Skyll - A Era dos Portais
2 Capítulo 2 - Novo na classe?
Notas iniciais
Peguei uma maçã na cozinha enquanto minha mãe preparava o café.
–Cassie, você desmaiou lá dentro do quarto ou o quê? — minha mãe, Clarisse, diz me olhando para sua xícara de café recém-preparada-Te gritei até ficar rouca e você nem se quer acordou.
Me lembrei do sonho. Aquele garoto... Andrew, será que era real¿ Não Cassie, não seja estúpida. Como aquilo poderia ser real?
–Ah, desculpa mãe- digo mordendo minha maçã-Estava cansada, dormi feito uma pedra.
Minha mãe se senta na mesa e beberica seu café. Ela é realmente linda... Tem cabelos longos castanho-claros, os quais herdei orgulhosamente, olhos amendoados e redondos, os quais também herdei. Sua pele é bronzeada e ela é um tanto magra e alta. Nisso eu devo ter puxado o me pai, pois tenho pele bem clarinha e sou baixinha e um pouco magra.
Meu pai... Eu não o via desde que tinha 12 anos, e agora eu tinha 15. Ele saíra numa noite anunciando que iria voltar logo pela manhã. Era algo normal já que ele trabalhava á noite de guarda municipal. Ele fazia sempre a ronda pela cidade á noite garantindo segurança á todos. Mas naquele dia não. Naquele dia ele não voltou pela manhã, ele simplesmente sumiu. Os guardas disseram que ele não havia comparecido para a ronda, que, aliás, ele já havia parado de comparecer á uma semana. Eu e minha mãe procuramos por ele esperançosas mas nada. Eu havia perdido meu pai.
–Ei-minha mãe me chama me despertando de meus pensamentos-Você não estava atrasada para a escola?
Arregalo os olhos e puxo minha mochila.
–Tchau mãe! -digo lhe dando um beijo na bochecha.
–Não se esqueça que hoje chego ás 19:00 horas hein! -ela diz em meio a um riso.
–Ok! -digo já fechando a porta e descendo o elevador.
Minha mãe trabalha de enfermeira em um hospital no centro da cidade. Ela ama o que faz e eu admiro muito seu trabalho. É meio ruim ás vezes por causa dos plantões, mas ela sempre dá um jeito de ser uma ótima mãe.
Saio andando rapidamente ainda terminando de comer minha maçã quando avisto Layla. Ela estuda na mesma escola que eu, porém em outra classe, e pelo visto também está super atrasada. Ela vem correndo até mim ainda amarrando seus cabelos ruivos em um rabo de cavalo.
–Atrasada também é? -digo enquanto caminhamos rumo á escola rapidamente.
–Sim, aquelas séries... Ah, meu vício acaba comigo!
–Ficou assistindo até de madrugada de novo né?
Ela sorri deixando claro que sim. Layla é muito bonita e parece ter uma aura de alegria que não importa o que acontece com ela, ela sempre sorri e age simpaticamente. Conheço ela desde que tinha 10 anos, quando me mudei para esta rua. Nós sempre brincávamos na rua de amarelinha e pula-corda. Ás vezes ficávamos correndo pelo corredor do meu apartamento para brincar de pique-parede, afinal não havia paredes na rua. Os vizinhos sempre estavam reclamando, exceto por minha mãe que ria da nossa energia infinita.
–Venha, vamos logo antes que percamos a primeira aula-digo puxando-a.
=*=
–Atrasa novamente Cassie? -a professora Josy diz passando um texto na lousa enquanto me sento na minha carteira, que fica bem no meio da classe.
–Desculpe professora-falo pegando meu caderno.
Droga. Depois daquilo tudo ontem me esqueci de fazer a tarefa de casa.
–Bom-disse a professora se sentando em sua mesa-, como eu já passei olhando quem fez a tarefa de casa, Cassie, se importaria de nos dizer a resposta da questão 5 em voz alta por favo...
Antes que ela terminasse de falar a diretora a chamou na porta. Aleluia! Viva a Diretora!
Josy foi á porta e as duas ficaram conversando algo na porta. Josy assente com algo que a diretora fala. Um grupo de meninas atrás de mim começa a cochichar ao modo patricinha dando risinhos.
A professora abre a porta e limpa a garganta propositalmente para que fiquemos em silêncio.
–A senhorita diretora Yara quer falar, por favor... — ela faz sinal para que Yara fale.
–Como algumas pessoas já devem estar sabendo- ela olha para o grupo de meninas que estava atrás de mim. Olho para trás e percebo que coram com o olhar da diretora. — Teremos um novo aluno na classe de vocês. Andrew?
Esqueço como respirar. Não, não, não. Não pode ser ele.
E então, para meu desespero total, ele entra na sala. Era ele, o garoto de ontem á noite.
–Este é o Andrew, e agora ele fará parte da classe de vocês-a diretora Yara sorri- Pode escolher um lugar.
Entrei em desespero. Comecei a tremer nervosa. Aquilo não podia ser coincidência.
–Vou voltar para a diretoria professora, com licença-a diretora diz e sai da sala.
Andrew vem andando em minha direção e senta na carteira atrás de mim.
–Quem diria hein Cassie, na sua turma? -Andrew diz ironizando. Definitivamente ele era o garoto.
Eu ainda estava em choque, porém criei forças e virei para trás o fuzilando mentalmente com os olhos semicerrados.
–O que você está fazendo aqui?-falo baixinho para que a professora não note.
–Oras, estudando-ele me lança um sorrisinho travesso.
Bufo para ele e me viro. Isso não ia dar boa coisa. Tento ignorar a pessoa super maluca atrás de mim e começo a copiar o texto na lousa sobre o romance de Shakespeare e blá, blá, blá.
Quando tocou o sinal do recreio fui me encontrar com Chris em nossa “árvore mágica”. Na verdade não era nada mágica, era só uma árvore velha que tinha no pátio e que tinha umas gramíneas confortáveis perto de suas raízes para se sentar.
Chris percebeu minha aflição e já veio me questionando.
–O que aconteceu? Conta tudo. -Ela se ajeitou interessada em ouvir.
Fiquei paralisada. O que eu ia dizer? “Ah, nada demais, é que um garoto super louco entrou nos meus sonhos e agora estuda comigo!”
–Hm... Talvez outra hora.
Chris se desanimou de tal forma que deu um certo arrependimento de deixar aquela história a baixo.
–Poxa Cassinha, estragou o momento.
–Ora essa, não vá ficar chateada! Eu te conto outra hora vai!
–Ok...
=*=
Assim que o intervalo terminou eu e Chris fomos andando pelo corredor até nossos armários. Abri o meu e quando me virei para falar com Chris me deparei com Andrew a pouquíssimos centímetros de mim. Ficamos nos encarando por um segundo até eu desviar o rosto e ver Chris boquiaberta.
Me afastei de Andrew e saí puxando Chris que parecia uma estátua assustada. Depois ela despertou do transe e começou a me bombardear com palavras.
–Ai Deus o que foi isso? Você conhece ele? Como não me contou isso? Ele é um gato! Espera... Você gosta dele? Eu vou ser a madrinha do casamento de vocês entendeu?!
–Uou- digo a encarando- Calminha aí Miss Histérica! Te explico tudinho depois, agora temos aula!
–É mesmo! -Chris sai andando- Me conta tudo depois hein!
Ela some e vou para a porta da minha sala. Quando vou abrir alguém segura meu pulso. Me viro e, adivinha, Andrew.
–Vem comigo-ele fala.
–Ei! Agora temos aula!
–Sério que quer saber sobre a reprodução dos...
–OK! Ok... -interrompo-o antes que diga algo nojento- Mas eu nem te conheço direito! Por que eu iria com você?
–Porque você não vai resistir á curiosidade.
Abro a boca para dizer algo mas nada sai. Para alguém que mal me conhece ele sabe até demais sobre mim.
–Tá bom, você venceu.
Ele dá uma pequena comemorada com os braços e sai me arrastando até o terraço da escola. Como estava ventando muito meu cabelo chicoteava meu rosto me deixando toda descabelada.
–Olha, aconteça o que acontecer, não se desespere.
– Mas o que...
Antes de eu terminar de falar um círculo de luz de frente para o abismo de andares á baixo aparece. Andrew salta para dentro dele me puxando e eu solto um berro enorme o xingando.
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