Sky
7 O pato zumbi ganha um celular.
Notas iniciais
Espero que curtam o capítulo, agora irei responder todo mundo lindamente. ♥
O inverno se foi e a primavera chegou.
E mais uma semana de aula iniciaria.
A vida continuava seu ciclo natural, o tempo guiava destinos já traçados, e eles apenas agiam como marionetes no maior espetáculo do mundo.
Durante as últimas semanas o clima pesado do apartamento 102 pareceu se dissipar, mas não por algum milagre, ou algum avanço na amizade dos primos, na verdade a boa convivência era devido ao fato de não existir uma. Baro e Sandeul mantinham um teatro na frente dos mais velhos, para os pais do garoto temperamental ele e o primo finalmente agiam como pessoas civilizadas, e até mesmo presenciaram cenas dos dois rindo enquanto assistiam televisão, porém era os garotos ficarem sozinhos que um evitava olhar na cara do outro.
Baro ainda se incomodava com a presença do mais novo, ficava irritado e perdia a paciência com facilidade quando perto de Sandeul, tudo o tirava do sério, desde o sorriso do “sonso-morto-vivo” que ele distribuía para qualquer um, até o silêncio sepulcral que Sandeul mantinha quando sozinho com Baro. “Comigo ele fecha a cara, além de tirar minha privacidade e roubar meus pais, ele fica aí cheio dos sorrisinhos pra cima e pra baixo com aquele anormal”, pensou com raiva enquanto observava os alunos do segundo ano se encaminhando para sala.
Aos poucos o alvo do ódio de Baro se acostumava com a vida em Seul, com as reuniões do clube passou a se socializar mais, mantinha pequenas conversas com quase todos da sala, passou a rir das piadas de MinWoo, cada vez mais se sentia confortável ao lado de GongChan, e também passou a conhecer um pouco mais daquele que todos julgavam ser “estranho”.
De estranho o moreno não tinha nada, Sandeul entendia o lado mais sensitivo do amigo, ele não era uma aberração, era na verdade muito especial. Puro em sua essência, mesmo sendo vítima dos valentões não os odiava, sempre dizia que sentimentos ruins atraiam coisas ruins, que mesmo com todo mal que causavam a ele, mesmo que o destruíssem por dentro com seus insultos, ele jamais desejaria dar o troco. Primeiro porque ele não seria capaz de machucar qualquer ser vivo, segundo porque ele sabia que um dia tudo seria acertado, mas não por ele.
Ele apenas sentia pena, pessoas que carregam sentimentos tão devastadores raramente tinham salvação.
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Para alguém geralmente calmo ele estava bastante agitado naquela manhã, corria afobado pelos corredores tentando chegar a tempo na primeira aula, sua sala era a última do corredor, e alguns alunos ainda transitavam pelo lugar, o que atrapalhava sua corrida desenfreada pelo colégio.
“Tenta enrolar o professor, estou atrasado!”
Mandou a pequena mensagem pelo celular, e com os olhos colados ao display esperava obter uma resposta positiva do amigo, Baro era ótimo em enrolar as pessoas, com sua conversa fácil ele conseguia distrair até o professor mais severo. Mas enquanto ansiava uma resposta e corria ao mesmo tempo, acabou trombando em alguém, e droga, era uma garota.
- Você se machucou? – Perguntou aflito, só faltava machucar alguém naquela hora.
- Hey quatro olhos, esqueceu seu cão guia? – Ela respondeu ríspida, já odiava aquele lugar no primeiro dia de aula. Era só o que faltava um idiota em seu caminho enquanto não achava sua maldita sala!
- O que disse? – ShinWoo jurava ter ouvido errado, era impossível alguém chamá-lo de “quatro olhos”, quem era aquela garota mal educada? Não se lembrava de ter visto criatura mais estranha em sua vida.
- Além de cego, é surdo! – Bufou impaciente. – É burro também? Não está vendo que me atrapalha? – Bateu o pé contra o chão, o garoto aparentemente mais velho do que ela estava interrompendo sua passagem.
- Aish, já vi que tem alguém aqui de TPM. – Retrucou. Quem aquela, aquela, aquela... TaeMin de saia pensava que era? Porque além do gênio ácido do amigo, ela se vestia exatamente como o “rebelde” da turma. Usava coturnos e uma meia calça toda desfiada, o uniforme amassado parecia ter sido pisoteado por um elefante, e a cara de tédio da garota se assemelhava a uma porta.
- Você que parece uma mulherzinha com esse cabelo preso, patético. – Rodou os olhos em sinal de impaciência. – Pode me deixar passar, ou o ceguinho quer ajuda pra chegar em sua sala? – Provocou.
- O corredor é largo, se não percebeu. – Disse apontando para o lado, era só a garota se desviar dele, oras! Ela poderia passar com um caminhão por ali.
- Percebi, mas você também é gordo e ocupa muito espaço. – Cruzou os braços e ajeitou sua mochila cheia de tachas e correntes, ela não iria se mover dali. O garoto estranho que se desviasse dela.
- Por acaso eu te fiz alguma coisa? Desde que nos esbarramos você só me xingou! – ShinWoo estava indignado com as atitudes da desconhecida, ela só o insultara até então.
- Quer saber, vai, pode passar. – Respondeu dando um passo para o lado, o que dava espaço suficiente para o garoto passar. – Aqui é a faixa preferencial para idiotas, me desculpe por não ter visto. – Apontou para onde ShinWoo estava. – Pronto quatro olhos, pode passar, bye bye. – Acenou sem vontade enquanto partia.
ShinWoo piscou algumas vezes, tentando assimilar o que aconteceu ali. Quem era aquela garota? Se os traços não fossem diferentes, poderia jurar que ela era irmã gêmea do revoltado Lee TaeMin, mas só tinha certeza de que não gostou nem um pouco dela.
“Ih cara, o professor já começou a aula. Onde você se meteu que não chegou até agora?”
Foi surpreendido pelo toque do celular indicando uma nova mensagem, era só o que faltava, por culpa da estressada ele perdeu a primeira aula. Tratou de responder Baro logo e mudou de direção indo até a biblioteca, bom, ele teria que se distrair nos próximos quarenta minutos.
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“Era meu primeiro dia de aula naquele colégio, e só para variar eu já odiava cada metro quadrado e tudo que estivesse nele. Ali não era meu lugar, voltar ao meu país de origem não estava nos meus planos, era tudo culpa da minha adorada irmã. E ainda me deparo com um sujeitinho ridículo metido a nerd, justo quando não encontro nem ao menos a sala de aula. Minha vida parecia estar no meio de um furacão... É Krystal você teria que enfrentar a fúria de todos os ventos.”
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Em poucas semanas de aula já tinha acumulado trabalhos para corrigir, porém não era sua culpa, seu apartamento era minúsculo e corrigir qualquer coisa naquele lugar era horrível, precisava de espaço e de tranquilidade, e o seu vizinho barulhento não ajudava em nada na hora de se concentrar. Aproveitar o tempo livre que tinha no trabalho era sua única opção, e por sorte a sala dos professores estava vazia justamente quando precisava de paz. Sua rotina andava agitada, nunca chegou a imaginar que a vida de professor era dura e atarefada, eram trabalhos para corrigir, aulas para preparar, e paciência, muita paciência para lidar com os alunos.
- Olha quem está sozinho... – Uma voz nada melodiosa sussurrou em seu ouvido.
E o dobro de paciência para lidar com um certo colega de trabalho.
- Você não deveria estar em aula? – Comentou azedo, assim que JongHyun puxou uma cadeira e se sentou ao seu lado.
- Oh, andou decorando meus horários? – O moreno sorriu abertamente, por mais mal humorado que Key fosse adorava provocá-lo. – Sabe Key, ainda não sei o porquê de não aceitar sair comigo, meus bilhetes não chegaram até você?
- Aish, para você sou Kibum, não te dei nenhuma intimidade para me chamar pelo apelido. – Bufou irritado enquanto tentava se concentrar no que estava fazendo. – E sim, seus bilhetes chegaram... Todos eles. – Fez questão de lembrar. – Procure as cinzas deles em alguma lata de lixo, fiz questão de queimar um por um.
- Sabe que isso me magoa, e mesmo assim insiste em me desprezar. – JongHyun fingiu estar indignado com o comportamento do mais novo. – Justo quando eu estava pensando em te levar em um restaurante novo... – Comentou como quem não quer nada.
- Um restaurante? – Key acabou se interessando no rumo da conversa. Há muito tempo não jantava fora, ou melhor, há muito tempo não provava uma comida requintada e compatível com seu nível. Estava cansado de comer em barraquinhas de rua. – Um pobretão como você não teria como me levar a um lugar cinco estrelas. – Riu debochado.
- Eu pagaria qualquer preço para ter você de sobremesa. – Soltou mais uma de suas cantadas. Que ele não sabia, mas eram péssimas. – Aceite, sei que faz muito tempo que não come “comida da boa”.
- Está querendo me comprar pelo estômago? – Era só o que faltava. Aquele cérebro de ervilha achar que Key estava à venda. – E como você irá pagar, hm?
- Eu tenho algumas economias. – JongHyun respondeu sincero. – Vamos, aceite. – Insistiu, dessa vez sem gracinhas e encarando Key seriamente. – Olha, sei que não começamos do jeito certo, e você pode ter me ignorado ao longo dessas semanas, mas aceite pelo lugar e pela comida.
- Tenho cara de quem passa fome? – O mais novo o encarou de volta, pela primeira vez notando que os olhos do professor de educação física não brilhavam em malícia, pelo contrário ele estava... Sereno. – Por que quer tanto sair comigo?
- Eu já disse que quando você rebola eu fico louco? – JongHyun perguntou animado, recebendo um tapa no ombro como resposta. – Falando sério, somos colegas de trabalho, é normal uma boa convivência, hm? E você também não tem nada a perder. – Declarou por fim. – Aceita?
Key analisou a oferta, jantar fora e em um bom restaurante não era nada mal. Sua mãe não conseguia mandar dinheiro para ele semanalmente, e ele não poderia mais se dar ao luxo de comer em um lugar sofisticado. Porém o problema era a companhia, o irritante Kim JongHyun, que desde que conhecera não tinha o deixado em paz, eram cantadas, bilhetes sem nenhum pudor, encaradas... O mais velho quase o comia com os olhos! Na verdade não entendia tal perseguição, não acreditava que JongHyun estava apaixonado por ele, aliás, era raro alguém se aproximar sem nenhum interesse.
Ser membro de uma família rica e prestigiada também tinha seu lado negativo, desde muito novo esteve cercado de gente interesseira, gente que estava de olho no dinheiro que sua família possuía, mas ali ele era um simples professor de artes, sem o glamour ou o dinheiro de antes. Não custava nada arriscar... Afinal era “comida da boa” como o bombadinho mesmo falou anteriormente.
- Tudo bem, eu aceito. – Respondeu após tanto pensar. – Quando?
- Nessa sexta! – JongHyun respondeu animado. – Me passe seu endereço que eu vou te buscar.
- Não será necessário, eu pego um táxi. – Cortou a animação do outro rapidinho. – Vá arrumado, não quero passar vexame. – Comentou de nariz em pé. Pobre e esnobe, como sempre.
- Não se preocupe, usarei minha melhor roupa! – Vangloriou-se. – E você... – Inclinou sobre Key assim que se levantou, mantendo seus lábios próximos a orelha do outro professor. – Escolha algo bem especial... Para usar por baixo! – Disse por fim, pegando suas coisas e saindo correndo da sala dos professores.
- Indecente! – Key gritou para o nada, JongHyun já havia deixado a sala.
Maldita hora que a pobreza bateu á sua porta! Até onde ele teve que chegar por um prato de comida?
x-x-x
Após realizar a chamada se sentiu mais uma vez frustrado, desde a última conversa que tivera com TaeMin nunca mais avistou o garoto pelos corredores, com certeza o menor estava fugindo de suas aulas, ou melhor, estava fugindo dele. Procurou saber com outros professores se TaeMin também faltava em outras matérias, e para sua surpresa ele assistia quase todas as aulas, chegava atrasado e muitas vezes sem material, mas pelo menos assistia as disciplinas.
Encarou mais uma vez a lista de presença, seus olhos fixos na sequência de “F” a frente do nome Lee TaeMin. Precisava encontrá-lo e arrastá-lo até a sala se fosse necessário, não sabia ao certo se era por querer livrar alguém tão jovem da escuridão, ou se era para acalmar seu desejo egoísta de estar frente a frente com o garoto novamente. MinHo sabia que era arriscado se envolver tanto, porém quando descobriu olhos tão mortos viu um pouco de si mesmo, um pouco do que ele quase se tornou.
- Por favor, continuem resolvendo as questões da página setenta. – Anunciou assim que resolveu tomar uma atitude, não poderia deixar um aluno faltar daquela forma. – Eu já volto. – Concluiu deixando a sala do terceiro ano.
Iria procurar TaeMin em cada canto, revistaria o pátio inteiro se fosse necessário, até iria na casa dele buscá-lo para assistir a aula. O descaso dos outros professores não justificava um aluno entrar e sair quando quisesse da aula, a falta de limites por parte da direção era um absurdo, o garoto até mesmo fumava na porta do colégio, seus colegas de profissão não poderiam ser tão indiferentes a situação do garoto, existia algo a mais, algo desconhecido para ele.
Porém, ele iria descobrir.
Começou indo até a portaria, tendo a confirmação de que TaeMin passou pelos portões do colégio naquela manhã, aproveitou e procurou o menor por todo pátio, também não o encontrando. “Aish, ele não pode ter evaporado”, pensou voltando ao prédio onde dava aulas, já estava a ponto de desistir de encontrá-lo, pois ele também não estava em nenhuma sala vazia.
- Pro-professor, eu não estou matando aula. – Deparou-se com ShinWoo próximo a sala do terceiro ano. – Só estou esperando o segundo horário para entrar na sala, acordei atrasado. – Coçou a nunca em sinal de nervosismo, levar uma advertência não seria muito agradável.
- Não, tudo bem. – MinHo sabia que ele era um bom aluno, não o recriminaria por algo tão aceitável. – Se quiser pode voltar agora. Aproveite e dê uma olhada na turma por mim. — Pediu.
- Certo professor. – Assentiu, agradecido por não levar uma bronca. – Então eu já vou indo. – Tratou logo de se despedir, o mais velho carregava um semblante preocupado.
- Espere. – Lembrou-se que o garoto era de certa forma amigo de TaeMin, quem sabe ele não conhecia o paradeiro do “matador de aula.” – Quando o Lee TaeMin mata aula, onde ele costuma ficar? – Foi direto, precisava encontrá-lo logo.
- Ah... – ShinWoo pensou antes de responder. – Ele não iria gostar muito se soubesse que eu te contei. – Mordeu o lábio em outro sinal de nervosismo.
- Por favor, é importante. – Disse sincero. – Eu estou disposto a ajudá-lo, e prometo não contar nada sobre você ter me dito algo.
- Bom, ele... Ele fica lá em cima. – Apontou para o alto. – Ele gosta de observar o céu, se é que me entende. – Tentou soar claro sobre o paradeiro do amigo. – É melhor eu ir para a sala, até mais professor. – Disse se afastando. – E... Boa sorte.
MinHo assentiu entendendo o recado, correndo o mais rápido possível até a cobertura, estava tão ansioso que mal percebeu que subia os degraus de dois em dois até o último andar da construção. E quando chegou lá suspirou aliviado, quem tanto procurava parecia dormir tranquilamente encostado em algumas caixas velhas, o cabelo comprido escondia o rosto do mais novo, a face serena contrastava com as roupas pesadas, TaeMin se vestia de forma desleixada, como se quisesse se esconder no meio de tanto tecido.
- Até quando vai fugir das minhas aulas? – Perguntou assim que se aproximou do mais novo, na verdade ele não dormia, estava apenas pensativo.
- Quando eu era criança amava subir em árvores. – Sorriu melancólico, não sabia porque estava dizendo aquilo ao professor mais irritante que tivera. – Minha mãe dizia que se eu encontrasse a maior árvore do mundo e subisse nela, eu poderia tocar o céu. – Abriu os olhos encarando o mais velho. – O que faz aqui?
- Eu vim te buscar. – MinHo respondeu, mas confuso pela confissão do garoto. – Há semanas não frequenta minhas aulas, conclui que estava me evitando. – Suspirou.
- Se concluiu o óbvio, por que insiste? – TaeMin o encarou. – Não tenho a menor intenção de voltar. – Tirou um cigarro do bolso, a presença do professor de história o deixava nervoso, a necessidade de fumar triplicava.
- Não é você quem decide isso aqui. – MinHo abaixou-se, retirando o cigarro das mãos do aluno, antes que ele o acendesse.
- Você não é nada meu, não pode mandar em mim. – O garoto irritou-se, levantou rapidamente e tentou em vão recuperar o cigarro. – Cuide da sua vida patética, das suas aulas patéticas e me deixe em paz! – Gritou.
- Você encontrou a árvore mais alta? – MinHo perguntou de repente, se lembrando das palavras ditas instantes atrás pelo menor. – Age como um cachorrinho assustado, por acaso você achou e cai dela antes de alcançar o céu?
- Cala boca! – Mais uma vez explodiu em fúria. – Não diga algo que você não sabe.
- Então me diga! – MinHo retrucou, segurando TaeMin pelos braços, fazendo com que ele o encarasse diretamente. – Me diga, o que te deixou assim? – Viu o garoto abaixar a cabeça, como se controlasse o próprio choro. – Chore, vamos. – O chacoalhou. – Chore, grite, coloque pra fora tudo que está preso no seu coração. – Pediu, tentando manter o tom de voz firme.
- Vingança. – O garoto sussurrou. – Quando eu subir, nada vai me fazer cair. – Confessou. Seu corpo tremia, mas ele não sabia se era de raiva, ou desespero. Por pouco não chorara na frente do mais velho.
- Vingança? – MinHo o soltou, porém o garoto parecia se quebrar a qualquer momento. – Do que quer tanto se vingar? – Perguntou, por um lado temendo a resposta do outro.
- Da vida. – TaeMin disse por fim, rindo em seguida, mudando completamente de humor.
- Professor MinHo! – O diretor apareceu ofegante atrás dele, pelo jeito HeeChul correu uma maratona até a cobertura. – Me acompanhe até meu escritório, precisamos conversar, por favor. – Pediu aflito, não conversara sobre TaeMin com ele.
- E eu vou indo nessa. – O mais novo avisou, pegando sua mochila em seguida. Já imaginava o conteúdo da conversa dos dois.
- TaeMin, sem mais problemas por hoje, ok? – HeeChul disse cansado ao garoto. – Vá, depois teremos uma conversa séria em casa. – O garoto assentiu, saindo e deixando os dois sozinhos.
- Vocês são parentes? – MinHo perguntou assim que o menor saiu, não estava entendendo nada do que se passou ali.
- Não, mas eu sou seu tutor legal. – HeeChul explicou. – Foi o último pedido da mãe dele, éramos amigos. – Comentou com pesar, lembrando-se da morte de sua querida amiga. – Quando você foi contratado achei que TaeMin não traria problemas, por isso não disse a você sobre ele.
- Se você é o tutor dele, se foi um pedido direto de uma amiga, por que todos nesse colégio são tão indiferentes a ele? – Não entendia a negligência por parte dos outros professores, muito menos de HeeChul.
- Não somos indiferentes, só tentamos de tudo para recuperá-lo, mas todo meu esforço parece em vão. – Respondeu sincero, suas olheiras tinham um motivo claro: TaeMin.
- Você é o responsável por ele, não pode simplesmente desistir. – MinHo não conseguia assimilar a fraqueza do diretor.
- TaeMin frequenta uma psicóloga, até ano passado tomava remédios controlados porque também tinha consultas com um psiquiatra. – Contou o que devia ter dito desde quando contratou MinHo. – Já tentei de tudo, nas férias ele ficou internado em uma clínica, eu... Eu não sei mais o que fazer.
- O que ele tem? – MinHo perguntou, mas temia a resposta.
- Ele está obcecado. – HeeChul respondeu. – Vamos até meu escritório e eu lhe contarei tudo.
O professor de história assentiu, seguindo o diretor até sua sala. O caso de TaeMin era mais sério do que imaginava, e ele mal sabia que de alguma forma eles estavam envolvidos, todo o ódio que o menor sentia um dia já fora seu próprio ódio.
Era capaz de entender ele mais do que qualquer um.
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No período da tarde Key estava a mil por hora, o pedido de alguns tecidos havia chegado e ele precisava levá-los até um dos camarins do teatro, o lugar estava servindo de sala para os figurinos, era um pequeno depósito, mas com as atividades do clube voltando a ativa o lugar agora era ocupado para algo mais útil. Porém ele tinha aula dali alguns minutos e não daria tempo de levar a encomenda. “E agora, o que eu faço?” pensou aflito, mas vendo sua solução brilhar logo na sua frente.
- JinYoung, pode me ajudar? – Perguntou ao ver o garoto no estacionamento, era seu aluno do terceiro ano e não lhe custava nada fazer um pequeno favor.
- Claro professor, em que posso ser útil? – O garoto respondeu educadamente, confirmando sua origem nobre, Key conhecia o aluno de alguns jantares em sua casa, sempre acompanhado dos pais, figuras influentes para a economia de Seul.
- Tenho aula daqui a pouco, poderia levar alguns tecidos até um dos camarins do teatro? – Disse apontando para algumas sacolas que estavam no chão. Recebendo um aceno positivo por parte do menor.
JinYoung viu o professor sorrir agradecido, tratando logo de levar as sacolas até o teatro, lembrava-se do mais velho de alguns jantares e de ocasiões onde era obrigado a ir, seu pai era presidente de uma grande empresa, e pelo pai de seu professor ser político vivia frequentando jantares em sua casa. Suspirou enquanto carregava as sacolas até o local indicado, torcendo para estar aberto.
Não precisou pedir muito, logo que entrou no teatro viu uma luz vindo do camarim da esquerda, pelo menos tinha alguém lá para auxilia-lo, o que ele não esperava era se encontrar com GongChan ali.
- Er, oi, eu estava mesmo esperando. – O garoto disse tentando soar simpático, mas na verdade estava surpreso em ver JinYoung ali.
- Você... Você sabia que eu viria? – Perguntou mais por curiosidade, será que o mais novo era mesmo vidente?
- N-Não, o professor disse que os tecidos chegavam hoje, então estava esperando. – Respondeu apontando para as sacolas, mas não estava mentindo, realmente não poderia saber que era justo JinYoung quem traria a encomenda.
Não poderia saber nada do mais velho.
- Ah, sim. – Ficou desconcertado na presença de GongChan, não sabia ao certo o que falar e como agir. Já tinha feito o que fora pedido, porém era a primeira vez que falava com o mais novo, e isso o deixava aflito e feliz ao mesmo tempo.
Um silêncio desconfortável se instalou sobre eles, era o primeiro contato direto que tinham e ambos não sabiam como agir. JinYoung praticamente suava frio, e GongChan piscava várias vezes tentando notar qualquer indicio de expressão ou sentimento no mais velho, falhando em cada tentativa. A presença do mais velho o sufocava e o atraia, estar no mesmo ambiente que ele era brincar com sua sanidade, tinha medo de falar coisas sem sentido, ele nem ao menos tinha algo para falar.
- É aqui que você fica? – JinYoung quebrou o silêncio, mordendo o lábio em seguida, estava nervoso, os tecidos já estavam nas mãos de GongChan, então por que ele insistia em manter contato? – Não costumo te ver muito nos intervalos. – Confessou.
- Depende, de tarde sim... De manhã fico na sala ou em algum canto do colégio. – Coçou a nuca, indicando uma cadeira para JinYoung se sentar. – Eu não posso transitar livremente por aqui, er... Você sabe.
- Me desculpe. – JinYoung finalmente falava o que tanto prendia em sua garganta, não aceitando o convite do mais novo e se aproximando um pouco mais dele. GongChan se mantinha parado próximo a uma penteadeira.
- Pelo quê? – O outro não era culpado, não se lembrava de nenhum insulto ou olhar de desprezo vindo dele.
- Por nunca ter te defendido. – Olhou diretamente para o mais novo, torcendo para que ele visse a sinceridade em seus olhos. – Não é certo o que fazem com você, não apoio, eu não te acho um anormal.
GongChan abriu a boca várias vezes, mas não sabia o que responder. Não entendia o motivo do outro confessar tudo aquilo, principalmente por ser tão repentino, não poderia saber se as palavras eram sinceras, não conseguia decifrá-las, porém estar perto de JinYoung o deixava com uma sensação estranha, não era algo vindo do mais velho, mas sim de si mesmo.
- Já ocupei demais o seu tempo, me desculpe. – JinYoung pareceu notar o desconforto do mais novo, ele não deveria ter dito aquilo. “Idiota, ele vai te achar um maluco!”, recriminou-se, pronto para deixar o local.
- Não! – GongChan gritou, segurando JinYoung pelo braço em uma atitude impensada. – O-obrigado. – Respondeu finalmente, sentindo um leve formigamento em sua mão ao tocar o mais velho. – Não há nada que possa fazer, mas mesmo assim obrigado... Sunbae.
JinYoung sorriu, sentindo seu coração acelerar um pouco mais.
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“Quando ele sorriu aquilo de alguma forma fez com que minha mão ainda em seu braço formigasse novamente, como se ao tocá-lo eu sentisse o mesmo que ele. Sem pensar duas vezes deslizei a ponta de meus dedos até sua mão, o toque fazia minha pele arder, mas eu não afastei aquele contato, pelo contrário, fechei meus olhos e me concentrei na pequena conexão que aquele gesto significava. E o que veio a seguir me assustou; pude sentir seu coração batendo como se fosse o meu próprio coração acelerado.”
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Espreguiçou-se pronto para dormir, o dia fora cansativo e ele só queria deitar em sua cama quentinha e adormecer. A cama ao lado estava vazia, Baro provavelmente usava o notebook na sala, ele não se sentia a vontade perto de Sandeul e na maioria das vezes enquanto um estava no quarto, o outro ficava na sala. Um pouco antes de se deitar Sandeul ouviu uma conversa entre o primo e a tia, pelo jeito Baro traria Sulli no apartamento durante a semana, queria apresentar a namorada aos pais.
Não sabia se era por esse motivo, mas escovou os dentes com raiva, colocou o pijama com raiva, se cobriu com raiva e no momento só queria adormecer logo.
- “Tá” dormindo? – Baro apareceu pela fresta da porta, sem saber ao certo porque estava falando baixo sendo que o quarto era seu, e ele não precisava ser educado com Sandeul.
- Não. – Sandeul respondeu, se sentando na cama para poder conversar melhor com o outro.
- Toma, papai comprou pra você. – Entregou-lhe um celular, era moderno e com certeza tinha funções que Sandeul jamais aprenderia a mexer. – O “velho” acha melhor você ser monitorado de alguma forma. – Baro explicou. – E já estava na hora de você ter um celular.
- Obrigado. – Sandeul agradeceu sincero, realmente o aparelho seria muito útil.
- Eu gravei os números dos meus pais, alguns telefones importantes como o do consultório da mamãe, e também telefones de emergência. – Baro disse sem muita vontade, não sabia porquê estava fazendo aquele favor ao mais novo. – E... Coloquei o meu número nos contatos, caso precise, sei lá. – Disse dando de ombros. – Se quiser eu apago. – Pegou o aparelho já se arrependendo de ter colocado seu número na agenda.
- Não, eu vou querer ele! – Sandeul o interrompeu, quase caindo da cama ao tentar recuperar o aparelho.
- Certo, faça como quiser. – Devolveu o celular que foi acolhido como um bem muito precioso por Sandeul.
Sandeul viu o primo deixá-lo sozinho, se afundando na cama enquanto tentava descobrir algumas funções do aparelho, mas antes verificando a lista de contatos e sorrindo ao ver o nome “Todo-poderoso-SunWoo” ali, só poderia ser coisa do mais velho mesmo, sempre egocêntrico.
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“Não sei até quando fiquei brincando com o celular, o brilho da tela era a única luz que iluminava o quarto. Baro ainda não tinha voltado da sala quando minha primeira mensagem chegou, mas assim que a recebi coloquei o celular na mesinha do abajur, dormindo instantaneamente em seguida.
A mensagem era dele...
Guarde esse celular e trate de dormir, pato zumbi.”
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Notas finais
CNU e Krystal? Será? Já digo que talvez não seja o que pareça... Mas eu gosto do couple. /corre
Beijos e até o próximo.
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