Skyrim: Blood, blades and love
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Quando acordou na beira da água com uma raposa curiosa cheirando seus pertences, Morrigan logo entendeu que voltar ao Castelo para pegar seu ouro não era uma opção. Então ela caminhou pelo resto da tarde até chegar em Solitude e pagar uma carruagem para levá-la até Whiterun, já estava longe de casa a muito tempo.
Morrigan subia a estrada que levava até os portões da cidade de Whiterun, passando pelos estábulos e por uma fazenda. Era madrugada, então ninguém estava a vista. Perto do arco de vigia dos guardas os Khajiits tinham montado acampamento e Morrigan se lembrou de que tinha recuperado um colar para um deles e que precisava devolver. Caminhou até o acampamento.
Os Khajiits são uma raça animal do antigo povo de Tamriel, uma aparência felina e sotaque arrastado incomum geralmente acompanhavam muita agilidade, habilidades em lutas e inteligência; características que os faziam ser conhecidos e temidos como mercadores de objetos ilegais, ladrões e assim só poderem vender suas mercadorias fora dos muros das cidades. Mas para Morrigan, que nem sempre agia de acordo com as leis de Skyrim, aquilo era conveniente.
— Oh, seja bem-vinda, nórdica. — Um khajiit do sexo feminino cumprimentou Morrigan — Precisa de suprimentos? Poções? Armas? Vestimenta? Jóias?
Morrigan revirou os olhos. A líder da caravana não se lembrava dela.
— Ahkari, pensei que sua memória de gato fosse melhor. Não se lembra de mim?
Ahkari sibilou, um gesto claro de sua raiva diante do apelido preconceituoso. Apesar de terem todas as características felinas, Khajiits odiavam ser comparados a gatos.
— Com essa boca suja você é impossível de esquecer.
— Que isso, não há necessidades de tantos elogios a essa hora da noite. Onde está Kharjo?
Ahkari estalou a língua e fez um gesto para que a nórdica a seguisse.
A caravana dos Khajiits era acompanhada por 4 barracas, uma grande (com as mercadorias) e três pequenas. Os outros geralmente eram guerreiros, faziam uma fogueira e vigiavam o acampamento durante a noite. Kharjo era um desses. Contratou Morrigan para recuperar seu Amuleto da Lua que fora roubado.
— Kharjo, a Nórdica voltou. — Ahkari falou com desdém e Morrigan sorriu brilhantemente para ela.
Kharjo colocou seu copo no chão e se levantou do tronco onde estava sentado, ao lado do fogo. Sorriu para a recém chegada:
— E então, você o encontrou?
A garota bufou.
— Me ofende um pouco você ter dúvidas disso. — Morrigan enfiou a mão na bolsa que carregava com seus objetos pessoais e revirou até encontrar a corrente do amuleto. — Aqui está.
Kharjo agarrou o amuleto e fez uma saudação para a nórdica.
— Muito obrigada! Você não imagina o quanto significa.
E ela não imaginava mesmo, gostaria de dizer que não tinha visto nada demais no amuleto.
— Claro, não foi tão difícil.
Ahkari jogou uma bolsinha com moedas tilintando na direção de Kharjo e o guerreiro a pegou no ar e estendeu para Morrigan.
— Pagamento pelos seus serviços. Se precisar de um companheiro de batalha, pode me procurar.
Morrigan jogou a bolsinha de uma mão para a outra algumas vezes e concluiu que parecia pesada o suficiente.
— Foi um prazer fazer negócios com vocês, até mais gatinhos. — com os rosnados de Ahkari ecoando a suas costas, Morrigan andou em direção aos portões de Whiterun.
Tinha quase um mês desde a última vez que estivera ali. Lydia provavelmente não estaria muito feliz.
Desde que Morrigan caiu nas graças do Jarl de Whiterun e ganhou o título de Thane, ela ganhou também o direito de comprar uma casa na cidade. Acontece que a casa vinha com uma housecard. Uma guerreira que tomava conta da casa para o Thane e jurava protegê-lo e servi-lo com sua vida. Era meio dramático.
Lydia não tinha interesse no ouro das missões de Morrigan, então era interessante viajar com ela e ter ajuda em algumas batalhas, mas a mulher estava sempre pronta para morrer por ela. Isso era inaceitável. Então Morrigan passou a deixar Lydia cuidando de seus negócios em Whiterun e viajava sozinha, se não podia se livrar dela e não queria que ela morresse, ao menos sabia que sua casa e seus pertences estavam seguros.
Breezehome era uma casa de tamanho médio. Tinha um quarto no sótão para Lydia, um quarto oficial, uma sala de banho, uma cozinha, uma pequena área comum e um laboratório de alquimia. Para uma mulher solteira e sem filhos, era o suficiente.
Assim que abriu a porta Morrigan inspirou profundamente o cheiro de seu lar, mas sua paz durou pouco porque segundos depois Lydia já descia as escadas de forma esbaforida.
— Estou honrada em vê-la novamente, Thane. — a mulher sorria amplamente (mesmo de madrugada ela estava pronta para ajudar!) — O que posso fazer por você?
— Lydia! Bom ver você. — Morrigan tentou ser paciente, odiava aquela relação de chefe e empregado, gostaria que fossem amigas, mas Lydia as vezes se esquecia disso — Não preciso de nada além de algumas horas de sono, essa última viagem foi alguma coisa desgastante.
— Vou preparar um banho para você e deixar algum alimento em seu quarto, e então você pode descansar.
— Obrigada, isso seria mesmo ótimo.
Lydia parecia radiante.
— Certo. Boa noite, Thane.
— Boa noite Lydia.
Ter Lydia rodeando o tempo inteiro em busca de alguma forma de ajudar era melhor que não estar em casa. Ainda era um tipo de paz. Assim, Morrigan se limpou e se deitou para descansar.
**
A paz em Skyrim é algo difícil de se obter. Era ainda mais complicado para uma mulher com as habilidades de Morrigan. A nórdica soube que o dever já estava a sua procura logo cedo, ao descer para o desjejum.
— Um mensageiro deixou uma carta para você. — Lydia comentou enquanto arrumava queijo e pão em cima da mesa. — Será que você precisa partir novamente?
— Se for o caso, com certeza é algum compromisso rápido. Provavelmente apenas o Capitão Isran cobrando atualizações da minha última missão. — Morrigan suspirou, mas um sorriso cresceu em seu rosto quando Lydia colocou um copo com chá a sua frente — Que Skyrim abençoe você, Lydia! Ah!
A housecard sorriu, satisfeita com seu trabalho.
— Capitão Isran? Por acaso é aquele caçador de vampiros?
— Você o conhece? Você é mesmo cheia das conexões. — Morrigan debochou.
— Thane, caça vampiros nos tempos em que estamos vivendo é arriscado demais. — Lydia tinha a testa franzida e falava com seriedade — Em breve teremos duas Guerras para lutar e você pode acabar transformada!
Morrigan pegou uma fatia do queijo e bebericou seh chá calmamente. Não havia nada a ser feito quando bancava a consciência.
— O Jarl pergunta de você com frequência, as coisas estão se apertando contra os rebeldes. Eles querem saber em qual lado você vai lutar.
— Não tenho resposta para isso porquê nem quero lutar. Mas se eu for mesmo obrigada, gostaria de conversar com Ulfric e saber o que ele tem a oferecer. — Morrigan deu de ombros e mordeu um enorme pedaço pão para, então, falar com a boca cheia: — Hm... Isso está bom... hm.
Lydia ignorou a falta de educação de sua Senhora e continuou:
— O Jarl tem considerado formas de... persuadi-la a ajudar a causa dos Imperiais.
Morrigan bufou uma risada.
— E como exatamente ele pretende me fazer aceitar lutar? Lutar pelos imperiais não tem sentido ou diversão, ao que tudo indica Skyrim nem deve ter um Rei ou Rainha nessa geração. Uma terra vasta demais para propósitos tão mesquinhos.
— Com casamento. — Lydia falou num fôlego só, o rosto corado.
Ela não precisava dizer com quem. É claro que seria com ela, a candidata perfeita.
Morrigan colocou seu copo na mesa e se levantou com delicadeza.
— Onde está a carta que o mensageiro trouxe? — perguntou sem olhar para Lydia — Vou resolver esses assuntos logo e vou mandar uma mensagem para o Jarl, não se preocupe.
Lydia pegou um envelope no armário e entregou para Morrigan que o abriu imediatamente.
Morrigan,
acabo de receber notícias pertubadoras sobre sua última missão. Volte para a Forte Dawnguard urgentemente.
Capitão Isran.
— Puxa, estou com problemas mesmo. — Morrigan olhou para Lydia que ainda parecia envergonhada, mas continuava ali. — Lydia, esqueça isso, okay? Vou decidir em que lado lutar por meu próprio meio.
— Apenas... mande alguma mensagem de onde estiver, certo?
— Vou mandar. — Lydia assentiu e deu uma desculpa de que precisava ir ao mercado e saiu da casa. Morrigan se sentiu mal, não apenas por ter cortado a conversa de forma grosseira como por ter pouca consideração por uma mulher que sempre a estava ajudando.
Morrigan suspirou, sabia que tinha mais do que a admiração de Lydia e não queria nada disso, isso era o pior. Sem muitas opções, a nórdica juntou os poucos pertences que não atrapalhariam sua viagem rápida (algumas poções, um cantil de água, adagas extras), alguma comida e a besta. Vestiu uma túnica com capuz que aprendizes de magia usavam, ela oferecia mais bolsos e era mais leve. Saiu de Whiterun sem visitar o Jarl ou se despedir de Lydia.
Pegaria uma carruagem até Riften para uma viagem mais rápida em 24 horas e de lá seguiria a cavalo para a fortaleza.
***
— Aaah! — Ivarstuck gritou num misto de surpresa e choque quando Morrigan jogou três coelhos mortos na porta da barraca que ele dormia.
Era madrugada quando ela alcançou o ponto da cachoeira. O rapaz devia ter alguma habilidade que devesse ser levada a sério, porque ficar ali sozinho não parecia muito seguro.
— Não seja tão dramático, eu trouxe o café da manhã. — Morrigan apontou para os coelhos e fez menção de continuar a caminhada quando decidiu perguntar: — Não é perigoso ficar nesta área sozinho? São alguns metros consideráveis para correr até chegar à fortaleza.
O rapaz se ergueu desajeitamente e saiu da cabana (que mais era uma mini barraca, com espaço apenas para dormir).
O garoto a olhou feio e fez uma careta para os bichos no chão.
— Obrigada pela gentileza. Veio literalmente cedo. — Morrigan ignorou o tom, vai ver era sono — Os vampiros não conhecem nossa localização, imagino que não é uma preocupação imediata.
— Ainda assim, talvez fosse bom chamar alguém para te fazer companhia. — a nórdica piscou — Eu me oferecia, mas o dever me chama. Até mais!
Ivarstuck sorriu de má vontade e voltou para sua cabana, Morrigan percorreu rapidamente o pedaço de estrada que levava ao Forte Dawnguard. Madrugada sem lua e uma estrada ladeada por árvores de bétula quase soava como um mal presságio em tempos como eesse
Morrigan achou estranho que não houvesse guarnição na entrada do forte, nem na área de tiro ao alvo e nem nas enormes portas que levavam para o interior da Fortaleza. Mesmo as armas não estavam espalhadas pelo local.
Com um frio na barriga, ela empunhou uma adaga e abriu as enormes portas de ferro.
Estava imediatamente em alerta antes que as portas começassem a ranger, então quando a luz interna da área principal (também conhecida como a área de reuniões) ela pôde notar rapidamente que todos os membros da Dawnguard estavam reunidos ali. Todos com suas bestas em punho e flechas na mira. Um círculo de guerreiros mortais que pareciam com bastante ódio concentrava sua atenção no outro lado da grande área.
Sua perspicácia e habilidade para absorver rapidamente os detalhes deve ter falhado, porque nada parecia fazer sentido quando Serana ignorou os guerreiros concentrados nela e deu alguns passos para entrar na linha direta de Morrigan.
— Você não esperava me ver novamente, não é?
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