Skyrim - Das cinzas
3 Capítulo III - Linhagem de Sangue
Notas iniciais
A garota tentou se levantar, mas quase caiu. Ela parecia estar tonta. Suas mãos e suas pernas tremiam. Ela olhou Duncan nos olhos.
—Quem… quem mandou você?
—Um homem chamado Isran. – Duncan respondeu
—Nunca ouvi falar. Ele trabalha para o meu pai?
—Não... ele é líder de uma facção chamada “Dawnguard”.
—Não é um nome que eu conheça... mas com certeza não é o nome que um vampiro escolheria para uma facção.
—Na verdade...
—São caçadores de vampiros? – a garota interrompeu
Duncan assentiu com a cabeça, incerto se seria atacado, ou se ela simplesmente iria fugir. Ela não fez nenhum dos dois, apenas argumentou:
—Olhe... se haviam mais pessoas aqui procurando por mim, concorda que sou mais valiosa viva do que morta?
—Não vou matar você. Caçamos vampiros que matam pessoas, ou que se tornam uma ameaça. E aparentemente você está faminta, mas nem por isso saltou em cima de mim ou nada do tipo.
Ela ponderou, mas retrucou
—Não sou nenhuma selvagem, sabe? Mas... você está certo, estou morrendo de fome. Só que seria muita ingratidão minha simplesmente matar quem me libertou sem você no mínimo ter me dado uma boa razão. Você pode ser um caçador, mas veja só, está com as armas embainhadas, e apesar de estar com um pouco de medo, resolveu conversar.
Duncan olhou para o sarcófago onde ela estava presa.
—Há quanto tempo está presa ali dentro? – ele perguntou
—Não faço ideia.... alguns séculos, talvez? Quem é o Alto-Rei de Skyrim?
—Ahm… na verdade isso é algo a ser discutido.
A garota soltou algo entre uma risada e um grunhido de desdém
—Uma guerra pela sucessão? Bom saber que Skyrim não ficou chata desde que eu fui aprisionada. Posso perguntar quem exatamente são os pretendentes?
—O Império de Cyrodill suportando Elsif, contra o exército de Ulfric Stormcloack.
Ela arregalou, depois estreitou os olhos, confusa.
—Espere... Cyrodill tem um Império?
—Você… não sabia?
—Não! Quero dizer... antes de... você sabe... Cyrodill já era grande e tudo o mais, mas... não, nada de Império.
—Oh.... bom.... então você está aqui há.... pelo menos... – Dust buscou em sua memória. Ele havia lido um livro sobre a história do Império há pouquíssimo tempo. – uns Quatro mil e duzentos anos... eu acho.
—Quatro mil? – ela repetiu, perplexa. – Pelos Nove... faz muito mais tempo do que eu lembrava. Com certeza muito mais tempo do que planejamos. Se eu fosse mortal, teria tido um ataque do coração agora.
Duncan riu.
—Na verdade, se você fosse uma mortal, não estaria viva há tanto tempo.
—É verdade – ela sorriu.
—Posso... perguntar por que você estava trancada ali?
—É... complicado. E olhe, não me leve a mal, mas... não sei se posso confiar em você o suficiente para contar agora. Se quiser saber a história toda, me ajude a voltar ao lar da minha família.
—Que fica...?
—Minha família costumava viver em uma ilha ao oeste de Solitude. Aposto que ainda vivem. Aliás, meu nome é Serana, e o seu?
—Duncan. Duncan Wolveneye.
—De fato... seus olhos lembram muito os de um lobo. É impressionante. Bom, prazer te conhecer, Duncan.
Duncan fez uma reverência debochada, mas logo recuperou o tom sério de antes.
—Alguma ideia de como sair daqui? – ele perguntou
—Seu palpite é tão bom quanto o meu. Esse lugar parece muito diferente de quando eu fui trancafiada.
—Droga. – Duncan resmungou. – E essa sua casa...
—Já disse, é a oeste de Solitude. Com sorte, vai ter um barco que possa nos levar até lá. Não é o lugar mais receptivo do mundo, mas dependendo de quem estiver por lá, eu estarei à salvo.
—Quem te impediria de estar à salvo lá?
—Ahm... vamos dizer que meu pai e minha mãe não se dão muito bem. Não se preocupe, não vou estar em perigo nem nada. Só ia ser mais desagradável se fosse meu pai que me recebesse. De todo jeito, vamos. Temos que sair daqui.
Duncan concordou com a cabeça. Ele estava meio desconfortável de seguir na frente, mas ela estava fraca de mais para lutar naquela condição.
Duncan notou que havia outra ponte, oposta à de onde ele veio. Como aquela passagem precisaria ser escalada e Serana mal conseguia ficar de pé, ele decidiu seguir pelo outro caminho. Estava meio escuro, mas os olhos de Duncan se acostumaram rápido. Ele conseguiu avistar uma escadaria, enfeitada com gárgulas nos parapeitos.
—Eu tenho um mau pressentimento sobre isso – afirmou Serana.
—O que quer dizer com isso? Duncan perguntou.
Antes que Serana pudesse responder, Duncan ouviu barulho de pedra se chocando no chão. Quando olhou, duas das gárgulas haviam criado vida.
—Ahm... Eu não estou gostando disso...- Disse Duncan, desembainhando a Dawnbreaker.
As gárgulas avançaram sobre os dois numa velocidade impressionante para seu tamanho. Duncan conseguiu se abaixar ates de ser atingido por uma braçada que o arremessaria longe, e tentou cortar a barriga do monstro, mas tudo o que provocou foram faíscas, nenhum arranhão.
—Como se vence essas coisas? – ele perguntou
Então um espinho de gelo acertou a gárgula, congelando-lhe uma parte do tórax.
—Ataque agora! – Serana gritou.
Duncan obedeceu sem hesitar. A espada destroçou o gelo, deixando o coração da criatura exposto. Duncan não teve piedade.
A outra estava caçando Serana como um gato faminto caça um rato, e Serana não estava em condições de fugir. Duncan segurou a Dawnbreaker com ambas as mãos e se concentrou. A lâmina novamente se acendeu de maneira intensa, e ele atacou a criatura, fazendo um pedaço da pedra quebrar-se e arrancando sangue.
Serana sorriu. Ela conjurou o feitiço vermelho que Duncan vira antes e atingiu a criatura com ele, mas ao invés de sugar a energia pela boca, era a orb vermelha em sua mão que estava absorvendo o sangue. A criatura caiu de joelhos e, depois de alguns segundos, caiu no chão. Serana respirou fundo.
—Ah! Bem melhor! – disse ela em tom triunfante.
—Você se alimenta pela mão? – Duncan perguntou, incrédulo
—O que? Não, claro que não! Mas o feitiço de drenagem funciona de um jeito diferente com vampiros de sangue puro como eu. Posso ainda estar com fome, mas pelo menos não estou mais tão fraca. E não se esqueça que foi o seu sangue que me despertou.
Duncan se lembrou do espinho que perfurara sua mão antes. Então era para isso? Ele torceu para que ela não tivesse gostado do sabor e quisesse repetir a refeição. Eles subiram a escadaria antes guardada pelas gárgulas e avistaram um portão, o qual atravessaram, sabendo que estariam mais perto da saída.
O portão levava à um gigantesco anfiteatro com alguns esqueletos vivos e Draugrs perambulando por lá. Duncan tentou passar despercebido, e Serana seguiu seu exemplo. Infelizmente, entre os Draugrs, estava um Senhor da Morte, um Draugr poderoso com a habilidade de sentir a presença de vivos e com o poder da Voz. Coisa que Duncan descobriu da maneira mais angustiante possível.
—Fus... Ro-Dah!!— gritou a criatura, e a dupla fora arremessada. Serana teve sorte de cair acima da arquibancada, mas Duncan caiu em um dos degraus e rolou escadaria abaixo, caindo aos pés de outro Draugr, e tendo que rolar para o lado para escapar de última hora de um golpe de espada que racharia seu crânio ao meio. Ele pegou Dawnbreaker e partiu para cima do Draugr, que começou a pegar fogo ao primeiro toque da espada. Alguns golpes e o Draugr caiu, causando um pulso de energia que iria ferir todos os Mortos-vivos, inclusive...
— Serana! – Duncan gritou, pulando em cima de Serana.
—O que está fazendo? – ela perguntou – Que luz foi essa?
—Desculpe... essa era a bênção de Meridia, que fere todos os não-vivos. Quando me lembrei que te machucaria também, foi a primeira coisa em que pensei.
—Certo. Mas não faça isso de novo – respondeu ela, irritada. Depois, ela acalmou um pouco o tom – E não se preocupe comigo. Eles são nosso maior problema. Se precisar usar essa sua espada, use.
Duncan assentiu, relutante, mas pediu:
—Fique longe.
Ela meneou a cabeça e conjurou um feitiço de relâmpago em uma das mãos e um de gelo na outra.
—Assim não preciso ficar tão perto da ação para te ajudar. – comentou ela
Ele sorriu e correu para cima dos mortos-vivos de novo, revigorado. A adrenalina de quase ter acidentalmente queimado Serana com uma luz pior que a do sol o deu uma energia enorme. Ele rodava, pulava, defendia-se e contra-atacava em uma velocidade incrível e, a cada inimigo derrotado, todos os próximos a ele caíam também, atingidos pela luz de Meridia.
Logo, apenas os esqueletos com arcos e o Senhor da Morte sobraram. Mas o Drugr não se permitira cair tão fácil quanto seus camaradas. Assim que Duncan entrou em guarda, ele gritou:
—Zun Haal Viik!
E a espada voou da mão de Duncan.
—Ah, merda! – ele disse.
Duncan subiu as escadas correndo e se escondeu atrás de um trono, provavelmente de algum rei que iria assistir as lutas desse panteão. E foi bem à tempo de escapar de outro “Fus Ro-Dah”. Serana o alcançou com pressa.
—E agora?- ela perguntou, desviando-se de uma flecha lançada por um dos arqueiros. Duncan respondeu à flechada com dos virotes de sua besta cravado no crânio do esqueleto.
—Não faço ideia – ele respondeu.
Os passos do Senhor da Morte se aproximavam. Serana teve uma ideia.
—Eu vou servir de isca para o grandalhão aí. Enquanto eu distraio ele, você pega a sua espadinha e pega ele pega ele pelas costas.
—Mas a luz vai te ferir também!
—Sem tempo para discutir, só faça o que eu digo!
E ela saiu correndo. O Draugr não se segurou e foi atrás dela. Ela soltava relâmpagos nele, mas pareciam não surtir efeito algum. Se surtiam, era mínimo, e só podia ser notado pela pele ressecada sendo queimada e o fedor de cadáver queimando.
Duncan correu, desviando-se das flechas dos dois arqueiros que sobraram, atirando com a besta em um deles e rolando, alcançando a Dawnbreaker. O segundo tiro tirou o último esqueleto de ação, então ele correu em direção ao Draugr, que havia prendido Serana em um canto do anfiteatro e estava se preparando para desferir um golpe que provavelmente a mataria.
Duncan rasgou a criatura ao meio, e o pulso de energia atingiu Serana, que caiu encostada na parede.
—Serana! – ele chamou.
A vampira abriu um pequeno sorriso e disse com a voz rouca:
—Isso... é o que eu chamo de trabalho em equipe.
Ele sorriu.
—Vamos, temos que te levar até em casa.
***
O caminho até a ilha foi tranquilo. Serana não teve problemas em ir montada em Shadowmere, desde que ela ficasse na garupa junto com Duncan. Decidiram viajar à noite, por razões obvias. No meio do caminho, eles foram emboscados por bandidos, que não serviram para nada mais além de alimento para Serana, que não teve trabalho algum para matá-los.
Quando chegaram, Duncan avistou da margem do rio o enorme castelo, que parecia ser mais antigo que o próprio tempo. Um castelo enorme, maciço, imponente.
—Ali está ele… – ela disse – O castelo Volkihar, lar da minha família há milênios.
—Por que não me disse que vivia em um castelo? – ele perguntou
—Não queria que você fizesse mau juízo de mim.... afinal, eu não sou uma daquelas princesinhas delicadas, ou nada do tipo. O castelo é dos meus pais. Eu queria muito viver em um lugar menor. Quem sabe... menos tenebroso.
—Entendo perfeitamente o por quê. – ele respondeu, quando um relâmpago cruzou o céu logo atrás do castelo.
Depois de atravessar o lago em um pequeno barco à remo, eles andaram até a entrada do castelo. A ponte tinha diversas gárgulas em ambos os lados.
—Calma – disse Serana ao ver que Duncan estava incomodado – essas não vão nos atacar.
—Certo... –ele respondeu.
O guarda, um velho cuja aparência era extremamente moribunda, não fossem os olhos vampirescos entregando que ele talvez tivesse mais energia que Duncan, levantou-se de seu acento e já foi dizendo:
—Alto! Não é permitida a entrada de mor.... viajantes no castelo do Lorde Harkon! Dê meia volta e.... oh.... meus velhos olhos estão me enganando? Serana! Você finalmente voltou! Por favor, entre, entre!
—Olhe... – disse Serana para Duncan, antes que entrassem – eu sei que você me ajudou, mas... isso tudo é informação de mais para mim. Seus amigos não se segurariam em iniciar um massacre aqui dentro, eu suponho, mas... por favor, deixe-me ir na frente, tudo bem? E tente não fazer besteiras.
—Eu prometo – ele respondeu.
Eles entraram e, antes mesmo de descer a escadaria para o salão principal, Duncan pôde ver uma enorme mesa de jantar com vários vampiros sentados. Fora isso, haviam guardas, que também eram vampiros. Duncan não pode não se sentir ameaçado.
O vampiro sentado ao centro, um homem alto, de cabelos castanhos na altura dos ombros e um cavanhaque, trajando uma armadura sobre vestes vermelhas e uma capa preta similar à da filha sobre os ombros, com o mesmo brazão, levantou-se e abriu os braços.
—Minha filha há muito perdida retorna finalmente! – disse ele, dando a volta na mesa e se postando no meio do salão, onde a dupla já se encontrava. – Eu acredito que você tem meu Elder Scroll?
—Depois de todos estes anos, isso é a primeira coisa que você me pergunta? – indagou Serana, com desdém – Sim, eu tenho o Scroll.
—É claro que estou feliz em vê-la, minha filha, devo dizer as palavras em voz alta? Ah, se apenas sua mãe traidora estivesse aqui, eu a deixaria assistir a essa reunião antes de enfiar a cabeça dela em uma estaca. Diga-me, quem é esse estranho que trouxe para o nosso salão?
—Este é o meu salvador, aquele que me libertou.
O homem mediu Duncan de cima abaixo e suspirou:
—Pelo retorno seguro da minha filha, você tem a minha gratidão. Diga-me, qual é o seu nome?
—Duncan.
— Eu sou Harkon, senhor desta corte. A esse ponto, acredito que minha filha já teria dito a você o que nós somos.
—Vocês são vampiros. –Dust respondeu, secamente.
—Não apenas vampiros, estamos entre os vampiros mais antigos e poderosos em Skyrim. Durante séculos vivemos aqui, longe dos cuidados do mundo. Tudo isso terminou quando minha esposa me traiu e roubou o que eu mais valorizava.
Duncan não pareceu muito interessado na conversa, mas sim no destino de Serana, e no dele.
—E o que acontece agora? – ele perguntou
Harkon abriu um sorriso.
—Você me fez um grande serviço, e agora você deve ser recompensado. Só há um presente que posso lhe dar, que é igual em valor ao Elder Scroll e à minha filha. Ofereço-te o meu sangue. Tomai-o, e andareis como leão entre ovelhas. Os homens tremerão à vossa aproximação, e nunca mais haveis de temer a morte. – disse ele, teatralmente.
—Eu acho que isso... não é uma boa ideia. Afinal, eu não sou totalmente humano.
—Ah... está falando da razão desse seu cheiro de cachorro molhado? – Ele deu um sorriso malicioso — O poder do meu sangue purificará essa... imundície e te tornará inteiro novamente.
Duncan ponderou.
—E se eu recusar seu presente?
—Então você será uma presa, como todos os mortais. Pouparei sua vida desta vez, mas você será banido deste salão. Talvez você ainda precise ser convencido? – ele abriu os braços – Contemple o poder! – Ele se transformou em uma criatura horrenda, de mais de dois metros de altura, com asas de morcego nas costas e pele azulada. Agora todos os seus dentes eram presas afiadas. Sua voz, no entanto, só ficou levemente mais grossa. – Este é o poder que eu ofereço! Agora, faça o seu escolha!
Ele olhou para Serana, que balançou a cabeça negativamente, com medo em sua expressão.
—Eu recuso. – afirmou ele, para o alívio da garota
—Que assim seja! – Harkon respondeu, com desdém – Você é presa, como todos os mortais. Considere-se banido!
Com um jesto da mão de Harkoon, Duncan foi teleportado para a margem do lago. Ele olhou uma vez mais para o castelo.
—Espero que você fique bem, serana.... –ele sussurrou.
Então tomou seu rumo para o Forte Dawnguard.
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