Slytherin Pride

14 Arrependimentos


Enquanto eu subia as escadas, minha visão borrava e eu percebi que as lágrimas estavam vindo. Lágrimas de cansaço, de desespero, de dúvidas. Estavam me condenando pelo meu recente comportamento, pelo meu egoísmo. Aquelas lágrimas eram certamente da Liz que nunca descobrira seu passado.


Ao ver a porta fechada, esperei pacientemente até sentir que eu podia entrar. Não sei o que estava me impedindo de simplesmente escancarar a porta e entrar de supetão, mas permaneci em silêncio.

Ouvia pequenos murmúrios de dentro do escritório e minha curiosidade me fez aproximar-se e tentar ouvir. Assim que consegui reconhecer a voz, me surpreendi ao perceber que não era de Dumbledore.

– Severo, pode deixar, eu estou cuidando do assunto. – disse McGonagall. O que ela estava fazendo no escritório de Dumbledore? Apesar de preferir ela a Snape, eu nunca simpatizei…

— Como exatamente, Minerva? — Snape retrucou com um tom rude. – Alvo já volta segunda-feira, então ficará ciente do assunto. Não precisamos incomodá-lo com isso agora, certamente ele está ocupado com coisas mais importantes.

— Mais importantes que uma tentativa de matá-lo? Severo, você ouviu Leanne, Kate estava indo entregar o pacote para o diretor!

Me afastei imediatamente e meus olhos acompanharam o terror que se passava em minha mente ao processar aquela informação. O pacote era para o Dumbledore? O pacote que quase matou Kate era para Dumbledore? O pacote que Draco arranjara, que me fizera entregar para a Kate? Então era isso.

Então esse era o plano de Draco. O assassinato de ninguém menos que Alvo Dumbledore.

Meu choque me impedira de se mexer quando Snape e McGonagall sairam da sala e se sobressaíram ao me ver. Sem pensar duas vezes, fingi desmaiar e me joguei no chão. A verdade é que nem fiz muito esforço nessa parte, minhas pernas já não estavam aguentando o meu peso, eu ainda estava em completo choque.

— Srta. Miller! – ouvi a professora gritar antes de se jogar para me pegar antes que eu caisse no chão. Fingir que meu corpo estava mole era mais difícil com alguém tentando me acordar.

— Não adianta, ela pode ficar algumas horas desacordada. Creio que Dumbledore não te contou da condição especial da Srta. Miller. – Snape disse com seu jeito nojento e áspero. Condição especial era o cabelo dele que nunca foi lavado na vida.

– Não tente mudar de assunto, Severo. Nossa conversa não acabou, se Potter realmente estiver certo e foi o Malfoy quem… — McGonagall começou, antes de me deitar onde eu imagino ser a cama da ala hospitalar.

— Não estou mudando de assunto. Só acho tais acusações absurdas. Potter sempre teve intrigas com o Draco, tenho certeza que ele deixou a rivalidade deles subir a cabeça. Malfoy, apesar de sua arrogância, não seria capaz disso. – Snape disse em um tom estranho, como se soubesse de alguma coisa. Como se estivesse forçando demais a sua defesa. Talvez…. – E outra coisa, você mesma disse a Potter que Draco estava cumprindo detenção com você.

— Eu menti para não deixá-lo muito esperançoso, a história da Burgin e Burkes parecia bem convincente. Mas talvez você esteja certo. Vamos esperar Dumbledore para tomar uma decisão sobre o assunto. – a professora disse, enquanto se afastava de mim.

A voz de Snape já estava bem fraca quando eu ouvi:

— Então você verá que eu estou certo.

Assim que ouvi a porta da ala hospitalar bater, abri os olhos, atônita. Meu coração estava a um milhão e minha cabeça sofria para processar tudo.

Draco queria matar Dumbledore. Potter desconfiava. Snape estava o protegendo. Certo.

Isso não fazia sentido.

Por que Snape protegeria Draco em uma coisa tão séria? Será que ele também queria ver Dumbledore morto? Snape era realmente realmente do mal? Sempre soube, mas não tão mal assim! Por que raios o Draco queria o diretor morto para começo de conversa?

Suspirei, então o plano dele -o que eu estava colaborando e tinha jurado não contar a ninguém- era na verdade muito mais sério do que apenas trazer pessoas para o castelo.

Meu coração acelerou ainda mais e dessa vez não era por causa de meus pensamentos românticos. Draco realmente precisava da minha ajuda. Ele estava cometendo um grande erro, eu precisava salvá-lo.

Com esse meu pensamento, decidi que iria estar lá por ele vinte quatro horas por dia, até ele confiar completamente em mim e desistir dessa ideia idiota. Eu era a única que podia fazer isso.

Antes da Madame Pomfrey me ver e aparecer com seus remédios horríveis, me levantei silenciosamente e fui para as masmorras.

Tentei dormir, mas um turbilhão de pensamentos invadiam meus pensamentos sem pedir permissão. Com a insônia me tirando a paciência, sai do dormitório e vaguei pelos corredores das masmorras, mesmo sabendo ser proibido.

Precisava de um tempo sozinha para pensar e o silêncio daquele lugar era certamente a melhor opção.

– Criança, você devia estar na cama. – o Barão disse por trás, quase me fazendo acordar todos os quadros da parede. Por sorte, eu não gritei.

— E você devia estar fazendo sei lá o que os fantasmas fazem.

Ele me ignorou, como sempre e disse, sério:

— Você ainda está se envolvendo com Draco Malfoy?

— Se ainda estou o ajudando? Sim, estou. E isso, por acaso, não é a da sua conta.

O fantasma bufou.

— Lizzie. Você já descobriu o que ele está tramando?

Eu odiava que me chamassem de Lizzie, só minha família podia me chamar assim.

— É Liz. E sim. Por isso mesmo, vou ajudá-lo e fazê-lo entender o erro que está cometendo. – sussurrei. – Escuta, eu aprecio a sua preocupação, mas está tudo sobre controle.

Ele revirou seus olhos translúcidos e murmurou:

— Depois não venha chorando como no primeiro ano quando aquele menino puxou seu cabelo.

– Ei! Eu tinha onze anos, tá legal? Pode deixar, não vou deixar o Malfoy me magoar.

Nem eu acreditava naquilo, mas dizem que se você continuar se convencendo, talvez vire verdade.

— Tanto faz. Se cuida, criança. – o Barão ralhou antes de desaparecer e me deixar sozinha no corredor escuro.

Então me lembrei de uma pergunta que estava engasgada na minha garganta desde que voltara de Hogsmeade.

— Espera! Barão! – dei um grito que fez com que os quadros murmurassem e me xingassem baixinho.

O fantasma voltou a aparecer e eu fiz a melhor cara de cachorrinho que consegui.

— Você sabe onde Dumbledore está? Ele não estava no castelo hoje e eu preciso muito desabafar com ele… Contar algumas coisas. – disse. Era verdade, eu realmente queria contar o que eu sabia para o diretor, mas isso era antes de eu descobrir que Draco queria matá-lo. Detalhes.

– Você sabe que eu não posso falar dessas coisas…. – ele começou, como sempre.

– Mas Barão, por favor, é importante. Eu realmente preciso contar coisas que eu descobri pra ele. – me senti mal mentindo para ele, mas minha parte sonserina falou mais alto e o fantasma, que sempre descobria quando eu mentia, acreditou pela primeira vez.

Não pude deixar de pensar que minhas habilidades em mentiras e manipulação tinham aumentado consideravelmente desde que eu descobrira ser parente de Vold…Você-Sabe-Quem.

— Ninguém sabe onde ele foi, eu só sei que vai voltar amanhã de manhã. Você não ouviu isso de mim. – ele respondeu.

– Ouvi o que? – perguntei piscando o olho e ele desapareceu.

Suspirei. Se Dumbledore realmente estava fora, talvez ele não soubesse das tentativas de Draco. Talvez ele voltasse e relevaria a história de Kate. Uma parte de mim acreditava nessas teorias. Mas uma parte maior ainda acreditava que Dumbledore sabia de tudo. Porque ele sempre sabe.

Se Dumbledore sabe, por que ainda não fez nada com o Draco? Será que… Será que ele também queria ajudá-lo a perceber que o que estava fazendo era errado?! Então Dumbledore era meu aliado!

Com minhas conlusões da madrugada, estava a mil, nunca que conseguiria dormir. Eu precisava ver Draco, precisava ver Dumbledore, precisava de muitas coisas que ia demorar muito para conseguir.

Uma noite era uma eternidade.


Finalmente, consegui dormir e para a minha sorte, não tive pesadelos ou memórias. Quando acordei, estava completamente descansada. Minha vontade de matar aulas era enorme, mas eu já tinha perdido aulas demais.

Suzanna nunca mais tocou no assunto sobre meu tio e eu agradecia por isso. Gostava de ser normal para variar. Cece ainda não falava comigo e Jesse só fazia caretas engraçadas quando me via, sempre mantendo seu bom humor.

Tudo parecia voltar ao normal, exceto a minha mente que ainda era um turbilhão de pensamentos sem nexo. Quando as aulas finalmente acabaram, corri –literalmente- para o escritório de Dumbledore, esperando vê-lo lá.

Bati na porta freneticamente e esperei o velho abrir. Felizmente, tinha aprendido do pior jeito a não entrar no escritório e fuçar as coisas.

— Entre, Srta. Miller. – ele disse e eu, ofegante, corri para dentro.

Tinha tanta coisa a dizer que eu nem sabia por onde começar.

— Boa noite. Por favor seja breve Elizabeth, tenho um compromisso às oito horas. – Dumbledore disse, arrumando seus oclinhos meia-lua.

Fiquei pensando em que tipo de compromisso ele teria esse horário. Meu pensamento voou imediatamente para Potter, mas depois me concentrei para me manter atenta.

Acenei com a cabeça e comecei, com a pergunta que que a velha Liz começaria:

— Como está Kate?

O diretor ergueu as sombrancelhas e me respondeu, como se não ligasse para o motivo de eu saber sobre o assunto:

— Está mal, mas teve sorte. O colar só roçou em uma pequena parte de sua pele, havia um buraco em sua luva. Se tivesse o usado ou segurado-o com a mão desprotegida, teria morrido.

Egoli um seco e acenei de leve.

— Ela vai se recuperar, certo? – perguntei, sem fitar nos olhos profundos do diretor.

— Sim. Não sabia que você era amiga dela, Elizabeth. – ele disse, mas eu sabia que estava só jogando verde. Era óbvio em seu olhar que sabia muito bem o que eu tinha feito e o porque. Aquele olhar foi a carta que eu precisava para falar o que eu queria. Tive a certeza de que ele sabia de tudo mesmo.

— Diretor, eu sei que você sabe o que Draco está tentando fazer. Eu não posso falar sobre o assunto, então, por favor, facilite a minha situação aqui. Eu sinto muito mesmo por Kate, eu não sabia o que era aquele pacote e… — engoli minhas lágrimas. – E eu quero ajudar Malfoy. Não a… Você sabe… Só não quero que ele cometa esse erro, o senhor entende?

Dumbledore me fitou por vários instantes e então suspirou.

— Sempre soube que você tinha bondade legítima no coração, estou satisfeito com a sua decisão, Elizabeth.

Ok, certo, até ontem, ele me dizia que eu era, como mesmo? Ah sim, ambiciosa, astuta e com sede de poder. Depois eu que era a falsa…

— Realmente, eu sei o que Draco está tentando fazer, acho que seja de seu interesse saber que já estou cuidando disso, ele não vai conseguir me matar, não se preocupe. E eu já tenho alguém o ajudando, mas mais ajuda é sempre bem-vinda. – ele falou, despreocupado.

Repito: despreocupado. Fiquei feliz em saber que minhas suspeitas estavam certas e fiquei pensando se a pessoa que o estava ajudando era Snape ou se ele era só mal mesmo. Preferi não perguntar.

— Certo, então o que eu faço?

— Continue fingindo que está ajudando ele em seu plano, mas ao mesmo tempo tente fazer com que ele perceba o erro.

É fácil falar.

— Mas… E se não der certo?

— Não se preocupe, eu tenho uma carta na manga. – Dumbledore disse com uma piscadela e eu fiquei me perguntando o que seria essa carta.

Acenei e esperei o diretor falar mais alguma coisa em meu auxílio. Ficamos uns instantes em silêncio e como ele não disse mais nada, levantei-me para ir embora.

– Alguma outra memória voltou, Elizabeth? – perguntou, me pegando de surpresa.

– Não. – menti sem fitá-lo. Não queria compartilhar minha última memória com Dumbledore, era a única feliz até então, dos meus pais verdadeiros.

– Então a oclumência está funcionando?

— Sim. – falei, ocultando o fato de que eu não estava mais usando-a, já que agora queria minhas memórias de volta. Já estava pronta me despedir e sair do escritório, quando Dumbledore me impediu, perguntando:

— Só mais uma última pergunta, se não se importa. Como Draco pretende trazer os Comensais da Morte para dentro do Castelo?

— Não sei, senhor. Vou tentar descobrir. – menti, afinal, se disesse a verdade eu morria por causa do voto perpétuo. Simples assim.

Espera… O quê?! Comensais da Morte?!

Notas finais
Ooi galera :D
Capítulo novinho pra vocês! Espero que tenham gostaaado ♥
Comentem e me façam feliz *-*
Beeijão :*