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2 A Batalha do Bosque de Sherwood


Como previsto por meu pai o ataque realmente veio e agora nos reuníamos, eu tinha quinze anos na época, contudo com as baixas sofridas pelos guardiões, muitos jovens estavam sendo escalados mesmo que sem o devido treinamento ou o ritual de iniciação, de modo que agora era minha vez e eu partia para a linha de frente. Meu pai convocou todos os homens que podiam lutar sendo que os velhos, gravidas e crianças iriam ficar dentro do grande salão. Uma grande construção que ficava próximo a arvore mais antiga do bosque e as mulheres guardiãs seriam o ultimo recurso para defende-los.

Meu pai e outros seis guardiões atraíram os humanos para uma clareira dentro do bosque, ali faríamos nossa ultima defesa, era um campo aberto onde não poderíamos usar nem uma arvore ou arbusto como vantagem, porem seriamos todos vistos pelos inimigos e apesar de ser uma desvantagem nossos números obrigariam os humanos a reunirem-se todos naquele mesmo local evitando que eles enviassem algum outro grupo para o vilarejo enquanto a batalha acontecia.

Éramos sessenta e sete no total, contudo apenas vinte e seis estavam realmente preparados para aquela batalha e os humanos se posicionavam na nossa frente. Meu pai ordenou que alguns guardiões subissem nas arvores atrás de nos com a finalidade de possuírem uma melhor visão assim atirando com os arcos, levantou a mão e gritou um desafio para os humanos mas como resposta apenas escutou gritos e uivos vindo dos mesmos, ordenou que eles fossem em bora, mas apenas escutou deboches e então imediatamente e sem mais avisos meu pai ordenou que atirássemos as flechas.

Meu pai utilizou de uma tática diferente das que estávamos acostumados, normalmente os elfos utilizam de sequencias rápidas de salvas de flechas até que os inimigos fiquem desacreditados e feridos, então aguardam até que desesperados e furiosos os inimigos ataquem, então quando estão próximos atiramos mais flechas e os que conseguirem chegar até nossos esquadrões recebem uma sequencia de ataques sincronizados, mas desta vez os inimigos estavam em maior numero e nos somos um grupo de guardiões e não soldados e nossos inimigos havia seus próprios arqueiros, sendo assim estávamos em grande desvantagem, pois guardiões ao contrario dos soldados élficos tendem a escolher a especialização em armas duplas e não arma e escudo, oque levou meu pai a nos forçar a atacar a fim de quebrarmos as temíveis paredes de escudos humanas e evitarmos suas flechas.

A principal diferença entre as paredes de escudo humana para as élficas é a resistência que ambas tem, as paredes élficas normalmente são mais abertas e fáceis de romper devido aos élfos não possuírem tanta força física quanto os soldados humanos por isso tornamos nossas paredes mais sincronizadas e ágeis, porem uma parede quebrada é uma parede morta, sendo assim fazemos o possível para manter o inimigo longe e os que chegarem estar no mínimo fora de formação se tornando um alvo fácil de ser abatido. Hás humanas são o oposto elas são extremamente tenaz e quando bem formada consegue abater a maior parte das flechas e bloquear a cavalaria, também são fechadas para gerar mais solides quando recebido o impacto isso gera uma grande vantagem sobre os elfos e meu pai sabia disso por isso deveríamos quebrar a parede dos humanos para que então a diferença de habilidades trouxesse a vitória para o nosso lado, porque mesmo com as diferenças entre as paredes a principal igualdade era que uma parede quebrada, era uma parede morta.

Fizemos então oque meu pai ordenou, e lançamos nossas flechas nos humanos, muitos foram pegos desprevenidos afinal a cultura de batalha dos humanos tem a tendência a uma longa conversa entre os lideres enquanto os soldados se embebedam e criam coragem para a carnificina que viria, mas não naquele dia, não demos tempo para que eles se recuperassem do choque e continuamos com nossas salvas, matando todos os que podíamos, quando meu pai percebeu que só havia restado os humanos que se abaixaram com o escudo para repelir as flechas tornando elas inúteis ele mandou com que avançássemos e que não parássemos com as flechas, nos guardiões somos treinados para que mesmo correndo consigamos atirar e nossos mais experientes fazem essa proeza sem errar um único alvo. Pois bem, corremos em direção ao inimigo que tentava se levantar para receber nosso choque, contudo nossas flechas impediam que eles se organizassem e muitos não conseguiam nem se levantar e quando chegamos rompemos a parede antes que eles conseguissem fazer algo.

A carnificina logo começou, mas mesmo com a parede quebrada estávamos em grande desvantagem, além da numérica tínhamos a falta de experiência e apenas alguns poucos já haviam matado um homem e eu não fazia parte deste grupo.

Logo que cheguei os mais experientes já haviam matado todos os soldados que viram e os corpos, sangues e vísceras caídas no chão me deixaram em estado de choque, quando escutei um grito recuperei meus sentidos e aparei o golpe que vinha em direção a meu peito, andei para o lado e contra-ataquei, contudo meu estado impediu de pensar em meu movimento e acertei diretamente no escudo prendendo minha espada, abandonei-a e defendi o golpe de machado que veio a minha esquerda e quando percebi estava sendo atacado por dois, recuei para evitar ser flanqueado, então vi uma flecha acertar o peito do meu adversário com machado, observei ele olhar para a mesma e cair morto na minha frente, fiquei horrorizado mas tive de me recuperar por que o outro soldado que estava ao seu lado em estado de fúria tentou me acertar, trocamos golpes até que eu pudesse, abrir a sua guarda, então dei-lhe um chute no joelho e enfiei minha espada remanescente em sua garganta, vi o sangue subir de sua garganta até a boca e retirei a espada enquanto ele caia, e completamente horrorizado enfiei a minha espada em seu peito, apunhalei meu inimigo já morto varias e varias vezes sem acreditar que havia eu tirado uma vida, e quando percebi estava com uma flecha em meu peito sentido o sangue na garganta então apaguei.

Lembro-me de ter sido arrastado e quando acordei já estava dentro do grande salão junto aos outros feridos, estava recebendo uma magia de cura que fechava meu ferimento, olhei para os lados tentando entender oque estava acontecendo e vendo quem estava dentre os feridos, olhei cada um até que fiquei estupefato. Vi meu pai, estava ele sem um braço e com vários ferimentos graves no peitoral, levantei e corri diretamente para ele, minha mãe estava ao seu lado e ele com o mesmo sorriso gentil que sempre tinha olhou para mim e se esforçando para falar me disse:

— Você é meu legado Adonnen – com a voz quase falhando e com sua ultimas forças ele retirou o colar de seu pescoço e colocou em minha mão – cuide de todos.

Com estas palavras meu pai foi se juntar com os ancestrais deixando eu e minha mãe aos prantos, mas aquela, não era a hora de chorar me disseram que os humanos estavam vencendo e que logo estariam na vila.

Levantei-me do lado de minha mãe e fui para nossa casa com o colar em minhas mãos, o colar era uma chave para uma porta que sempre estivera trancada, abria-a e adentrei e foi lá que vi a armadura usada por meu bisavô, era toda feita de mithril com escamas esmaltadas em branco que lembravam penas, o capacete também branco tinha a forma de uma cabeça de águia e nos olhos duas rubis enfeitavam, as ombreiras havia o formato de asas também esmaltadas em branco, assim como as luvas e botas, mas estes foram feitas para que parecessem garras, por baixo era posta uma malha de pequenos anéis de mithril, vesti a armadura completa e ao final ela aparentava ser uma das poderosas armaduras pesadas dos humanos feitas para serem utilizadas por cavaleiros montados devido ao enorme peso que elas possuem, porem esta era feita completamente de mithril e era tão leve quanto uma roupa casual, muito diferente até mesmo das armaduras usadas pelos guardiões que são apenas feitas de couro tingido em preto e verde ou alguma túnica sobre malha de aço tingido com as mesmas cores. Encontrei duas espadas largas embaixo da armadura, uma escolha bem diferente de um guardião, normalmente escolhemos armas duplas, mas sempre escolhemos a combinação de espadas largas ou longas com espada curta, ou ambas espadas curtas, ou combinamos com facas fazemos esta escolha para balancear as espadas, contudo estas eram diferentes, era feita do mesmo material da armadura e isso fazia-me acreditar. Espadas feitas de mithril são extremamente balanceadas e leves oque descarta a necessidade de equilíbrio, bem como após afiadas elas nunca se cegam.

Sai para o pátio da aldeia e vi minha mãe à frente das guardiãs que seriam nossa ultima resistência, minha mãe nunca foi exatamente uma líder, contudo agora ela era a guardiã mais velha e tinha que tomar a frente, e eu como o ultimo homem em pé me coloquei ao lado dela, ficamos olhando para o bosque enquanto aguardávamos os humanos que logo viriam, a principio eu estava apreensivo pois se eles viessem em formato de esquadrão estaríamos perdidos, contudo lembrei-me das palavras de meu pai enquanto ele explicava as táticas no bosque e o próprio iria se encarregar de impedir que os humanos se reunissem, eu não sabia quantos humanos restavam de nossa primeira batalha mas calculava que se fossem menos de trinta venceríamos, ou pelo menos minha confiança dizia isso.

Então os primeiros humanos chegaram, corriam em êxtase, gritando e uivando enquanto se aproximavam, olhando para seus rostos lembrei-me de meu inimigo abatido na primeira batalha, seu rosto me assombrava e eu estava paralisado, as guardiãs atiraram-lhes flechas e eles caíram enquanto eu olhava seus corpos. Não existe uma clara diferença entre guardiãs e guardiões, as mulheres elfas são claramente mais ágeis que os homens, contudo os homens são mais rápidos e mais fortes, porem força na cultura de soldados élficos não diz absolutamente nada, pois na luta elfica, precisão e agilidade são os componentes imprescindíveis na batalha.

Minha mãe notou minha aflição e tocou em meu ombro, olhei pra ela e vi um sorriso em seu rosto e isto me acalmou, retornei com meus pensamentos e logo lembrei-me das ultimas palavras de meu pai e agora eu não poderia mais sentir medo era eu quem deveria proteger todos e isso me deu forças e corri em direção ao humanos que chegaram, corri e acompanhei as flechas que os atingiram e os que não caíram pelas fechas caíram por minhas laminas.

Usamos essa tática mais uma vez, mas logo os humanos começaram a vir mais cautelosos, eles vieram em um grupo de vinte e nos éramos apenas sete, vieram com seus escudos levantados impedindo que as flechas das guardiãs fossem eficazes, corri para atrai-los mas alguns me ignoraram e correram para lutar contra as demais guardiãs, cortei e estoquei dois que pularam para me atacar, vi mais dois correndo em minha direção, agachei e cortei o calcanhar de um enquanto defendia o machado do segundo com minha espada, girei meu corpo em um salto cortando o peito e as costas dos dois, senti um tapa em minhas costas quando voltei a firmar-me no chão e virei, percebi que aquele tapa era um golpe de maça fiquei estupefato e logo deduzi que foi a armadura. Mithril possui uma qualidade de ser leve como uma pena, contudo é mais duro do que couro de dragão.

Venci os inimigos que se colocaram contra mim e me virei para as guardiãs, vi duas serem oprimidas até a morte e os soldados que as mataram correram imediatamente paras outras e entre o grupo remanescente estava minha mãe, escutei os uivos de mais soldados chegando. Tive de tomar a escolha entre para-los e confiar nas habilidades de minhas companheiras ou deixa-los avançar enquanto eu tentava ajuda-las. No final minha mente sabia que aquilo não iria mata-las e se eles se aproximassem mais poderiam cercar a nos todos e esse seria o fim, por isso pedi ajuda aos ancestrais e virei-me para os inimigos que acabavam de chegar, dois correram com a guarda levantada e cortei o peito de ambos sem sair do lugar, mantive minha feição seria enquanto encarava os outros que diminuíram o passo e levantaram os escudos, gritei um desafio para todos enquanto andei de um lado para o outro olhando todos nos olhos, eu sabia que blefava, mas precisava ganhar tempo por isso insisti nos desafios, vendo todos esperando minha ação, soltei um grito de fúria e corri para meus inimigos.

Derrubei o primeiro com um chute falso, mas logo percebi que eles tentavam me cercar criando um circulo a minha volta, saltei e me afastei com acrobacias e ao firmar os pés no chão comecei a recuar na diagonal na tentativa de fazer com que me seguissem e quebrassem a formação, funcionou por um momento e o primeiro que me alcançou teve o braço decepado e antes que eu pudesse dar o golpe de misericórdia vi três flechas acertarem três de meus perseguidores, por um instante olhei para as guardiãs e vi que elas conseguiriam, contudo apenas três restavam e graças aos ancestrais minha mãe estava entre elas. Infelizmente esse ato tomado por elas atraíram a atenção dos nossos inimigos e eles se dividiram para ataca-las, eu corri imediatamente para ajuda-las, mas não antes de sentir um toque em minhas costas, ignorei e continuei a correr, matei um de meus inimigos acertando-o pelas costas seu grito de dor fez com que os companheiros da frente percebessem que eu os seguia e alguns pararam para me enfrentar, lembro-me de ter defendido um golpe vindo da esquerda e perfurado um inimigo na direita, entrei em posição de batalha e comecei a estocar e cortar todos ao meu redor, nesse momento não consigo lembrar-me de muita coisa apenas dos vários toques e tapas que senti varias vezes de todos os lados, recuperei minha sanidade quando senti que um soldado tentava me agarrar pelas costas. Minha vontade de ajudar minhas companheiras naquele momento me traia e agora os inimigos sabiam que para me vencer deveriam me imobilizar, pois suas armas eram ineficazes. Girei minha espada e perfurei a barriga do inimigo que me segurava e então corri para tentar sair da multidão que me oprimia corri em direção das guardiãs e percebi que apenas minha mãe restava coloquei-me ao lado dela e encarei-os, nesse momento percebi que ainda mais inimigos chegavam.

Tomei um longo folego e me preparei, olhei para minha mãe e percebi que ela havia um corte profundo no braço por isso segurava apenas uma das facas, os inimigos não deram tempo de recuperar-nos, éramos só dois e mesmo que nossas habilidades os intimidassem sabiam pelos nossos companheiros caídos que podíamos ser derrotados. Vieram a maior parte para tentar me derrotar, talvez porque viram minha mãe ferida ou talvez minha armadura fizera com que pensassem que eu era alguma espécie de líder e se me matassem teriam uma grande recompensa. Tentei ficar o mais próximo possível de minha mãe, contudo seus números nos obrigaram a nos separar e enquanto eu aparava duas lançar de acertar o meu peito, desviei o olhar para minha mãe e a vi sendo estocada na barrida, fiquei em estado de choque.

Naquele momento senti uma grande dor, todos meus sentidos pararam até que soldei um grito de desespero, gritei enquanto derramava lagrimas e corria para tentar alcançar minha mãe, minha raiva subia a cada inimigo que olhava e entrava em meu caminho, continuei a lutar na tentativa de abrir meu caminho até o corpo de minha mãe e quando olhei para ele caído, imóvel apenas o sangue jorrando e se espalhando, senti eu pela primeira vez o ódio proeminente de minha raça o ódio que me levou a cometer o segundo maior pecado de um guardião e naquele momento eu entrava em um estado de fúria e ninguém, não importasse quem ficaria em meu caminho.

Durante um período, lembro-me apenas de flashs, lembro-me de ter cortado o peito de um soldado, aparado uma lança enquanto perfurava a barriga de seu usuário, e de ter defendido vários golpes, porem oque lembro mesmo é da pilha de corpos que deixei enquanto sentia minhas pernas bambas de exaustão, recuperei o sentido ao olhar para a figura que se aproximava, era um sujeito montado com uma armadura de aço polido que protegia todo o corpo, carregava um estandarte com a bandeira de um cervo e uma lança na outra mão, era um ser intimidador, principalmente em cima de seu grande cavalo que possuía uma armadura, também de aço polido e na cabeça um chifre do mesmo material tentando imitar um unicórnio, percebi que os soldados me cercavam fazendo um circulo, contudo eu não conseguia parar de olhar o cavaleiro, ele entregou seu estandarte para que seu escudeiro o segurasse e então tirou a espada da bainha e começou a cavalgar em minha direção, na minha visão aconteceu tudo muito devagar, me lembrava das historias que Tewdric contava sobre os poderosos cavaleiros humanos e como seus cavalos e lanças poderiam ser devastadores se bem utilizados e eu naquela situação seria um alvo perfeito para aquele cavaleiro por isso deveria mudar o jogo. Nos guardiões evitamos matar qualquer animal, sendo aos guardiões a caça permitida apenas em uma época do ano, contudo se eu não tornasse o cavalo minha vantagem, iria perecer ali e eu como a ultima defesa se perecesse toda a aldeia também iria, sendo assim pedi perdão para os espíritos de todos os animais e me agachei enquanto girava meu corpo e com o peso criado por meu movimento somado ao do cavalo cortei uma de suas pernas fazendo com que o cavalo caísse bruscamente no chão, lançando o cavaleiro ainda mais forte contra o mesmo.

Todos olharam assustados para a cena oque me fez deduzir que aquele era o líder deles, levantei e olhei para o cavalo agoniante e essa cena fez me sentir péssimo, pedi perdão novamente aos espíritos, mas em meio a minhas preces uma raiva subiu vinda de meu peito, vi o cavaleiro levantado e retirando seu capacete enquanto olhava para seu animal caído:

— ele é meu – falou em tom serio e raivoso sem tirar os olhos do animal, essas palavras fizeram com que seus soldados uivassem em êxtase, começando a bater suas armas nos escudos e lanças no chão, eu sabia que se matasse esse cavaleiro iria quebrar a moral dos atacantes que restavam e os que não fugissem iriam ficar tão desesperados que seriam alvos fáceis e eu vencia, em minha mente essa era a ultima batalha e se eu ganhasse teria salvado minha aldeia.

Ele entrou na posição do falcão levantando sua espada para o alto enquanto se movia um passo de cada vez, percebi que ele mancava e me senti confiante, pois ele já estaria ferido da queda, senti-me tão confiante que decidi tomar a iniciativa e corri para dar o primeiro ataque, tentei estoca-lo no peito mas tive o golpe aparado por sua espada, no mesmo instante com minha espada remanescente tentei corta-lo no peito e quando ele percebeu que minha espada violava sua armadura ele chutou-me na barriga me lançando para longe, tive de dar uma cambalhota para traz para me levantar mas ainda sim minha armadura absorveu quase todo o impacto, ele olhou para sua armadura e viu o corte que deixo-o furioso devido a minha espada corta-la como se fosse ceda, ele sabia que aquela luta poderia leva-lo a morte e que não daria tempo de estudar meus movimentos pois mais um erro desses poderia ser fatal, dessa vez ele tomou a iniciativa tentando me estocar, aparei a espada e contra ataquei com a outra, ele apenas girou retirando a espada aparada e tentou me cortar com a velocidade do giro, eu defendi usando minhas duas espadas, contudo o impacto fez com que eu perdesse meu equilíbrio, e se aproveitando disso ele saltou com a perna boa e começou a me sequenciar com cortes vindos da esquerda e direita me deixando sem opção além de defender os golpes.

A situação iria se resumir em eu me cansar e quebrar minha defesa ou ele se cansar e abrir a guarda suficiente para eu contra-ataca-lo, contudo, eu possuía uma vantagem clara e ao contrario dos humanos que pregam a honra em batalha, os elfos pregam a honra em vencer as batalhas sem entrar nelas, contudo quando obrigados a lutar somos ensinados a vencer, por isso chutei-o na sua perna ruim enquanto ele voltava o golpe e a dor sentida por ele fez com que perdesse toda a força criando a oportunidade perfeita para meu contra-ataque e foi oque fiz. Tentei estoca-lo no coração e tudo que ele pode fazer foi aparar golpe com a mão enquanto se afastava com sua mão cortada, aproveitei de sua situação atual então saltei em sua direção e agora eu dava uma salva de estocadas em seu peito para finalizar rapidamente com a luta, tudo que ele podia fazer na situação era aparar meus golpes e eu havia invertido nossa situação inicial, só que agora eu havia a vantagem, continuamos por um tempo até que eu senti meus braços cansarem, percebi que perderia se continuasse com esse jogo, então mudei a estratégia e decidi corta-lo na diagonal, contudo o tudo o cansaço de meu braço deixou meu golpe lento e essa lentidão resultou em meu golpe defendido e minha barriga socada, logo após isso ele me afastou.

Percebi que minha visão estava fosca e minha respiração estava pesada, senti minhas pernas balançarem e meus braços doerem, então naquele momento sabia que estava quase em meu limite, tomei um longo folego e encarei meu inimigo agora eu deveria ataca-lo com tudo que tinha e não havia mais chances para erros eu teria de derrota-lo e com minhas energias restantes ainda deveria derrotar quem quisesse vingar seu líder, eu sabia disso, mas isso não mudava o fato de que ele não demonstrava nem por um segundo que estava cansado muito menos preocupado em perder e minha visão piorava cada vez mais, e agora sentia o suor escorrer por todo meu rosto, inspirei e retirei meu capacete vi a cara de espanto de meu inimigo e todos os sons de fervor causados por todos a nossa volta pararam e o rosto antes espantado e agora serio e furioso de meu inimigo e os uivos de raiva vindos de todos a nossa volta fez com que finalmente me desse conta de que apenas agora eles descobriram que eu era humano e um humano lutando contra outros humanos para defender elfos era mais do que um ultraje era um sacrilégio.

O cavaleiro mudou sua postura de batalha agora segurava a espada com as duas mãos na altura da cintura e eu com meu dever de salvar todos ignorei todos os gritos e pensamentos e apenas saltei e ataquei. Trocamos vários golpes e eu me movimentava de um lado para o outro tentando abrir a sua guarda, contudo sua maneira de lutar estava diferente, e agora eu não conseguia sequer me equiparar com seus movimentos, eu continuava e tentava, mas todos meus golpes eram defendidos e eu levava todos os contra ataques, minha armadura absorvia todos e impedia que eu levasse o golpe fatal, mas a força causada por seus golpes fazia com que meu equilíbrio se quebrasse e isso me deixou furioso, corri para ele e tentei corta-lo na diagonal enquanto rugia de fúria e nesse meu momento de fraqueza ele parou e virou a espada acertando a cabeça da mesma no meu rosto fazendo com que eu quase caísse, quando me virei em uma tentativa desesperada de me recuperar ele me acertou com um chute diretamente no nariz então eu cai, cai e a dor somada a exaustão fez com que minha visão gradativamente fosse se apagando, lembro-me dos gritos de felicidades dos soldados e de meu adversário dizendo para me levarem como prisioneiro, ele disse que o rei ordenou que não fizessem nem um elfo prisioneiro mas eu não era um elfo, escutei ele dizendo divirtam-se e depois só me lembro de ter ouvido o primeiro grito das mulheres e da dor, não dor causada pelos golpes mas sim a dor de que eu havia falhado e ela fez com que eu fechasse os olhos e desmaiasse e agora quando eu os abri estava acorrentado junto a um poste, rezei aos espíritos ao ancestrais, aos deuses antigos e aos dragões para que tudo aquilo fosse um pesadelo, chorei enquanto rezava e continuei a chorar, chorava não por que estava com medo ou de vergonha por ter perdido a batalha, chorava por que agora eu estava sozinho e os Elfos do Bosque de Sherwood Existiam não mais.