Sky
9 Durma bem, boa noite.
Notas iniciais
Mais um capítulo, um pouco chatinho, mas é o caminho para o próximo!
Boa notícia pra vocês: Com os professores federais em greve eu não tenho aula, vou ir três vezes por semana por causa do estágio, então o próximo capítulo deve sair domingo que vem.
Respondi todo mundo do capítulo passado, ok? Ok.
Beijos, boa leitura e me desculpem pelos erros.
P.S: Comeback perfeito do B1A4. *-*'
Odiava quando o menor se atrasava, aliás, odiava tudo nele. Um ódio tão grande que era exatamente na mesma proporção do amor que ele sentia pelo caçula, um amor possessivo, doentio. Seus sentimentos eram tão opostos que a vontade de socar Zelo e a vontade de beijá-lo tomavam conta de si no mesmo segundo, no fundo ele sabia que era errado desejar o irmão mais novo, mas a ânsia de tê-lo para si fazia sua visão nublar e seus instintos simplesmente tomavam conta do seu corpo e da sua alma.
Ele era completamente apaixonado por Zelo.
Desde o primeiro minuto de vida do caçula soube que o amaria eternamente, o pequeno bebê embrulhado em um cobertor azul parecia sorrir por trás do vidro do berçário, enquanto YongGuk na ponta dos pés tentava a todo custo ver o irmãozinho. Seus pais nunca chegaram a se casar, mas também não era um relacionamento complicado, então o casamento de seu pai com outra mulher nunca foi um problema, sua guarda sempre foi compartilhada, algo que ele agradecia aos céus, pois só assim poderia ficar mais tempo com o pequeno.
Porém as visitas nos finais de semana já não bastavam, queria vê-lo todos os dias, com o passar dos anos viu seu pequeno irmãozinho crescer ao mesmo tempo em que seu amor aumentava. Não era pelos laços sanguíneos, não era por serem criados juntos, era pelo simples fato de um pertencer ao outro.
- Porra Zelo! Eu queria chegar mais cedo no colégio! – YongGuk soltou já irritado com a demora do irmão, Zelo realmente precisava demorar tanto no banheiro?
- Aish, já estou pronto, já estou pronto... – O caçula respondeu saindo do banheiro, deparando-se com o mais velho sentado em sua cama. – Já disse para não invadir meu quarto. – Bufou irritado, ajeitando a bandana em seu pescoço.
- Por que? Existe algo que queira esconder de mim? – Bang levantou-se um pouco alterado, o perfume de Zelo invadia suas narinas, achava que o meio irmão estava se arrumando muito ultimamente. – Por que está usando bandana? Existe alguém para impressionar? – Encurralou o irmão em um canto do quarto. – Eu não vou perguntar duas vezes... – Disse juntando toda paciência do mundo.
Zelo sabia do temperamento do irmão, mas não estava fazendo nada de mais! Só queria um pouco de privacidade, YongGuk praticamente não o deixava respirar, estava cansado de ser um brinquedo na mão do mais velho.
- Eu sempre gostei de usar. Qual o seu maldito problema, Hyung? – Acabou se alterando, o gênio forte de YongGuk parecia dominá-lo naquele momento. – Não tem um dia nessa casa que eu tenho paz, no colégio também, você fica em cima de mim o tempo todo! Eu não sou mais um garotinho.
- Você não gosta mais de mim? – Tocou no ponto fraco de Zelo, ele sempre cedia a suas chantagens emocionais. – Qual o problema do irmão mais velho querer proteger o mais novo? – Tocou a bochecha do menor com a ponta dos dedos, apertando em seguida, com certa força, parecia querer quebrar Zelo em um único toque. – Não gosto que fale comigo nesse tom, não te ensinei isso. – Alertou, notando que os olhos do caçula brilhavam devido as pequenas lágrimas que se formavam ali.
- Hyung, me solta. – Murmurou, sentindo que o aperto começava a doer. Sentia muita raiva de YongGuk naquele momento, nada do que dissesse adiantaria. – Eu só quero ter meu espaço.
- Mas você tem. – YongGuk ditou com a voz melosa, distribuindo pequenos beijos na bochecha que antes apertava, notando a vermelhidão no local. – Agora tire essa bandana, não quero você chamando a atenção de nenhum idiota daquele colégio. – Mandou, mas ele mesmo fez questão de tirar o adorno do pescoço do irmão.
- Eu te odeio. – Zelo sussurrou, sendo abraçado pelo irmão.
- Não, você me ama. – YongGuk respondeu sereno. – Talvez até mais do que eu te amo. – Sorriu, inclinando seu corpo o suficiente para tocar os lábios do mais novo em um estalar de lábios.
Foi então que Zelo chorou.
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“Ele era doente e aquilo era errado. E eu? Eu era um maldito fraco que nem ao menos conseguia me impor, eu não tinha vontades, não tinha voz, era apenas um bonequinho nas mãos do meu irmão. Cada vez que ele me tocava o sangue que corria em minhas veias parecia reagir a ele, como se todas as palavras que ele dizia fizessem sentido, como se eu fosse mesmo parte dele. Meu maior medo não era dele me machucar com suas crises de ciúmes, era eu me render e ser contaminado por aquela doença, porque com o toque de seus lábios eu simplesmente esqueci do nosso laço sanguíneo.”
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x-x-x
GongChan era o único que poderia ajudá-lo, ele não tinha lugar para ir e simplesmente não podia chegar nos tios dizendo “oi, o filho de vocês me expulsou e eu não tenho onde passar a noite!”, complicar as coisas para Baro significava complicar as coisas para ele mesmo. A missão não era tão difícil, ele apenas precisava perguntar e torcer por uma resposta positiva, porém talvez não desse certo, afinal ele estava arriscando. Sua amizade com GongChan se tornava mais forte dia após dia, não que ele ficasse medindo, os dois apenas sentiam que um poderia confiar no outro, em qualquer situação, e no momento a situação era crítica.
- GongChan... – Chamou baixinho o amigo no corredor, o moreno arrumava seus livros no armário. Esperar até o dia seguinte foi uma tortura, e se GongChan não pudesse ajudá-lo?
- Bom dia! – O garoto se virou rapidamente, Sandeul mal piscou os olhos e já recebia um enorme sorriso em troca. – Seja o que for, a resposta é sim. – GongChan praticamente pulava de alegria.
- Sério? – Sorriu abertamente, GongChan realmente era muito bom nessas coisas de vidência que Sandeul não entendia. – Mas como sabia?
- Eu não sei. – Respondeu simples dando de ombros. – Acordei bem disposto, e pensei que fosse algo relacionado a você, então deve ser algo bom. – Explicou. – Mas então, o que é, hm, hm? – Ficou cutucando Sandeul que se contorcia para não sentir cócegas.
- Ah, eu preciso de um favor. – Mordeu os lábios em sinal de nervosismo, e se o outro achasse que ele era um folgado? – Eu queria saber se posso posar na sua casa hoje...
GongChan piscou algumas vezes, tentando assimilar o pedido. Seria a primeira vez que levaria um amigo em sua casa, ele não teria mais que inventar desculpas para sua mãe, que sempre perguntava sobre seus amigos, porque agora ele tinha um. Não era fruto de sua imaginação, onde muitas vezes se perguntou como era uma amizade verdadeira, trocar segredos, dar conselhos, rir de qualquer besteira que só os dois soubessem, ir um na casa do outro como se fossem da mesma família... Agora seria real.
- É claro que... Pode! – Riu com a cara que Sandeul fez com o falso suspense. – Minha mãe vai adorar receber você em casa, ela vive me cobrando isso, eu nunca tive um amigo para levar lá.
- Agora você tem. – Sandeul notou o desconforto do mais alto ao dizer as últimas palavras. – E eu também nunca posei na casa de um amigo. – Confessou. – Então empatamos.
- Aish, você precisa conhecer um restaurante que tem perto de casa, nós podemos almoçar lá amanhã. – Sorriu apenas com a possibilidade, só levaria um amigo lá, era seu lugar favorito.
- Não vou poder ficar até a hora do almoço. – Comentou triste, vendo a decepção nos olhos de GongChan. – Tenho uma entrevista de emprego em um jornal.
- Está procurando emprego? – Viu Sandeul assentir. – Seus tios estão fazendo algum tipo de cobrança?
- Não, não. – Tratou logo de esclarecer. — É bom eu ter um emprego, mas é algo na sexta-feira e no sábado, nos outros dias temos aulas, esqueceu? Estava acostumado a ajudar minha mãe, agora me sinto um inútil, eles me dão tudo. – Explicou.
- Ah, se for assim tudo bem. – GongChan concordou. – Ah, nem acredito que você vai em casa! – Riu, dando pequenos pulos e abraçando Sandeul. – Podemos jogar no vídeo game do meu irmão até tarde!
- Eu sou péssimo em jogos. – Revelou quando se afastaram, ao mesmo tempo em que o sorriso de GongChan sumia.
Do outro lado do corredor ShinWoo, HimChan e um nada contente JinYoung observavam a cena, até mesmo Sandeul com seu alto nível de inteligência em notar coisas óbvias percebeu que havia algo errado ali. JinYoung simplesmente passou reto, não olhando um momento sequer para GongChan, era ligar os pontos e perceber que o sorriso do moreno morreu por causa daquele gesto.
- Aconteceu alguma coisa? – Sandeul perguntou preocupado.
- Não, não foi nada. – Apertou a alça da mochila, tinha até mesmo comprado mais chocolates, iria dar ao mais velho assim que o encontrasse.
Não sabia como, mas estava começando a nutrir um sentimento bom em relação ao mais velho, e por não conseguir decifrar JinYoung ficava ainda mais inquieto na presença dele, engraçado que até o seu sono ele tirava. Quando viu ele passar reto simplesmente travou, porém era ousadia achar que eles seriam amigos, que eles um dia pudessem conversar em público. Seus sonhos e suas conversas com JinYoung se resumiam a um camarim onde ele trancava figurinos e desejos, onde as risadas que trocaram também ficariam presas.
Sandeul apertou o ombro do amigo em sinal de conforto, e resolveram ir para a sala de uma vez ou chegariam atrasados.
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- Oppa! – Uma voz animada soou assim que eles foram para sala. – O que faz escondido aí? – Olhou curiosa.
- Na-nada, eu não estou escondido. – Respondeu prontamente, depositando um beijo na bochecha da namorada. – Estava procurando um livro no meu armário.
- Ah, entendi. Seus amigos já foram para sala. – Apontou na direção que JinYoung e os outros seguiram. – Está tão distraído por causa do jantar?
- Não, meus pais vão te adorar. – Baro garantiu. – Escolhi a garota certa.
Sulli vibrou com a última sentença, Baro era o namorado perfeito, bonito, atencioso, popular e responsável, porque não era qualquer um que levava a namorada para conhecer os pais assim tão cedo. A maioria das garotas sentia inveja, muitas ali não viam a hora dos dois terminarem, mas cada vez o namoro ficava mais sério, o jantar no apartamento do namorado era a prova.
Nada poderia atrapalhar seu sonho realizado.
x-x-x
Duas semanas naquele país e já odiava tudo relacionado a ele.
Não trocara uma palavra sequer com seus colegas de classe, eram todos uns idiotas em sua opinião. Ela não, ela era diferente. Conhecia outros países, outras línguas, outras culturas, e voltar a morar na Coreia depois de tantos anos era como um retrocesso, porém o que ela achava não fazia a menor diferença perto da irmã perfeita, viveu a vida toda como uma sombra, ouvindo de toda família conselhos como “Você deveria seguir os passos da sua irmã” ou “Jessica é nosso orgulho, tão talentosa”, ou ainda e mais frequentemente “Por que você não é como sua irmã?”.
- Talvez porque eu não sou aquela Barbie sem cérebro. – Resmungou alto durante uma das aulas.
- Disse alguma coisa, senhorita Jung? – O professor rabugento perguntou.
Ela não respondeu, aquele cara era algum tapado? Não era nada relacionado a aula dele, insuportável por sinal, mas o homem parecia querer se intrometer.
- Eu perguntei a ela em que página do livro o senhor estava. – Sandeul respondeu sem pensar, mas pelo seu bom comportamento era querido pelos professores, então talvez a garota nova escapasse.
- Ah sim, página quarenta e nove. – Respondeu como se não tivesse chamado a atenção da garota antes, prosseguindo com a aula.
Krystal olhou para o garoto que a ajudou, notando sua presença pela primeira vez na sala, tinha cara de ser um nerd metido a certinho, mas ele tinha feito algo por ela, sem ao menos se conhecerem. Murmurou um “obrigada” meio a contra gosto, mas não custava ser educada com ele. Ninguém tinha culpa da sua raiva, mas era difícil ter que começar do nada, sempre se mudando devido a carreira de modelo da irmã, e quando estava se acostumando com a vida em São Francisco tivera que mudar novamente, dessa vez para o país de origem, largando seus amigos, sua banda e tudo que construiu em dois anos.
- Agora que estudamos todos os reinos, vou separar a sala em grupos para o trabalho sobre a matéria estudada, cada um será responsável por um reino e quero uma apresentação daqui quinze dias, entendido? – O professor de biologia interrompeu seus pensamentos.
“Trabalho em grupo, era só o que me faltava”, pensou olhando em volta, com quem aquele intrometido iria colocar ela?
- Senhorita Jung, como gosta de parar minha aula para ficar de conversinha com o senhor Lee, nada mais prático do que colocar os dois no mesmo grupo, não acha? – Ele parecia ler seus pensamentos, mas pelo menos o garoto não parecia ser chato.
Após a separação dos grupos a aula finalmente terminou, além de Sandeul, que agora ela pelo menos sabia o nome, ChanShik e uma tal de Qri também faziam parte do seu grupo, responsável pela pesquisa do reino monera. Eles iriam se reunir na segunda para decidir o que fariam, o que significava que ela seria obrigada a se socializar.
- Olá. – Uma voz conhecida e insuportável invadiu seus ouvidos assim que saiu da sala. – Como está sendo a adaptação da “leoa”?
- Normal, e a adaptação da baleia, como foi? – Respondeu para o quatro olhos do primeiro dia de aula, não sabia seu nome.
- Muito boa, por isso mesmo vim perguntar se não quer almoçar comigo, acho que começamos com o pé esquerdo. – ShinWoo tentou ser simpático.
- Você está me cantando? – Krystal foi direta. Era só o que faltava, o filhote de baleia míope queria ser seu amiguinho. – Dispenso seu convite. – Emburrou-se, ao mesmo tempo que sua barriga roncava em protesto, tinha esquecido o dinheiro do almoço justo naquele dia.
- Você sim, mas ela parece estar com fome. – Apontou para barriga da garota, que a cobriu instintivamente. – Vamos, pare de ser tão durona, é só um almoço.
- Não tenho dinheiro. – Respondeu olhando para o chão.
- Eu tenho, não se preocupe. – Disse balançando as notas entre seus dedos.
Krystal olhou para o dinheiro, depois para a cara de bobão do mais velho, analisou bem a situação e... Pegou as notas, saindo correndo no mesmo instante. “Valeu pelo almoço, quatro olhos bundão!” gritou antes de sumir pelos corredores. ShinWoo até pensou em segui-la, mas deixou pra lá, ela poderia até ter escapado, mas ele tentaria se aproximar novamente.
Só não sabia o motivo de querer conhece-la melhor.
x-x-x
Então o pato queria arrumar um emprego? Com certeza não era por ele se achar um inútil, Sandeul estava aprontando alguma coisa e ele iria descobrir, afinal ele não era conhecido como Sherlock Baro por nada. Certo, ele não era conhecido por esse nome, tinha acabado de inventar, mas mesmo assim ele iria descobrir o motivo do mais novo precisar de um emprego. E nada melhor do que manter alguém de confiança rondando seu primo, ele precisava se infiltrar onde Sandeul iria trabalhar, e para isso ele teria que conseguir o emprego.
- ShinWoo meu velho amigo. – Saudou amistoso, vendo que o mais alto praticamente comia o pão que o diabo amassou. – Por que “tá” com essa cara feia?
- Ah, fiquei sem o dinheiro do almoço. – Balançou o sanduíche que tinha em mãos, estava horrível, mas foi o que conseguiu pagar. – E você, por que essa cara de “eu preciso de um grande favor”?
- Bom... – Riu sem graça. – É porque eu realmente preciso.
- Então diga. – Deu mais uma mordida no sanduíche sabor vento.
- Mas antes me diz, como ficou sem dinheiro? – Sentou-se ao lado do amigo, que comia sozinho na enorme cantina.
- Uma garota me roubou. – Respondeu, recebendo uma risada em troca. – Hey, não ria! – Deu um soco com certa força no braço do amigo. – Ela não é qualquer garota, parece, sei lá, um bicho fora de controle.
- Você trabalha com animais, acho que escolheu a garota certa. – Baro comentou divertido, aquela era a deixa para ele entrar no assunto do emprego. – Por acaso está gostando dessa garota?
- Eu? Gostando daquela TaeMin de saia? Jamais. – Indignou-se. – Só quis ser simpático.
- E pelo jeito ela te deu o fora. – Brincou mais uma vez. – Ai, ai, ai! Não precisa me bater. – Choramingou quando recebeu, merecidamente, outro soco. – Mas voltando ao meu pedido, eu preciso de um emprego onde você trabalha.
- Ahn? Na Pet Shop? – Não estava entendendo aquele pedido.
- Não, na padaria! Mas é claro que é na Pet Shop. – ShinWoo conseguia ser lento quando queria. – No mesmo período que você trabalha.
- E por que você resolveu trabalhar? – Perguntou, afinal Baro era um folgado. – Até estamos precisando de gente na sexta e no sábado, o Hyung inventou uma promoção doida de banho e tosa, agora nosso número de clientes dobra durante esses dias.
- Não é pra mim, eu lá tenho cara de quem gosta de trabalhar? E com bicho ainda por cima? – Bufou impaciente. – É para o meu adorado primo. – Explicou por fim. – Posso levar ele lá amanhã?
- Pode... – Estranhou Baro estar tão prestativo com alguém, ou melhor, nem sabia que o amigo tinha um primo. – Eu converso com o Hyung hoje, acho que não tem problema, mas desde quando você tem primo?
- Ah, é uma longa história. – Baro suspirou. – E um segredo só nosso, entendeu? Depois eu te explico melhor. – Avisou.
- Certo... – Concordou ainda receoso com o pedido, com certeza Baro estava aprontando alguma.
- Ah, você é o melhor amigo do mundo! – Baro vibrou de alegria, levantando-se e dando um beijo na bochecha do mais velho que fez uma careta com o gesto. – Agora eu vou procurar aquela que se diz minha namorada, mas valeu, fico te devendo uma.
“E eu vou cobrar!”, pensou Shinwoo assim que Baro saiu. Primo? Ou Baro estava realmente se importando com alguém, ou queria tirar proveito de alguma coisa.
Conhecendo o amigo como conhecia, a segunda opção soava bem mais convincente.
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Não sabia porque estava se arrumando tanto, era apenas um jantarzinho com o professorzinho sem cérebro, tudo no diminutivo porque o restaurante nem devia ser tão luxuoso, jamais alguém como Kim JongHyun poderia proporcionar um jantar digno de alguém como ele, mas fazia tanto tempo que não saia para jantar em um lugar melhor, que a companhia insuportável do mais velho era o de menos. Não estava conferindo seu cabelo pela milésima vez por causa de JongHyun, sempre fora vaidoso e nunca saia de casa sem conferir cada fio de cabelo, mas ainda faltava escolher uma camisa e um sapato, eram tantos que ficava na dúvida. Pelo menos conseguiu levar todas as suas roupas e todos os sapatos para o pequeno apartamento.
A sua sorte é que tinha um emprego fixo, graças a amizade com HeeChul, pelo menos conseguia pagar as contas e sua geladeira estava abastecida, com alimentos leves devido a dieta balanceada que seguia, só naquela noite iria permitir um pequeno exagero de sua parte, sempre fora um bom degustador afinal. Quando estava prestes a escolher sua roupa o interfone tocou, aquele maldito prédio não tinha sequer um porteiro.
- Hey, sou eu! – Uma voz soou animada do outro lado da linha.
- Ah, pode entrar. – Disse simplesmente, liberando a entrada do visitante.
A ficha da burrada que tinha feito só caiu quando ouviu a campainha tocando.
“Droga, eu deixei ele subir!”, pensou atordoado vendo um JongHyun muito sorridente pelo olho mágico. Olhou para si mesmo e viu que ainda estava sem camisa, pensou duas vezes antes de abrir a porta, maldita hora que aceitou que o outro lhe buscasse, eles poderiam muito bem se encontrar no restaurante, mas Key não queria ir de ônibus e ir de táxi não era uma opção.
- Está adiantando. – Resmungou assim que abriu a porta, indo para o quarto em seguida, pois o mais velho praticamente o comeu com o olhar.
Na opinião de JongHyun não existia uma visão tão bela quanto a pele de Key, totalmente convidativa ao toque, e pelo que se lembrava era macia como aparentava ser, na fração de segundos em que viu a silhueta magra e desnuda do professor de artes pode deleitar-se com o seu desejo mais íntimo e secreto. No mesmo espaço de tempo imaginou deixar o suposto encontro dos dois para outro momento, por ele ficariam ali mesmo no apartamento que era menor que o seu, jogaria o dono do lugar em qualquer parede gasta e o tomaria para si no mesmo instante.
Nunca foi tão difícil manter sua sanidade.
- Por que está parado feito uma estátua? – Key perguntou do quarto, elevando um pouco a sua voz para que Jjong o ouvisse. – Tudo isso por que me viu sem camisa? – Riu do comentário.
- Eu sei que fez de propósito, ama me provocar. – Respondeu com bom humor, notando a decoração do lugar.
O apartamento era composto por quatro cômodos e uma pequena lavanderia, dando uma boa olhada em volta JongHyun percebeu que nada se assemelhava ao luxo onde o mais novo cresceu, ele conhecia a fama da família Kim, e ver o caçula deles em um lugar tão simples era um contraste imenso. As paredes estavam gastas e o papel de parede envelhecido, a sala era ocupada por um sofá e uma pequena televisão, já a cozinha por uma geladeira e um forno elétrico, Key tinha jeito de quem vivia comendo apenas frutas e verduras. O quarto do mais novo parecia ser o ambiente mais arrumado do apartamento, a porta estava aberta enquanto ele se trocava e cantava uma música qualquer, Jjong não pode deixar de notar que a voz dele era agradável de se ouvir. De longe viu que o papel de parede era novo, com certeza Key passava a maior parte do tempo no quarto, havia uma penteadeira repleta de perfumes e produtos de beleza, onde seu notebook também ocupava um espaço no móvel.
- O que está espiando no meu quarto? – Key surgiu pela porta, já pronto, o cheiro do perfume que usava dominava o apartamento e os sentidos do visitante. – Vamos, quero ver que restaurante é esse. – Disse passando reto pelo mais velho indo abrir a porta.
JongHyun esperou alguns segundos para se acostumar com a visão, Key estava lindo usando uma calça justa e uma camisa solta, parecia uma bata da forma que caia leve sobre o corpo magro, quanto mais simples mais bonito ele ficava. Desceram em silêncio, o prédio antigo de quatro andares não possuía elevador.
O silêncio só foi quebrado pelo berro agudo de Key.
- De quem é essa lata velha?! – Gritou quando chegaram na calçada, um carro antigo assim como seu prédio estava estacionado bem na sua frente. – Deviam incinerar esse monte de ferro retorcido!
- Hey, não fale assim do Romeo, ele tem sentimentos! – JongHyun indignou-se. – Fique sabendo que ele está há anos na família, meu pai passou para mim e depois ele irá para os meus filhos.
- Com certeza o “Romeo” não dura até a próxima geração. – Comentou analisando o carro, parecia ter uns mil anos com a pintura gasta e os pneus carecas. – Me recuso a andar nisso.
- Ok, pague um táxi se ainda quiser jantar... – Cantarolou rodando as chaves do automóvel entre os dedos, entrando no carro em seguida.
- Aish, eu te odeio, sabia disso? — Key grunhiu de raiva, entrando no carro irritado, poderia pegar tétano naquela velharia. – Espero que o restaurante compense, não me arrumei por nada...
O mais velho apenas ligou o rádio, rindo das reclamações de seu acompanhante.
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“Durante todo caminho sua voz ecoou pelo carro, ele não parava de reclamar ou me xingar nem para respirar. Eu apenas ria verdadeiramente do seu gênio explosivo, ao mesmo tempo infantil, Key parecia uma criança mimada, e eu sabia que ele era exatamente assim, talvez por isso me encantei tanto. Por trás de todo o pó de sua maquiagem se escondia alguém frágil, que perdeu tudo aquilo que considerava seu chão, mesmo ele sendo tão fútil, um coração ainda batia ali. A música tocando no rádio e o som da sua voz era tudo que eu precisava naquele momento, pois eu sabia que no fim da noite ele talvez se lembrasse de mim e a partir desse instante eu desejaria muito mais que ouvi-lo reclamar.”
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Assim que se despediu de sua namorada pode respirar em paz. O jantar fora exatamente como planejado, seus pais adoraram a garota, mal conseguia contar nos dedos quantas vezes sua mãe a elogiou, dizendo que ela era muito bonita e simpática. Baro sentia como se uma missão fosse cumprida, porque além de Sulli ser aceita, seu primo não estava ali para atrapalhar.
Quando chegou ao apartamento após o colégio, estranhou a casa estar tão silenciosa, apesar de Sandeul não fazer muito barulho ele sempre estava vendo televisão ou inventando alguma receita na cozinha, e como o mais novo já conhecia o caminho voltava sozinho na maioria das vezes e antes de Baro. Sua mãe estranhamente já estava em casa procurando algum restaurante para pedir a comida, não que fosse péssima cozinheira, mas nada poderia dar errado naquele jantar. Ao perguntar do primo lembrou-se onde ele iria dormir quando sua mãe respondeu que ele fora posar na casa de um “amiguinho muito bonito”, que na verdade era o “amiguinho muito estranho” do mais novo, o tal do GongChan.
Sandeul iria dormir na casa do “anormal”, o que em sua opinião era um absurdo, ele já era um tonto, andando com o esquisito só faria as coisas piorarem. Era uma péssima companhia, e se soubesse antes de ter ouvido a conversa dos dois pela manhã, não teria tentando se livrar do primo, até mesmo odiando o mais novo com todas as suas forças, admitia que era arriscado deixar o primo indefeso e desprotegido perto do GongChan esquisitão, não sabia como aquela criança era mais alto do que ele, um absurdo.
E se aquele gigante usasse o primo para algum ritual de magia negra? Porque com coisa boa aquele garoto não estava metido. Já via as manchetes nos jornais, a foto do primo na primeira página e a notícia: “Garoto expulso de casa pelo primo cruel procura abrigo na casa de magia negra e morre após ritual satânico.”
- Filho, está tudo bem? – Sua mãe preocupou-se ao ver como Baro estava pálido.
- E-está, eu vou para o meu quarto. – Disse saindo correndo em direção ao aposento.
Estranhando em como ele estava vazio.
“Droga, se comerem as tripas dele a culpa vai ser minha”, pensou desesperado sentando na cama que pertencia ao primo. Talvez devesse ligar e perguntar se estava tudo bem, não que ele estivesse preocupado com a segurança do mais novo, ele só queria ter certeza que o outro estava vivo ou seus pais é que o matariam por não ter cuidado direito do menor.
Quando estava prestes a ligar recebeu uma mensagem dele.
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“Por um bom tempo eu não desgrudei os olhos do meu celular, ainda tentado a ligar para ele, só assim teria certeza que tudo estava bem. Apenas sua voz me acalmaria. Eu não sabia o nome do que estava sentindo, se fosse em outra ocasião eu poderia muito bem descrever o que senti: Saudades. Mas lutando contra aquela tormenta que era a existência dele em minha vida, apenas fechei meus olhos fazendo de tudo para esquecê-lo, com a sua mensagem doce passando pela minha mente... Durma bem, boa noite... Foi o que fiz e pela primeira vez Sandeul dominou meus sonhos.”
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Notas finais
Beijos e até o próximo. ♥
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