Skycrapes and Shacks
1 What to do ?
Notas iniciais
Boa leitura! :)
De novo no topo do morro do parque. Tentando tocar alguma coisa, e só fica Josh Ritter na minha cabeça. Vou dar uma volta. Penduro o violão nas costas e vou. Pensando sobre o que fazer, música, filosofia ou animação 3D. É um saco isso, ainda sou muito novo pra decidir tudo isso.
Está ficando muito frio aqui. Vou na loja e buscar o Caio.
-Cara, até agora não sei o que fazer. A livraria e os showzinhos ainda estão me sustentando, tenho que decidir logo o que eu quero. -Digo, entre goles de chocolate quente, num desabafo.
- John, acho que você deve fazer o que te faz bem. Dinheiro não é a coisa mais importante. Eu também tenho essa dúvida. Engenharia eletrônica, música ou artes gráficas. Não esquenta. Vai procurando saber um pouco de cada que um dia você descobre sua vocação. — Falou Caio. Se tem uma coisa que eu gosto nele é como ele faz as coisas parecerem mais simples. Ele devia ser psicólogo, sabe bem como tranquilizar alguém e dar conselhos.
Não sei muito o porquê, mas o outono em aqui sempre parece meio triste. É o outono ou eu mesmo.
Hoje é sábado, dia de tocar em bares. E lá vamos nós, eu e Caio o baixista das minhas músicas. Chegamos afinamos os instrumentos e tocamos as músicas por bastante tempo. Ja no final do tempo percebi minha turma do colégio chegando.
Estavam todos lá, Sara, Pedro, Alê, Titi, Thaís e Flavia.Quando acabamos o show todos eles nos aplaudiram o que me deixou bastante sem graça, era a primeira vez que eles viam eu e o Caio tocando a não ser com eles depois dos tempos do colégio.
- Vamos nos juntar a eles, John. — Sugeriu Caio e já foi caminhando pra onde eles estavam.
Começamos a conversar, o pessoal dizendo o tanto que melhoramos nos instrumentos. E começamos a falar sobre o ensino médio. A época que nos conhecemos, as piadas, os cinemas, as viagens e tudo o que sentíamos saudade.
Mas e ai John, ta pegando alguém? -Perguntou Thaís. Ela é minha desde sempre e foi quem sempre me ajudou com dilemas amorosos. Acho que ela ainda gostava de me ajudar com essas coisas. As mulheres se entendem bem melhor do que nos a elas.
-Não. To sozinho no momento. — Respondi. -E você? Ta namorando? -Perguntei de volta.
- Estou. Com o mesmo cara do ano passado. Ja estamos a 7 meses juntos. -Disse ela, com um sorriso no rosto. Pelo jeito estava tudo bem com eles. Já a conheço a tempo suficiente para ler seu rosto e saber se está ou não tudo bem.
O resto da noite foi só risadas. Lá pra madrugada os garçons abaixaram as portas e ficaram conversando conosco.
Depois voltei pra casa e dormi. Ao acordar encarei a minha cara no espelho do banheiro. O mesmo rosto um pouco quadrado, rosto de homem como diria meu pai. O mesmo cabelo liso caramelo meio rebelde, o nariz fino e reto e os olhos castanho-escuro. Tomei um banho e fui fazer um café. Enquanto faço o café começo a pensar sobre o que fazer da vida. Acho que vou acabar optando por animação deixando musica e filosofia como meus hobbies. A galera ontem, quase todo mundo namorando, menos eu, Caio e Sara. Mas isso não me afeta tanto assim.
-Porra, você caiu da cama John? -Aparece Caio dando bom dia interrompendo meu monólogo matinal. -Sei lá, só acordei mais cedo mesmo. -Respondi colocando um café na caneca velha do Capitão América.
-To destruído de ontem, a gente tocou bem. Depois ficamos até umas 4 da manhã comendo e bebendo. -Comentou Caio.
-É, foi bom mesmo. A gente devia ver o pessoal mais vezes, já faz quase um ano que formamos do colégio. O foda é que agora tá todo mundo ocupado com alguma coisa, trabalhando, estudando ou vendo a vida passar, tipo eu. — Que isso cara, deixa de ser pessimista hoje é domingo. -Retrucou Caio.
No fim das contas passamos o dia jogando video-game. Quando foi no início da noite a Thaís me liga.
-Eai John, como vão as coisas? — Tudo tranquilo. -Respondi. -E você? — Ah, tá tudo bem. A gente pode sair pra dar uma volta hoje? Andar a toa pela cidade, pode ser? -Ela perguntou. -Por mim tudo bem. Daqui umas duas horas eu estou ai.
-Fechado então. Beijos. — Ela respondeu e desligou o telefone.
Tomei um banho vesti uma camisa qualquer pus uma jaqueta marrom, bota e calça jeans e fui buscar a Thaís.
Ela estava bonita como de costume. Cabelo liso castanho claro solto, os olhos pretos que pareciam duas jabuticabas. A pele meio morena e o rosto fino. Batom, calça preta, camisa jeans e tênis cano alto. É, a Thaís de sempre.
-Ta gata ein! -Disse pra ela. -Você também tá fatal! Respondeu ela com um sorriso.
-Pra onde que a gente vai hoje? -Perguntei ligando o carro. — Dar uma volta no parque de diversões talvez? — Sugeriu ela. E fomos em direção ao parque.
- Você lembra quando sempre vinhamos pra cá quando crianças? -Perguntou Thaís descendo do carro.
-Claro que lembro! -Respondi. -Era sempre o ponto alto do dia. A gente vinha e ficava a tarde toda ai brincando e correndo o tempo todo. Nós conhecíamos todos os caras que cuidavam dos brinquedos então sempre entrávamos de graça. — Respondi rindo. -Duvido isso funcionar de novo. -Comentou Thaís enquanto giramos a roleta para entrar.
Depois de entrar ficamos andando de roda gigante, carrossel, montanha russa e bate-bate.
-Vamos no carrossel de novo! -Implorou Thaís me puxando junto ela pra fila. -Pode ir você. Eu fico aqui e tiro uma foto sua lá. -Ela foi pro carrossel, quando ela passava devagar por mim levantei o braço e dar uma rebolada pra chamar atenção e fazê -la rir. Deu certo. Quando ela caia na risada tirei a foto, eternizando o momento.
-Você é bem bobo, sabia? -Disse ela, caminhando até mim depois do carrossel.
-Thaís olha o que eu acabei de ver! O nosso ritual quando vínhamos pra cá. Tirar fotos na cabine. -Ela olhou em volta procurando a cabines de fotos e achou com um sorriso. — Vamos lá então.
Coloquei a ficha para duas pessoas, assim sairiam dois rolos de fotos. E tiramos fotos rindo, fazendo caretas,abraçando e uma séria como se fosse uma 3x4.
O resto da noite foi muito bom. Relembrando o passado, especulando o futuro e aproveitando o futuro. No fim a noite terminou num copo de milkshake e uma carona de volta pra casa.
Voltei pra casa mais animado do que saíra. E Caio não estava lá, devia ter ido pra algum canto. Tomei um banho e fui dormir.
Sete e meia. Despertador. Chuveiro. Sabonete. Shampoo. Toalha. Café. Pão. Fruta. Escovas de dente. Mochila. Chave. Porta. Carro. Rua. Fechadura. Porta. Loja. Luzes. Polimento. Afinação. Esperar.
Assim começa meu dia, acordo e vou pra livraria, que também vende instrumentos musicais, CDs e Vinis.
Abri a loja e fiquei esperando o movimento começar. O dia correu bem. Foi bem movimentado em vendas. Quando eu voltei do horário de almoço Sara apareceu por lá.
- Eae Jhon. Beleza? — Cumprimentou-me com um sorriso. Sara não importa a ocasião é sempre simpática. Quando se está com raiva da vida não é a pessoa certa pra estar cm você.
-Tudo bem e você? Tá precisando de um livro ou disco novo? -Perguntei dando lhe um abraço.
-Sim, eu to bem. E precisando de um disco Dois do Legião. Presente pro meu pai. -Disse ela me fitando com seus lindos olhos azuis. Eu foi até a sessão rock dos discos de vinil e peguei um pra ela.
Ela pagou e ficamos um tempo conversando. Fiquei observando quando ela saia da loja. Seu cabelo loiro contrastando com a paisagem acinzentada da cidade. O resto do dia correu bem, o movimento abaixou. A tarde chegou o outro vendedor e eu voltei pra casa.
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