Skyrim - Das cinzas

15 Capítulo XV - Vyrthur


Ao entrar pela passagem e descer de uma borda, se depararam com uma parte do santuário que parecia ainda mais em ruínas e, apesar de com um telhado quase intacto, parecia que havia sido atingida por uma enorme nevasca. Havia uma pequena área vazia à frente deles e um enorme corredor que os levaria até uma câmara cheia de mais estátuas congeladas e um trono no extremo oposto, no qual estava sentado tediosamente Vyrthur, que apoiava o rosto nos dedos enluvados, como se acometido por uma incômoda enxaqueca. Separando-o do resto da sala, havia uma densa parede de gelo após um pequeno lance de escadas. Mesmo por trás dessa parede, Duncan pôde ver os lábios do elfo se retorcerem em um pequeno, mas sádico sorriso.

—Você realmente veio aqui esperando reivindicar o Arco de Auriel? — perguntou Vyrthur, de maneira cínica.

—Facilitaria muito, na verdade. — Duncan retrucou.

O elfo meneou a cabeça negativamente, sem deixar de apoiar o rosto com a mão.

—Tolo… você apenas fez exatamente como eu previ e trouxe sua companheira xereta até mim.

—Espere… — sussurrou Serana, surpresa — Ele está falando de mim?

—O que, — continuou o elfo — sinto muito dizer, significa que sua utilidade está no fim!

Duncan ouviu o estridente barulho de vidro se partindo atrás deles. Ou melhor. Gelo.

Chaurus, antes congelados, vinham rastejando em direção à eles. Duncan desembainhou a Dawnbreaker. Os Chaurus foram sendo derrotados pela dupla, um após o outro.

—Uma exibição impressionante, — disse Vyrthur, aparentemente entretido com o show — mas um esforço desperdiçado. Vocês não estão fazendo nada além de atrasar suas próprias mortes!

O lugar todo tremeu.

—Cuidado! — gritou Serana — Ele está derrubando o teto!

Duncan soltou um palavrão enquanto tentava escapar dos blocos de pedra caindo e da lâmina de um dos Falmer que agora estavam sendo descongelados.

—Sabe de uma coisa? — disse Vythur, com um tom levemente maníaco passando por sua voz gélida — Sejamos caóticos.

Com um gesto de sua mão direita, um enorme elemental de gelo fora invocado. Agora, todos os Falmer e Chaurus estavam soltos de suas prisões congeladas.

Duncan não conseguia pensar. Não sabia o que fazer.

De repente, em meio ao desespero, uma idéia. Um nome.

—Durnehviir! — gritou o rapaz.

Com um ruído incômodo, a fera apareceu abocanhando três Falmer enquanto estraçalhava o elemental de gelo com suas enormes garras.

—Achei que me invocaria em um local mais aberto, Qahnaarin. — disse o enorme dragão.

—Me desculpe, amigo. Prometo que depois que sairmos daqui te deixo dar uma volta. Fechado?

—Então que assim seja... Cuidado com sua retaguarda, mocinha, da próxima vez minha cauda pode estar ocupada! Quanto à você, Qahnaarin… lhe devo um agradecimento por me libertar, mesmo que temporariamente, do Soul Cairn.

—Me agradeça depois. Agora, temos que sobreviver.

O exército de Falmer agora era apenas um bando de pedaços de gelo ensanguentado.

—Não… — Vyrthur, agora temeroso e enfurecido, levantou-se de seu trono — não vou deixar que estraguem milênios de preparamento!

—Acabou, Vyrthur! — disse Serana — Entregue o arco!

—Morte primeiro! — gritou o elfo.

Suas mãos brilhavam. O teto começou a desabar por inteiro. Durnehviir fora atingido por uma viga, desaparecendo em sua aura roxa. Em seguida, Duncan sentiu uma dor enorme em sua cabeça e tudo escureceu.

Ao recuperar os sentidos, ainda com a visão turva e os ouvidos zunindo, ele pôde ver Serana tirando os destroços de cima dele.

—Duncan! Você está bem?

—Estou… só um pouco tonto.

—Acha que consegue andar?

—Consigo. Obrigado.

—Vamos, ele foi por ali. Não podemos perdê-lo de vista!

A dupla correu, seguindo pelos destroços até passar por outra Guia, ainda abaixo do solo, e subindo uma das duas escadas que conduzem a uma varanda com vista para o lago congelado no vale. Vyrthur estava de pé no meio da varanda, acima de um brasão de Auriel talhado no chão, visivelmente cansado e exaurido de suas forças devido ao esforço.

—Basta, Vyrthur. — afirmou Serana furiosamente — Dê-nos o arco!

—Como você se atreve? — retrucou o elfo — Eu era o Alto-Curador de Auri-El, garota. Eu tinha os ouvidos de um deus!

—Até que os "Traídos" corrompesse você. Sim, sim. Nós ouvimos esta triste história.

Vyrthur riu:

—Gelebor e seu tipo são tolos facilmente manipulados. Olhe nos meus olhos, Serana. Diga-me o que sou.

Os olhos de Serana se abriram em surpresa.

—Você é ... você é um vampiro? Mas... Auriel deveria ter protegido você ...

—No momento em que fui infectado por um dos meus próprios Iniciados, Auri-El virou as costas para mim. Eu jurei que eu teria minha vingança, não importa o que custasse.

—Você quer se vingar... de um deus? — Serana ficava cada vez mais estarrecida.

—Por isso os Falmer foram congelados… — deduziu Duncan. — Não foi Auriel quem negou sua benção. Foi você que os impediu!

—Sim… se aquelas criaturas imundas achavam que podiam fortalecer Auri-El com suas preces, encontraram um trágico fim. E no final de tudo, consegui manipular Gelebor e os outros Paladinos para acharem que eu fui atacado e atraí-los para uma cilada.

—Como ousa? Era sua própria raça!

—Uma raça inteira que cultuava um deus que virava suas costas para seus fiéis. É realmente irônico o que os Dwemmer fizeram com eles, visto que, na verdade, eles sempre foram cegos para certas verdades.

—Tudo isso achando que fez algum mal à um deus, Vyrthur?

—Não, em absoluto. Ali eu só estava eliminando os que poderiam me causar problemas. O próprio Auri-El talvez estivesse além do meu alcance, mas sua influência no nosso mundo não estava. Tudo o que eu precisava era do sangue de um vampiro e sua própria arma, o Arco de Auriel.

—O sangue de um vampiro... — Serana olhou para as próprias mãos — O Arco de Auriel ... Foi... foi você? Você criou essa profecia?

—Uma profecia — disse Vyrthur, orgulhoso — que carecia de um único ingrediente final ... o sangue de um vampiro puro. O sangue de uma filha de Coldharbour!

—Você estava esperando… — a voz de Serana foi, vagarosamente, se transformando de desamparo à uma raiva enorme, mesmo que contida — todo esse tempo para que alguém com meu sangue viesse até aqui. Bem, pena para você... eu pretendo manter o meu onde está. — a vampira pegou Vyrthur pela gola de sua armadura branca e ergueu-o no ar -Vamos ver se o seu sangue tem algum poder para ele!

Recuperado o suficiente para retomar a luta, Vyrthur livrou-se de Serana, afastando-a com um pulso de energia.

Duncan desembainhou suas espadas e partiu para cima de Vyrthur que respondeu com uma rajada de magia de gelo. Duncan já sabia como responder a isso. Rolando para o lado, ele embainhou a espada dos Nightingales e soltou uma rajada de fogo que se chocou contra o gelo de Vyrthur. Serana eletrocutou-o, fazendo-o abrir a guarda. Duncan então bateu em seu rosto com o pomo da Dawnbreaker, soltando brasa de sua bochecha esquerda. Ele urrou de ódio e tentou partir para cima de Duncan com uma adaga elfica longa, golpe o qual Duncan foi rápido em aparar, contra-atacando com um chute na boca do estômago de Vyrthur. Após recuar, o elfo fez aquela orbe vermelha que vampiros usavam para drenar a força vital. Mas Duncan não sentiu apenas a dor aguda da magia. Sentiu-se cansado quase que instantâneamente. Mesmo assim, aproveitou o fato de sua luva ter tachões de ferro no punho e desferiu um potente soco na boca de Vyrthur que, mais uma vez, recuou atordoado.

Dessa vez Serana viu uma oportunidade e a aproveitou, usando sua velocidade para alcançar Vyrtur e o jogar contra o parapeito da sacada. O elfo caiu sentado e ela, deixando totalmente de lado toda sua classe uma vez mais, ajoelhou-se em cima dele e começou a esmurra-lo sem dó nem piedade.

Vyrthur concentrou uma magia de gelo em seu punho e o desferiu no rosto de Serana, que caiu imediatamente para trás, ainda com rastros de gelo sobre o rosto. Ele então, levantando-se já com certa dificuldade, pisou no peito da vampira, que soltou um urro surdo de dor.

—Já é hora de minha vingança contra Auri-El se completar! — afirmou ele, com um tom que se aproximava perigosamente de “maníaco”, enquanto levantava sua adaga para desferir um golpe fatal.

Duncan jogou-se contra o elfo das neves, derrubando-o no chão. Tentou alcançar a Dawnbreaker, mas tomou uma cabeçada antes. Pegou a cabeça de Vyrthur e chocou contra o chão. O elfo não se abalou com o golpe, chutando Duncan para longe.

Vyrthur levantou-se rindo enquanto limpava dos lábios qualquer rastro de sangue com o antebraço. Então conjurou mais um elemental de gelo. Duncan e Serana precisavam despachar aquela enorme muralha antes que Vyrthur escapasse.

Um olhou para o outro. Silenciosamente, chegaram à um consenso. Duncan conjurou em ambas as mãos sua magia de fogo, a qual agora parecia dominar quase magistralmente. Serana, por sua vez, conjurou sua magia de raios, a qual já usava com tamanha naturalidade. À medida que o gigante de gelo se aproximou, ambos lançaram suas magias contra o ser. O efeito foi quase imediato, abrindo um buraco fumegante na criatura, que caiu de joelhos, desfazendo-se no chão.

Vyrthur olhou para a cena, incrédulo. Tentou congelar Serana com uma magia, mas Duncan o impediu. Pegou o braço de Vyrthur, com a magia de fogo ainda crepitando na palma de sua mão. O cheiro de carne queimada subiu. Vyrthur gritou de dor.

Com a outra mão, Duncan pegou Vyrthur pelo pescoço e o bateu de costas no parapeito, forçando-o contra a pedra. Vyrthur viu os olhos animalescos de Duncan enquanto buscava desesperadamente por ar. Tentou soltar sua garganta com a mão livre. Duncan, com um rápido movimento, destroncou o ombro do elfo e voltou a forçá-lo contra o parapeito. O barulho de algo se rachando. O Alto-Curador só teve tempo de arregalar os olhos antes que a única coisa que o separava do abismo cedesse. Duncan ficou parado enquanto olhava Vyrthur cair.

—Duncan… você está bem? — Serana perguntou, preocupada.

—Estou. — a voz de Duncan saiu mais rouca do que o de costume.

O pequeno sol de Auriel em cima da Guia se iluminou, então ela emergiu. De lá, saiu o Cavaleiro-Paladino Gelebor.

—Então, a ação foi feita. A restauração desta Guia significa que Vyrthur deve estar morto e os Traídos já não têm mais controle sobre ele.

—Os Falmer não tiveram culpa de nada disso. — disse Duncan, ainda olhando para o abismo.

—O que? — Gelebor perguntou, chocado — Do que você está falando?

—Seu irmão era um vampiro. Tudo fora forjado unicamente por ele, incluindo a profecia que estamos tentando impedir. Tudo para se vingar de Auriel por não protegê-lo contra a doença.

—Um vampiro? Entendo... Isso explicaria muito. No fundo, isso me traz alegria de que os Traídos não tenham culpa pelo que aconteceu aqui. Significa que ainda há esperança de que eles possam um dia descartar seu ódio e aprender a acreditar em Auri-El novamente. Faz muito tempo que não me sinto assim e estou em grande atraso. Meus agradecimentos a vocês dois. Vocês arriscaram tudo para obter o Arco de Auri-El e, por sua vez, restauraram a Capela e o Santuário. Não consigo pensar em um campeão mais merecedor para carregá-lo do que você. Se você deseja saber mais sobre o arco, ou obter as flechas sagradas para ele,eu ficaria mais do que feliz em ajudar. É só pedir. Por favor, pegue o arco ... é seu.

Duncan viu o Arco se materializar diante de seus olhos. Era de um dourado profundo e envelhecido, evocando de fato o sentimento de ele ser mais antigo que o próprio tempo.

—Eu achei que ele ia ser mais brilhante… — brincou Serana — mas ainda, sim é lindo.

—É… — após um momento, Duncan se volta para Gelebor — O que vai fazer agora?

—Mesmo com Vyrthur morto e o Sanctum interno destruído, meu dever como Cavaleiro-Paladino de Auri-El permanece. Eu jurei para proteger este vale e tudo o que representa até eu morrer.

—E quanto às Guias que trazem até aqui?

—Por enquanto, elas permanecerão abertas. Se restos de nossa espécie que escaparam da traição nas mãos dos Dwarves existem lá fora, talvez eles encontrem este lugar um dia. Mas por mais que eu queira ver esse santuário de volta à sua antiga glória, esse tempo há muito se passou. Agora que o meu irmão está morto, é bem possível que eu seja o último de nossa espécie.

—Então, de fato, eu contribuí para sua extinção.

—Não há necessidade de esse tipo de conversa. Eu disse que era possível. Também é bem possível que existam alguns outros conclaves isolados de Elfos da neve agrupados em outro lugar em Nirn. Eu também suponho que Vyrthur não lhe deu exatamente a opção de segurar sua mão.

—Você mencionou que talvez os Falmer possam voltar a acreditar em uriel… acha que eles podem ser curados algum dia?

—Não sinto nada além de simpatia pelos Traídos, apesar de minhas ações contra eles. Mas eu temo de que eles estejam bem além de uma cura neste momento. As deformações que você viu não ocorreram durante a noite. Não é uma praga ou uma doença que devastou nossa espécie. Os Dwemer podem ter roubado sua visão, mas levou muitas gerações para que elas se tornassem o que são hoje. Talvez eles nunca mais voltem a sua aparência anterior, mas ao longo dos séculos, notei um aumento no seu intelecto. Se uma linha de comunicação pudesse ser estabelecida com eles, talvez eles possam encontrar a paz. É a única maneira de descobrir que eles nem sempre foram malignos ... eles já foram uma raça orgulhosa e próspera.

—Certo… sobre o arco… como ele funciona?

—Dizem as lendas que o arco foi feito para ser carregado pelo próprio Auri-El em batalha contra as forças de Lorkhan nos tempos antigos e míticos. Seu artesanato não tem igual em qualquer lugar dentro de Tamriel e possivelmente além. O arco conduz o poder de Aetherius em si, canalizando-o através do sol. Portanto, quando uma flecha é atirada do arco, ela produz um efeito mágico muito parecido com queimaduras de fogo. Mas na verdade, isso é apenas uma fração do seu potencial. Com flechas abençoadas, você poderia produzir um efeito muito mais espetacular… causando rajadas de luz solar para envolver seus inimigos. Isso causaria feridas em qualquer coisa, mas é especialmente devastador para os mortos-vivos.

—Vyrthur acreditava que banhando-as no sangue de uma filha de Coldharbour, é possível explodir o sol.

—Bem, talvez usando uma flecha que foi banhada em sangue pode fazer com que ele funcione de forma diferente… corrompendo seu propósito. É claro que se você é tolo o suficiente para experimentar.

—E como posso obter essas flechas especiais?

—Eu realmente posso ajudá-lo nesse sentido. Se você fosse me trazer algumas flechas elven de boa qualidade, eu poderia imbuí-las com os encantamentos e rituais adequados.

—Hm… então eu precisaria estar voltando aqui. Ou mandando alguém.

—Como eu disse antes, as Guias estarão abertas e uma das passagens trás até aqui. Não se preocupe. Se você tiver um mapa, posso marcar a localização das Guias para facilitar sua viagem.

—Certo.

Após os preparativos, Duncan sentou-se ao lado de Serana, que estava sentada em um dos degraus pensativa.

—Bom… e agora?- perguntou ele.

—Agora? — a vampira respondeu, ainda pensativa — Você sabe muito bem. Vamos enfrentar meu pai.

—Serana…

—Eu sei. Teremos que matá-lo.

—Provavelmente.

—Eu venho tomando coragem para isso desde que fugi de lá. Mas tenho que ter consciência de que meu pai morreu faz muito tempo… aquilo que hoje é Harkon não passa de um maníaco genocida.

—Eu… sinto muito, Serana.

—Não sinta. Eu vou ficar bem.

Duncan passou o braço ao redor do ombro de Serana.

—Olhe, — disse o rapaz — se quiser, apenas destruímos o arco, ou até mesmo deixamos ele aqui. Sabemos que Gelebor não vai deixar ninguém pegá-lo.

—Não. Viemos até aqui porque eu sei que meu pai é um maníaco genocida. Se ele não puder reinar sobre os humanos com o arco, ele vai achar outra forma. Mas não podemos simplesmente ir até lá. Temos que voltar. Israan quer matar vampiros? Pois bem. A Dawnguard vai ter vampiros de sobra para matar.

—Certo.

Duncan acenou com a cabeça para Gelebor, que, com um aceno, mandou os dois para a entrada da Caverna Darkfall, onde Shadowmere aguardava pacientemente. Duncan acariciou-o.

—Pronto, meu amigo. Me desculpe pela demora.

O cavalo simplesmente bufou.

—Se planejamos ir até Israan, — disse Duncan — significa que vamos praticamente atravessar toda Skyrim e temos pouco tempo para isso.

—O que tem em mente?

—Aqui. — Duncan entregou o pingente de Arvak para Serana — Se esse cavalo for rápido o suficiente para acompanhar Shadowmere, chegaremos lá em menos de três dias de viagem.

Serana segurou o pingente e formou uma magia de conjuração. O pingente sumiu e Arvak se materializou. Era o esqueleto azul de um cavalo de porte grande, com chamas azuis e brancas saindo de dentro dele. O cavalo empinou e relinchou. Shadowmere bufou e abanou a cabeça, ação aparentemente respondida por Arvak. Após o que pareceu um pequeno diálogo entre os dois, Serana montou o cavalo, assim como Duncan fez com Shadowmere.

***

Três dias depois, alcançaram a enorme fortaleza, escoltados por Durnehviir, que desaparecera logo antes de entrarem nas redondezas do forte, para evitar ser alvejado pelos virotes de besta dos Dawguards. Constataram que haviam passado tempo de mais fora. As coisas haviam mudado. O número de recrutas havia dobrado, assim como as defesas do forte.

Explicaram aos membros fundadores tudo o que aconteceu. Gunmar já tinha um número considerável de Trolls e Sorine havia desenvolvido novos protótipos de bestas. A mais recente se assemelhava muito à das máquinas Dwemer e era capaz de lançar flechas mais rápido e mais longe, além de serem muito mais fáceis de recarregar.

Após contarem o que se passou no Vale Esquecido, Israan incumbiu Agmaer e mais quatro Dawnguards para coletar flechas elficas e levar para Gelebor.

—Agora — disse Sorine Jurad — precisaremos reforçar nossas fileiras.

—O que quer dizer com isso? — indagou Israan.

—Bem… Gunmar e eu estivemos discutindo. Acho que seria um passo acertado trazer Florentius para cá.

—Florentius? — Isran indagou, demonstrando sua usual irritação — Não. A Dawnguard não vai virar um circo para aquele maluco.

—Israan, — cortou Sorine — se você nos aceitou aqui é porque a coisa está muito feia.

—Mesmo assim, não.

—Quem é Florentius? — perguntou Duncan.

—Florentius é um monge de Arkay. — explicou Gunmar. — O problema é que o homem é um tanto quanto… excêntrico.

—Eu achei que vocês dois tivessem aprendido a lição de vocês. — protestou Israan — Eu não confio naquele homem e não o quero aqui.

Sorine já tinha uma resposta na ponta da língua.

—Eu sei que você não gosta dele por seus motivos pessoais, mas… além de um ótimo alquimista e um ótimo curandeiro, ele tem métodos inigualáveis de conseguir informações.

Israan ponderou. Duncan escolheu seu lado na discussão.

—Olhe, se o que Sorine está dizendo é verdade, precisamos de um homem assim por aqui. Toda a vez que tive que me preparar para uma viagem, tenho que visitar alquimistas em Riften e desembolsar uma certa quantia. Estamos nos preparando para uma guerra, Israan. Todos os recursos que pudermos ter são vantagem.

Israan grunhiu.

—Certo. — disse, por fim. — Que seja. A última vez que ouvi falar dele foi quando ele e os vigilantes estavam na escavação de Ruunvald. Se ele puder pelo menos parecer que é normal, eu permito que ele fique.

Duncan deu um sorriso triunfante.