Skyfall

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Oii galera! Aqui estou eu com mais um capítulo. Aí estamos com um cap amorzinho como todos queriam. Veremos também patroa Regina dando uma de conselheira e de quebra veremos como foi os primeiros sentimentos despertados entre Emma e Regina quando eram adolescentes. Boa leitura!

Deveria ser por volta de 02 da manhã, talvez 03, Regina não saberia dizer, há alguns minutos ela estava amamentando Maureen e agora ela fazia a menina dormir. A menina perto de seus dois meses estava difícil de dormir, enquanto Regina pacientemente a ninava em seu quartinho todo branco com tons de cor de rosa.
A morena nunca pensou que seu objetivo de felicidade e tranquilidade seria resumido em fazer sua filha dormir. Colocou a bebê com todo cuidado no berço e ainda ficou dando leves tapinhas no bracinho para se certificar que ela continuaria dormindo. Cobriu a menina um pouquinho e saiu em direção ao quarto dela, se deparou com Emma parada na porta que acompanhava a cena desde o momento que Regina amamentava.

"Há quanto tempo você está aí?" Regina falou abraçando Emma e depositando um beijo em seu pescoço.

"Tempo suficiente para me apaixonar mais ainda por você!" Emma falou segurando Regina e num movimento rápido a pegou no colo. Regina precisou afundar seu rosto no ombro de Emma para não rir alto e acordar os filhos.

"Que isso?" Regina falou rindo ao sentir que Emma a jogou na cama.

"Isso minha querida esposa, sou eu com saudade!" Emma falou enquanto voltava da porta que ela havia acabado de fechar.

"Prometo que terei cuidado com seus seios!" Emma falou ao ver que Regina ia falar algo sobre estar com os seios doloridos por causa da amamentação.

Regina apenas sorriu de volta e puxou para um beijo cheio de saudade. Em poucos minutos, segundos talvez, as duas já estavam nuas se amando na cama, desde que Maureen nasceu aquela era a primeira vez que elas conseguiam de fato fazer amor.
Elas nunca haviam ficado tanto tempo sem se tocarem, mesmo quando brigavam durava no máximo uma semana. Aquela noite elas foram dormir rindo do que elas tinham feito, os corpos cheios de marcas e as duas contabilizando um total de cinco orgasmos.
Regina acordou primeiro, como sempre e ficou admirando Emma que desde que Maureen nasceu, deixava Regina dormir recostada em seu peito. A morena sorria daquilo porque sempre era Emma que dormia recostada nela, mas agora por causa da amamentação, a loira fazia questão de tomar ainda mais cuidado e sempre puxava a morena para seus braços.


"Posso saber por que você está rindo?" Emma falou ainda de olhos fechados.

"Não estou rindo, estou sorrindo!" Regina falou dando uma mordida no queixo de Emma.

"A gente tem mais quantos segundos até um dos dois acordar?" Emma perguntou abrindo um olho só e dando um sorriso que Regina conhecia muito bem.

"Olha, se a pergunta fosse quantos segundos eu tenho com você, eu te diria que em um minuto você estaria tendo um orgasmo!" Regina falou e as duas caíram na gargalhada.

"Não me culpe por ser sensível ao seus toques!" Emma falou apertando Regina em seus braços.

"Dá para acreditar que em menos de dois anos nós voltamos com o nosso relacionamento, eu voltei a morar aqui, nos casamos novamente e tivemos dois filhos? Se alguém me falasse isso a dois anos atrás eu iria dar risada com certeza, porque essa chance era nula!" Regina disse refletindo olhando para algum ponto incerto no quarto enquanto ouvia o riso baixo de Emma.

"A chance para mim não era nula, no fundo eu tinha esperanças de arrumar aquela confusão que eu havia feito, mas era algo que estava bem escondido comigo. Me desculpa de novo?" Emma falou pegando a mão de Regina que repousava sob seu peito e beijando.

"Você já arrumou a bagunça muito bem. Hoje em dia minha vida está uma bagunça maior ainda, cheia de brinquedos de crianças na sala, na minha sala que era impecável, e hoje em dia posso dizer que ela nunca esteve tão cheia de vida!" Regina falou voltando sua atenção para os olhos de Emma que se encontravam marejados.

"Não ouse deixar essa lágrima escorrer!" Regina falou brincando enquanto botava as duas mãos nos olhos de Emma na tentativa insana de segurar as lágrimas da esposa. Aproveitou que a mulher nada enxergava e roubou um selinho rápido e pode ver um sorriso formando nos lábios da loira.

"Isso, melhor assim!" Regina falou voltando a cabeça para o ombro de Emma e se aconchegando.

"Regina, são oito horas da manhã, eu daria tudo que Maureen pedisse agora mesmo se ela soubesse pedir, ela nunca nos deixou dormir até tarde!" Emma falou enquanto olhava algumas coisas no seu celular.

"Emma, você tem que se vestir. Daqui a pouco Henry vai acordar e vai bater aqui!" Regina falou com uma voz tão preguiçosa que Emma podia jurar que ela estava falando dormindo.

"Enquanto você estiver em cima de mim, eu não consigo levantar!" Emma falou rindo achando que seria impossível Regina sair daquela posição, mas seu sorriso se desfez ao sentir Regina saindo de cima dela e se acomodando no travesseiro.

"Pronto, agora vá se vestir!" Regina falou enquanto sorria vitoriosa uma vez que ela já tinha colocado a roupa logo antes de dormir, pois sabia que não teria forças para se vestir logo cedo.

"Reginaaaaaaa, volta aqui!" Emma falou puxando o braço da morena que se esquivava enquanto ria.

"Eu avisei ontem a noite para você colocar roupa e você, teimosa como sempre, não quis, azar o seu, se Henry bater na porta eu vou mandar entrar e você vai se esquivar sozinha das perguntas sobre você estar sem roupa!" Regina falou com a voz de sono e com os olhos fechados, mas pode sentir Emma resmungando e sentando na cama.

"Posso entrar?" Henry que parecia adivinhar perguntou depois de bater na porta. Regina sorriu vitoriosa abrindo os olhos e procurando por Emma que ainda estava nua sentada na cama procurando uma roupa e lhe lançava um olhar implorando para que ela não o mandasse entrar caso ela fosse cumprir o que tinha acabado de prometer.

Emma tentou puxar a coberta para ela, mas Regina foi mais rápida e segurou.

"Eu te avisei Swan!" Regina falou baixinho com a sobrancelha levantada enquanto se segurava para não rir.

"Pode entrar!" Regina disse rindo logo depois que viu a esposa correndo pro banheiro.

Henry adentrou o espaçoso quarto de suas mães correndo e pulou na cama.

"Ué, cadê a mamãe?" Henry falou olhando para Regina que segurava-se para não rir.

"Bom dia querido, mamãe está no banheiro!" Regina disse se aproximando dele e o abraçando.

Emma saiu do banheiro de roupão, pois era a única alternativa a não ser toalha que definitivamente estava fora dos planos, ele iria querer saber porque ela não estava cheirando sabonete. Pulou e cima de Henry enquanto o amassava com abraço e mordidas leves nos braços e na barriga.

"Mamãe, para! Quem sabe morder é a mamãe Regina você não sabe!" Henry falou enquanto gargalhava com as mordidas e as cócegas.

Regina e Emma trocaram um olhar cúmplice.

"Tudo bem então!" Emma falou parando o que fazia e dando de ombros. O menino abriu os olhos encarando a mãe.

"Tudo bem? Assim, sem nada em troca?" Henry não entendeu, geralmente sua mãe não desistia fácil assim, mas sentiu Regina se colocando ao lado de Emma e sem que pudesse reagir ao perceber a intenção das duas, foi atacado por mordidas de Regina enquanto Emma o atacava com cócegas.

"Por favor, eu imploro!" O menino falava soltando aquela gargalhada que só criança consegue dar.

"Implore mais um pouco!" Regina falou antes de voltar a morder a barriga do menino.

"Por favor, eu prometo qualquer coisa!" Ele falou sem ar.

"Qualquer coisa?" Regina perguntou parando o que fazia e o encarando. Emma que já havia parado logo no primeiro pedido e observava os dois brincando levantou uma das sobrancelhas, ela já havia visto esse diálogo em algum lugar.

"Qualquer coisinha, por favorzinho?" Henry falou juntando as mãos que agora estavam soltas.

"Tem certeza que esse menino não saiu daí da sua barriga?" Regina falou rindo e apontando para Emma.

"Estou tão chocada quanto você, muito persuasivo esse garoto, com quem ele aprendeu esse tipo de coisa?" Emma falou rindo e piscando para Henry.

"Uma semana comendo brócolis e quiabo!" Regina falou voltando a atenção pro menino.

"Não!"

"Sim!"

"Não por favor?"

"Sim, você disse qualquer coisa!"

"Pode voltar a morder!" Henry falou desesperado.

"Não quero mais e quem vai morder é você, o brócolis no almoço na sua avó!"

"Não, o brócolis da vovó não, por favor. Você faz melhor que ela!" Henry falava segurando as mãos de Regina em desespero.

"Pequeno, se sua avó te ouve dizer isso, ela te faz comer brócolis a vida toda para aprender a gostar mais do dela!" Regina falou rindo e beijando o menino.

"Enquanto vocês falam sobre coisas deliciosas como brócolis e todos os outros verdes, eu vou fazendo o café!" Emma falou saindo da cama e recebendo um olhar de repreensão da esposa.

"Ok, brócolis é gostosinho!" Emma falou saindo do quarto.

"Uma semana!" Regina falou batendo o indicador no nariz de Henry que suspirou frustado sabendo que não tinha saída.

Saíram os dois em direção ao quarto da pequena Maureen que para a surpresa de Regina já estava acordada olhando os unicórnios que estavam pendurados no berço.

"Mamãe, posso trocar a fralda?" Henry perguntou enquanto via Regina tirando a roupa da menina.

"Pode ajudar a trocar. Vou dar banho nela e você me ajuda com tudo, pode ser?" O menino rapidamente assentiu.

"Ok, ligue o chuveiro na água morna, igual a que você gosta de tomar banho e coloque a banheira dela para encher, consegue fazer isso?" Henry saiu pro banheiro todo sorridente e Regina sorria mais ainda.

Henry ajudou Regina no banho, na troca de fralda e ficou cuidando da pequena enquanto Regina tomava banho para que depois fossem tomar café.
Era assim o dia a dia daquela família que aos poucos iam se conhecendo e o amor crescendo.


~~X~~


"Um elefante incomoda muita gente, mas dois dentinhos incomodam muito mais!" Emma cantava isso rindo já que era por volta de quatro da manhã e Maureen estava mais manhosa e chorosa que nunca. A pequena com seus quase seis meses estava sofrendo com os dentinhos que estavam nascendo e se agarrava ao dedo de Regina para coçar a gengiva.

"Acho ótimo ter três crianças em casa!" Regina falava rindo por Emma cantar aquilo repetidamente.

"Ai! O que é isso?" Regina reclamou ao sentir sua filha dar uma mordidinha um pouco mais forte e voltar a chorar.

"Essa não nega ser filha de Regina Mills!" Emma gargalhava já que o único jeito era levar tudo na brincadeira, uma vez que dali há poucas horas elas já estariam levantando e indo trabalhar.

"Nossa, que engraçado, me lembre de rir quando eu não estiver com sono e sem o dedo e a mão cheios de baba! Vá ver se Henry não acordou com o choro!" Regina falou com um falso ar de braveza que logo se foi quando sentiu Emma grudar em sua boca.

"Para com isso, não quero traumatizar minha filha!" Regina falou rindo e logo voltou sua atenção para a menina que tinha milagrosamente parado de chorar e se concentrava nas suas mães.

"Ele dorme como um anjo!" Emma falou fechando a porta do quarto e indo para a cama.

"Ela ta quase dormindo, Deus me ajude!" Regina falou enquanto ninava Maureen em seus braços.

Colocou a menina no carrinho mesmo ali no quarto delas para não correr o risco dela acordar quando colocada no berço e voltou para a cama.

"Quanto eu reponho de sono em duas horas?" Emma perguntou quase num sussurro abraçando a cintura da esposa e a trazendo para mais perto.

"Não sei, mas eu queria repor seis meses!" Regina falou rindo e apertando a mão de Emma em sua cintura, ato esse que ela sempre fazia antes de dormir.

"Boa noite meu amor!" Emma desejou antes de fechar os olhos e sentiu um beijo delicado em seu nariz em resposta. Era esse o ritual das duas antes de dormir.

Na manhã seguinte era a correria de sempre desde que as aulas de Henry haviam voltado e a licença maternidade se encerrado. Regina sempre brigando com Emma logo após sair do banho e ver que a esposa ainda continuava dormindo.

"Emma, você tem dez minutos." Essa mentira de Regina com a luz acesa não adiantava mais, faz tempo. Regina rolou os olhos, e foi até a cortina abrindo e iluminando o quarto todo. Ouviu vários resmungos de Emma e saiu em direção ao quarto de Henry para acordá-lo.

O menino por incrível que pareça acordava bem mais fácil que a mãe, na primeira chamada ele saia pro banheiro ainda sonolento e Regina deixava avisado que ele tinha dez minutos e aí ela voltava para ajuda-lo a se trocar. Em seguida passava pegou Maureen no carrinho ao lado da cama pois era ela que ajudava a despertar a mãe.

"Aqui, seu pacotinho! Vou me trocar e fazer o café, se essa menina tiver um arranhão porque você não acordou para olha-la na cama, eu te mato!" Regina falou rindo porque sabia que Emma iria ficar desesperada e pular da cama.

Quando terminou de se trocar viu que Emma estava no banheiro dando banho em Maureen, sorriu por sua tática sempre dar certo, saiu em direção ao quarto de Henry, ajudou o menino a se trocar e foi para a cozinha fazer o café.

"Tô pronto!" Henry era sempre o primeiro a descer.

"Vem aqui, deixa eu ver se está cheiroso!" Regina falou enchendo o menino de beijo no pescoço.

"As duas não desceram ainda?" Henry perguntou rindo porque sabia a resposta. Regina nem respondeu apenas o olhou e ele bem sabia que não haviam descido.

"Aqui, pacotinho cheiroso e limpinho!" Emma falou colocando Maureen no cadeirão que ficava perto de Henry. Logo depois subiu para tomar seu banho e se arrumar.

"Hey princesa, bom dia!" Henry dei um beijo em Maureen que sorria para o menino batendo as mãozinhas no rosto dele.

"Henry, vou pegar minha bolsa para já deixar aqui embaixo, vai tomando seu leite para gente não se atrasar. Se a babá chegar abra a porta por favor!" Regina falou subindo correndo para o quarto.

Regina procurava o lápis de olho que ela não sabia onde tinha colocado.

"Emma, já saiu do banho?" Regina falou mais alto para a esposa ouvir.

"Sim mamãe!" Emma respondeu e Regina riu, ela realmente parecia mais nova que Henry.

"Meu lápis está aí?" Regina falava perto da porta fechada do banheiro.

"Esse aqui senhorita Mills?" Emma perguntou balançando o lápis em sua mão.

"Perdi a parte que deixei de ser "mamãe" e virei "senhorita Mills"!" Regina falou fazendo aspas com as mãos e reparando no corpo de Emma que estava envolto por uma toalha. A olhou de cima a baixo e voltou a encará-la.

"Prefiro a parte que eu falo que você é MINHA esposa!" Emma falou dando enfase na palavra e puxando Regina pela cintura.

"NÃO! Não se atreva a começar o que não vai terminar, conheço bem esse seu jeito!" Regina falava tentando afastar o pescoço dos lábios da esposa e puxando as mãos de sua cintura.

"Te solto se você aceitar meu convite!" Emma falou encarando e Regina franziu o cenho. Mas logo a expressão de dúvida de desfez ao lembrar do que se tratava.

"EU ODEIO DIA DOS NAMORADOS, EMMA, VOCÊ SABE!" Regina falou alterada e logo depois abraçou a esposa pelo pescoço e a beijou no rosto.

Emma apenas sorriu com um sorriso que Regina bem conhecia. Não teve tempo de fazer nada apenas se segurar na esposa que a levantou do chão para levá-la para cama.

"Eu estou atrasada e você mais ainda. A baba vai chegar daqui a pouco.. Emma.. por favor.." Regina não conseguia falar, apenas não tinha forças sentindo a boca de Emma devorando seu pescoço enquanto uma das mãos espertamente subiam seu vestido.

"Eu vou sair com você! Mas eu já adianto que se a fila para entrar em qualquer restaurante estiver com tempo de espera maior... Putaqueopariu Emma!" Não conseguiu terminar o que ia falar ao sentir os dedos de sua esposa massageando seu clitóris.

"O que você tava falando?" Emma provocou mordendo o lábio de Regina enquanto a penetrava com um dedo.

"Cala a boca e me beija antes que eu não controle os sons que sairão da minha boca!" Regina respondeu agarrando-se ao lençol.

"Eu já disse que amo ver suas expressões antes de gozar?" Emma falou enquanto penetrava Regina com mais um dedo e intensificava os movimentos. A morena nada respondeu, apenas balançou a cabeça afirmando, tinha medo de que se fosse falar algo, não controlasse o gemido.

Emma apressou-se em beijar Regina pois sabia que ela logo chegaria ao orgasmo e ai sim, o gemido seria incontrolável. Sorriu contra a boca de Regina ao sentir a morena arranhando suas costas e logo depois emaranhando suas mãos aos seus cabelos num sinal claro de que já tinha chegado ao orgasmo.

"Te amo!" Emma falou roçando o nariz no pescoço de Regina que apenas sorriu e balançou a cabeça na tentativa de recuperar a respiração.

As duas foram tiradas do transe ao ouvirem o choro de Maureen.

"Emma, vai você, não tenho forças para colocar minhas pernas no chão nesse momento!" Regina pediu rolando na cama tentando se sentar e pode ouvir a risada de Emma saindo do quarto.

Regina precisou ainda de uns três minutos para se recompor e então descer para dar café para os filhos para que assim Emma pudesse subir e se arrumar.
Chegou na empresa e sua auxiliar Anna, que deixou de ser estagiária e foi promovida por ela logo depois que voltou de sua licença maternidade, já foi entregando relatórios e passando sua agenda. Dentre relatórios e visitas ao porto com mercadorias presas, Regina foi almoçar com Anna e percebeu que a menina estava inquieta.

"Anna, aconteceu algo?" Regina perguntou olhando a menina nervosa.

"Não.. sim, quer dizer.." Anna se atrapalhava toda tentando falar. Viu Regina a olhando desconfiada e resolveu continuar.

"Posso te fazer uma pergunta intima? Na verdade não sei se chega a ser intima mesmo, já deve ter ouvido.. Por Deus, que situação!" Anna se complicava cada vez mais.

"Anna, pode perguntar, não tem problema!" Regina falou um tanto receosa, mas seu tom era tranquilo.

"Como você descobriu que gostava de mulheres?" Anna soltou de uma vez e tampou o rosto com as mãos enquanto ouvia Regina tossindo engasgada com a água.

"De fato, algumas pessoas já me questionaram isso, mas confesso que nunca imaginei você me perguntando. Primeiro de tudo, não precisa ficar com vergonha, segundo talvez eu não seja a melhor pessoa para te responder isso porque o meu caso foi muito diferente. É uma história grande.." Regina foi interrompida por Anna.

"Se não quiser contar não precisa, eu sei o quão reservada você é. Mas eu estou muito confusa, perdidamente confusa!" Anna falou com um ar desesperado o que fez Regina rir.

"Bem, eu praticamente cresci com Emma, quando tinha sete anos e ela quatro, nossas famílias resolveram comprar as duas casas e construírem com a área de lazer em comum, portanto ela estava sempre ali comigo. Dormíamos juntas todo final de semana, íamos para escola juntas, enfim tínhamos uma amizade comum e saudável. Quando eu cheguei na adolescência eu me sentia um ET por não ser como as minhas amigas e ter paqueras, eu odiava bailes e o fato de ter que ir com alguém. Quando eu fiz 15 anos eu percebi que eu sentia algo a mais por Emma, mas eu não conseguia admitir isso, era um absurdo, não pelo fato de ser outra menina, mas por ela ser minha amiga e ser bem mais nova. Hoje em dia três anos não faz diferença, mas quando se tem 15 e a outra 12, sim. — Regina tomou um gole de água e passou os olhos pelos de Anna que estavam vidrados nela ouvindo cada detalhe — Então, Emma sempre foi a mais aberta, e foi ela quem chegou junto, digamos assim. Quando ela tinha 13 e eu 16, sim eu sofri com aquele sentimento durante um ano, ninguém sabia, ela me chamou para almoçarmos na fazenda de Granny e Gepetto, um casal de amigos dos meus pais. Eu fui, mas confesso que tinha medo, porque eu estava no auge dos meus hormônios e não tinha ninguém que pudesse me ajudar com isso e Emma sempre foi muito carinhosa, ela precisa tocar nas pessoas, e isso era uma verdadeira tortura. Almoçamos e uma certa hora Granny chamou Emma para ajudá-la com algo e foi aí que tudo se transformou. Geppetto se sentou perto de mim e começou a falar sobre nós duas, sobre achar que Emma sentia algo a mais por mim. Eu entrei em desespero, falei que não podia, que ela era uma menina muito nova e ele me respondeu que eu é que era atrasada demais. — Regina soltou um riso triste ao se lembrar do velho — Mas ainda assim eu me desesperei, sai correndo da fazenda e quando estava quase chegando no portão senti Emma me abraçando e me segurando, ela sempre foi pouca coisa mais alta que eu e ficava difícil de me desprender. Ela me pedia desesperadamente para não ir embora e quando eu percebi que ela chorava eu comecei a chorar também. Por fim ela me convenceu a ir com ela até a "nossa árvore" que ficava nos fundos da fazenda. Acho que ficamos uns vinte minutos em silêncio e depois ela juntou sua mão a minha e me encarava tão intensamente que eu achei que eu fosse morrer com o meu coração descompassado. Eu me sentia uma ridícula por estar com uma menina mais nova e estar com vergonha, quando eu estava tomando coragem para falar algo, Emma me disse que não queria ser de mais ninguém na vida, só minha. A partir daquele momento eu percebi que ela era minha de qualquer forma, nos beijamos pela primeira vez de muitas ali embaixo daquela árvore." Regina terminou e suspirou lembrando daqueles momentos.

"Mas, e sua família?" Anna aproveitou para perguntar de uma vez o que mais a amedrontava.

"No meu caso, eu tinha Zelena que é minha irmã mais velha e logo nos primeiros anos de adolescência já se assumiu para família. Minha família sempre foi muito aberta em relação a isso e quando ficaram sabendo de Emma, não se surpreenderam muito. Mas o meu maior medo era da família de Emma. Acho que ficamos por uns dois meses namorando escondidas até que meu pai disse que logo logo nós iriamos ter que levar nossa relação mais além e eles precisariam saber. Emma preferiu conversar com a família a sós e eu achei que fosse ter um enfarte. As horas simplesmente não passavam, fiquei perto da porta da sala andando de um lado pro outro quando a campainha tocou e era o pai dela. Achei que minhas pernas não me sustentariam, ficamos nos olhando nós três, eu, Emma e o pai dela, até que meu pai apareceu atrás de mim. O tio Frank não falou nada, apenas abriu um sorriso e me abraçou todo emocionado e disse: "Não vou dar aquele sermão de que se você fizer algum mal a ela você vai se ver comigo, porque se ela fizer algum mal para você, ela vai se ver comigo!" E daí as coisas entre nós foi crescendo, ficando mais sérias e enfim.." Regina falou dando de ombros e buscando a mão de Anna por cima da mesa.

"O que está te deixando assim? Você quer falar?" Regina perguntou olhando nos olhos da menina que pareciam distantes.

"Eu, acho que estou apaixonada por uma amiga e isso é péssimo!" Anna falou com um semblante triste e botou uma das mãos sob os olhos. Regina apertou a mão da funcionária e ela resolveu continuar.

"Quando você saiu de licença, eu tinha que resolver várias coisas com Elsa, sua secretária de Boston, acabamos ficando amigas. Eu fui para lá fiquei na casa dela, saímos algumas vezes, mas, para ela é tudo amizade, tenho certeza." Anna falou e sentiu seu rosto corar de uma forma que sentiu até calor.

"Nossa, eu queria muito que isso fosse jantar para eu pedir uma vodka! Meu Deus, você e Elsa? Eu nunca imaginaria. Mas, acredito que vale uma conversa, mesmo que ela diga não e você sofra, você tentou. Você já ta sofrendo aí sem nem falar nada com ela." Regina tentou aconselhar da melhor maneira.

"Eu acho que ela não deve gostar de mulher, eu sei que ela gosta muito de mim, pouco fala sobre sua intimidade, mas ela gosta como amiga!" Anna falava tentando não parecer frustrada.

"Anna, veja bem, eu não imaginava que gostava de mulher e aí Emma aconteceu. As vezes ela só precisa ouvir o seu lado, Elsa é bem reservada, eu sei, mas ela não ficará chateada de te ouvir dizer a verdade, agora se você esconder e um dia ela descobrir, eu já não garanto que ela seja tão compreensiva, ela odeia mentiras." Regina tentava passar firmeza para a menina, mas se fosse com ela talvez não fizesse nada daquilo.

"Regina, obrigada mesmo! Me desculpe se invadi sua intimidade!" Anna falou sorrindo tentando demonstrar seu agradecimento.

"Anna, eu sei que você mal conhece pessoas por aqui, se precisar falar comigo não fique com vergonha, eu já passei por isso e sei como é difícil. Podemos ir?" Regina falou chamando o garçom para pedir a conta.

Correram para o escritório para terminar os relatórios e a tarde passou muito rápido. Quando estavam já quase no final do expediente, Regina em sua mesa assinando alguns papéis e entregando para Anna recebeu uma mensagem.


Elsa
"Chefe que saudade, precisamos conversar, estou perdida!"

Regina soltou uma risada e balançou a cabeça, sabia exatamente onde tudo aquilo daria.

Regina
"Perdida? Espero que se perca nessa sexta a caminho de Storybrooke, aproveite que é dia dos namorados."

Elsa
"Ai meu Deus, como você soube? Eu vou matar Kristin!"

Regina
"Soube pela outra parte que está tão perdida quanto você!"

Elsa
"Sério? Sendo assim, acho que jantarei em Storybrooke!
Obrigada! Estou muito confusa!"

Regina nem respondeu, apenas sorriu e se voltou para Anna que acompanhava a chefe distraída no celular.

"Regina, estou indo, bom final de semana e aproveite o dia dos namorados!" Anna falou pegando os papéis da mesa.

"Obrigada, aproveite você também, hoje é o dia que tudo pode acontecer." Regina disse piscando e Anna saiu confusa sem entender.

Aquela realmente seria uma noite que tudo poderia acontecer.

Notas finais
Bom, alguns me pediram que Elsanna aparecesse (É assim o nome do shipp??) e aí está. Não vai ter um grande foco na história porque o foco principal é Emma, Regina e toda a tropa, mas ainda aparecerá. Preparem-se para o dia dos namorados!