Slowly
1 Nakagawa Ayame.
Notas iniciais
Slowly
Não é como se tudo se perdesse
Ou como se houvesse algo a se perder,
É desgastante.
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As mãos que me tocam são diferentes daquelas que amo. Não são gélidas muito menos arrogantes. Calmas e confiáveis, como a certeza que deveria bater em meu coração. Brancas e gentis, tão contrárias... Tão confusas. Não são determinadas, insensíveis e geladas. É tão quente que me sinto queimar. Tão compreensivo que me faz hesitar. Tão irreais; o contrário da realidade. O contrário de tudo. Por que continuamos querendo o que não temos?
As lágrimas que permito que caiam são frutos da minha imaginação, como uma dose de acolhimento. Deslizam pela minha face morrendo nela, como pequenas esperanças estilhaçadas. Esperança é uma palavra tão... Sutil. Estar à espera de algo... Parece um caminho tentador.
São dois coelhos a meu ver, duas sombras escondidas nas esquinas escuras em um dia claro. Tantas cicatrizes internas que estão cravadas em buracos que já são bem fundos, apenas esperando anoitecer para se corromper. Apenas esperando o grito da madrugada, esperando a lua solitária se importar. Mas quem virá ao resgate?
Pois é,
Ninguém.
Surpreende-te? Não seja tão ingênuo. Todos aqueles que eu amo se foram. Todos aqueles com o qual me importei, não estão mais aqui. No fim, tudo é feito de escolhas. Todos os seus atos, por mais pequenos que sejam eles, irão influenciar naquilo que eles chamam de destino. Não que eu acredite. Não que eu tente escapar. Só aceito. Mas a quem queremos enganar? A nós próprios? Um passarinho me pediu para parar de fugir, e apenas aceitar. E esse passarinho...
Éramos apenas nós dois, feito duas crianças corrompidas, excitados pelos ideais de mudar o mundo. E ele tinha nome e sobrenome. Tinha certezas e orgulho. Como uma espécie de película que protegia ele, protegia-o dele mesmo. Não que eu tenha achado isso ruim de princípio, eu não queria quebrar aquela barreira imposta. Mas... A ignorância me sufoca.
Só que Dante Elrick não era um ignorante.
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Ele tinha mais conhecimento de mundo do que qualquer um de sua idade. Às vezes, parecia que ele estava em outro mundo. Porém ele me fazia questão de esfregar a realidade na minha cara, me mostrar o quão duro era a verdade. Quando eu paro pra pensar, eu percebo o quanto fui moldada. Igualzinho gelo. Esculpida para que pudessem admirar a ganância e a autodeterminação. Mas, eu era fraca e nunca tive uma arma na mão.
Seria ótimo se eu não me movimentasse por causa dessas lembranças. Seria ótimo ter que apagar tudo o que aconteceu, até chegar nesse momento. Mas, dor não é nada. Lembranças, memórias, recordações... Todas essas palavras para descrever aquilo que não se pode arrancar da mente, como um filme que está travado e se repete aleatoriamente.
A dor de perder as coisas lentamente, quase em câmera lenta, não é nada comparado ao vazio. Porém, o vazio é apenas a consequência. A sensação de estar sozinha sufoca, arranca o ar, confunde a mente. E como confunde... Mas é passageiro, assim como tudo que aconteceu até agora. Nada ficou no lugar, muito ficou para trás, congelado no tempo e perdido nos pensamentos.
É assim que as coisas são. A felicidade que tanto desejamos é uma mera ilusão da realidade. A idéia de um final é feliz é tudo fruto de nossa imaginação, um refúgio criado por nossa mente. Algo que poderia ser – mas não é – alcançado. Nada é pleno e a felicidade não existe. Não é como se fosse algo concreto onde se batalha para conquistar, é algo utópico. É um conforto para a nossa eterna fraqueza. Como uma máscara, disfarçando sua verdadeira face. Disfarçando as verdadeiras águas profundas que existem dentro de nós. Nossos pequenos sofrimentos são afogados nesse oceano de emoções. Iludidos pela ideia da mudança. E se tornam assim; pequenos e tentadores, insolúveis e inquietantes.
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