—Adonnen, Adonnen – Olhei para Stern que me chamava, ela percebendo que eu havia retornado para este plano rio e continuou – Dormindo acordado outra vez?

— Apenas estava lembrando minha donzela.

—Lembrando não é mesmo? Mas você ainda não me respondeu quando foi que percebeu.

—Foi no terceiro dia após o inicio de nossa jornada, ainda caminhávamos quase sem rumo, apenas sabíamos que mais cedo ou mais tarde teríamos que vir para a capital.

— É mesmo – ela olhou para baixo – Bons dias eram aqueles.

—Ainda são – Ela olhou-me nos olhos e sorrio, após isso voltamos a caminhar pelo grande mercado.

Procurávamos algum comerciante de legumes, geralmente trocávamos os nossos pães por diversos produtos, contudo, nossa primeira leva era sempre em trigo com a finalidade de fazermos mais pães, para trocarmos por mais produtos, uma logica simples e geralmente nos dava lucro, entretanto eu e Stern jamais visávamos o lucro, devido à principalmente nunca pararmos em algum lugar por muito tempo e todo aquele excedente iria nos atrasar, além de atrair problemas. Toda via, quando encontrávamos, íamos para as negociações.

Eu e Stern aviamos criado o nosso próprio método de compra e venda, de fato somos bons no que fazemos e algumas vezes Stern me diz que eu posso comprar qualquer coisa com o dom da fala que possuo, eu costumo pensar que é exagero, mas a verdade é que parte da fama que os Pães da Stern possuem veem por minha causa, mas é claro, a maior parte é devido ao pão possuir um gosto muito bom. Enfim, nosso jogo nada mais era que um conjunto de técnicas que desenvolvemos ao longo de nossa jornada, geralmente Stern sempre esta ocupada com seus afazeres de Maga por isso negocio sozinho, porem nossas grandes conquistas sempre ocorrem quando trabalhamos juntos. Stern possui sua simpatia natural, além de ser muito linda isso geralmente é o suficiente para que todo comerciante abaixe a sua guarda e quando ela encontra dificuldade em atingir o objetivo que desejamos eu entro na jogada e finalizo com a compra. Eu por outro lado possuo uma estratégia um pouco mais direta. Naturalmente sempre tive um bom olho para estas coisas e consigo enxergar valor nas mais simples, então, basicamente exponho esse valor para os compradores e geralmente funciona, quando falho sigo por dois caminhos procuro outro ou uso de minha lábia natural até convencê-lo, Stern normalmente faz a mesma coisa, entretanto ela utiliza das técnicas que aprendeu com seus pais.

No fim, resolvemos por algumas regras entre nos, para não exagerarmos. Quando necessário trocamos um produto com valor muito inferior por um maior, toda via, quando não necessário apenas trocamos pelo de valor equivalente, ao necessário jamais enganaríamos alguém que estivesse em necessidade como nos, apenas os comerciantes avarentos que ao deter todo o lucro impede que outros possuam suas próprias riquezas, entretanto, nunca levaríamos ninguém a falência.

Pois bem, as vendas no grande mercado ficava cada dia mais fácil devido ao fato de que desde o primeiro dia que chegamos, eu venho criando os meus contatos, de modo que agora o vendedor de trigo era oque pode se chamar de nosso fornecedor. Um homem, já oque pode se chamar de velho, possivelmente já viu por volta de trinta ou mais invernos, com vários fiapos de cabelos grisalhos e faltando-lhe vários dentes, possui três filhos, todos homens que viram pouco mais de seis invernos, mas assim como eu já possuem uma fortuna desgraçada, estes viram a mãe ser morta e estuprada por saqueadores locais que pouparam os garotos provavelmente por que sabiam que eles no futuro ajudariam o pai a plantar o trigo que eles continuariam a roubar. Desde então o mercador cuida sozinho dos filhos e segundo ele a parte mais difícil é a de alimentar as crianças, não pelo fato de faltar-lhe alimento, mas sim devido ao pobre não levar jeito na hora de cozinhar.

Sabendo de todos esses fatos Stern ofereceu-lhe a primeira fornada de pães diariamente em troca do trigo, de modo que sempre teríamos trigo e ele e seus garotos teriam um dejejum descente, isso agradava o comerciante principalmente quando os pães começaram a ganhar sua fama, gradativamente se tornando um produto de luxo devido a este agora ser apreciado até mesmo entre os nobres, além disso, por nosso produto ser de consumo de seus filhos ele passou a nos fornecer seu trigo de melhor qualidade oque deixava os pães ainda melhores, aumentando ainda mais a sua fama.

Enfim, Stern procurava o comerciante de legumes a fim de que pudesse fazer sopa para o nosso jantar, ela fazia questão de fazer nossas refeições diárias, era um passatempo dizia, eu nunca questionei, sabia como cozinhar mas não era um dos meus passatempos preferidos além do mais Stern sempre fez comida melhor do que eu, então na divisão de tarefas ela sempre se encarregou disso. Hoje especialmente ela estava escolhendo os ingredientes, geralmente sou eu a escolher entretanto ela estava a algum tempo querendo essa sopa por isso fez questão:

— Os legumes estão ótimos – disse ela – talvez carne, sim, costela de boi vai ficar ótimo, ótimo para o paladar e quentinho para o corpo, aqui é muito frio Adonnen – resmungou ela enquanto entrelaçava seu braço no meu.

— E vai piorar – Falei com certeza, a Cidadela se localizava ao norte do continente, não ao estremo norte onde fica as terras geladas de Lódiśniãcy, contudo, Tewdric sempre dizia que durante o inverno os ventos soprados de lá traziam com sigo a neve que recobria todo o território da capital e agora estávamos quase no fim do outono, as folhas antes verdes agora estão alaranjadas, nos galhos apenas algumas remanescem e quando a ultima folha cair se dará o inicio de mais um inverno – Ao menos teremos a sua sopa – sorri para ela.

— Sim – falou-a com entusiasmo de criança – Uma sopa quentinha e gostosa , mas também vamos precisar de um cobertor, um cobertorzinho já basta.

— Amanhã irei providenciar isso, talvez um feito de pele?

— Acho que de pelos seria melhor, é fofinho, confortável, quentinho e barato – ela encostou a cabeça no meu ombro enquanto caminhávamos para o vendedor de carnes que havíamos avistado a pouco – um de pele é quente, mas é muito caro, quantos pães iriamos gastar, não, não, absurda essa sua ideia Adonnen – ela se pôs a olhar as carnes.

— Apenas me lembrei de quando você disse que preferia cobertor de pele

— Quando eu disse isso? – ela virou o rosto para mim sorrindo.

Naquele dia levantamos cedo, usualmente eu espero que Stern acorde naturalmente, ou quase isso, quando dormimos em algum lugar onde os raios do sol demorar a chegar ela não da nem um sinal de que seu sono esta no fim, oque me faz pensar as vezes que ela pode dormir um dia inteiro caso ninguém a impeça, contudo, nunca liguei para isso, geralmente apenas espero e nesse meio tempo faço minhas praticas matinais ou desmonto o acampamento, mas não naquele dia.

Quando percebi a fumaça pus-me logo à levantar, coloquei a malha de ferro, assim como o sobretudo, chamei a Stern algumas vezes para força-la a levantar, ela resmungou algumas vezes mas sabia que se eu a acordava o motivo era importante, por isso ainda enquanto eu fechava as botas estava ela de pé me encarando:

— Qual o motivo de todo esse alvoroço Adonnen? – falava enquanto limpava as remelas dos olhos, com tom sonolento.

— Fumaça, não muito longe daqui – olhei para nossa fogueira e logo pensei que eles já deveriam saber de nossa presença então pus-me a acelerar o paço – temos que ir e logo, me ajude a desmontar o acampamento.

— Sim, senhor – Ela bateu continência e começou a correr e para minha surpresa, já estava com sua animação rotineira – Talvez eles são boas pessoas senhor Guardião.

— Talvez – respondi serio enquanto colocava a espada na bainha – Eles podem ser viajantes, dai podemos nos apaziguar e até mesmo trocar algumas informações ou eles podem ser bandidos e saqueadores, então se não tomarmos cautela seremos mortos, por isso quero encontra-los antes que nos encontrem, assim quando eu vê-los poderei tomar a decisão correta.

— Vê-los? Não acha que deveríamos ir ao oposto deles senhor guardião? – Falou ela me observando com espanto enquanto eu calmamente colocava o arco improvisado que fiz antes de iniciarmos nossa viagem nas costas juntamente com as flechas. Nós guardiões somos ensinados ainda quando criança a fazer nossos próprios arcos, mesmo que rudimentar. Nossa técnica é baseada totalmente no arco e na flecha esta é a maior vantagem de todo elfo sobre as demais raças, por isso nos ensinam a cria-los antes de qualquer outro ensinamento, pois caso perdidos ao menos teríamos sempre uma arma e os ancestrais sabem o quão perdido eu estava – Pare de me ignorar – Percebi o tom de ira saindo de sua boca, então apontei para a nossa fogueira, virei-me e passei a andar para o lado oposto em que estávamos enquanto me colocava a falar.

— Veja bem, eu posso ser um especialista em rastreamento, fui ensinado para isso, entretanto, até mesmo o mais tolo consegue ver uma fumaça no céu, isso quer dizer que eles já sabem nossa localização, sendo assim, eles já podem estar aqui ou a caminho daqui, meu problema não é eles serem bandidos comuns e sim gente que já esta acostumada com isso, ou seja, eles possuem seu próprio rastreador. Se eu estivesse sozinho conseguiria fugir sem deixar nem um rastro, contudo – Quebrei um galho na minha frente e passei-me a criar uma trilha falsa enquanto continuava a explicar – eu não estou, oque quer dizer que teremos que fazer do jeito mais difícil –virei-me pra ela e percebi que a mesma não estava dando a mínima para as coisas que eu dizia e apenas brincava com as águas enquanto cantarolava.

— Sabe oque tornaria esse lugar melhor? Um cobertor – Falou ela mudando completamente de assunto, eu apenas fiquei estupefato olhando para ela sem saber oque dizer. Eu nem ao menos entendia oque tinha acabado de acontecer, por isso apenas neguei a cabeça e voltei a seguir o meu plano, enquanto pedia perdão aos espíritos por ter violado a floresta, entretanto ela continuou à falar no mesmo tom alegre como uma criança – Um cobertor de pele, prefiro eles aos de pelo sabia? São confortáveis e quentinhos.

— É mesmo? Não me esquecerei disso, um dia te presenteio com um – Passei a olhar a paisagem com a finalidade de encontrar o solo mais seco ou tenaz para deixarmos o menor numero de rastro possível, afim de atrasar ou engana-los caso tenham um rastreador. Mas não antes de perceber um sorriso no rosto de Stern, um sorriso doce em seu lábios avermelhados e pele que estava mais pálida com as bochechas coradas devido ao frio – Tem muita matéria orgânica nessa floresta vai ser difícil não deixar nem um rastro, talvez se eu criar varias trilhas isso pode confundi-los e ao menos vão ficar intimidados por saber que estão lidando com um especialista – Falei para mim, foi quando percebi que Stern caminhava em direção em seu cajado, ela o mantinha nas costas o tempo todo, não o amarra com nada, entretanto o mesmo teima em nunca cair de suas costas, até aquele momento eu não entendia como ela fazia isso, porem nunca me pus a perguntar – O que esta fazendo? – Stern girou seu cajado de modo que a ponta do mesmo apontasse para seus pés e com um movimento suave da esquerda para a direita falou em tom grave “Jemnypota” então seus pés começaram a brilhar e ela passou a caminhar em direção à floresta.

— Vamos senhor guardião, se o senhor esta certo, eles logo estarão aqui – Ela seguiu por uma trilha logo a nossa frente em direção a fogueira, percebi que enquanto seus passos passavam pelas folhas e demais matéria orgânica ela não deixava uma única pegada, nem ao menos quebrava os galhos caídos no chão. Eu não consegui expressar outra reação além de rir, ela havia me surpreendido mais uma vez e agora eu corria afim de pegar as sacolas do acampamento desmontado e alcança-la.

Subíamos um aclive em direção a fumaça, eu tinha a minha própria maneira de evitar rastros enquanto Stern utilizava de sua magica. Nós estávamos alojados na parte mais baixa do terreno e aparentemente aqueles que buscávamos estavam na parte mais alta, eu tentava contorna-los afim de encontrar um bom lugar para observa-los antes de tomar alguma atitude. Stern estava ofegante de exaustão, já começava a resmungar e a murmurar praguejo. Enquanto subia tentava eu não falar muito, me concentrava em escutar algo que nos avisasse do perigo, então deduzi que para pobre estava sendo uma longa e difícil subida:

— Ei, Adonnen, não deveríamos ir para a fogueira já faz tempo que estamos nos afastando dela, oque diabos você quer afinal?

— Se continuássemos naquele caminho daríamos de cara com o acampamento deles, por isso estou procurando algum terreno elevado para analisar melhor, além do mais ter posse do terreno elevado é a maior de todas as vantagens na guerra sabia? – Olhei para ela sorrindo enquanto falava calmamente como quem joga conversa fora em uma fogueira.

— Eu sei que já estou cansada e você é muito paranoico – Eu apenas soltei uma leve risada enquanto dava de ombros, minha intuição dizia que deveríamos ser cautelosos e era isso que eu fazia, por isso buscava o terreno elevado. Para os elfos a parte alta do terreno quer dizer apenas as copas das arvores, enquanto para os humanos era literalmente o terreno elevado, entretanto o efeito de ambos era o mesmo a vantagem na luta.

Chegamos ao ponto que eu desejava, então logo me pus a observa-los, eram no total sete homens, estavam todos sentados em volta da fogueira provavelmente para se aquecer, devido ao fato de não possuir nem um tipo de alimento sendo preparado na mesma, todos já haviam feito seu dejejum ,pensei, ao julgar pelos pratos sujos espalhados pelo local onde estavam com o acampamento montado. Possuíam três barracas, todas feitas com paus, gravetos e couro, boi pelo que se podia ver, o resto se acomodava no chão perto do fogo, haviam sete camas improvisadas em volta do mesmo, ou seja, um pedaço de pele estendido no chão. Três dormiam nas barracas enquanto sete ficavam ao relento, eram dez no total. Me perguntei onde estavam os outros três, mas algo me chamou a atenção era uma figura amarrada a um poste, perto de diversas caixas provavelmente com mercadorias, tinha as roupas sujas e rasgadas, uma mulher pensei, provavelmente uma escrava ou refém. Notei o selo nas caixas, provavelmente de alguma caravana, mas estes homens não possuíam nem uma montaria ou animal de carga:

— Salteadores – Deduzi – Devem ter roubado uma caravana a não muito tempo e agora estão esperando a coisas se acalmarem – passei a olhar o acampamento com mais afinco.

Estavam armados, lanças improvisadas e machados de ferro, nem um deles possuíam espada, significa que nem um deles possui alguma riqueza e esse assalto foi provavelmente a maior coisa que roubaram até agora. Isso por que apenas os ricos e nobres possuem espada entre os humanos, a espada é a melhor arma de combate a curta distancia, devido a esta ser a única capas de aparar golpes, cortar e estocar, coisa que a lança, machado e facas não são capazes, também existe uma certa dificuldade em se fazer uma espada, é um processo demorado e exige muita precisão, caso contrario a espada fica desbalanceada e cega, sendo assim geralmente são caras e nem todos podem pagar esse preço. Elfos possuem sua própria variedade de espada do qual são especialistas em criar, entretanto apenas as grandes cidades élficas são capazes de produzi-las de modo que as armas que os guardiões usavam eram antigas e geralmente passada de pai para filho.

Passei a reparar nas armaduras que usavam, todos vestiam armaduras de pelos, pois bem estas não eram feitas literalmente de pelos possuíam sua camada de pele, mas esta não era limpa para se criar o couro e nem possuía varias camadas do mesmo com a finalidade de se criar as armaduras feitas do igual material, estas são a defesa mais barata que alguém pode conseguir, no caso é um amontoado de trapos costurados com pedaços da própria pele que os protege e geralmente é útil para se proteger de cortes, entretanto um golpe desferido com força considerável pode cortar facilmente a armadura, a verdade é que esta oferece mais uma segurança mental do que física propriamente dita.

Todos possuíam o mesmo padrão, reparei em alguns arcos que estavam escorados nas caixas, eram todos de baixa qualidade contudo era arcos propriamente ditos e não um galho curvado com uma corda como o meu, enfim, apenas um fugia ao arquétipo, era um sujeito com músculos definidos e saltados, possuía uma grande barba castanha da qual restos de comida estavam grudados, usava uma armadura de couro tingido de cinza com pelos negros em volta do pescoço provavelmente com a finalidade de parecer belo, assim como a de aquecer, o peitoral ficava aberto deixando os músculos a mostra e utilizando a armadura como uma jaqueta, nas costas um grande machado com lamina dupla feito de aço, do qual só era possível ser utilizado com as duas mãos.

Ele falava alguma coisa aos demais, tomei um longo folego depois inspirei, passei a me concentrar no vento e nas folhas enquanto lentamente fechava os meus olhos. Nos guardiões aprendemos a nos conectar com a natureza assim transferimos nossos sentidos para ela, de modo que aguçamos incontáveis vezes os mesmos. Tewdric dizia que quando um guardião realizava esse ritual ele se tornava um só com a natureza, por isso ele podia escutar e sentir as mesmas coisas que ela. Os mais experientes conseguiam sentir qualquer distúrbio no bosque em um grande raio e até mesmo fazer isso de maneira natural sem a necessidade de realizar nem um processo para isso. Druidas por outro lado possuem uma conexão natural com a natureza de modo que Tewdric dizia poder sentir qualquer mudança em todo o bosque quando bem entendesse. Eu sempre tive dificuldade com essa técnica, afinal ela consiste principalmente em você entender a natureza como um todo e após conhece-la é preciso construir sua própria relação com ela e quanto mais confiança ela tiver em você mais dela ira ser permitido a ti ver, bom, esse é o meu problema nunca entendi se isso era literal ou se era uma metáfora para você treinar muito e nunca ninguém me explicou isso detalhadamente, faz parte do treinamento entender isso sozinho.

Enfim, como nunca obtive sucesso em entender a natureza metaforicamente passei a treinar a técnica, me concentrei enquanto apagava todo pensamento, deixando que minha mente fluísse pelo vento e se fundisse com as folhas, flores e tudo ao meu redor, após expendi meu alcance com a ajuda dos raios do sol e rapidamente eu podia escutar a conversa dos homens abaixo, eu já estava quase no limite de minha abrangência, por sorte foi o suficiente e infelizmente eu precisava me concentrar muito no local que desejava, além de qualquer barulho vindo perto de mim já era o suficiente para que eu quebrasse minha ligação, felizmente Stern estava quieta, provavelmente deveria estar com medo ou preocupada, afinal não era comum a mesma não falar nem uma palavra, mas eu deveria me preocupar com isso depois, primeiro deveria entender oque estava acontecendo:

— Eu disse que se déssemos apenas um susto nessa garota e deixássemo-la pensar que conseguiu se livrar com sua própria força ela ficaria nesse estado – todos riram – hoje ela vai estar com tanto medo e vai tentar lutar, e vocês sabem como eu gosto quando elas relutam – com o comentário todos envolta da fogueira começaram a gargalhar.

— Ele esta demorando, será que aconteceu algo? – falou um dos salteadores após o fim dos risos.

— Não se preocupe, ele não seria doido de se meter em confusão se os números deles forem muito grande, ou a dama esta com saudades? – todos riram do deboche – além do mais é só uma fumaça não devem ser mais de cinco viajantes, e quem sabe eles não tem mais mulheres para gente? – abri meus olhos.

— Estão atrás da gente, três homens.

— Oque a gente faz Adonnen? – ela falou preocupada para mim, eu olhei-a e percebi uma leve expressão de medo em sua face, tornei a olhar o acampamento, vi novamente a mulher e com os olhos fixamente nela disse com tom serio.

— Não sei.

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