Serana precisava admitir que Morrigan era muito esperta. Esperta e com grande tolerância ao álcool. Ela bebia e servia cerveja e hidromel para os magos sempre que os copos estavam no fim, mas diferente deles ela estava sempre beliscando algum petisco. Ria de forma abobada e as vezes até cantava junto com os músicos. Os magos também pareciam estar se divertindo muito.

— Você não fez isso! — Morrigan engasgou no meio de suas risadas, ela estava ao lado de Serana agora e os magos de frente para elas.

— Ah, ele com certeza fez! — Toldfir falou com um enorme sorriso, os olhos já pareciam enevoados — Como ela disse mesmo?... Ah, "você me deixou verdeeeeeee, mas disse que me deixaria invisível" isso antes de correr atrás dele atirando bolas de fogo por todo o colégio.

Drevis fez uma careta e tomou metade do liquido em seu copo de uma única vez.

— Eu disse para ela que não dava para ter certeza dos efeitos colaterais, mas que deveria fazer ela ficar invisível. — ele deu de ombros — Ninguém aprecia meus estudos.

Toldfir ainda ria e chegou a enxugar os olhos.

— Ela nem pode ouvir falar de Drevis agora e fica pelos cantos do colégio insistindo que todos estão falando mal dela.

Morrigan fez um gesto de pouco caso com a mão.

— Isso não é nada. — olhando para Serana, explicou:- Drevis já me deixou incapaz de respirar, cheguei a desmaiar e então ele jogou água no meu rosto e ai descobrimos que o efeito colateral era respirar embaixo d'água. Só na água.

Serana sentiu os próprios lábios subirem, o peito se aquecendo um pouco ao imaginar Morrigan vivendo como um peixe.

— Até hoje falamos para ele que foi por isso que você foi embora e não voltou mais. — Toldfir falou com um tom melancólico — Depois de três dias vivendo como um peixe, claro que ela iria embora — ele olhou feio para Drevis que apenas desviou os olhos com expressão de culpa. — Não vamos nem falar da outra vez que ela ficou enxergando tudo azul por semanas.

— Nossa, isso foi realmente desconfortável. — Morrigan concordou, obviamente adorando ser defendida.

Drevis a encarou com uma expressão ansiosa.

— Mas agora você voltou, certo? Veio retomar os estudos? — seu tom era tão esperançoso que Morrigan quase riu — Posso te ajudar com os feitiços de alteração, meus experimentos não dão mais errado.

— Oh, Drevis. Você não tem jeito mesmo! — Morrigan comentou com desgosto, mas de alguma forma Serana sabia que ela estava doida para pergunta sobre os novos experimentos do homem.

— Mas Drevis levantou um bom ponto. Você está de volta para estudar ou está apenas de passagem? — Toldfir perguntou, a esperança e a curiosidade em sua voz deixavam claro que era seguro falar com ele.

Morriga mordeu um pedaço de queijo preguiçosamente e balançou a cabeça negativamente.

— Estou no meio de um favor para um amigo agora, mas meu próximo passo é voltar e terminar os estudos. Estava falando com Sarah ontem como usar magia ainda exige muito do meu corpo, preciso mesmo praticar mais.

Drevis assentiu.

— Você saiu daqui antes de aperfeiçoar os escudos e aprender como exigir menos do seu corpo, precisa voltar logo.

— É verdade, escudos são ótimos para acostumar o corpo. Usar apenas feitiços ofensivos e de cura apenas vão fazer você se sentir desgastada, tente Alteração e Ilusão de vez em quando. — Toldfir acrescentou entre goles — Aliás, que tipo de favor você está fazendo? Se pudéssemos... sniff — soluçou — ops. Sniff, sniff.

Morrigan deu tapinhas nas costas dele e passou para ele seu próprio copo de hidromel que ele virou avidamente.

— Ah, bem melhor. Obrigada.

A nórdica dispensou os agradecimentos com um gesto e continuou a beliscar o queijo.

— Você disse que queria me ajudar? Bem... não sei exatamente como poderia... é que o amigo de alguém realmente próximo a mim esta desaparecido. — ela suspirou com tristeza fingida — Não têm como me ajudar.

— Ora, nunca se sabe. Ele era um viajante? — Drevis perguntou — Vêm gente de toda Skyrim para Winterhold.

Os olhos de Morrigan se iluminou como se ela nunca tivesse pensado nisso antes. Serana sabia que era mentira.

— Ei, na verdade parece que ele é um estudioso. — ela olhou para Serana em busca de confirmação — Um Sacerdote Mariposa, certo? Já ouviram falar de alguém assim?

— Sacerdotes Mariposas? — Toldfir franziu a testa — Estão todos mortos!

Morrigan arregalou os olhos.

— Não pode ser. Dexion é... puxa, Arin vai ficar tão desapontado de saber que o ídolo dele morreu.

Os magos trocaram um olhar de confusão. Drevis ponderou:

— Bom, é verdade que havia rumores de um sobrevivente viajando por Skyrim, mas não podemos ter certeza... afinal, ele nunca veio até o colégio.

— Sim, é quase um fantasma. — Toldfir falou.

Serana estava aliviada que eles ainda não pareciam desconfiados, talvez não fosse de conhecimento geral com que tipo de magia os Sacerdotes Mariposa trabalhavam.

— É realmente uma pena. — Morrigan lamentou — De qualquer forma, Sarah e eu partiremos amanhã para Solitude, uma grande cidade, não é? Se ele passou por lá, saberemos.

— Ouvi que os Sacerdotes tinham negócios em Dragonbridge e...

— Drevis! — Toldfir repreendeu o mago, olhou para as meninas com a expressão alarmada — Nem pensem em ir até lá, entenderam?

Morrigan ficou tensa por um momento. Curvou levemente sobre a mesa e perguntou:

— Por que?

Toldfir olhou ao redor com certo alarde.

— Bem, você deve saber como Skyrim está. Estão falando de uma guerra...

— Ulfric? Isso não é novidade. Tenho passe livre por toda Skyrim. Ao menos nas grandes cidades.

— Não! — Toldfir gritou e quando outras pessoas olharam para eles com curiosidade ele se empertigou e falou com suavidade: — Uma guerra contra os vampiros. Dizem que Dragonbridge foi tomada por eles. — ele encarou Morrigan — Se seu amigo passou por lá... lamento dizer, mas é possível que ele esteja morto.

Ele não estava. Morrigan tinha certeza disso. Mas agora tinham um lugar por onde começar a procurar.

A porta da estalagem abriu com um estrondo e uma mulher com a pele esverdeada dos elfos da floresta entrou com a cara amarrada. Faralda. Morrigan estremeceu de leve.

Esfregou os olhos dissimuladamente e deu um sorriso culpado para os companheiros.

— Acho que bebi demais, estou me sentindo cansada pra valer agora. — para dar ênfase á suas palavras ela se apoiou em Serana que passou o braço por seus ombros e se levantou, falando pela primeira vez.

— Talvez seja melhor você descansar um pouco. — sua voz era doce e melodiosa e junto ao álcool fez Morrigan se sentir inteiramente convencida de que precisava dormir. Serana falou para os magos:- Foi ótimo conhecer vocês, espero que possamos nos encontrar novamente. Por favor, aproveitem as bebidas por nossa conta, que Skyrim abençoe a todos nós.

— Que Skyrim abençoe a todos nós. — Toldfir e Drevis falaram ao mesmo tempo, a expressão dos dois mudando para expressões de bobos apaixonados.

Morrigan quase deu um chute em Serana. Ela acabara de usar a Sedução dos Vampiros em público. Mas se controlou e apenas acenou para os mestres e fingiu precisar se apoiar na vampira até chegar ao quarto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.