom, então tenha um ótimo semestre, srta. Miller. Boa sorte nas aulas de aparatação. – falou, por fim, levantando-se e me guiando até a porta.

— O senhor também. – disse, me referindo ao “ótimo semestre” e não as aulas de aparatação.

Droga! Aulas de aparatação! Apesar de soar ótimo, eu não via um cenário no qual eu seria boa em aparatação…

Enfim. Sai da sala com mais raiva que nunca. Eu já estava furiosa pelas mentiras, mas não acreditar em mim? Qual era o problema dele? Talvez Snape devesse mesmo mentir e matá-lo, só pra dar uma lição nesse velho orgulhoso.

Bufante, fui até as masmorras, só para xingá-lo para Suzanna e Beatrice, mas o que eu encontrei foi Jesse sentado em uma poltrona, lendo sozinho. Foi como da primeira vez que o vi, quando achei que era maravilhoso e quis ser as páginas do livro que estava lendo…

Pois é.

Agora, felizmente, só o via como meu primo idiota tentando colocar algum conhecimento na sua cabeça oca. O que era um alívio, porque ser apaixonada por um parente seria um problema.

– Tentando ser inteligente para impressionar Cece? – perguntei, sentando-me no braço da poltrona. – Não precisa de muito, sabe…

Ele deu uma risadinha irônica e me empurrou com o cotovelo. Desviou o olhar do livro e me fitou.

— Ei, tudo bem prima? – perguntou, agora deixando o livro de lado. Pelo jeito, minha cara parecia horrível, porque ele me puxou e colocou a mão na minha testa, vendo se eu estava com febre. Depois ficou analisando meus olhos.

— Calma, Jess, eu estou bem. – falei, me afastando, porque estava começando a ficar assustada. – O que tem no meu rosto?

— Você está pálida! Lizzie…

Então, de repente, as cores começaram a se misturar. O que estava acontecendo? Não era uma memória vindo, era diferente… Era como se… Como se alguém tentasse entrar na minha mente.

Alíviada por ter percebido a diferença rápido, imediatamente coloquei em prática todas as lições que Snape tinha me ensinado. Percebi, tarde demais, que eu não tinha praticado o bastante. Essa força era bem maior que a minha…

Vi Jesse correndo em minha direção e gritando por ajuda. Eles deviam estar acostumados com isso, qual era o desespero? Sinceramente…

Então, meus olhos pararam de focar no que eu queria e minha cabeça finalmente começou a doer. Era diferente, mas não pior. Era uma dor suportável, então não desmaiei, quando finalmente cessou, apenas abri os olhos e respirei fundo.

Jesse já estava pronto para me segurar, quando me soltei dele e dei um sinal de ok com a cabeça.

Fisicamente estava bem, mas tudo aquilo só significava uma coisa: alguém tinha entrado na minha mente e sabia o plano de Malfoy. Precisava falar com ele.

Notas finais
Oooie, capítulo novo (:
Entãao gal, vou viajar, mas dia 15 estou de volta e me esforço para escrever e postar rapidinho, ok? Não se esqueçam da minha pessoa e da Liz! EAIUOHAEIU
Enfim, gostaram? ♥
Beeijos :*