Slayers
1 Como isso...?
Notas iniciais
14/11/2018
Nem sei por onde devo começar. Faz dois meses que estamos nessa, sobrevivendo com enlatados e Gatorade em um pequeno mercado na estrada. Nunca saímos à noite; poucas vezes ao dia para observar a área. Nunca estamos seguros. Existem pessoas do lado de fora que não aparentam estar nem um pouco felizes.
Desculpe, meu nome é Blane. E hoje eu estaria fazendo uma festa para comemorar meus 19 anos, porém ninguém tem cabeça para festas na situação que estamos. Eu, meus quatro amigos, um homem, uma mulher e uma criança desconhecida estão comigo agora. E eu não sei como sair desse local com todos vivos. Eu não sei nem como sair vivo.
Como qualquer adolescente da minha idade (ou a maioria deles, já descobrirão o porquê), curso letras em uma faculdade católica situada em São Francisco. Não era minha melhor opção, mas consegui uma boa bolsa e ficava perto de casa.
Conheço Paul e Vanessa desde o colegial. Agradeço muito por não perder o contato com eles, pois os considero demais. Vanessa é minha atual namorada e faz faculdade de artes cênicas. Na verdade, o local não é considerado uma faculdade. É como se fosse um curso, onde você tira seu diploma e pode ainda ser chamado para peças e filmes. Fica em Los Angeles, mas Vanessa veio nos visitar nas férias de verão, e com tudo isso acontecendo, não teve como voltar para casa. Ela acha que não sei, mas o fato de não saber como está sua família acaba com ela. Acaba com todos nós, porque ninguém sabe onde está sua família.
Ainda tem a Lindsey. Eu, particularmente, não vou muito com a cara dela. Ela namora o Paul, mas no começo do namoro, dava indiretas para mim. Ela não fez nada, nem eu, é claro, mas a intenção já conta. Além disso, ela não passa de uma menina rica e sustentada pelos pais, que ela acredita ter fortuna eterna. Por isso passa o tempo em casa ou saindo pra festas e coisas do tipo. Ando com o pé atrás em relação à Paul por ter escolhido namorar com essa garota. Diz ele que Lindsey é bem legal... Claro, Paul. Voltando...
Em meados de Julho, houve um aumento na taxa de homicídios na Califórnia. As autoridades não sabiam exatamente o porquê, mas todos achavam isso estranho. Frequentemente, departamentos e lojas de conveniência eram fechadas, por conta de assaltos ou ameaças. A polícia logo suspeitou de um grupo de assassinos em série e denominou-os de Slayers. Os tais Slayers, logo após as notícias, resolveram parar com os atentados. Portanto, no fim de Agosto, as mesmas coisas se repetiam.
Consequência: ninguém saía de casa, ninguém saía do país e ninguém entrava até eliminarem os caras. O mais intrigante é que, sempre que havia uma nova reportagem sobre eles, havia também uma notícia de alguma pessoa jurídica/importante morta. Seja delegado ou governador, sempre estão mortos. Mas até juntarem os fatos, demorou. E essa demora pesou no fim das contas. Hoje só nos resta o atual presidente dos Estados Unidos. Ele está preso na Casa Branca e não sai de lá há, pelo menos, 4 meses. Mas nunca sabemos quando os Slayers irão atacá-lo.
O que eu estou fazendo aqui nesse mercado? Procurando minha família, a família dos meus amigos, cheio de ódio no coração por me sentir incapacitado. A onda de assassinatos está cada vez maior e, aqui dentro, não sei de absolutamente nada que acontece lá fora. Isso me deixa louco.
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