Slytherin Blood
3 Chapter Two - Sangue Puro
Notas iniciais
Flashs estranhos me assolavam e perguntas me rodeavam...
Quem era o belo moreno de olhos verdes?
Quem era a mulher a seu lado? Era um lindo casal.
Quem era a loura de sorriso doce? Onde eu já a tinha visto?
Quem era a mulher que me embalava? Porque eu era um bebê?
Oh, aqueles homens! Quem podiam ser? As luzes estranhas.
Aquelas...varinhas? A bela mulher que me embalara se interpôs a minha frente.
–Narcisa! Agora! Por favor! Já fiz tudo o que podia para protegê-la.
Um homem com um forcado aproximou-se de mim, mas antes que fizesse algo foi atingido por um raio verde.
–Avada Kedrava!
O que eram aquelas palavras?
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Abri os olhos devagar. De repente a luminosidade era demasiada forte, e os fechei novamente. Levei a mão sobre eles e um som suave de cortinas se fechando seguiu-se ao meu movimento.
Abri-os novamente.
Estava sob um colchão macio, a cama tinha um lindo dossel negro e prateado, cobras verdes enrolavam-se nos pilares que sustentavam o dossel.
Sentei-me devagar e bem a minha frente havia um quadro. Uma linda águia voava sob as águas de um mar cristalino, enquanto um leão dormia na relva brilhante sob o sol, uma cobra enroscava-se ao redor de um ratinho e um texugo saía de uma toca a beira do penhasco ondehavia um enorme dragão dourado de olhos abertos, atento. Era lindo. O mais incrível era o fato de se mover e o olhei fascinada por alguns instantes. Em determinado momento os animais pareceram olhar-me intensamente para logo depois voltarem a seus movimentos.
Num quadro ao lado a linda mulher que me embalara nos sonhos sorria radiante segurando um embrulho rosa, orgulhosa; Ao lado deste, em outro quadro o moreno de olhos verdes sorria intensamente para ela e segurava desajeitado o mesmo embrulho.
Num outro ainda o homem estava sério, uma aura de poder o envolvia, seus olhos tinham um brilho enigmático e até mesmo maléfico, mas não me amedrontara. Apenas fez-me pensar no quanto me era familiar.
O último quadro que vi era o de uma garotinha. Não passava dos 8 meses, sentava-se sob uma manta verde, uma cobra grande enrolava-se ao seu redor e ela ria. A mulher estava ao fundo com uma varinha na mão enquanto a apontava para um medalhão que flutuava em direção a menininha. O homem olhava para as duas com orgulho transbordando.
Aquela menina... era eu?
Corri os olhos pelo quarto, e me detive no enorme espelho preso atrás da porta trancada. Sentia-me observada, mas ignorei. Fosse sensação ou tivesse alguém, se fosse me machucar já o teria feito.
Paralisei ao ver minha imagem. Meu cabelo estava longo e escuro indo até abaixo da cintura, os cachos mais definidos e de longe percebia-se que estavam macios. Os lábios, mais cheios rosados e delineados, a pele mais alva, porém um leve rubor dava um tom angelical completado pelos olhos verdes intensos, meu queixo estava mais quadrado. Ergui a sobrancelha e a imagem fez o mesmo. Examinei o corpo. Curvas, barriga lisa, seios fartos e rígidos, coxas torneadas. Até meu nariz estava mais bonito.
PALHAÇADA PORQUE ESCONDERAM MINHA BELEZA? É PIADA?!
Ah, sim. Era eu. Mas minhas vestes eram diferentes também. Não estava usando os jeans e a blusa de antes. Vestia um baby doll preto e prata, e uma certa aura envolvia-me.
–Fizeram uma plástica em mim? –Perguntei-me em voz alta e tive um sobressalto ao ouvir um riso breve.
–Não, esse é seu verdadeiro eu.
Virei-me devagar e meu coração acelerou.
No único canto do quarto em que eu ainda não olhara, próximo a cortina estava um... homem (?) De aparência ofídica, usava vestes negras e uma enorme cobra – a mesma do quadro (?)- estava sob o braço da poltrona em que ele sentara-se.
O examinei minuciosamente e parei em seus olhos. Verdes. Eu sabia que já os tinha visto enão fora no meu reflexo.
Se aqueles flashes e os quadros estavam certos, se eu estava certa, aquele era...
–Meu pai? –Perguntei e ele sorriu. A maneira com que o fez, causou uma sensação estranha. Por mais sinistro que parecesse...
–Ao que parece Halley conservou sua memória infantil...
–Mas... Se é o cara do quadro... E o cara do meu sonho... Por que...
–É uma longa história.
–E tenho grande envolvimento nela?
–Digamos que sim.
–Então, se você é meu pai... Charlie...
–Seu tio. Irmão de sua mãe.
–E minha mãe, é a moça – apontei para o quadro e ele assentiu – onde...
–Se foi.
Sua expressão foi de tristeza, seus olhos marejaram, mas ele logo substituiu por uma máscara de frieza.
–Como faz isso?
–O quê?
–Põe a máscara tão rapidamente?
Ele me olhou intensamente e sorriu largo, deleitado, a máscara se foi.
–Só há duas pessoas capazes de me ler. Você...E Halley.
–Halley é a minha mãe?
–Sim.
–Quem são aquelas pessoas? Como vim parar aqui? Porque estou aqui? Porque estava em Forks? O que quis dizer com verdadeiro eu?
–Uma pergunta de cada vez. Deve estar com fome.
–Estou. –Falei ao sentir meu estomago roncar.
Ele levantou-se num movimento fluído e pegou uma bandeja a trazendo até mim.
–Um dos elfos acabou de trazer.
–Elfos?
–Elfos domésticos. Pequenas criaturas que nos servem.
–O que somos? –Perguntei ao pegar um pedaço de bolo.
–Bruxos. –Engasguei. Ele sorriu de novo sentando-se ao meu lado e oferecendo-me um copo de... leite?
–Bruxos, tipo, bruxos mesmo? Como as histórias de Charlie? Ou como as da TV?
–As de Charlie. Ele contava muitas?
–Na verdade não. Contava algumas, quando eu era pequena, mas quando tinha uns 6 ou 7 anos, e comecei a questionar mais, querendo detalhes, não deixando-o se esquivar, e comentava histórias com as crianças dos vizinhos, — que tinham medo- revirei os olhos- então ele parou. Eu gostava quando fazia as crianças ficarem vidradas no que eu contava e ria quando choravam de medo. Sempre as achei bobas.
Ele abriu um sorriso novamente.
–Se Charlie é irmão de minha mãe, ele é bruxo?
–Ele era. Renegou seu sangue. Duas vezes. Da primeira, apaixonara-se por uma trouxa e então passou a viver no mundo deles, usando outro sobrenome, Swan. Então, um dia ela morreu, algo com um feitiço que deu errado. Ele ficou morrendo de culpa e renegou a família, o sangue e a magia. Quebrou sua varinha e decidiu nunca mais participar desse mundo. Conheceu Renée e casou-se com ela. Algum tempo depois tiveram uma filha que morreu no mesmo dia em que estávamos sendo atacados. Narcisa substituiu vocês duas a mando de Halley, pois só assim você teria chance de sobreviver. Tentamos encontrá-la, mas Charlie havia se mudado e depois, quando ele voltou você não estava mais com ele.
–Trouxas?
–Não bruxos.
–Narcisa?
–Sua madrinha, uma de minhas, quero dizer, nossas Comensais.
–Madrinha? Nossas? Comensais? Atacados?
–Comensais Da Morte, são os bruxos que me servem. Você é minha filha, portanto, o que é meu é seu. Narcisa, Lúcio, Bellatrix e Severo são seus padrinhos e madrinhas. Fomos atacados por trouxas e bruxos “da luz” – fez aspas com os dedos e sua voz demonstrava nojo ao falar destes bruxos.
–Porque fomos atacados?
–Eu era contra a interação entre nossos mundos. Lembrava do que fizeram conosco nas fogueiras, e se naquele tempo era assim, agora seria pior. Não devíamos confiar neles. Odiava e odeio trouxas, e Dumbledore é um amante dos trouxas. Eles achavam que devíamos interagir com eles. Fui contra. Havia uma profecia. Descobriram você. Acontece que os trouxas não só atacaram a nós, como atacaram a outros bruxos e isso provou que não era o melhor para todos que trouxas e bruxos estivessem juntos. Mas já havia sido feito. Sua mãe já estava morta. Você, já havia sumido. Fui atrás dos traidores de sangue. Meu ódio suplantou qualquer bom sentimento, e, os Comensais da Morte nasceram naquela noite. Da raiva, do ódio, da tristeza. Não tinha mais sua mãe e toda sua doçura para fazer-me feliz. Não havia sua luz para afastar todo o sofrimento e raiva de ser um órfão rejeitado, depois, um estranho entre os meus, e, mais tarde o herdeiro de Salazar.
–Então... minha mãe foi morta e cresci longe do meu mundo e da minha família, porquê esses bruxos aí, e esse cara, resolveram que era legal viver com os trouxas e que seria divertido me matar?
–Basicamente. – Um lampejo vermelho passou por seus olhos e em meu reflexo vi o mesmo.
–Como ficou assim?
–Matei Tiago e Lilian Potter, mas quando fui matar seu filho, a proteção de Lilian foi mais forte. O Avada voltou para mim e minha essência ficou dispersa. O menino Potter cresceu, eu me fortaleci, depois de alguns encontros, finalmente consegui reconstituir um corpo, mas a poção levou o veneno de Nagini me dando essa aparência.
–E porque seu Avada voltou?
–Depois que sua mãe e você se foram, a única coisa que eu não tinha em meu coração eram sentimentos bons. Amor? Muito menos. Acho que esse sentimento só voltou algumas noites atrás.
O olhei fixamente e atirei meus braços a seu redor. A princípio, vacilante, ficou estático, mas logo retribuiu o abraço, ainda desajeitado.
–Avada Kedrava é um feitiço, certo?
–Sim.
–Narcisa é uma loura?
–Sim.
–Então... ooh! Ela lançou um Avada no cara que ia me matar! E alguém lançou um desse na minha mãe.
Ele ficou rígido, mas logo relaxou e o soltei.
–Como é essa de órfão, estranho e herdeiro de Salazar?
Contou-me sua história e como conheceu minha mãe, como ela o mudou, como decidiu que por ela deixaria a ideia de eliminar os sangue ruins e trouxas de lado.
Explicou-me sobre Hogwarts e as casas, explicando assim sobre Salazar e a Câmara.
Comi durante alguns minutos, em silêncio.
–Gostaria de conhecer seus padrinhos e o círculo íntimo?
–Sim.
–Mandarei uma Elfa para ajudá-la a se vestir.
Ele levantou-se e lançou um último sorriso antes de sair.
Olhei para a poltrona e a cobra ainda estava lá.
–Oi Nagini. –Falei e assustei-me quando ela ergueu a cabeça e respondeu com sibilos. O mais estranho era que eu os entendia.
–Olá, Sssenhora, ssenti ssua falta. Quando podemosss brincaarr novameente?
–Accho que ssou muito grande para brincaarr. E, dessculpe, mass não me lembro.
–Era uma crianssccinha. Mass fico felizzz. Não conte a ninguém que fico felizzz. Tenho uma reputaçção a zzelaar.
–Esstá bem Nagini.
Por algum motivo não era tão estranho falar e ouvir minha própria voz como sibilos de cobra.
Uma batidinha leve na porta me sobressaltou e mandei que entrasse.
–Olá minha Senhora. Sou Jimmy, estou aqui para servi-la. O Mestre mandou-me.
–Oi Jimmy. Bom, não sei onde estão minhas roupas.
Ela andou a passos rápidos até uma porta na lateral do quarto e revelou um armário. Retirou um vestido verde, que vinha até meus joelhos, uma capa negra com um bordado prateado nas mangas e entrando mais fundo no armário pegou sandálias negras.
–Esta roupa é de seu agrado Senhorita?
–Obrigada Jimmy.
–Precisa de mais ajuda?
–Sabe como pentear meus cabelos?
–Sim.
–O faça, por favor.
Sentei-me na cadeira que ficava em frente a uma penteadeira e Jimmy, subindo num banquinho, penteou meus cabelos até que ficassem ainda mais sedosos, e na lateral prendeu-o levemente com o que pareciam brilhantes.
–Gostou Senhora?
–Está lindo. Obrigada.
–A senhora está agradecendo Jimmy?
–Sim.
Seus olhos encheram-se de lágrimas e ela começou a beijar meus pés.
–Está bem Jimmy, pare.
Imediatamente parou.
– Pode levar a bandeja para sei lá onde que me troco sozinha. Depois volte aqui.
–Está bem.
Troquei-me e logo Jimmy voltou.
–Está pronta Senhora?
–Estou. Avise meu pai. –Era estranho o quão natural era chamar aquele homem de pai.
–Sim.
Alguns segundos depois ela voltou.
–O Mestre disse que a espera no salão e disse que Jimmy deve levá-la até lá.
–Espere.
–Nagini, pode mosstrar-me o caminho até meu pai? –Perguntei virando-me
–Claro Izzabella.
–Nagini me guiará. Pode ir Jimmy.
–Está bem.
Ela desapareceu tão rápido quando surgiu e sorri para Nagini que veio até mim e enroscou-se ao meu redor, pousando a cabeça sobre minha mão.
Parei frente a portas entalhadas com imagens de cobras e bati.
–Entre.
Abri-as e no mesmo instante todos os olhos voltaram-se para mim.
Meu pai sorriu.
A mulher loura foi a primeira a sair do transe. Abriu um sorriso enorme. Narcisa. É, isso.
Seus olhos brilharam e veio em minha direção.
–Izzye. –Congelei. –Posso chamá-la assim? Halley lhe chamava dessa maneira e... Oh, perdão. Sou Narcisa Malfoy, sua madrinha. Este é Lúcio, essa é Bellatrix, e aquele ali é Severo. Somos seus padrinhos. Aquele lá é o marido da Bellatrix, Rodolfo. –Continuou dizendo os nomes daqueles presentes e eles acenavam em reconhecimento, alguns sorriam, sem conter-se.
–Muito prazer. Embora, ao que me consta, eu já os tenha conhecido um dia.
–Posso lhe abraçar?
–Pode. –Narcisa abraçou-me e Bellatrix também o fez. Lúcio e Severo estavam em dúvida, mas ambas os deram empurrõezinhos e eles também me abraçaram.
–Você está tão grande. –Severo disse e sorri.
–Já acabou o momento meloso? –Meu pai perguntou, mas quando olhei para ele, havia um brilho divertido em seu olhar, e um pequeno sorriso tentando formar-se em seus lábios. Nagini havia se desenrolado de meu corpo e estava enrolando-se ao redor de seu...trono?- Sentem-se. Querida, venha até aqui. –Fez um movimento fluido com a varinha e um trono idêntico ao dele, apenas menor, apareceu a seu lado na grande mesa oval.
Contaram-me sobre minha descendência.
A bisavó materna de minha mãe era Lyra Griffindor, que casara-se com Klaus Hufflepuff e gerou a avó de minha mãe, Anny.
Anny casou-se com Rudy R. Slytherin filho de Soraya Ravenclaw e Mortimer Slytherin.
Soraya era filha de Helena Ravenclaw ( Helena escondera a gravidez e a filha).
A união de Anny e Rudy resultou em Stacy G.H.R. Slytherin que casou-se com Alexander Priden – que era descendente direto de Merlin e Morgana ( Tiveram um encontro –nas fogueiras de Beltane- e deste originou o pai de Alexander ).
Eles tiveram uma filha e um filho, Halley e Charlie Priden (que negou seu sangue, família emagia) e Halley casou-se com Tom Riddle.
O casamento dos dois teve como resultado...eu.
Portanto meu verdadeiro nome é Isabella G. H. R. S. Priden Riddle, pra simplificar, só Priden Riddle mesmo.
O Priden porque, é derivação de Prince, que era um dos títulos de Merlin (Principe dos encantamentos). Priden também significa Bom (Boa) em Esloveno e Merlin assim era.
O último Gaunt – herdeiros diretos e reconhecidos de Salazar – foi Morfino, o avô materno de meu pai.
É meio confuso, mas o que não é complicado nessa vida?
Contaram-me tudo o que acontecera nos últimos anos e por fim, disseram que o bloqueio que minha mãe criara os impedia de me encontrar.
–As barreiras que sua mãe colocou em sua mente, impediram que seus poderes, aparência real e personalidade aflorassem, e apenas algo muito forte despertaria seu poder. E agora é sua vez de nos contar o que aconteceu nesses anos.
Respirei fundo, agora era minha vez...
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